تسجيل الدخولAda Williams
Minha cabeça latejava tanto que parecia que alguém estava martelando meu cérebro por dentro.
Soltei um gemido baixo antes mesmo de abrir os olhos.
Meu corpo inteiro doía.
Costas, pescoço,braços.
E principalmente minha cabeça.
A primeira coisa que pensei foi:
Eu caí?
A segunda foi:
Aquela cerveja tava batizada.
Tentei me mexer devagar, sentindo algo duro e desconfortável sob meu corpo.
Chão?
Não…
Parecia pior que o chão.Franzi a testa ainda de olhos fechados.
O silêncio também estava estranho.
Muito estranho.
Não tinha barulho de carros no fundo.
Nem vizinhos nem o som irritante do apartamento ao lado.Nada.
Meu estômago gelou lentamente.
Abri os olhos devagar.
E travei.
Por alguns segundos, meu cérebro simplesmente se recusou a processar o que estava vendo.
O teto era de madeira escura.
As paredes também.Tudo parecia… velho.Rústico, ou melhor, antigo demais.Não havia lâmpadas ou tomadas.
Muito menos janelas de alumínio.
O quarto parecia tirado diretamente de um documentário medieval de baixo orçamento.
Meu coração disparou.
Sentei tão rápido que quase caí da cama estreita.
— …Que porra?!
Minha própria voz ecoou pela casa silenciosa, me assustando ainda mais.
Olhei em volta freneticamente.
Uma mesa velha.
Um armário torto.Velas.Tecidos pendurados e utensílios estranhos.Aquilo definitivamente não era meu apartamento.
Meu peito apertou violentamente.
Sequestro?
Mas… como?
E por quê?
Foi então que percebi minhas roupas.
Ou melhor…
A falta das MINHAS roupas.
Eu estava usando uma espécie de vestido claro e largo, parecido com uma camisola antiga.
O tecido era simples e áspero.
Resumindo, desconfortável.Definitivamente não era algo que eu usaria nem sob ameaça.
Meu coração começou a bater ainda mais rápido.
— Não… não, não, não…
Passei as mãos pelos braços tentando me forçar a pensar racionalmente.
Talvez fosse uma pegadinha.
Um evento temático.Uma droga alucinógena.Sim.
Isso fazia mais sentido.
Muito mais sentido do que…
Uma luz vermelha surgiu na minha frente.
Eu congelei.
As palavras apareceram lentamente no ar como fumaça brilhando.
[ERRO NA ROTA PRINCIPAL]
Logo abaixo, outra frase surgiu:
[CARREGANDO ROTAS ALTERNATIVAS…]
Meu corpo inteiro ficou imóvel.
Eu só encarava aquilo.
Piscando.
Sem conseguir respirar direito.
A fumaça vermelha se movia lentamente no ar, brilhando como brasas.
— Que merda é essa?
Minha garganta secou.
Com medo e muito cuidado, me levantei e estendi a mão tremendo na direção da mensagem.
Meus dedos atravessaram a fumaça.
Ela ondulou.
Se distorceu.E então voltou ao formato original.
Meu estômago despencou.
— OQUE!?
Levei a mão até a cabeça.
Aquilo não fazia sentido.
Nada fazia sentido.
Eu tinha morrido?
Era algum tipo de sonho?
Sentei novamente na cama dura.
Ou seja lá o que fosse aquilo.
Parecia mais uma tábua coberta por tecido velho.
Respirei fundo tentando organizar os pensamentos.
Última coisa que eu lembrava…
O notebook.
Os documentos do trabalho.
A aba do jogo está aberta.
Aquela luz ofuscante e…aquela voz.
“Por favor… me ajude…”
Meu corpo gelou.
Não.
Não tinha como.
Isso seria absurdo.
Ridículo na verdade.
Olhei novamente ao redor da pequena casa.
Tudo parecia real demais.
Até mesmo o cheiro da madeira.
A poeira sobre os móveis.O vento passando pelas frestas.Aquilo não parecia um sonho.
Me levantei devagar, sentindo as pernas fracas, e comecei a andar pela casa pequena.
Era… simples.
Simples até demais.
Uma cozinha minúscula, sem geladeira, sem micro-ondas ou qualquer coisa moderna.
Mesa e armários velhos.Panelas gastas e aparentemente antigas.Lenha.Parecia casa de alguem pobre.
Muito pobre.
Meu peito doeu.
