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CAPÍTULO 2

Autor: Montanha Rio
Assim que terminei de falar, uma onda avassaladora de exaustão tomou conta de mim.

Juan Sanchez, o médico da família, apressou-se em me aplicar uma injeção cardíaca.

A dor aguda me trouxe de volta à consciência quase instantaneamente.

Juan enxugou o suor da testa e falou com urgência:

— Senhora Cabrera, você precisa ficar acordada. Se perder a consciência agora, talvez nunca mais acorde. — Ele respirou fundo e continuou: — Pense no seu marido e no seu bebê. Os dois precisam de você.

Com a voz severa e carregada de autoridade, o Don também falou:

— Você salvou a minha vida, e eu jamais esquecerei isso. — Ele fez uma breve pausa antes de continuar: — Quando se recuperar, eu lhe darei tudo o que você merece. A criança em seu ventre também será meu afilhado.

Seu olhar se tornou firme. — Aguente. Já mandei alguém chamar Fábio.

Ao ouvir as palavras do Don, forcei um pequeno sorriso. No entanto, eu não era tão ingênua quanto ele imaginava.

No momento da explosão, senti o jorro quente de sangue entre as minhas pernas e isso foi o suficiente para entender o que tinha acontecido. No mínimo, eu sabia que meu bebê já não poderia mais ser salvo.

E quanto ao Fábio? Eu tinha certeza de que ele nunca viria.

Como se estivesse provando exatamente isso, o soldado, que o Don havia enviado, retornou sozinho para fazer o relatório. Ele mantinha a cabeça baixa, sem coragem de encarar o Don nos olhos.

— Onde ele está? — O Don franziu a testa, visivelmente descontente.

A voz do soldado tremia quando respondeu:

— Don Romero, Fábio se recusou a voltar. Ele disse: "Que roteiro horrível. Diga à atriz para parar de me importunar"…

O soldado estava praticamente curvado a noventa graus, enquanto o suor escorria incessantemente por sua testa.

Eu sabia que as palavras de Fábio eram muito mais cruéis e duras do que aquilo. O soldado simplesmente não teve coragem de repeti-las ao pé da letra.

Afinal, Reina já me difamava há muito tempo, e agora Fábio sempre acreditava que toda a minha dor e sofrimento não passavam de uma encenação para chamar sua atenção.

Na minha vida passada, quando implorei por ajuda, ele me acusou de cobiçar a posição de esposa do sottocapo.

Agora, quando o Don mandava chamá-lo de volta, ele dizia que eu estava apenas fingindo.

Se ele só se importava com Reina naquele momento, então por quê ele me perseguia de forma tão obsessiva no passado?

Tristeza e raiva se misturaram dentro de mim. Inclinei a cabeça de lado e tossi ainda mais sangue.

O rosto de Juan ficou sombrio.

— Don, a senhora Lopez está em estado crítico agora. A vida dela não pode ser mantida apenas com medicamentos se não houver algo que estimule sua vontade de viver!

O olhar do Don pousou sobre meu rosto pálido. Ele já não conseguia mais conter a fúria que ardia em seu peito.

Ele tirou o telefone criptografado, acessível apenas a um grupo restrito de pessoas, e o enfiou com força na mão do soldado. Sua voz estava fria como gelo quando ordenou:

— Ligue para o Fábio. — Ao dar a ordem, os seus olhos se estreitaram. — Todos na família conhecem o meu número. Se ele continuar se recusando a vir, então execute-o como um traidor!

Desta vez, o Don estava verdadeiramente enfurecido.

Normalmente, ele era protegido por uma segurança extremamente rígida, mas naquela situação, nem um único guarda-costas estava ao seu lado.

Arrisquei a minha vida para salvá-lo, e ainda assim ele não conseguia fazer meu marido voltar.

Aquilo já não era mais uma simples negligência. Era uma provocação aberta à autoridade do Don!

Fui levada às pressas para uma ala VIP do hospital, mantida viva por medicamentos potentes e aparelhos médicos, enquanto aguardava uma nova cirurgia.

Quando o soldado voltou a falar, eu ainda estava em estado semi-inconsciente, mas mesmo assim consegui ouvi-lo.

— Don Romero, O senhor Lopez ainda se recusou a retornar. Mas, ele enviou uma assistente em seu lugar.

Forcei os olhos a se abrirem e vi a assistente pessoal de Reina, Ana Rodriguez.

Ana costumava ser minha assistente pessoal.

No entanto, quando eu estava grávida, Reina a subornou para sabotar os freios do meu carro, e o acidente que se seguiu quase me matou.

Por sorte, os paramédicos chegaram a tempo, e eu consegui sobreviver.

Não queria perdoar aquela traidora. Justo quando estava prestes a puni-la, Reina me impediu.

Eu ainda me lembrava daquele dia como se fosse ontem.

Reina se agarrou ao braço de Fábio e me repreendeu com uma voz cheia de falsa retidão:

— Como você pode ser tão irracional, Sirena? Ana nem sabe dirigir. Como ela sabotou os freios do seu carro? — Ela me lançou um olhar acusador.

— Você não vai me convencer de que não orquestrou todo esse acidente sozinha. Mesmo que quisesse arriscar a própria vida para chamar a atenção do Fábio, jamais deveria ter arrastado a Ana para isso!

Em seguida, ela se virou para Fábio e falou com suavidade:

— Fábio, por que não deixamos a Ana ser minha assistente pessoal? Eu não vou ficar zangada com ela por motivos ridículos, diferente de certas pessoas aqui.
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