Beranda / Lobisomem / GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO / 3. O SANGUE QUE ELA DESCONHECA

Share

3. O SANGUE QUE ELA DESCONHECA

Penulis: Fátima Souza
last update Tanggal publikasi: 2026-08-19 10:14:57

Lívia corria. Aurora estava apertada contra seu peito, protegida pelo cobertor, enquanto Rafael a conduzia por um corredor estreito nos fundos do prédio. Ela não entendia nada. Não sabia quem eram aqueles homens. Não sabia por que estavam perseguindo sua filha. E, principalmente, não entendia por que um desconhecido chamado Dante Valerius parecia estar no centro de tudo.

— Para onde estamos indo? — perguntou, ofegante.

— Para um lugar seguro.

— Você já disse isso!

Rafael olhou para trás.

— E continua sendo verdade.

Um barulho ecoou no corredor. Lívia parou.

— Eles estão vindo?

Rafael fez sinal para que ela ficasse em silêncio. Os passos se aproximaram. Lívia abraçou Aurora com mais força. Então aconteceu algo estranho. O medo desapareceu. Por alguns segundos, uma calma inexplicável tomou conta dela. Seu coração desacelerou. Sua visão pareceu ficar mais nítida. Ela conseguiu ouvir os passos do outro lado da parede. Um. Dois. Três homens. Lívia arregalou os olhos. Como sabia disso? Rafael a observou.

— O que foi?

— Tem três pessoas.

Ele ficou imóvel.

— O quê?

— Do outro lado da porta.

Rafael olhou para ela. Depois para a porta.

— Como você sabe?

Lívia balançou a cabeça.

— Eu... não sei.

Antes que pudesse explicar, um ruído metálico veio do corredor. Rafael imediatamente puxou Lívia para trás.

— Fique aqui.

— Não.

— Lívia...

— Minha filha está comigo. Eu não vou ficar escondida enquanto você enfrenta quem quer machucá-la.

Rafael a encarou por alguns segundos. Então pareceu perceber alguma coisa.

— Você não é exatamente como disseram.

— Como disseram?

Ele não respondeu.

***

Do lado de fora, um dos perseguidores avançou. Rafael abriu a porta de repente. O confronto foi rápido. Lívia não conseguiu compreender completamente o que estava acontecendo. Os movimentos dos homens eram rápidos demais. Rafael parecia conhecer aquele tipo de luta. Mas um dos invasores conseguiu passar. Ele correu na direção de Lívia. Ela recuou. Aurora começou a chorar. O homem estendeu a mão.

— Entregue a criança.

Lívia sentiu alguma coisa mudar dentro dela. Não pensou. Não raciocinou. Apenas reagiu. Segurou o braço do homem e o empurrou. Ele caiu contra a parede. Lívia ficou tão surpresa quanto ele.

— Como...

O homem levantou os olhos para ela. E, pela primeira vez, pareceu assustado.

— Você...

Lívia não entendeu.

— O quê?

Ele recuou.

— Isso é impossível.

Rafael apareceu atrás dele.

— Quem mandou vocês?

O homem não respondeu. Então fugiu. Rafael correu até a porta, mas parou. Lívia ainda estava imóvel. Aurora chorava em seus braços.

— Rafael...

— Sim?

— O que aconteceu?

Ele olhou para o corredor vazio.

— Não sei.

Era mentira. Ou, pelo menos, não era toda a verdade.

***

Muito longe dali, Dante sentiu o vínculo. Seu lobo despertou violentamente. Ele parou no meio do caminho. Um arrepio percorreu sua coluna.

— Alfa?

Dante não respondeu. Fechou os olhos. Por um instante, uma imagem surgiu em sua mente. Uma mulher. Cabelos escuros. Olhos assustados. Uma criança nos braços. E sangue. Muito sangue. Dante abriu os olhos.

— Mude a rota.

O motorista olhou pelo retrovisor.

— Para onde?

— Para o norte.

— Mas a localização delas está ao sul.

— Eu sei.

— Então por que—

— Porque existe alguém atrás delas.

Dante sentiu seu lobo rosnar. Não era apenas uma ameaça à sua filha. Havia alguma coisa errada. Algo que ele ainda não conseguia identificar.

***

Quando finalmente chegaram ao esconderijo, Lívia não conseguia parar de pensar no homem que havia enfrentado. Na maneira como ele olhara para ela. Como se tivesse visto algo que ela própria desconhecia. Rafael percebeu sua inquietação.

— Você precisa descansar.

— Quem eram aqueles homens?

— Pessoas perigosas.

— Isso não responde nada.

— Eu sei.

Lívia colocou Aurora sobre uma pequena cama improvisada.

— E quem é Dante?

Rafael permaneceu em silêncio.

— Ele é o pai dela?

A pergunta saiu quase como um sussurro. Rafael demorou para responder.

— Sim.

Lívia sentiu o peito apertar.

— Como?

— Ainda não temos todas as respostas.

— Eu quero a verdade.

Rafael olhou para Aurora.

