LOGINO tratamento de Íris já tinha terminado, e Luiza também não estava com pressa de voltar para o Solar do Lago.— Eu estou livre. Você quer ir aonde?— Você que escolhe. — Lilian respondeu.Luiza pensou por um instante:— Então vamos no lugar de sempre?— Está bem, eu chego em mais ou menos meia hora. — Lilian disse.— Vai com calma, não precisa correr.Luiza encerrou a chamada e, um pouco sem graça, olhou para Íris e Nina:— Dona Íris, Nina, a minha amiga me chamou para sair, dar uma volta no shopping. Eu vou ter que ir.— É a Lilian? — Nina perguntou de repente.Luiza se surpreendeu.— Como você adivinhou?— A única amiga por quem você se preocupa tanto é ela. — Nina sorriu de leve e, em seguida, falou em um tom calmo. — Luiza, você faz um favor e leva um recado meu para ela.Luiza ficou curiosa:— Que recado?— Diz para ela que… — Nina fez uma breve pausa e olhou para Luiza com seriedade e franqueza. — Diz que, de agora em diante, a família Frota não vai mais se meter na vida amorosa
Depois que Luiza terminou o expediente na clínica, ela, como de costume, foi até o Residências Brisa Serena para tratar de Íris.Quando terminou de retirar as agulhas, ela ajudou Íris a se sentar devagar na maca de acupuntura.— Dona Íris, a senhora está se sentindo como hoje?— Muito melhor, esta perna está claramente mais firme do que antes.Íris mexeu um pouco a perna direita, com um sorriso leve no rosto que há muito tempo não aparecia.— Depois que você ajustou a fórmula da última vez, o efeito ficou bem melhor do que antes.Luiza curvou de leve os lábios e, enquanto guardava o material de acupuntura, falou:— Então eu vou ajustar mais um pouco a fórmula de acordo com o que eu vi hoje. A senhora pede para alguém passar na Clínica para buscar o remédio.— Está bem, eu faço tudo do jeito que você mandar.Íris calçou os sapatos, e Luiza a ajudou a se sentar na cadeira de rodas. As duas saíram juntas do quarto.Nina estava sentada na sala do andar de baixo, revisando uns documentos. A
Como advogada, Lilian acabava lidando com todo tipo de gente, de todos os meios. Ela já tinha conhecido muitos homens como Domingos e não pretendia guardar o que tinha acontecido naquela noite no coração.Depois que os dois entraram no carro, Cauã ligou o aquecedor no máximo.O trajeto inteiro ficou em silêncio, até o carro entrar na garagem subterrânea do Condomínio Bela Vista. Só então Lilian chamou por ele:— Cauã.O tom dela saiu duro, distante.Mesmo assim, Cauã curvou de leve os lábios, satisfeito:— Hum.— Você não tem medo de ele sair por aí falando? — Lilian perguntou.— Falando o quê? — Cauã rebateu. — Que eu o peguei no flagra humilhando uma advogada?Cauã girou o volante e completou:— Ele não pode se dar ao luxo de passar essa vergonha.Quando eles desceram do carro, Lilian foi na frente. Ao chegar à porta de casa, ela se virou e devolveu o casaco para ele.Cauã segurou a roupa que ainda guardava o calor do corpo dela e um perfume bem suave. Ele olhou para Lilian com um br
No hall dos elevadores do clube.Quando a porta do elevador se abriu, Cauã e Gustavo saíram de dentro.— Você me chama para pagar jantar, tudo bem, mas precisava marcar para nove da noite? — Gustavo veio logo atrás, olhou o relógio no pulso. — Luiza ainda está em casa me esperando.— O que tem às nove? — Cauã retrucou. — Você não vivia em reunião até de madrugada?— Antes era antes, agora é diferente.— Tá bom, a gente bebe um pouco e vai embora.Enquanto eles conversavam, os dois dobraram o corredor. Na frente, o garçom parado na porta de um dos salões privativos estava levando bebidas para dentro. As vozes lá de dentro vazaram para o corredor:— Lilian, se você não tomar este copo hoje, seu escritório pode esquecer qualquer negócio com o Grupo Imobiliário Horizonte no ano que vem. Eu estou falando sério. Eu cumpro o que eu prometo.— Sr. Domingos, eu repito: eu peço que o senhor me respeite.A expressão de Cauã escureceu de imediato. Ele passou rápido pelo lado do garçom e empurrou a
Embora fosse fim de semana, Lilian também não conseguiu realmente descansar em casa. As mensagens de trabalho não pararam do começo ao fim do dia. Quando ela respondeu uma por uma, já estava quase anoitecendo.Quando o colega Ciro ligou, Lilian estava analisando um processo. Aquele caso não era exatamente da área em que ela se sentia mais segura, mas ela ainda assim queria tentar.— O Sr. Domingos, do Grupo Imobiliário Horizonte, vai ser um dos nossos principais clientes no ano que vem. — Ciro explicou. — Vem jantar com a gente hoje, pelo menos para me dar essa força.No fundo, Lilian não queria ir de jeito nenhum.Ela já tinha ouvido falar da fama do Grupo Imobiliário Horizonte. A reputação de Domingos Moura no meio não era exatamente boa; na verdade, era bastante ruim. Mas Ciro era o chefe dela, e sempre a tratava muito bem.— Está bem. Manda o endereço para mim. — Lilian respondeu.A confraternização foi marcada em um clube privativo recém-inaugurado, perto do escritório.Quando Lil
O corredor ficou em silêncio por alguns segundos.Lilian ficou levemente atônita e, logo em seguida, entendeu do que ele estava falando.A família Frota tinha concordado em deixar Cauã ficar com ela.A frase chegou aos ouvidos dela como se fosse uma grande concessão, um favor imenso.Lilian abaixou um pouco os olhos, e o sorriso no canto da boca perdeu força:— Se a sua família aceita ou não, isso é problema da sua família.Quando terminou, ela abriu a porta e entrou em casa, sem deixar nenhuma brecha para Cauã responder.No dia seguinte, assim que Lilian chegou ao escritório de advocacia, ela viu um copo de latte quente em cima da mesa. Presa no copo, havia uma pequena nota:[Boa audiência].Lilian amassou o papelzinho sem olhar duas vezes e jogou direto no lixo. Depois empurrou o copo de café para um canto da mesa, onde ele ficou esquecido.— Lilian, você não vai tomar esse café? — Uma colega entrou com uma pasta de documentos e perguntou, curiosa.— Você pode tomar.— Obrigada, Lili







