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7. A CAÇADA COMEÇOU

last update Fecha de publicación: 2026-08-24 03:36:58

Lívia leu a mensagem mais uma vez.

“Entregue a descendente dos Caçadores ou Aurora será a primeira a morrer.”

Seus dedos começaram a tremer. Ela olhou para a filha. Aurora estava quieta no berço, completamente alheia à ameaça que acabara de entrar naquela casa.

— Eles sabem onde estamos — sussurrou Lívia.

Dante arrancou a flecha da parede.

— Sabiam.

— O que isso significa?

Ele examinou a madeira da flecha.

— Significa que alguém está nos observando desde que chegamos.

Lívia sentiu o estômago se revirar.

— Então podemos estar cercados.

— Sim.

— E você diz isso com essa calma?

Dante levantou os olhos.

— Porque entrar em pânico não vai proteger sua filha.

A resposta foi dura. Mas funcionou.

Lívia respirou fundo e se aproximou do berço.

— O que eles querem comigo?

Dante ficou em silêncio por alguns segundos.

— Ainda não sei.

— Você sabe mais do que está dizendo.

— Sei algumas coisas.

— Então conte.

Dante olhou para o medalhão sobre a mesa.

— Os Caçadores não desapareceram completamente.

Lívia ficou imóvel.

— Minha mãe?

— Talvez tenha feito parte deles.

— E meu pai?

— Provavelmente também.

— E por que ninguém nunca me contou?

Dante respondeu:

— Porque, se seus pais conseguiram esconder sua existência durante tantos anos, provavelmente estavam fugindo de alguém.

Lívia passou a mão pelos cabelos.

— Minha mãe passou a vida inteira com medo.

— Talvez ela tivesse motivos.

— E agora eu tenho que continuar fugindo?

Dante a encarou.

— Não.

A voz dele mudou.

— Agora eles sabem que você existe.

Lívia percebeu algo naquele olhar. Dante não estava pensando em fugir. Estava pensando em lutar.

Do lado de fora da casa, um galho se moveu. Dante virou a cabeça imediatamente.

— Fiquem aqui.

Rafael apareceu na porta.

— Alfa.

Dante fez um sinal.

— Quantos?

— Cinco nas árvores. Mais três próximos à estrada.

Lívia arregalou os olhos.

— Oito?

Rafael assentiu.

— E não são lobos.

Dante ficou pensativo.

— Caçadores?

— Não.

— Então quem?

Rafael colocou uma pequena arma sobre a mesa.

— Mercenários.

Dante fechou os olhos por um instante.

— Alguém pagou para encontrá-la.

Lívia sentiu um arrepio.

— Quem teria dinheiro e motivos para fazer isso?

Dante olhou para ela.

— Essa é a pergunta que precisamos responder.

Um grito veio do lado de fora. Dante imediatamente pegou a espada que carregava presa às costas. Lívia o observou.

— Você vai sair?

— Vou garantir que ninguém entre.

— E se entrarem?

Dante parou diante dela.

— Não deixe que levem Aurora.

— E você?

— Eu volto.

Lívia queria perguntar se ele tinha certeza. Mas não perguntou. Dante saiu.

O primeiro ataque aconteceu minutos depois. Uma janela explodiu. Lívia se abaixou, protegendo Aurora. Rafael correu até elas.

— Precisamos sair!

— Para onde?

— Existe uma passagem subterrânea.

— E Dante?

— Ele sabe onde estamos indo.

Lívia hesitou. Então ouviu passos.

— Vamos.

Rafael abriu uma porta escondida atrás de um armário. Uma escada estreita apareceu. Lívia desceu com Aurora nos braços. Atrás dela, Rafael fechou a passagem.

No lado de fora, Dante enfrentava os invasores. Um homem avançou. Dante desviou e o derrubou. Outro tentou atacá-lo pelas costas. Rafael teria visto. Dante não.

Mas antes que o golpe chegasse, uma flecha atravessou o ar e atingiu a arma do atacante.

O homem recuou. Dante olhou na direção da floresta. Não havia ninguém. A flecha tinha vindo de longe. E carregava o mesmo símbolo gravado no medalhão. Dante aproximou-se. Pegou a flecha. No cabo havia uma inscrição.

“A dívida de sangue começou.”

Seu rosto endureceu.

— Quem está por trás disso?

Nenhuma resposta. Então ouviu um rosnado.

