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2. O HOMEM QUE VEIO TARDE

last update Fecha de publicación: 2026-08-19 10:09:36

Lívia acordou com a sensação de que alguém a observava. Abriu os olhos lentamente. Por alguns segundos, não conseguiu entender onde estava. Então ouviu o pequeno som vindo do berço ao lado da cama.

Aurora.

Lívia sorriu. A filha estava acordada, movimentando os pequenos braços enquanto seus olhos dourados permaneciam fixos no teto.

— Bom dia, minha pequena.

Lívia se levantou e a pegou no colo. Aurora imediatamente parou de se mexer. Aquele bebê tinha algo estranho. Não era apenas a cor dos olhos. Era a maneira como parecia observar tudo ao redor. Como se estivesse tentando compreender o mundo. Lívia beijou sua testa.

— Você sabe que sua mamãe ama você, não sabe?

Aurora segurou o dedo dela. Lívia sorriu. Por alguns segundos, esqueceu todas as perguntas. Esqueceu os médicos. Esqueceu os exames. Esqueceu a sensação estranha que vinha sentindo desde o nascimento da filha.

Até ouvir uma batida na porta. Três pancadas. Fortes. Lívia congelou. Ninguém deveria estar ali tão cedo. Colocou Aurora novamente no berço e caminhou até a sala.

— Quem é?

Silêncio. Ela se aproximou da porta.

— Quem está aí?

Uma voz masculina respondeu:

— Meu nome é Rafael. Trabalho para o senhor Valerius.

Lívia franziu a testa. Não conhecia nenhum senhor Valerius.

— O que você quer?

— Precisamos conversar.

— Sobre o quê?

Houve uma pequena pausa.

— Sobre sua filha.

O coração de Lívia acelerou. Ela imediatamente olhou para o quarto. Aurora estava acordada.

— Não sei do que está falando.

— Senhora Monteiro, sabemos que sua filha nasceu há três dias.

Lívia recuou.

Como eles sabiam?

— Vá embora.

— Não estamos aqui para machucá-la.

— Então por que estão aqui?

A voz do homem ficou mais séria.

— Porque a criança que nasceu é muito importante.

Lívia sentiu um arrepio.

— Ela é minha filha.

— Nós sabemos.

— Então deixem minha família em paz.

— Não entendemos isso como uma ameaça. Estamos tentando protegê-la.

Lívia riu nervosamente.

— Proteger de quem?

Dessa vez, o silêncio demorou.

— De pessoas que querem matá-la.

O sorriso desapareceu do rosto de Lívia. Seu corpo inteiro ficou tenso.

— O quê?

— A senhora precisa sair daqui.

— Quem quer matar minha filha?

— Não posso explicar pela porta.

Lívia ficou em silêncio. Então ouviu um ruído vindo do quarto. Um pequeno choro. Ela virou-se imediatamente. Aurora. Correu até o quarto. Mas, quando chegou ao berço, parou. A menina estava acordada. Seus olhos dourados brilhavam sob a luz fraca da janela. Lívia sentiu o coração disparar. Por um instante, teve a impressão de que os olhos da filha estavam brilhando de verdade. Piscou. O brilho desapareceu.

— Está tudo bem, meu amor.

Pegou Aurora nos braços. Então ouviu um estrondo. Lívia se virou. A porta da frente havia sido arrombada. Ela gritou. Um homem entrou correndo.

— Senhora Monteiro! Temos que ir!

Lívia apertou Aurora contra o peito.

— Quem é você?

— Eu já disse. Rafael. Sou um dos homens de confiança de Dante Valerius.

— Eu não vou a lugar nenhum com você!

— Não temos tempo!

Passos ecoaram no corredor. Rafael olhou para a porta. Seu rosto perdeu a cor.

— Eles chegaram.

— Quem?

Ele olhou para Aurora.

— Os que vieram buscar sua filha.

Lívia sentiu o sangue gelar.

— Minha filha não vai a lugar nenhum.

Rafael respirou fundo.

— Então terá que confiar em mim.

Antes que ela pudesse responder, um rugido distante fez as janelas vibrarem. Lívia ficou imóvel. Aquilo não parecia um animal comum. Rafael fechou a porta do quarto.

— O que foi isso?

Ele olhou para ela.

— É por isso que Dante precisa encontrar vocês.

***

Horas depois, Dante estava diante de uma enorme tela.

Uma fotografia ocupava o centro. Lívia Monteiro. Trinta e dois anos. Humana. Solteira. Sem qualquer ligação conhecida com o mundo sobrenatural. Dante observou a imagem em silêncio.

— Ela não sabe de nada? — perguntou.

— Não.

— E a criança?

— Também não.

Dante apertou o maxilar.

— Então alguém descobriu antes de nós.

— Sim.

Um homem colocou outro documento sobre a mesa.

— Encontramos registros do procedimento médico.

Dante olhou para o papel. Seu olhar endureceu.

— A clínica.

— Sim.

— Quem teve acesso à minha amostra?

— Ainda estamos investigando.

Dante levantou os olhos.

— Quero todos os nomes.

— Alfa...

— Todos.

O homem assentiu. Dante voltou a olhar para a fotografia de Lívia. Não entendia por que aquela mulher provocava aquela sensação estranha. Era como se seu lobo reconhecesse algo nela. Algo que sua mente ainda não conseguia compreender.

Então seu telefone tocou. Dante atendeu.

— Fale.

A voz do outro lado veio apressada:

— Encontramos a criança.

Dante ficou imóvel.

— Onde?

— Na casa da mãe.

— E Lívia?

— Está com ela.

Dante fechou os olhos por um segundo. Finalmente. Depois de tantos dias tentando descobrir quem havia colocado seu sangue naquela criança, finalmente teria respostas.

Mas então ouviu:

— Temos um problema.

— Qual?

— Eles também encontraram as duas.

Dante abriu os olhos. Seu lobo rugiu dentro dele. Dessa vez, não havia dúvida. Não era apenas a criança. Era a mãe também. Alguma coisa dentro dele exigia que as protegesse. Dante pegou o casaco.

— Preparem o carro.

— Para onde vamos?

Ele olhou novamente para a fotografia de Lívia.

— Para buscar minha filha. Fez uma pausa. E acrescentou: — E a mulher que está com ela.

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