— Dante também.

Lívia cruzou os braços.

— Ele vai ter que esperar.

Rafael quase sorriu.

— Você fala como se conhecesse o ELE.

— Não conheço.

— Talvez seja melhor assim.

Antes que Lívia pudesse perguntar o motivo, uma voz masculina surgiu atrás deles.

— Não por muito tempo.

Lívia se virou. Dante estava parado na entrada. Alto. Imponente. Os olhos escuros fixos nela. Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Lívia sentiu uma sensação estranha. Não era medo. Era reconhecimento. Como se alguma parte dela soubesse quem ele era antes mesmo de sua mente compreender.

Dante, por outro lado, ficou completamente imóvel. Seu olhar passou por Lívia. Depois pousou em Aurora. E então voltou para a mulher. Algo não estava certo. Ele esperava encontrar apenas uma humana assustada. Mas havia algo no cheiro de Lívia que despertava um instinto antigo. Um cheiro que ele não sentia havia décadas.

Dante deu um passo à frente. Lívia imediatamente recuou.

— Não se aproxime da minha filha.

Dante parou.

— Ela é minha filha.

— Você não estava lá quando ela nasceu.

A frase atingiu Dante com força.

— Eu não sabia que ela existia.

— E isso deveria me fazer confiar em você?

Ele não respondeu. Seu olhar permaneceu nela. Então percebeu uma pequena cicatriz em seu pulso. Uma marca quase invisível. Dante se aproximou apenas o suficiente para enxergá-la melhor. Seu rosto mudou.

Rafael percebeu.

— Alfa?

Dante não respondeu. Aquela marca... Ele conhecia aquele símbolo. Ou, pelo menos, conhecia histórias sobre ele. Uma antiga linhagem. Uma linhagem que todos acreditavam ter desaparecido décadas atrás.

Os Caçadores.

Humanos treinados durante séculos para enfrentar lobos e criaturas sobrenaturais. Os últimos haviam sido mortos. Ou era o que todos acreditavam. Dante levantou os olhos para Lívia. Ela não parecia saber o que carregava no próprio sangue.

E, naquele instante, ele compreendeu que o maior segredo daquela mulher talvez não fosse sua filha. Era ela mesma.

— Onde conseguiu essa marca? — perguntou.

Lívia olhou para o próprio pulso.

— Que marca?

Dante ficou em silêncio. Ela realmente não sabia. E isso era ainda mais perigoso. Porque, se sua suspeita estivesse correta, Lívia Monteiro não era apenas uma humana que havia dado à luz sua filha.

Ela era descendente da linhagem dos últimos caçadores. E talvez fosse a única pessoa capaz de destruir o mundo de Dante... ou salvá-lo. Mas havia uma pergunta que não saía de sua cabeça: quem havia colocado uma descendente dos Caçadores no caminho do Alfa Supremo?

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   50. EPÍLOGO - O QUARTO SIMBOLO - PARTE 2

    De volta à cidade, Elara acordou durante a madrugada.Sentou-se na cama.Sentia alguém chamando por ela.Não era Aurora.Não era Lyra.Não era Lívia.Era outra coisa.Uma presença.Ela levantou-se e caminhou até a janela.No vidro apareceu lentamente uma marca negra.Elara tocou.Uma voz sussurrou:— Você não deveria ter sobrevivido.Elara recuou.— Quem está aí?A voz respondeu:— Aquele que nasceu antes de vocês.Elara ficou imóvel.— Antes?A marca desapareceu.Então outra frase apareceu no vidro:“A quarta herdeira não é uma criança.”Elara arregalou os olhos.— Então quem é?Nenhuma resposta.Apenas uma última palavra surgiu no vidro.“Procure.”Elara correu até a porta.Mas antes que pudesse sair, Aurora apareceu no corredor.— Elara?Lyra veio logo atrás.— O que aconteceu?Elara olhou para as duas.Seu rosto estava pálido.— Nós não somos as primeiras.Lyra ficou imóvel.— O que você quer dizer?Elara apontou para a janela.A marca negra havia desaparecido.— Existe alguém ant

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   49. EPÍLOGO - O QUARTO SIMBOLO- PARTE 1

    Três meses haviam se passado desde a abertura do Santuário Original.Pela primeira vez em muitos anos, a cidade dos Caçadores estava em paz.Os muros haviam sido reconstruídos.As antigas diferenças entre lobos e humanos começavam, lentamente, a desaparecer.E, no centro de tudo, três meninas cresciam juntas.Aurora.Lyra.E Elara.Elara.Esse havia sido o nome escolhido pela própria menina.Um nome que, segundo Gabriel, significava algo próximo de luz e mistério.Ela gostava.Talvez porque sua vida inteira tivesse sido cercada pelos dois.Mistério.E escuridão.Agora, porém, ela finalmente tinha uma família.***Lívia observava as três brincando no jardim.Aurora corria atrás de Lyra, enquanto Elara permanecia alguns passos atrás, rindo.Era estranho pensar que, meses antes, nenhuma delas sabia da existência das outras.Aurora crescera acreditando que era filha única.Lyra passara anos acreditando que estava sozinha.E Elara sequer possuía um nome.Agora eram inseparáveis.Dante apro

