MasukBELINDA
Os dias passaram voando e após muito refletir, decidi aceitar o convite de ser acompanhante de Mikael no jantar de boas vindas da família Seymour. No passado eu evitei ao máximo tais eventos, mas agora não irei me prender a conceitos ultrapassados. Pois não há necessidade ou justificativa. Talvez uma parte de mim não queira seguir em frente e estar como acompanhante de outra pessoa em um local onde certamente Liam estará presente, trará repercussão e de fato, as pessoas nos olharam como pessoas divorciadas. Busquei entre as opções a peça mais discreta que possuo. Um vestido preto estilo sereia com o comprimento das mangas até o pulso. A escolha do penteado seguiu a mesma na escolha do vestido. Um coque alinhado e baixo. E ao invés do habitual, não estou usando nenhuma joia, apenas uma bolsa como acessório. — Você está belíssima. Vamos ? Assenti apoiando-me em seu braço esquerdo. — Você está sendo gentil. Espero que a minha escolha não desagrade ou inferiorize a família Seymour. Afinal de contas, vocês são a estrela da noite! — Bobagem, minha mãe adora você e pelo contrário. Segundo a matriarca da família Seymour: A simplicidade e nobreza caminham juntas! Sorri negando com a cabeça. A mãe de Mikael sempre foi uma mulher gentil comigo, apesar de rígida com seu filho. Tenho algumas boas lembranças da família Seymour que sempre me tratou como um membro da família, me levando até mesmo em alguns passeios na minha infância e juventude. — Isto é para você. Mikael exclamou erguendo a peça diante dos meus olhos. Minhas orbes não acreditaram no que estavam vendo. Engoli seco e as palavras fugiram dos meus lábios. Mikael, percebendo minha hesitação e constrangimento, se aproximou repousando a peça em meus ombros. Todo o meu corpo ficou tenso e eu optei pelo silêncio. O casaco de pele de raposa é belíssimo, eu contestei pelo reflexo no vidro do carro. Mikael não havia tocado em nenhum momento nos últimos dias sobre “um possível nós”, mas esta atitude é significativa ? Um presente como este é desnecessário e tenho total conhecimento que não é uma ação de um “simples amigo”. Sem saber como agir, eu o encarei. Meus lábios secaram. Em silêncio nós nos fitamos intensamente. O caminho até o local foi tranquilo apesar de longo, pela minha escolha de morar longe de tudo e de todos. Quando o veículo parou os repórteres e toda a imprensa de Aumstand estava reunida no local.“Senhor Seymour como está sendo o seu retorno para Aumstand ?”“Senhor! Você e a ex-esposa do CEO da transportadora Beaumont já eram amantes ?”“Senhorita Jennings, o filho que está esperando ele é mesmo do CEO Beaumont ? Ou seria ele do herdeiro da família Seymour?”Mikael avançou na direção do repórter de cabelos vermelhos, mas eu o impedi. Desde sempre lidar com a imprensa foi como uma agulha debaixo da unha. Entretanto, mesmo que as palavras tenham me ferido, não poderia permitir que Mikael se envolvesse em um escândalo maior por minha causa.
— Não faça isso. Implorei segurando o braço de Mikael me encarou indignado. Com relutância ele desistiu. Mas sem antes fitar o repórter de maneira intensa. — Você deveria ter me deixado agir. — Não diga bobagem Mika. A imprensa tem acesso a lista de convidados, no momento em que você me convidou já deveríamos esperar por atitudes como essa. Relutantemente Mikael assentiu. Seguimos juntos para o interior do local que era palco para o evento. — Mikael, você está atrasado. O seu pai está furioso por conta disto. Exclamou sua mãe, Melissa Seymour. A mulher de meia idade estava impecável com um vestido verde contrastando com os seus longos fios castanhos presos com uma adorno de diamantes. — Belinda meu amor você esta belíssima minha criança. Não deixe que meu filho monopolize você, venha comigo, quero lhe apresentar algumas pessoas. — É claro minha senhora. Concordei caminhando ao lado de Melissa. Mikael me encarou em silêncio. Seu entusiasmo desapareceu conforme me afastava dele. Sorri ironicamente pensando que talvez tenha sido uma péssima ideia ter aceitado o convite, mas agora era tarde. O evento seguiu tranquilamente como previsto. No final o jantar de boas vindas para a família Seymour era apenas um pretexto, pois ao invés de estarem felizes com as empresas inauguradas na cidade possibilitando a geração de emprego para os cidadãos o que realmente motivava os presentes eram os benefícios que isso geraram a eles mesmos. Políticos, burgueses e empresários de todo o estado da Louisiana estavam presentes, mas no final, tudo era sobre dinheiro e benefício próprio. Apesar da família Seymour ter suas raízes em Aumstand, eles focavam seus investimentos no