تسجيل الدخولAda Williams
Levei a mão até a boca.
Meu peito doía.
Doía de verdade.
Como se aquela perda fosse minha, se eu realmente tivesse enterrado aquelas pessoas.
Como se eu tivesse passado noites sozinha naquela casa esperando ouvir passos que nunca mais voltariam.
Aquilo era real demais.
As lágrimas continuaram descendo silenciosamente enquanto eu encarava o reflexo distorcido na água.
Não.
Aquilo não podia ser normal.
Nenhum sonho se aprecia com aquilo.
Nenhuma alucinação faria meu coração doer daquela forma.
Respirei fundo várias vezes até conseguir recuperar minimamente o controle.
Então voltei meus olhos lentamente para a janela flutuante.
[Ada Williams]
— E o meu nome de verdade? — Franzi a testa sem entender.
*Camponesa de White Hill.*
*Pais mortos em um acidente de carroça.*
Minha garganta secou.
As peças começaram a se encaixar devagar.
E quanto mais se encaixavam…
Pior ficava.
— …
Aquilo…
Aquele nome, White Hill, era familiar.
Eu já tinha visto em algum lugar…
Foi então que me lembrei repentinamente.
O JOGO?!
Eu estava dentro do jogo?
A pergunta surgiu tão absurda que meu cérebro quase recusou imediatamente.
Não fazia sentido.
Era impossível, literalmente impossível.
Mas então…
O que mais explicaria tudo aquilo?
A casa.
Aquelas memórias.As mensagens que pareciam vir de algum tipo de sistema.E aquele nome…White Hill.Meu coração afundou lentamente.
— Ah, qual é…
Então era isso?
Eu tinha sido jogada dentro daquela porcaria de romance fantasy?
E pior…
Nem como protagonista.
Nem como vilã, ou alguem importante
Eu era uma figurante aleatória que provavelmente morria de alguma forma miserável.
— Nem pra eu virar alguém rica…
Passei as mãos pelo rosto nervosamente.
Aquilo só podia ser um sonho insano.
Uma febre.
Talvez um coma.Qualquer coisa.“Respira, Ada…só respira.” Pensei tentando não surtar.
Ainda por cima, por que diabos meu nome era o mesmo da realidade?
Tentei me acalmar.
Ok.
Supondo…
SUPONDO que aquilo fosse real.Como eu voltava?
Como saía dali?
Eu tinha trabalho.
Documentos.Conta pra pagar.Droga, eu literalmente ainda precisava terminar aquelas análises do senhor James.
Parei de repente percebendo as coisas que estava pensando.
Quase ri de nervoso.
Minha vida tinha ido pro inferno e eu ainda estava pensando em relatórios de seguro.
Voltei lentamente até o quarto onde acordei.
Me sentei; a cama continuava tão dura quanto antes.
Comecei a encarar o vazio.
Ok.
Eu precisava pensar.
Se aquilo realmente era “A Santa e o Dragão”…
Então aquele painel estranho provavelmente funcionava como algum tipo de sistema.
Só que um sistema quebrado.
Porque a única coisa aparecendo sem parar era:
[ERRO NA ROTA PRINCIPAL]
E logo abaixo:
[CARREGANDO ROTAS ALTERNATIVAS…]
Aquilo continuava piscando lentamente, me dando arrepios.
Mas então apareceu outro texto e foi ele que me preocupou realmente.
[Objetivo Principal: SALVE WHITE HILL]
Meu estômago gelou porque eu sabia exatamente o que aquilo significava.
White Hill era a primeira cidade destruída na guerra.
Fechei os olhos tentando puxar os detalhes da memória.
No jogo…
Após a festa de Inverno, o conflito entre os reinos piorava drasticamente.
O dragão amaldiçoado acaba caindo em uma armadilha na guerra, sendo pego como refém. Ele é torturado e humilhado. Só aí, então, ele é salvo pela protagonista, a Santa, que exige que a igreja o libere, mas eles negam.
O dragão consegue fugir e então, o massacre começa.
E White Hill…
White Hill era uma das primeiras cidades destruídas.
Eu lembrava vagamente da descrição.
Casas queimando.
Corpos nas ruas.O exército atravessando os muros.O colapso econômico causado pela destruição da região agrícola.Aquilo afetava diretamente o Reino de El Linor.