Com medo, mas ainda curiosa, decidi andar um pouco; tudo que queria era achar uma saida e ir embora dali o quanto antes.
Depois de alguns minutos vistoriando o lugar, encontrei um cômodo separado por uma cortina.
Provavelmente um banheiro.
Ou o equivalente medieval a um.
Não havia chuveiro nem pia.
Só uma enorme bacia de aço cheia de água; parecia uma banheira improvisada.
Me aproximei lentamente e então vi meu reflexo.
Parei imediatamente.
Era eu.
Mas…
Não exatamente.
Meu cabelo estava maior, mais comprido do que deveria.
Meu rosto parecia mais jovem, mais delicado.
Traços mais suaves.Minha pele parecia limpa demais.
Até meu corpo parecia… diferente.
Menor.
Mais leve.
— …
Meu coração começou a bater descompassado.
— O que aconteceu comigo, o que aconteceu com meu corpo…? — Quase gritei.
Uma nova luz piscou na minha frente.
Dessa vez azulada.
Quase dei um salto pra trás.
[HISTÓRIA DO PERSONAGEM]
— AH!
Levei a mão ao peito.
— Que susto! Para com isso, porra!
A janela flutuante continuou ali.
Brilhando calmamente.
Respirei fundo algumas vezes antes de estender a mão devagar.
E então—
Uma dor atravessou minha cabeça tão violentamente que minhas pernas vacilaram.
— Ah…!
Levei a mão à têmpora imediatamente.
Imagens surgiram, mas não como pensamentos, como memórias.
Um campo enorme balançando ao vento dourado.
O cheiro de pão fresco.Mãos calejadas segurando as minhas.Uma mulher rindo baixinho enquanto costurava perto da janela.Um homem alto levantando uma garotinha nos ombros.Meu peito apertou.
Eu conhecia aquelas pessoas.
Não.
Eu não conhecia.
Mas ao mesmo tempo…
Conhecia.
Mais fragmentos de memórias vieram.
Tinha muita chuva.
Então ouvi um barulho de madeira quebrando.Sangue jorrou.Então…gritos.Uma carroça destruída numa estrada enlameada.Senti uma dor intensa.
Uma dor tão profunda que parecia afundar dentro dos ossos.
Aquilo era solidão?
Luto…
Minha respiração falhou.
Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto antes mesmo que eu percebesse. Começou a me faltar ar.
— …O quê…?
Ada WilliamsQuando terminei de arrancar a última erva daninha da plantação, estiquei as costas e soltei um gemido baixo.— Ai... minhas costas...Nunca pensei que fosse sentir saudade de uma cadeira de escritório.Olhei ao redor da pequena propriedade.O sol já estava alto, perto do horário do almoço, e pela primeira vez desde que acordei naquele mundo eu havia terminado quase todas as tarefas antes do meio do dia.Tudo graças àquela habilidade.Sorri de lado.Quem diria?Ontem eu tinha chamado aquela tal de Verificação Minuciosa de inútil.Hoje ela praticamente tinha cortado meu trabalho pela metade.Mesmo sendo dificil acostumar com essas janelas sobre as coisas, pelo menos funcionava.E muito bem.Respirei fundo enquanto limpava as mãos no avental.— Certo...Chega de ficar escondida.Cruzei os braços enquanto observava o horizonte.Eu não podia simplesmente esperar aquele perseguidor maluco aparecer de novo na minha porta.Muito menos ficar sentada esperando uma guerra destruir a
Ada WilliamsTalvez.Só talvez.Eu tivesse encontrado uma vantagem.A ideia surgiu tão de repente que meu coração chegou a acelerar.Mas eu me obriguei a respirar fundo.Calma.Muita calma.Porque, considerando minha sorte desde que acordei naquele mundo, era bem provável que eu tivesse uma ideia brilhante e, cinco minutos depois, o sistema aparecesse para estragar tudo.Ou me ameaçar de morte.Ou os dois.— Não se anima.Murmurei para mim mesma.— Toda vez que você se anima, alguma coisa dá errado.Ajustei a postura e continuei andando em direção às plantações.O vento balançava os campos ao redor da fazenda.Até que aquele lugar era bonito.Espero que quando toda essa loucura passar, eu possa parar e admirar um pouco.Cheguei à plantação e comecei a trabalhar.Puxando ervas daninhas.Verificando as mudas.Tentando descobrir o que precisava de água.O que precisava de sombra.O que precisava desesperadamente era de um milagre.De vez em quando ativava a habilidade de verificação.As
