INICIAR SESIÓN
Seis meses depois, o sol de Sicil ainda era tão ofuscante como sempre.Eu estava diante de uma lápide recém-erguida no cemitério da família, vestindo um longo vestido de veludo preto.Não tinha nenhum nome gravado na pedra. Apenas uma única linha de palavras."Para o anjo que eu nunca conheci."Depositei um buquê de lírios brancos diante da lápide e passei os dedos pelo mármore gelado. O vazio em meu coração ainda não havia cicatrizado por completo, mas ao menos já não sangrava.O tempo curava todas as feridas.Passos firmes soaram atrás de mim. Não precisei me virar para saber quem era.Um paletó quente foi colocado sobre meus ombros.— Está ventando um pouco aqui. — A voz de Don Romero veio de cima da minha cabeça.Aproximei o casaco do corpo, envolvendo-me no cheiro familiar de charutos. O aroma era reconfortante, quase calmante.— Há notícias das minas de enxofre. — Ele falou com a mesma tranquilidade de quem comentava sobre o clima, enquanto me entregava um documento.A
Era uma noite chuvosa quando Don Romero e eu chegamos ao Perez Steakhouse.Um Lincoln preto parou diante da porta, e nós dois descemos do carro sem nenhum guarda-costas ao nosso redor.Empurramos a porta e entramos. O restaurante havia sido esvaziado; restava apenas uma única mesa no centro do salão, onde estavam sentados o Don da família rival, Rafael Aguilar, e seu sottocapo.Rafael estava no meio de uma refeição voraz, devorando um enorme bife mal passado com ganância.O sottocapo nos interceptou e falou com falsa cortesia:— Por gentileza, cooperem com uma revista completa.Don abriu os braços, permitindo que fosse revistado.Depois de confirmar que não havia nada com ele, o sottocapo voltou o olhar para mim.Rafael limpou a gordura dos lábios e soltou uma risada viscosa.— Eu mesmo vou revistar a senhora.O olhar de Don esfriou de imediato. Ele estava prestes a agir quando segurei sua mão, impedindo-o.Avancei com o rosto impassível e deixei que Rafael batesse no meu ca
Virei-me para os dois solados que aguardavam à porta, à espera das minhas ordens. Eles eram os homens que a família designava especificamente para lidar com "lixo". Usavam máscaras pretas no rosto e seguravam uma pesada caixa de ferramentas nas mãos.— Enviem o Fábio e a Reina para as minas de enxofre ao sul de Sicil.Assim que ouviram a menção às minas de enxofre, Fábio e Reina sugaram o ar com força ao mesmo tempo.Apenas Mafiosos desonrados que haviam cometido crimes hediondos e apostadores incapazes de pagar suas dívidas eram enviados para trabalhar nas minas de enxofre. Aquele lugar era um verdadeiro inferno na terra, com temperaturas escaldantes, gases tóxicos e um trabalho pesado interminável e implacável.— Não! Sirena, você não pode fazer isso comigo! Eu sou seu marido!O grito desesperado de Fábio ecoou pelo porão.— Ex-marido. — Corrigi friamente. — Além disso, como a Ms. Digiorno gosta tanto de atuar, tenho certeza de que ela vai se divertir muito encenando todos os d
O ar no porão era pútrido, impregnado pelo cheiro de ferrugem, mofo e um odor enjoativo, adocicado, que se misturava e se espalhava pelo ambiente.— Não… isso é impossível!Reina gritou, agarrando as grades com ainda mais força, sem sequer perceber quando suas unhas se partiram.— Eu sou inocente! Aquela vadia da Ana estava mentindo! Ela tinha inveja de mim! Sirena, você não pode ouvir aquela mulher louca!Eu permanecia do lado de fora da jaula, com um pesado casaco de cashmere preto jogado sobre os ombros. O Don mandou alguém entregá-lo de propósito, para me proteger do frio do subsolo.Olhei para Reina como se estivesse observando um rato se debatendo inutilmente dentro de uma armadilha.— Ana não é louca. Os registros de interrogatório deixaram isso muito claro.Retirei do bolso do casaco um maço de documentos manchados de sangue e os arremessei para dentro da jaula.As folhas caíram aos pés de Reina, cobertas por linhas densas de texto detalhando tudo: seus contatos secreto
O Don observava Fábio e Reina jogarem a culpa um no outro, com um nojo evidente em seus olhos.Ele recolheu a arma e fez um gesto para seus homens.Alguns soldados corpulentos avançaram de imediato, agarraram Fábio e Reina e os puxaram para cima como se ambos não pesassem absolutamente nada.— Levem os dois para a sala de interrogatório. Eu mesmo vou interrogá-los.Em seguida, Don caminhou até a porta, parou por um instante e se virou para me encarar.— Sirena, você é a Consigliere. Por isso, vou lhe conceder autoridade para lidar com este assunto. O destino deles será decidido por você assim que se recuperar o suficiente de seus ferimentos.Observei Fábio e Reina sendo arrastados para fora e percebi que não sentia satisfação nem vitória, como imaginei que sentiria.Meu filho estava morto. Nem mesmo a morte daqueles dois poderia trazer o meu filho de volta à vida.Nos dias seguintes, cooperei com os médicos no tratamento, e o Don vinha me visitar diariamente.Ele me trouxe notí
As mãos de Fábio congelaram no ar, apesar da arma ainda estar apontada para a minha têmpora.No entanto, seu pescoço girou lenta e rigidamente para o lado, como uma engrenagem enferrujada prestes a travar.— Don Romero?Quando finalmente viu quem estava à porta, foi como se todo o sangue tivesse sido drenado de seu corpo. O rosto arrogante empalideceu num instante, adquirindo uma palidez mortal.— O que o senhor está fazendo aqui?A arma escorregou de sua mão e caiu no chão com um estrondo metálico.Reina ainda não havia compreendido a gravidade da situação. Ela jamais tinha visto aquele homem lendário que controlava todo o submundo de Sicil. Aos seus olhos, ele não passava de um membro de uma gangue desconhecido, que estava coberto de sangue e sujeira, envolto por uma aura assassina.— Quem é esse homem, Fábio? Por que ele está todo ensanguentado? Que nojo… Não me diga que ele é mais um dos atores contratados pela Sirena também? — Ao perguntar,ela torceu o nariz com desprezo en







