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Grávida do Dono do Morro
Grávida do Dono do Morro
Estrela de Maria

Capítulo 1

last update Veröffentlichungsdatum: 23.09.2026 04:25:45

Capítulo 1 — Uma péssima decisão

🥀 Júlia narrando 🥀

Existem vários tipos de pessoas bêbadas.

Tem aquelas que ficam carinhosas demais.

As que começam a contar os próprios segredos para qualquer pessoa que estiver disposta a ouvir.

As que dançam como se estivessem em cima de um palco.

As que choram por causa do ex que nem lembravam que existia cinco minutos antes.

E tem aquelas que simplesmente perdem completamente o juízo.

Adivinha em qual categoria eu me encaixo?

Exatamente.

Na pior.

Quando eu bebo, minha capacidade de tomar boas decisões simplesmente desaparece.

E naquela noite eu tinha bebido o suficiente para mandar minha responsabilidade se fuder.

— Você está bêbada — Hanna gritou perto do meu ouvido.

— Eu estou ótima!

— Você acabou de tentar conversar com uma planta.

Olhei para o vaso ao nosso lado.

— Ela parecia interessada.

Hanna começou a rir.

Eu também.

A música estava alta, as luzes da boate cortavam o ambiente e eu só queria aproveitar aquela noite. Depois de uma semana cansativa, eu merecia esquecer um pouco da vida.

O problema era que, quando eu esquecia da vida, normalmente esquecia também do bom senso.

E foi assim que meus olhos encontraram os dele.

O homem estava encostado no bar, segurando um copo e observando o movimento.

Alto.

Bonito.

Cheio de tatuagens.

E com aquela expressão fechada que deveria ter me feito manter distância.

Deveria.

Mas eu nunca fui muito boa com a palavra "deveria".

Nossos olhares se cruzaram.

Ele não desviou.

Eu também não.

Um sorriso pequeno apareceu no canto da boca dele.

Pronto.

Era tudo que meu cérebro bêbado precisava.

Depois de algumas trocas de olhares, ele se aproximou.

Não perguntou meu nome.

Eu também não perguntei o dele.

Talvez essa tenha sido a primeira decisão errada da noite.

Ou a segunda.

Porque a primeira provavelmente tinha sido beber tanto.

O resto aconteceu rápido demais.

Uma conversa curta.

Algumas provocações.

Mais uma bebida.

E, quando percebi, estava seguindo aquele desconhecido para uma sala reservada da boate.

Eu sabia que era uma péssima ideia.

Mas, naquele momento, parecia uma péssima ideia muito interessante.

A porta se fechou atrás de nós.

Ele se aproximou.

E eu deveria ter pensado melhor.

Só que não pensei.

Aquela noite não era para criar histórias de amor.

Muito menos para descobrir o nome de ninguém.

Eu queria apenas me divertir.

E, pelo menos naquele momento, foi exatamente o que aconteceu.

[...]

Quando tudo terminou, fiquei alguns segundos deitada no sofá, tentando recuperar o fôlego e organizar meus pensamentos.

O desconhecido se levantou sem pressa.

Arrumou a camisa.

Ajeitou o relógio.

Parecia completamente tranquilo.

Eu, por outro lado, estava começando a me perguntar que tipo de loucura tinha acabado de fazer.

Ele pegou a carteira.

Olhei curiosa.

Até que ele colocou algumas notas sobre a mesa.

Franzi a testa.

— O que é isso?

— Pelo sexo.

Demorei alguns segundos para entender.

Quando entendi, minha boca se abriu.

— Não sou postituta.

Ele me encarou.

— Não mesmo, uma prostituta teria me pagado um belo boquete

Levantei de uma vez.

— Você é um idiota.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— E você está exagerando.

— Eu não sou garota de programa!

Minha voz saiu mais alta do que pretendia.

Ele respirou fundo, aparentemente sem se importar com a minha indignação.

— Então não pegue o dinheiro.

— Pode ter certeza de que não vou pegar.

Peguei as notas e joguei de volta na direção dele.

— Eu não preciso disso.

Ele apenas me observou.

Aquele olhar me irritou ainda mais.

Peguei minhas coisas, ajeitei minha roupa e saí da sala sem olhar para trás.

Eu precisava urgentemente de ar.

E talvez de uma máquina do tempo.

Porque, sinceramente?

Eu queria voltar algumas horas e impedir a versão bêbada de mim mesma de tomar qualquer decisão.

Assim que voltei para a pista, encontrei Rafaela.

— Finalmente! Onde você estava?

— Tendo a pior experiência da minha vida.

Ela arregalou os olhos.

— O quê?

— Aquele homem me pagou.

— Pagou?

— Colocou dinheiro na minha frente como se eu fosse uma prostituta.

Rafaela ficou alguns segundos em silêncio.

Então fez a pergunta mais absurda possível:

— Quanto?

— Rafaela!

— Ué! Estou perguntando!

— Não interessa!

Ela começou a rir.

— Você jogou na cara dele?

— Joguei.

Ela colocou a mão no peito, horrorizada.

— Júlia, você é maluca.

— Eu não vou aceitar dinheiro de homem nenhum depois de uma coisa dessas.

— Eu teria aceitado.

— Você aceitaria até vale-transporte.

— Se viesse junto com dinheiro, aceitaria mesmo.

Revirei os olhos.

Apesar da raiva, acabei rindo.

Era impossível ficar séria perto daquela mulher.

Fiquei mais alguns minutos na pista, mas minha vontade de continuar ali tinha desaparecido completamente.

Aquela noite tinha perdido a graça.

Rafaela, como sempre, desapareceu pouco depois.

Provavelmente encontrou alguém para transar no banheiro.

Ou fazer qualquer outra coisa que eu não queria nem imaginar.

Eu só queria ir embora.

Antes de sair, porém, olhei uma última vez para o bar.

E encontrei o desconhecido novamente.

Ele estava cercado por alguns homens.

Dessa vez, ninguém parecia destraído.

A postura dele havia mudado.

Não era mais o desconhecido que eu tinha conhecido alí no bar.

Os outros homens falavam com ele com respeito.

Alguns praticamente evitavam encará-lo.

Eu franzi a testa.

— Quem é aquele? — perguntei para uma funcionária que passava perto de mim.

Ela olhou rapidamente na direção dele.

Depois voltou os olhos para mim.

— Você não sabe?

— Deveria?

Ela ficou pálida.

— Aquele é o Falcão.

— Tá... e quem é Falcão?

Ela me encarou como se eu tivesse acabado de perguntar quem era o presidente do Brasil.

— O dono do morro.

Meu estômago afundou.

Olhei novamente para ele.

O homem percebeu meu olhar.

E sorriu.

Um sorriso pequeno.

Quase debochado.

Naquele instante, entendi duas coisas.

A primeira era que eu tinha acabado de me envolver com o homem mais perigoso daquela região.

A segunda?

Eu definitivamente não queria encontrá-lo nunca mais.

Peguei minha bolsa e fui embora.

Se dependesse de mim, aquela noite seria enterrada para sempre.

Na verdade, ela já tinha sido enterrada.

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Kommentare (1)
goodnovel comment avatar
andrezasantos494
estou gostando muito
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