MasukCapítulo 48: Ponto de vista de Ryker
«Repete isso.» Elias não se abala. Já trabalha para mim há tempo suficiente para saber que a quietude que se apodera de mim quando algo está genuinamente errado é mais perigosa do que as reações que se manifestam com barulho. «Esta manhã, foi rastreado um mensageiro que saiu da propriedade dos Kane. Pago em dinheiro através de um serviço de terceiros, limpo, sem ligação direta. Fez uma entrega. Clínica na estrada residencialCapítulo 57: O ponto de vista de ElaraO processo clínico nas minhas mãos pertence a um doente que já atendi hoje.Apercebo-me disso quando já vou a meio da leitura: as notas com a minha própria letra, o plano de tratamento que registei há duas horas... depois, coloco-o sobre o balcão, apoio as duas mãos espalmadas na superfície e respiro fundo.Esta é a terceira vez esta semana que recebo o registo de saúde errado."Elara." A voz de Marcus vem da porta, muito baixa e alarmada; tem-me observado toda a semana com o cuidado específico de quem sabe que não deve fazer comentários directos. "Tem um paciente no quarto três.""Eu sei." Pego no prontuário correto. "Obrigada."Afasta-se para me deixar passar e não diz mais nada — o que é a atitude mais útil que poderia tomar e exatamente o que Marcus faz quando avalia a situação corretamente… dá-me o que preciso sem que eu tenha de pedir.Vou pa
Capítulo 56: O ponto de vista de RafeA luz da cozinha acende-se às onze e catorze.Não é a Elara... é a Mira. Reconheço pelo movimento, pelo ritmo da silhueta atrás da cortina. O Elara move-se mais rápido nas cozinhas, com mais determinação. Mira move-se como alguém que passou tempo suficiente em todas as cozinhas onde já esteve para saber onde fica tudo sem ter de olhar.Aprendi a ler a casa no escuro da mesma forma que aprendi a lê-la à luz do dia — com uma precisão que reconheço como devoção ou obsessão, e decidi que a diferença não importa agora.Onze e vinte e três. A porta dos fundos abre-se.Mira pisa a varanda.Tem vestido o seu casaco de malha grosso e roupa de dormir, com duas chávenas nas mãos, olhando para a linha das árvores com a expressão de quem está acordada há algum tempo, ocupada com coisas que não são dormir.Ela ergue uma das chávenas em direção às árvores.
Capítulo 55: O ponto de vista de Elara— Mãe. Deixou-o cair outra vez.Olho para baixo. A ficha está no chão. Não me lembro de a ter deixado cair.— Eu levo. — Agacho-me, pego no papel e levanto-me; Penda observa-me com a expressão que tem mantido durante toda a semana — não a de curiosidade de antes, mas algo mais cauteloso, o olhar de quem decidiu não perguntar por achar que não iria receber uma resposta sincera.Ela tem razão quanto a isso.— Vá fazer a sua pausa mais cedo — diz ela. — Tapo os próximos vinte minutos.— Estou bem...— Elara. — A voz dela é gentil, mas firme. — Vá sentar-se um pouco. Por favor.******A sala de descanso está vazia; Sento-me à secretária, apoio os cotovelos na superfície, pressiono as mãos contra o rosto e respiro — lentamente, da mesma forma que respirava nos primeiros meses em Silverveil, quando a doença da rejeição surgia
Capítulo 54: O ponto de vista de Ryker Chegou a hora da chamada do Kane — são sete da manhã e já estou acordado; estou de pé desde as cinco, analisando a estrutura de resposta jurídica que a Adanna enviou durante a noite, aquela que detalha o que Kane tem permissão legal para fazer em resposta à queixa que apresentei ao Conselho e o que ultrapassa o limite, configurando retaliação passível de ação. Vejo o nome dele no ecrã e deixo-o tocar duas vezes antes de atender, pois atender de imediato revelaria algo que não quero que ele saiba. "Ryker." A sua voz é agradável, daquela forma como as coisas muito perigosas são agradáveis... uma superfície suave, mas com uma pressão latente por baixo. "Recebi a queixa que enviou ao Conselho." "Eu imaginava que receberia." "É minuciosa. Tenho de admitir." Uma pausa — daquelas que não são apenas uma pausa, mas um momento de calibração. "Embora ache a descrição das ações da minha filha um pouco dramática. Uma fotografia, Ryker. Levaste o caso ao C
Capítulo 53: Ponto de vista de Ronan — Verificou o telemóvel quatro vezes nos últimos dez minutos. Levanto o olhar. Rafe está do outro lado da suite do hotel, imóvel na poltrona, a observar-me com aquela paciência específica que usa quando decide que preciso de ouvir algo que não quero ouvir. — Estou à espera da confirmação de um fornecedor — digo. — Sobre os materiais da torre de observação. — Já passaram cinco dias. Não existe pedido nenhum de materiais para torre de observação. Coloco o telemóvel em cima da mesa, com o ecrã virado para baixo, com mais força do que o necessário. — Tudo bem. Estou a verificar se ela mandou mensagem. — Eu sei. — Não precisava de me fazer dizer isso. — Acho que precisavas de dizer — diz Rafe. — Anda a fingir estar ocupado há cinco dias. Isso não está a convencer ninguém. Deixo-me cair na poltrona à sua frente, encosto a cabeça na almofada e olho para o teto. Cinco dias. Sem forte, sem formação, sem jantares, sem mensagens de boa-noite
Capítulo 52: Ponto de vista de Mira Quatro dias. Tenho contado os dias porque contar é algo que posso fazer com as mãos quando não consigo fazer nada com o resto do meu corpo. Quatro dias desde que a fotografia chegou. Quatro dias desde que Elara deixou de verificar o telemóvel abertamente e passou a verificá-lo na casa de banho, com a porta fechada — onde ela acha que não consigo ouvir o tipo específico de silêncio desapontado que se segue. Ela não mencionou Ronan, Ryker ou Rafe pelo nome nem uma única vez durante estes quatro dias. Essa é a parte que mais me preocupa. Não o silêncio em si; o silêncio compreendo, o silêncio tem as suas utilidades, o silêncio pode ser um lugar para reunir forças em vez de um lugar para se esconder. Mas a forma específica deste silêncio, a exclusão deliberada dos seus nomes do seu vocabulário, a forma como ela se refere a "a situação" ou "tudo o que aconteceu" em vez de dizer quem fez o quê... isso não é reunir forças. Isto é uma retração. Já vi es