Dante virou-se. Um dos invasores estava caído no chão. Seus olhos tinham mudado. Não era humano. Dante estreitou os olhos.

— Então é isso.

O homem sorriu.

— Você finalmente percebeu.

Dante aproximou-se.

— Vocês estão trabalhando para quem?

— Para alguém que conhece sua família melhor do que você imagina.

O homem atacou. Dante o derrubou novamente.

— Fale.

— A menina não deveria ter nascido.

Dante ficou imóvel.

— Por quê?

O homem riu.

— Porque ela é a prova de que a profecia estava certa.

No túnel, Lívia caminhava apressadamente. Aurora permanecia quieta.

— Falta muito? — perguntou.

— Pouco.

Lívia olhou para a criança.

— Ela está estranhamente calma.

Rafael não respondeu.

— O que foi?

— Nada.

— Rafael.

Ele respirou fundo.

— Aurora não parece assustada.

— Ela é um bebê.

— Exatamente.

Lívia franziu a testa. Então percebeu uma luz fraca vindo de sua filha. A mesma luz dourada. Dessa vez, porém, não desapareceu.

— Rafael...

Ele parou.

— Eu estou vendo.

A luz percorreu lentamente os dedos de Aurora. Lívia sentiu medo.

— O que está acontecendo?

Rafael olhou para ela.

— Acho que o poder dela está despertando.

— Poder?

Antes que ele pudesse explicar, um som ecoou no túnel.

Passos. Rafael se virou.

— Eles nos encontraram.

Lívia apertou Aurora contra o peito.

— Quantos?

— Não sei.

O som aumentou. Então uma voz feminina ecoou pelo túnel:

— Lívia Monteiro.

Ela congelou.

— Quem é você?

A mulher respondeu:

— Alguém que conheceu sua mãe.

Lívia sentiu o coração disparar.

— O que você quer?

— Quero impedir que você cometa o mesmo erro que sua mãe cometeu.

— Que erro?

Silêncio. Então a mulher respondeu:

— Confiar em um Alfa.

Lívia olhou para Rafael.

— O que ela está falando?

Rafael não respondeu. A mulher continuou:

— Dante não contou a você a verdadeira história da família dele, contou?

Lívia sentiu uma dúvida nascer dentro dela.

— O que você sabe sobre Dante?

— O suficiente para saber que, se ele descobrir toda a verdade sobre o seu sangue, você deixará de ser uma protegida...

A voz fez uma pausa.

— ...e passará a ser uma ameaça.

Lívia sentiu o coração apertar. Então a mulher apareceu no final do túnel. Era jovem. Cabelos prateados. Olhos muito claros. E carregava o mesmo símbolo dos Caçadores no pescoço.

Rafael imediatamente colocou-se diante de Lívia.

— Quem é você?

A mulher sorriu.

— Meu nome é Serena.

Seus olhos passaram para Aurora.

— E eu sou a última pessoa viva que pode explicar por que essa criança nasceu.

Lívia ficou imóvel.

— Você conheceu minha mãe?

Serena assentiu.

— Eu conheci sua mãe.

Então olhou diretamente para Lívia.

— E ela me pediu para encontrá-la quando chegasse o momento.

— Que momento?

Serena deu um passo à frente.

— Quando o sangue dos Caçadores despertasse.

Aurora abriu os olhos. Dourados. Intensos. E, naquele instante, Serena perdeu o sorriso.

— Já começou.

Um rugido poderoso ecoou atrás delas. Dante havia chegado. Serena olhou para o corredor. Seu rosto mudou.

— Tarde demais.

Dante surgiu na escuridão. Seus olhos estavam fixos em Serena.

— Afaste-se de Lívia.

Serena não se moveu.

— Você ainda não percebeu, Alfa.

Dante apertou a mandíbula.

— Percebi o suficiente.

Serena olhou para Aurora.

— Não.

Então encarou Dante.

— Você percebeu apenas que ela é sua filha.

Uma pausa.

— Ainda não descobriu que a mulher que está protegendo pode ser a chave para destruir seu próprio reino.

Lívia ficou em silêncio. Dante também. E, pela primeira vez, os dois perceberam que talvez a verdadeira ameaça não fosse alguém tentando matar Aurora. Talvez fosse o segredo que Lívia carregava no próprio sangue. Um segredo que sua mãe havia escondido durante toda a sua vida.

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