O reino da santa.
O dragão destrói meio mundo para obrigar a igreja a entregar a Santa a ele.
Minha garganta secou lentamente.
Porque…
Porque aparentemente eu estava vivendo na droga daquela cidade.
— Ah… merda.
Então era isso?
Eu tinha que impedir aquilo?
DO NADA?
E pior…
Eu nem sabia quem essa Ada fictícia era.
Qual ligação ela tinha com a trama?
Será que ela aparece em algum momento?
Será que já estava destinada a morrer?
Eu não fazia ideia.
Porque eu não terminei o maldito jogo.
— Droga…
Apertei os dedos contra a testa.
Tudo o que eu sabia eram alguns eventos importantes até quase metade da história.
Só isso.
Suspirei lentamente.
Eu… não podia morrer ali, naquela maldita cidade, na guerra.
De jeito nenhum.
Só de pensar em ter que ficar presa aqui no meio daquele inferno quando tudo for acontecer…
Meu coração acelerou.
Tentei pensar positivo.
— Ok…pelo que parece, a guerra ainda está distante, o que quer dizer que eu entrei no jogo antes dele começar, ou algo assim.
E talvez…
Salvar White Hill era a condição para voltar pra casa.
A ideia surgiu quase instantaneamente.
Se aquilo era algum tipo de sistema…
algum tipo de rota ou missão…Então talvez completar o objetivo me mandasse de volta.
Certo?Só podia ser isso!
Já estava me animando quando me dei conta.
Como diabos eu salvaria uma cidade inteira?
Eu estava no corpo de uma camponesa.
Sem poder, dinheiro, ou influência.
Eu sequer sabia usar um fogão a lenha.
Levantei lentamente da cama.
Minha cabeça ainda girava.
Eu precisava descobrir tudo o que pudesse sobre aquele mundo.
Sobre aquela personagem.
Sobre o maldito sistema quebrado.
E rápido, porque em algum momento…
A guerra vai acontecer, e eu não vou querer estar aqui para ver tudo pessoalmente.
Ada WilliamsQuando terminei de arrancar a última erva daninha da plantação, estiquei as costas e soltei um gemido baixo.— Ai... minhas costas...Nunca pensei que fosse sentir saudade de uma cadeira de escritório.Olhei ao redor da pequena propriedade.O sol já estava alto, perto do horário do almoço, e pela primeira vez desde que acordei naquele mundo eu havia terminado quase todas as tarefas antes do meio do dia.Tudo graças àquela habilidade.Sorri de lado.Quem diria?Ontem eu tinha chamado aquela tal de Verificação Minuciosa de inútil.Hoje ela praticamente tinha cortado meu trabalho pela metade.Mesmo sendo dificil acostumar com essas janelas sobre as coisas, pelo menos funcionava.E muito bem.Respirei fundo enquanto limpava as mãos no avental.— Certo...Chega de ficar escondida.Cruzei os braços enquanto observava o horizonte.Eu não podia simplesmente esperar aquele perseguidor maluco aparecer de novo na minha porta.Muito menos ficar sentada esperando uma guerra destruir a
Ada WilliamsTalvez.Só talvez.Eu tivesse encontrado uma vantagem.A ideia surgiu tão de repente que meu coração chegou a acelerar.Mas eu me obriguei a respirar fundo.Calma.Muita calma.Porque, considerando minha sorte desde que acordei naquele mundo, era bem provável que eu tivesse uma ideia brilhante e, cinco minutos depois, o sistema aparecesse para estragar tudo.Ou me ameaçar de morte.Ou os dois.— Não se anima.Murmurei para mim mesma.— Toda vez que você se anima, alguma coisa dá errado.Ajustei a postura e continuei andando em direção às plantações.O vento balançava os campos ao redor da fazenda.Até que aquele lugar era bonito.Espero que quando toda essa loucura passar, eu possa parar e admirar um pouco.Cheguei à plantação e comecei a trabalhar.Puxando ervas daninhas.Verificando as mudas.Tentando descobrir o que precisava de água.O que precisava de sombra.O que precisava desesperadamente era de um milagre.De vez em quando ativava a habilidade de verificação.As