exterior, mas agora com o retorno dessa família importante, era o momento oportuno para os demais agirem se aproveitando dessa oportunidade única. — Belinda, eu gostaria de ter um momento contigo. Melissa diz chamando minha atenção. Assenti caminhando junto a mulher até o corredor no interior do salão. Algumas pessoas nos cumprimentam e mesmo que estejamos em público, do local onde estamos é meramente reservado para a conversa. — Como está sendo a sua gestação ? Mesmo que você ainda esteja nos estágios iniciais, espero que tudo esteja bem mesmo após os últimos acontecimentos. — Acontecimentos… ao invés disso a senhora gostaria de dizer divórcio, não é mesmo ? Melissa sorriu minimamente. Eu ri de escárnio. — Belinda eu conheço você desde o nascimento e prometi que junto ao seu padrinho, cuidaria de você. Eu fiz essa promessa ao seu pai. Todo o meu corpo ficou tenso como a menção da palavra pai. — Eu lamento… eu sei que é um assunto delicado, mas você compreende as minhas preocupações não é mesmo minha querida ? Você ainda é uma jovem mulher, mas assumiu responsabilidades bem cedo e sempre foi uma garota muito madura para sua idade. Eu acredito que você consiga me entender como mulher e como mãe. Concordei com a cabeça. Eu sei exatamente as palavras que Melissa Seymour quer usar, mas não diz em voz alta pelas pessoas próximas a nós. Ela pontuou perfeitamente nas entrelinhas. — O meu filho é apaixonado por você desde sempre, minha jovem, mas agora é um momento delicado para todos nós. — Eu sei bem… mas eu nunca correspondi os sentimentos dele senhora Seymour e jamais usaria o seu filho ou a sua família como muleta. — Independente, Mikael te ama e isso pode se tornar um problema. Antes não era e no futuro pode não ser, mas como uma garota esperta, eu preciso da sua cooperação no momento. Respirei fundo. Não era possível estar tendo um assunto como este com Melissa. Independente da minha relação com Mikael eu jamais agiria de forma que fosse prejudica-lo, mas ela como mãe, como poderia estar pensando apenas na família ou nas empresas e não no seu próprio filho e os seus sentimentos ? Isso era injusto com Mikael. Minhas mãos involuntariamente envolveram meu ventre como forma de me trazer alivio e acalmar o meu coração. Saber que o meu bebê está bem tem sido o meu conforto nessa tempestade que encontra-se a minha vida.“Meu Deus, eles vieram.“ Exclamou um grupo de garotas próximas de nós. Minhas orbes seguiram na direção que elas apontavam. Com atenção observei os irmãos da família Montmorency adentrarem o local. A atenção de todos, principalmente das mulheres, foi direcionada a eles. A família Montmorency é a família mais rica do estado da Louisiana e a nona de todo o país. Após um atentado há alguns anos atrás que resultou na morte da esposa e da filha mais nova de Bastien Montmorency a família se manteve reclusa fazendo aparições somente quando necessário. — Não se preocupe Melissa. Eu não serei um problema na ascensão do seu filho. Com licença. Sou rude propositalmente e dei as contas me afastando. Estava cansada emocionalmente e não tinha interesse em continuar o assunto tão enfadonho como aquele. Caminho sem rumo até uma porta no corredor. Agradeço mentalmente por Mikael está ocupado o suficiente para ignorar minha presença. Aspiro o ar gélido da noite preenchendo os meus pulmões para expirar em seguida. — Que coincidência. Escuto a voz suave da pessoa escondida nas sombras. Não preciso me virar para saber de quem se trata. — O que faz aqui ? Perguntei sem entusiasmo. — Vim contemplar sua performance de mulher dissimulada. Eu devo confessar, estou decepcionado com você Belinda.[SEIS MESES DEPOIS]BÉATRICE MONTMORENCY* * * — PAPAI! — Aeliana gritou sendo jogada no alto por Henry que gargalha com a nossa filha. Observo os dois e penso em como em tão pouco tempo os dois se aproximaram, parecendo que nunca estiveram separados. No começo imaginei que fosse necessário fazer terapia, mas no final as coisas fluíram e agora eles se tornaram inseparáveis. — SOCORRO… MAMÃE! — novamente meu pequeno sol grita pulando da cama. Meu coração quase salta para fora ao ver os dois correndo como duas crianças pelo quarto — PEGA A MAMÃE! — Aeliana declarou e os dois viaram na minha direção. Sinto a cama afundar com o peso dos dois, mas sou mais rápida. — Os dois, vamos parando! — adverti tanto o pai como a filha — Em pleno domingo e vocês dois ainda não tomaram nem mesmo chave? — Aeliana fez beicinho descendo da cama. Seguro a vontade de rir diante do seu pijama de dragão — A senhorita está muito indisciplinada, se continuar assim vai voltar para o internato. — Mas mamãe!