Ada WilliamsEu fiquei encarando o teto por um longo tempo naquela noite.Longo mesmo.Foi um daqueles momentos em que você está tão cansada que deveria estar dormindo, mas seu cérebro decide que aquele é o horário perfeito para analisar todos os seus problemas.E eu tinha muitos.Decidi recapitular tudo para evitar de deixar algo passar.Primeiro: eu estava presa dentro de um livro.Segundo: uma cidade inteira estava destinada a ser destruída.Terceiro: eu tinha um perseguidor nojento tentando me forçar a casar com ele.Quarto: eu precisava encontrar um marido em sete dias.Quinto: aparentemente, se eu ignorasse as missões do sistema, eu morria.Suspirei.— Que maravilha.Virei para o lado.Depois para o outro.A cama continuava dura.O travesseiro continuava horrível.E minha vida continuava um desastre.Fechei os olhos.O pior era que nada daquilo parecia um jogo; quanto mais eu observava aquele mundo, menos aquilo parecia um simples sistema ou algo artificial.As pessoas eram reai
Ada WilliamsMinha visão escureceu por um segundo.Só um segundo.Mas foi o suficiente para que meu cérebro finalmente processasse o que estava segurando.Até aquele momento, uma parte de mim ainda insistia que tudo aquilo era só mais um sonho idiota.Mas não.Aquele cara estranho tinha mesmo ido até mim me ameaçar, e aquela carta estava mesmo entre meus dedos.Engoli em seco e aproximei o papel da luz prateada que entrava pela fresta da porta. O luar não era forte, mas era suficiente para iluminar o selo vermelho preso na parte inferior.Meu olhar ficou preso nele por alguns segundos e então as memórias vieram.Não como antes, em flashes violentos.Dessa vez foi mais sutil, foi natural.Como se eu estivesse me lembrando de algo que sempre soube.Aquele brasão, aqueles três forcados cruzados junto à coroa.Eu conhecia aquilo.Ou melhor...A Ada daquele corpo conhecia.Era o símbolo do conde responsável por toda aquela região agrícola, pelos impostos, pelas colheitas e pelas leis locais
Ada WilliamsMinha voz saiu mais firme dessa vez.Ou talvez só desesperada.Ele me encarou pela fresta estreita.Então deu um passo para trás lentamente.E sorriu.Aquele sorriso falso e educado demais.O tipo de sorriso que clientes manipuladores davam antes de tentar te ferrar.— Calma, Ada…Ele levou a mão até o bolso do casaco e puxou um papel dobrado e meio amassado.Um selo vermelho marcava a parte inferior.Ele estendeu o documento em direção à fresta.Engoli seco.— Eu só vim entregar isso.Mantive uma mão firme na porta enquanto via ele estender a mão com o papel, esperando eu pegar.Não confiava nele nem por um segundo.Foi então que ele voltou a falar.A voz mais baixa, mais ameaçadora.— Então… você pensou no que eu te propus?Meu cérebro travou.Propôs?Droga.O que aquele cara tinha proposto pra Ada fictícia mesmo?Forcei a mente imediatamente.E então vieram os flashes.Rápidos.Duene segurando flores.Ada desviando dele na cidade.O pai dela fechando a porta na cara de
Ada WilliamsMeu corpo inteiro entrou em alerta no instante em que ouvi aquela voz.Fria e baixa.Mas estranhamente familiar.Senti meu estômago afundar antes mesmo de entender o motivo.Então vieram alguns flashes.Rápidos e desconexos.Um homem me observando da estrada.Olhares longos demais.Sorrisos desconfortáveis.A Ada fictícia desviando o caminho para evitar cruzar com ele.O pai dela ficando na frente da porta com expressão dura.Proteção.Porque aquele homem já perturbava Ada fazia muito tempo.Só que agora…Ela estava sozinha.Ou melhor.EU estava.Seu nome veio como um raio na minha cabeça: Duene Esparza, um dos mensageiros e subordinados da nobreza local.Meu coração começou a bater tão forte que achei que ele conseguiria ouvir do lado de fora.Fiquei completamente imóvel no meio da cozinha escura, tentando nem respirar direito.— Que droga…agora mais essa?Talvez se eu fingisse que não estava ali…Ele iria embora.Silêncio.Então—TOC. TOC.Mais duas batidas.Dessa vez m