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   48. A ESCOLHA DAS TRÊS HERDEIRAS - PARTE 2

    As meninas se olharam.— Aurora — disse Lyra.— Lyra — respondeu Aurora.A terceira menina respirou fundo.— Eu não quero perder nenhuma de vocês.Lívia se ajoelhou diante delas.— Então não escolham entre vocês.As três olharam para ela.— Escolham umas às outras.Dante percebeu primeiro.— Lívia...Ela se levantou.— A magia quer que elas escolham um lado.Gabriel assentiu.— Porque é assim que a guerra continua.Lívia segurou as mãos das três.— Então elas não vão escolher um lado.Os três símbolos começaram a se unir.Serena recuou.— Não!Uma enorme luz tomou o templo.Lyra gritou.Aurora fechou os olhos.A terceira menina segurou as mãos das irmãs.A energia percorreu o templo.As correntes de Gabriel começaram a desaparecer.A marca da Lua Negra que estava gravada nas paredes começou a rachar.Serena caiu de joelhos.— Vocês não entendem!Lívia respondeu:— Talvez não.Olhou para as três meninas.— Mas entendemos que ninguém deve ser obrigado a escolher entre aqueles que ama.*

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   47. A ESCOLHA DAS TRÊS HERDEIRAS - PARTE 1

    A porta se abriu completamente.Do outro lado não havia apenas escuridão.Havia silêncio.Um silêncio tão profundo que parecia engolir até mesmo o som da respiração.Lívia permaneceu parada diante da entrada.A voz de seu pai ainda ecoava em sua mente.“Se você abrir essa porta, a guerra que começou há vinte anos finalmente terminará.”Ela olhou para Aurora.Depois para Lyra.E finalmente para a terceira menina.As três estavam juntas.Pela primeira vez.Depois de tantos anos de separação.— Eu vou entrar — disse Lívia.Dante segurou sua mão.— Então eu vou com você.Lívia olhou para ele.— Pode ser perigoso.— Depois de tudo que enfrentamos, você realmente acha que vou deixar você entrar sozinha?Um pequeno sorriso apareceu no rosto dela.— Não.Dante apertou sua mão.— Nunca.As três meninas atravessaram a porta.E a escuridão as envolveu.***Quando Lívia abriu os olhos, não estava mais na montanha.Estava em um lugar impossível.O céu era prateado.Não havia sol.Nem lua.Ao redor

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   46. A MULHER DA LUA NEGRA - PARTE 2

    Do lado de fora, uma voz ecoou.— Helena!Ela fechou os olhos.— Eles chegaram.A voz continuou:— Entregue as crianças e ninguém precisará morrer.Dante respondeu:— Venha buscá-las.Um silêncio.Então uma mulher entrou na caverna.Ela usava um longo manto negro.No pescoço carregava um símbolo de lua.Seus olhos estavam fixos na terceira herdeira.A menina recuou.— Não...A mulher sorriu.— Minha pequena.— Não chega perto de mim.— Depois de tantos anos, ainda tem medo?Lívia se colocou entre as duas.— Quem é você?A mulher olhou para ela.— Você deve ser Lívia.— Como sabe meu nome?— Eu conheci seu pai.Lívia ficou imóvel.— Quem é você?A mulher sorriu.— Meu nome é Serena.Clara deu um passo para trás.— Serena Valen...Dante olhou para Clara.— Você conhece esse nome?Clara respondeu:— Todos acreditavam que ela estava morta.Serena riu.— Todos acreditavam errado.***Lívia não tirava os olhos dela.— O que você quer?Serena respondeu:— Quero recuperar aquilo que pertence

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   45. A MULHER DA LUA NEGRA - PARTE 1

    A risada ecoou pela caverna.Lenta.Baixa.Assustadoramente tranquila.A terceira herdeira apertou a mão de Lívia.— É ela.Lívia olhou para a passagem.— Quem?A menina engoliu em seco.— A mulher que me criou.Dante levantou a espada.— Todos para trás.Rafael posicionou-se ao lado dele.Lyra puxou Aurora para perto.Elias permaneceu imóvel.Clara, porém, parecia ter visto um fantasma.— Não...Lívia olhou para a mãe.— Você conhece essa mulher.Clara não respondeu.— Mãe!— Conheço.A voz de Clara saiu quase sem força.— Quem é ela?Clara respirou fundo.— Helena.Todos olharam para a mulher que estava atrás deles.A mesma Helena que os havia recebido na cidade.A mesma mulher que havia dito esperar pelas três herdeiras durante vinte anos.Lívia virou-se lentamente.— Helena?A mulher não respondeu.Apenas fechou os olhos.Quando os abriu novamente, não havia mais medo em seu rosto.Havia determinação.— Eu sinto muito.Dante avançou.— Você nos enganou.Helena recuou.— Eu precisa

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status