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Capítulo 3

Author: Persimmon
Quando acordei, não fazia ideia de quanto tempo tinha ficado desacordada.

Ainda estava naquele mesmo depósito sem janelas. Meu corpo inteiro parecia ter sido desmontado e remontado do jeito errado. A cada respiração, sentia como se algo metálico raspasse minha garganta.

Mas ouvi vozes do lado de fora.

Uma voz feminina.

— Como ela ficou assim?

Tensionei-me.

Eu conhecia aquela voz.

Nora.

Minha amiga. A mesma que havia me vendido por vinte mil dólares.

— Qual é, Nora. — Disse o sujeito que havia me espancado, em um tom bajulador. — Ela não quis cooperar. Recusou-se a trabalhar. E ainda teve a audácia de dizer que era noiva do Don. Dá para acreditar na cara de pau?

Nora me chutou.

— Você? Mulher do Don? Vá sonhando.

Fiquei deitada ali, machucada demais para me encolher, fraca demais para fazer qualquer coisa além de suportar.

— Por que ela não está se mexendo? Está morta?

— Não. Ainda está respirando.

— Não deixem ela morrer. Seria fácil demais. — A voz de Nora se transformou em uma risada fria. — Deixem ela viver. Façam ela trabalhar até morrer nesse lugar de merda.

Cerrei os punhos — as unhas cravando nas palmas das mãos —, mas eu mal conseguia mais fechar a mão.

Alguém entrou correndo.

— Todo mundo se reúna! O Don está convocando uma reunião.

Todos saíram.

Forcei-me a permanecer consciente, arrastei meu corpo centímetro por centímetro até a porta e encostei o ouvido na fresta.

Eu não conseguia enxergar. Mal conseguia falar. Mas meus ouvidos ainda funcionavam.

Do corredor, a voz de Caleb atravessou o ar — fria como aço:

— De onde veio esta foto?

Meu corpo inteiro estremeceu.

Minha foto. Eles deviam tê-la encontrado na minha bolsa e deixado por aí. E Caleb a encontrou.

— E-eu peguei na porta. Só trouxe para dentro. — A resposta saiu fraca e nervosa.

A voz de Caleb ficou ainda mais fria.

— Você pegou? Tem certeza? Mentir para mim tem consequências.

A voz do homem começou a tremer.

— E-eu encontrei por aí, eu juro...

— Estou procurando essa pessoa. — Caleb pronunciou cada palavra lentamente. — Você sabe onde ela está?

— Eu não sei... ela provavelmente só estava de passagem. Deve ter deixado cair por acidente.

Um instante de silêncio.

Então o tom de Caleb mudou — não estava frio, mas perigosamente baixo:

— Encontrem-na. Agora.

Passos rápidos vieram na minha direção.

Recuei, encolhendo-me atrás da porta.

A porta de ferro se abriu. O homem que havia me espancado agarrou minha gola e me arrastou para fora como um saco de lixo, levando-me até o centro do corredor e me jogando no chão.

— Don, isso é só uma puta sem valor. Não vale a pena sujar os seus olhos com ela.

Fiquei deitada de bruços, com sangue e sujeira cobrindo meu rosto. Meus olhos estavam semicerrados, mal conseguindo distinguir a silhueta à minha frente. Meu cabelo era um ninho de ratos, meu rosto estava inchado e coberto de hematomas — tão desfigurado que nem eu mesma me reconheceria.

O olhar dele percorreu meu rosto e então desceu. Até meu pescoço.

Ali — uma fina corrente de prata. Tão delicada que quase não podia ser vista. Pendurado nela, um pequeno pingente.

O anel que ele mesmo havia colocado em mim. Três anos atrás.

As pupilas de Caleb se contraíram bruscamente.

Ele caminhou até mim. Um passo. Dois. Três.

Ajoelhou-se à minha frente.

Estendeu a mão, com um lenço branco entre os dedos, e começou a limpar o sangue do meu rosto. Aos poucos. Pela minha testa. Descendo pela ponte do nariz. Passando pela maçã do rosto. Até parar na pequena pinta marrom no canto do meu olho esquerdo.

O ar ficou imóvel. Nada além de respirações.

— Você... — A voz dele falhou. Pela primeira vez, aquele tom arrastado e preguiçoso havia desaparecido. Sua voz ficou baixa e rouca.

Caleb baixou os olhos para mim, os dedos se fechando ao redor do anel. Ele o virou levemente.

O nome gravado no interior — Olivia — captou a luz acima de nós. Em apenas um lampejo.

Ele congelou. Completamente.

Abri a boca. Apenas um gemido entrecortado saiu.

Lágrimas misturadas ao sangue escorreram para a palma da mão dele.

Caleb virou lentamente a cabeça e disse aos homens atrás dele:

— Qualquer um que tenha tocado nela — está morto.

Então se abaixou e me tirou do chão.

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