LOGINCapítulo 62: O ponto de vista de Elara
“Você entendeu?” Foi a última coisa que ouvi do Penda; já há duas semanas que ela me contava coisas — coisas de partir o coração.Um dos irmãos Blackthorn vai ficar noivo da filha do alfa dos Kane. O boato está a circular pela alcateia. Já lá vão dois dias. Começou no mercado, passou pelo edifício administrativo e, aparentemente, está na sala de espera da clínica desde esta manhã.Ela ouviu isto de três pessoas dCapítulo 64: O ponto de vista de RykerO meu telefone tocou; Olhei para o número. Mantinha-o nos meus contactos desde a primeira semana — acrescentado sem observações, nunca utilizado. Fiquei a olhar para o ecrã por um toque inteiro antes de atender."Mira", disse eu."Ela ligou a alguém ontem à noite". A voz de Mira era cautelosa, comedida — o tom que usa quando traz uma informação e não sabe bem como a transmitir. "Da varanda das traseiras. Não consegui ouvir as palavras. Mas o Landon ouviu o tom de voz e disse que ela soava como ela própria... a versão sem medo."Fiquei imóvel."Para quem é que ela ligou?", perguntei."Não sei. Ela não me disse esta manhã e eu não perguntei." Uma pausa. "Mas achei que devia saber que ela está a avançar. Seja qual for a direção, ela está a seguir em frente.""Obrigado", disse eu."Não me agradeça. Apenas... continue a fazer o que tem fei
Capítulo 63: Ponto de vista de MiraEla janta. É a primeira vez que noto que se senta e come mesmo — não aquela encenação de estar apenas a mexer na comida, típica das últimas duas semanas, mas sim comer de verdade, levando o garfo à boca, presente o suficiente no próprio corpo para sentir fome. É um pequeno pormenor e não comento nada, pois comentar iria deixá-la sem jeito e ela pararia. Mas apercebo-me e registo-o juntamente com tudo o que tenho vindo a arquivar na memória há vinte e um dias.Landon conduz a conversa durante o jantar, como sempre faz quando os adultos estão calados, descrevendo uma modificação estrutural que tem vindo a planear para o sistema de drenagem secundário do forte — algo que, pelos vistos, passa por desviar a água da chuva para longe dos pontos de ancoragem da ponte de cordas. Fez um esboço na margem da lição de casa. Ele mostra-me o desenho. Digo que é uma solução de engenharia muito bem pensada. Acena com a cabeça, satisfeit
Capítulo 62: O ponto de vista de Elara“Você entendeu?” Foi a última coisa que ouvi do Penda; já há duas semanas que ela me contava coisas — coisas de partir o coração.Um dos irmãos Blackthorn vai ficar noivo da filha do alfa dos Kane. O boato está a circular pela alcateia. Já lá vão dois dias. Começou no mercado, passou pelo edifício administrativo e, aparentemente, está na sala de espera da clínica desde esta manhã.Ela ouviu isto de três pessoas diferentes antes do almoço.Ela observava o meu rosto enquanto falava.Não sei que expressão assumiu o meu rosto. Sei a sensação que tive por dentro: a sensação específica de algo que já estava rachado a partir-se perfeitamente ao longo da fissura... não uma quebra nova, não uma fratura inesperada, apenas aquilo que já lá estava finalmente a concretizar-se."Vês só", diz algo dentro de mim. Sem surpresa. Apenas... "viu só"."Qual deles?", pe
Capítulo 61: Ponto de vista de Ronan"Há um rumor."Elias coloca o tablet em cima da mesa da suite do hotel com a expressão que costuma exibir quando tem informações que preferia não ter. Aprendi a ler as expressões de Elias da mesma forma que aprendi a ler tudo o que importa: através da repetição, prestando atenção à natureza específica do seu desconforto, e não apenas à sua presença.Esta é má."Que boato?", pergunta Ryker. Não desvia o olhar dos documentos."O do noivado de um Blackthorn com a filha do alfa Kane." Elias faz uma pausa. "Está a circular por Silverveil. Começou há dois dias na rede social da alcateia... nas bancas do mercado, no edifício administrativo, na clínica." Outra pausa. "Está a ganhar força ao ponto de já ter chegado à maior parte dos membros da alcateia."Ryker levanta o olhar.Rafe está imóvel junto à janela.Inclino-me para a frente. "Onde come
Capítulo 59: O ponto de vista de RafeA luz da casa apaga-se às dez e quarenta e sete; reparo no horário sem querer. Há onze dias que reparo nas horas sem querer... quando a luz do quarto dela se acende, quando se apaga, quando a luz da cozinha permanece acesa depois da meia-noite — o que significa que ela não está a dormir —, quando a luz de presença em forma de lua do Landon aparece na janela — o que significa que ele também não está a dormir.Esta noite, a luz apaga-se às dez e quarenta e sete e permanece apagada; isso significa que ela está a tentar.Fico parado entre as árvores, a ouvir a floresta e a tentar não contar as horas.*****À meia-noite, a porta da frente abre-se e eu fico imóvel... não por alarme; conheço os seus passos, o som da porta e a qualidade específica do ruído que indica que está a sair para a varanda por vontade própria, e não a ser empurrada para lá por algo exterior. Ela já o fez duas
Capítulo 60: O ponto de vista de ElaraQuatorze dias; já passaram 14 dias. Sei isto porque deixei de contar no onze e depois recomecei no treze, pois deixar de contar não me fez deixar de saber.Esta manhã pareceu-me normal e comum, exatamente como todas as outras desde que a fotografia chegou: preparo o pequeno-almoço do Landon, verifico as alças da mochila dele — que ele ainda não ajusta bem —, tomo o meu chá junto à janela da cozinha e observo o Forte Landon sob a luz do início do dia. A ponte de corda balança ligeiramente com o vento. O caixote de observação está virado para as árvores. O painel do tejadilho que Ronan instalou continua perfeitamente nivelado.Catorze dias, e o forte ainda lá está.Não sei por que razão continuo a reparar nisso. É uma estrutura de madeira e corda num quintal; não vai a lado nenhum. Mas reparo nisso todas as manhãs, mesmo assim — da forma como se repara em algo que permanece quando,