BÉATRICE * * * — Ma-mãe? — Aeliana perguntou, um pouco confusa, ela adentrou o escritório. Assim que os seus olhos se encontraram com os meus, ela sorriu correndo na minha direção, porém, ao perceber outra pessoa no local ela hesitou no meio do caminho — Mamãe… porque tá chorando? — ela pergunta mesmo que os seus olhos estejam fixos em Henry. Ao meu lado, Henry permanece imóvel fitando Aeliana com intensidade. Não sei exatamente como está o seu coração, mas provavelmente deve estar uma bagunça e impressionado como a nossa filha parece tanto com ele. Apesar de sermos muito próximas e até mesmo parecidas, Aeliana é como um espelho de Henry. Seus fios são como a obsidiana, além de resistentes, possuem volume, semelhante aos de Henry que só mantém a elegância pelo corte regular. Sorrio observando os dois se encararem em silêncio. Os orbes como safiras fitam Aeliana dos pés a cabeça e eu imagino o que Henry deve imaginar quando ver sua filha vestida de maneira tão peculiar, ele vai
BÉATRICE* * *— Eu sinto muito… Henry. — digo entre as lágrimas. É tudo que o meu pulmão cansado consegue falar. Pedir desculpas de um jeito tão covarde.Mesmo que eu peça perdão de joelhos, eu não conseguirei devolver os anos perdidos de Aeliana ou a primeira vez que ela me chamou de “mamãe” que para Henry teriam sido momentos como “papai” também. No fim, pedir perdão é tudo que me resta.— Eu não posso te devolver os anos perdidos de Aeliana… eu sei. — minha garganta dói e o bolo desce rasgando, mas eu não posso parar — Não desista de Aeliana e por favor, não deixe respingar nela nenhum dos meus erros. Ela tudo que eu tenho… sem ela. Eu não tenho mais nada. — declarei com toda a força que me restava no meu corpo — Eu sei que pareço ser uma mãe negligente que abandonou a filha para se vingar do seu ex marido, mas não é sobre isso. — fungo entre as palavras — Eu precisava me livrar de tudo que me amarrava ao passado. Juro que tentei esquecer, mas, todas às vezes que eu via Aeliana eu
BÉATRICE* * *— Como? — perguntei boquiaberta com as palavras do meu irmão. De repente alguém bater na porta, é uma das empregadas.— Senhor e senhorita. — a mulher se curva — Tem um convidado aguardando pela senhorita, posso informar que a senhorita irá descer ou acompanho o mesmo até aqui?— Não. — respondi por reflexo, mas me recomponho para Aeliana não ouvir o teor da conversa — Não… informe ao convidado que estarei descendo. Peça-o para que me aguarde. Por favor.— Sim, senhorita. Irei transmitir as suas palavras. Com licença. — após se curva, a mulher saiu deixando eu e Ethan a sós.— O que pretende fazer? — Ethan questionou e só uma coisa me veio à mente, a minha filha. Sem pensar muito, respondi:— Irei vê-lo. — digo e oriento Ethan a esperar alguns minutos com Aeliana, para que de tempo até que eu leve Henry para um lugar onde possamos nos falar com tranquilidade. Afinal, é um assunto extremamente delicado.Desço os degraus da escadaria da mansão pensando nas possibilidades
[ALGUNS DIAS DEPOIS]BÉATRICE* * *Tudo desmoronou, era como se uma avalanche tivesse nos pego de surpresa. Contudo, eu sabia que no final daquela história eu era a errada.Não havia justificativas.Quando eu vi minha filha tremendo nos braços de Henry eu fiquei desesperada e entrei em choque. Foi ainda pior pela forma como ele descobriu.Se eu soubesse que aquelas ligações eram de Sofia e da diretora do internato eu teria atendido, mas eu não poderia imaginar, afinal havia falado com Sofia no dia anterior e estava tudo bem… ou melhor, eu achava que estava.— Ei, não adianta se lamentar agora. — meu pai apertou o meu ombro direito tentando me tranquilizar da merda que eu havia feito.— Eu sei. — respondi tomando um pouco do café da minha xícara. Observo minha filha ainda adormecida em seu quarto na mansão do meu pai.Depois daquele dia a doutora Collins informou que devido a teve um quadro de psicogênica, mais conhecido como febre emocional, o que me deixou parcialmente mais tranquil
HENRY* * *— Henry… eu posso explicar. — Béatrice declarou e eu encarei perplexo. A menina em seus braços se contorce de dor, sua pele está completamente vermelha e mesmo que eu quisesse entrar em um conflito resolvo agir ao invés disso. Corri apressadamente até o quarto para vestir minha calça e pegar as chaves do meu veículo.Não demoro muito e já estou na sala. O homem de cabelo acinzentado ainda não havia retornado, sem esperar por ele eu pego a menina dos braços de Béatrice.Assim que a garota está em meu colo ela geme de dor e seu rostinho se contorce. Céus, que menina linda! Meus olhos doem e sinto vontade de chorar pelo desespero, mas me recomponho. Tomando a menina em meus braços, caminhei para fora do apartamento.— HENRY! — Béatrice me gritou do corredor. Não dei ouvidos. Desço os degraus da escada de emergência com medo de vascular e deixar a garota nos meus braços cair. Minha mente está a milhão pensando nas possibilidades dessa garota ser filha de Béatrice e…— Não vo