Ada WilliamsEu fiquei encarando o teto por um longo tempo naquela noite.Longo mesmo.Foi um daqueles momentos em que você está tão cansada que deveria estar dormindo, mas seu cérebro decide que aquele é o horário perfeito para analisar todos os seus problemas.E eu tinha muitos.Decidi recapitular tudo para evitar de deixar algo passar.Primeiro: eu estava presa dentro de um livro.Segundo: uma cidade inteira estava destinada a ser destruída.Terceiro: eu tinha um perseguidor nojento tentando me forçar a casar com ele.Quarto: eu precisava encontrar um marido em sete dias.Quinto: aparentemente, se eu ignorasse as missões do sistema, eu morria.Suspirei.— Que maravilha.Virei para o lado.Depois para o outro.A cama continuava dura.O travesseiro continuava horrível.E minha vida continuava um desastre.Fechei os olhos.O pior era que nada daquilo parecia um jogo; quanto mais eu observava aquele mundo, menos aquilo parecia um simples sistema ou algo artificial.As pessoas eram reai
Ada WilliamsMinha visão escureceu por um segundo.Só um segundo.Mas foi o suficiente para que meu cérebro finalmente processasse o que estava segurando.Até aquele momento, uma parte de mim ainda insistia que tudo aquilo era só mais um sonho idiota.Mas não.Aquele cara estranho tinha mesmo ido até mim me ameaçar, e aquela carta estava mesmo entre meus dedos.Engoli em seco e aproximei o papel da luz prateada que entrava pela fresta da porta. O luar não era forte, mas era suficiente para iluminar o selo vermelho preso na parte inferior.Meu olhar ficou preso nele por alguns segundos e então as memórias vieram.Não como antes, em flashes violentos.Dessa vez foi mais sutil, foi natural.Como se eu estivesse me lembrando de algo que sempre soube.Aquele brasão, aqueles três forcados cruzados junto à coroa.Eu conhecia aquilo.Ou melhor...A Ada daquele corpo conhecia.Era o símbolo do conde responsável por toda aquela região agrícola, pelos impostos, pelas colheitas e pelas leis locais
Ada WilliamsMinha voz saiu mais firme dessa vez.Ou talvez só desesperada.Ele me encarou pela fresta estreita.Então deu um passo para trás lentamente.E sorriu.Aquele sorriso falso e educado demais.O tipo de sorriso que clientes manipuladores davam antes de tentar te ferrar.— Calma, Ada…Ele levou a mão até o bolso do casaco e puxou um papel dobrado e meio amassado.Um selo vermelho marcava a parte inferior.Ele estendeu o documento em direção à fresta.Engoli seco.— Eu só vim entregar isso.Mantive uma mão firme na porta enquanto via ele estender a mão com o papel, esperando eu pegar.Não confiava nele nem por um segundo.Foi então que ele voltou a falar.A voz mais baixa, mais ameaçadora.— Então… você pensou no que eu te propus?Meu cérebro travou.Propôs?Droga.O que aquele cara tinha proposto pra Ada fictícia mesmo?Forcei a mente imediatamente.E então vieram os flashes.Rápidos.Duene segurando flores.Ada desviando dele na cidade.O pai dela fechando a porta na cara de
Ada WilliamsMeu corpo inteiro entrou em alerta no instante em que ouvi aquela voz.Fria e baixa.Mas estranhamente familiar.Senti meu estômago afundar antes mesmo de entender o motivo.Então vieram alguns flashes.Rápidos e desconexos.Um homem me observando da estrada.Olhares longos demais.Sorrisos desconfortáveis.A Ada fictícia desviando o caminho para evitar cruzar com ele.O pai dela ficando na frente da porta com expressão dura.Proteção.Porque aquele homem já perturbava Ada fazia muito tempo.Só que agora…Ela estava sozinha.Ou melhor.EU estava.Seu nome veio como um raio na minha cabeça: Duene Esparza, um dos mensageiros e subordinados da nobreza local.Meu coração começou a bater tão forte que achei que ele conseguiria ouvir do lado de fora.Fiquei completamente imóvel no meio da cozinha escura, tentando nem respirar direito.— Que droga…agora mais essa?Talvez se eu fingisse que não estava ali…Ele iria embora.Silêncio.Então—TOC. TOC.Mais duas batidas.Dessa vez m







