تسجيل الدخولAo lembrar da marmita que tinha sido enfiada na cara dele, Gustavo sentiu o peito ficar todo travado.Que porcaria era aquela? Desde quando Luiza precisava ser cuidada justamente pelos empregados dos Soares?Ethan não passava de um ex-marido, do pai do filho dela, sem nome nem lugar na vida dela, e mesmo assim ele ainda precisava cruzar o caminho de Gustavo o tempo todo?Só de pensar no “pai do filho”, o peito de Gustavo ficou ainda mais pesado.Enquanto ele pensava, uma irritação começou a ferver por dentro. Ele quase deixou escapar mais algumas palavras atravessadas, mas, quando ele olhou para a mulher recém-desperta à sua frente, com aquela cara macia de quem tinha acabado de acordar, ele engoliu tudo de volta.Luiza não entendeu por que ele tinha puxado esse assunto de repente, mas ela concordou sem rodeios: — Tá bom.Gustavo não esperava que ela aceitasse assim, tão fácil. A irritação dele praticamente se desfez. — Só isso? Já topou?Ele tinha certeza de que ela viria com algu
Ethan, no entanto, acreditou na hora.Afinal, Luiza agora carregava um filho de Gustavo no ventre e ele tinha sido o homem que tinha acompanhado o crescimento dela desde pequena. Era mais do que natural que ela confiasse mais em Gustavo.Além disso, ele já tinha visto com os próprios olhos o quanto Luiza se apoiava em Gustavo.Só que, naquela época, ele tinha interpretado aquilo como o afeto de uma irmã pelo irmão mais velho. Pensando agora, Luiza já via Gustavo de outro jeito havia muito tempo.Então, por que ela tinha se casado com ele, Ethan, lá atrás?Ethan conteve a turbulência que sacudia o peito dele e respondeu num tom leve, que parecia não pesar em lugar nenhum: — É mesmo? Se ela te vê como irmão, é mais do que obrigação você cuidar bem dela.Depois disso, ele passou naturalmente a marmita que ele carregava nas mãos: — A Maia fez café da manhã pra ela e pro bebê.Ele falava e agia como o pai da criança.Ele só tinha plena consciência de que Luiza ainda não tinha esclarecid
Mesmo que Gabriela fosse mesmo a filha caçula dos Frota, a família Frota não era gente de passar pano sem olhar o que tinha acontecido.Desde o Sr. Callum até Nina, todos eram pessoas que sabiam pesar as coisas. Eles não iam virar contra os Soares só porque Gabriela soltasse meia dúzia de palavras.Rebeca, porém, não via assim: — Falar, até que é bonito. Mas quem garante que a família Frota não tá só fazendo cena?Afinal, os Frota eram um clã centenário. Na frente de tanta gente, eles não podiam simplesmente usar o poder pra encobrir tudo.Mas, a portas fechadas, quem é que podia garantir como seriam as coisas?— Ethan, ela sempre foi completamente obcecada por você. Se não tiver outro jeito… — Rebeca se convenceu de que também estava pensando na família Soares. Ela apertou os dentes antes de dizer o que queria. — Você podia casar com ela…Ethan reagiu como se tivesse ouvido uma piada de mau gosto e soltou, com ironia: — A senhora é tão boa em “olhar pelo todo” que, se quiser ir at
O homem, lá dentro do banheiro, clicou a língua e levantou a voz: — Eu falei de abdômen. Em que é que você tava pensando?Luiza também caiu em si. Sempre que ela ficava sozinha no mesmo ambiente que ele, os pensamentos dela tomavam um rumo perigoso, entortavam num piscar de olhos e corriam direto para o lado mais indecente possível.Ainda bem que a porta já estava fechada e o homem lá dentro não tinha como ver que o rosto dela tinha ficado vermelho até o pescoço.O box era de vidro jateado. Gustavo, do lado de dentro, enxergou a sombra do lado de fora se afastar às pressas, num jeito típico de quem fugia tomada de vergonha e raiva misturadas. O rosto anguloso dele se curvou num leve sorriso.Ele foi até a bancada da pia e, quase no mesmo instante, o olhar dele caiu sobre a escova de dente elétrica dele, colocada ali, lado a lado com a dela, uma à esquerda, outra à direita.Ela ainda não tinha guardado a dele.Aquilo queria dizer que Ethan, com certeza, ainda não tinha chegado a morar
— Achou o pijama? — A voz dela veio do banheiro, macia, úmida de vapor. — Aqui é igual ao apê da frente, o closet fica bem de frente pra cama…O incômodo que Gustavo tinha acabado de domar parado na porta do banheiro voltou a ferver, agora convertido num calor impaciente que corria solto pelo sangue.Lá dentro, Luiza só então se lembrou das camisolinhas curtas e sensuais que ela tinha guardado.Lilian tinha dado todas para ela, dizendo que, de vez em quando, ela podia usar só para “se agradar”, nem que fosse só pra se olhar no espelho.Mas, no último ano, a vida dela tinha sido uma corrida sem fim. Ela mal tinha tido tempo de pensar em agradar a si mesma.Luiza, conhecendo o mau-caratismo básico que Gustavo carregava no sangue, já tinha certeza de qual camisola ele ia escolher pra levar até ela.Só de imaginar a cena, o rosto dela, já quente por causa do vapor, pegou fogo de vez. Aquilo seria ainda mais constrangedor do que sair enrolada numa camisa dele.Toc-toc…A batida na porta vol
Luiza, porém, não tinha parado para pensar na questão que ele tinha levantado. No fim das contas, o maior negócio do Grupo Marques, anos atrás, tinha sido justamente o ramo imobiliário. Somando isso ao patrimônio de Gustavo, se alguém falasse de imóveis em Cidade A, se ele ficasse em segundo lugar, dificilmente alguém teria coragem de se colocar em primeiro.O apartamento em frente era só um imóvel que ele tinha alugado, nada mais. Sem falar que o lugar onde ele realmente morava, o Solar do Lago, ficava a poucos quilômetros dali.Luiza ficou um instante sem reação: — Você não vai voltar pro Solar do Lago?— Não. — Gustavo respondeu com a maior naturalidade do mundo. — Se eu tô sem lugar pra ficar, eu vou atrás de quem?Aquilo combinava perfeitamente com o jeito dele.O movimento de Luiza parou por um segundo. Ela ergueu a mão e limpou a espuma de xampu que quase escorria para os olhos: — Então eu deixo o Miguel e a Noemi ficarem aqui em casa.— Ótimo. — Gustavo soltou um riso curto







