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Capítulo 2

last update Veröffentlichungsdatum: 23.09.2026 04:27:21

Capítulo 2 — Puta que pariu 

🥀 Júlia narrando 🥀

As últimas semanas foram tão corridas que eu já estava começando a achar que precisava de férias das minhas próprias férias.

O estresse com a faculdade estava me deixando louca.

Cursar Administração nunca foi exatamente o meu sonho, mas nem sempre podemos fazer o que queremos. A vida não é essa maravilha toda que as pessoas tentam vender por aí.

Principalmente quando você tem um ex-namorado inconveniente que parece ter decidido ressuscitar justo quando você estava tentando esquecer que ele existia.

— Ele apareceu de novo, Júlia?

Olhei para Lara, que estava sentada ao meu lado.

— Sim, Lara... O Dominique não me deixa em paz.

Ela fez uma careta.

— O que ele queria dessa vez?

— Começou a conversa com um "oi, você tá com um peitão, né?"

Lara olhou para o meu peito e depois para mim.

— Realmente, eles cresceram.

— Sua tarada.

Ela começou a rir.

— Estou falando sério.

— Quando estou perto de menstruar eles crescem. Fico até triste quando desincha.

— Você é muito idiota.

— Ou então Deus só percebeu agora que esqueceu de me dar peitos e está tentando reverter a situação.

Lara gargalhou.

— A faculdade está fazendo você surtar. Acho que a gente devia ir para uma festinha se divertir.

— Não sei...

— Só nós duas. Deixa a Rafaela fora.

Revirei os olhos.

Lara não suportava Rafaela.

Não tinha exatamente um motivo válido. Ela simplesmente tinha decidido que não gostava dela.

O que era bem estranho para mim, já que as duas são minhas melhores amigas.

— Não estou muito bem do estômago — falei, fazendo uma careta. — Acho que o sushi estava meio estragado. Melhor não pedir mais daquele lugar.

— Ou talvez seu estômago não esteja bom porque você comeu sushi com milkshake.

— Eu gosto de experimentar.

— Imunda.

Joguei uma almofada nela.

— Que tal um cineminha em casa? A gente assiste a um filme de romance que cause depressão e se entope de pipoca.

— Claro. Quero chorar um pouco.

Lara levantou e foi preparar a pipoca enquanto eu escolhia o filme que destruiria nosso psicológico naquela noite.

Deitamos juntas no sofá e começamos a assistir.

Dez minutos depois, senti meu estômago se revirar.

Uma ânsia horrível tomou conta de mim.

Levantei do sofá e corri para o banheiro, colocando para fora praticamente tudo que tinha ingerido durante o dia.

Nossa.

Eu nunca tinha vomitado tanto.

Quando consegui respirar novamente, Lara já estava atrás de mim, segurando meu cabelo.

Lara era uma mãezona.

Estava sempre cuidando das pessoas que amava.

Lavei a boca e voltei para o sofá.

— Amiga?

Olhei para ela.

— O quê?

— Não quer ir mesmo ao hospital?

— Não. Estou bem.

— Você está pálida.

— É só uma indisposição.

Ela sentou ao meu lado, mas ficou me encarando.

E aquele olhar começou a me deixar nervosa.

— Fala de uma vez — bufei.

Ela respirou fundo.

— Hmm... milkshake com sushi, vômitos, seios maiores, estresse...

Franzi a testa.

— Onde você quer chegar com isso?

Ela me encarou por alguns segundos.

— Quais são as chances de ter um bebê dentro dessa sua barriguinha?

— O quê?

Comecei a rir.

— Lara, eu não vejo um homem faz quase três meses.

— É justamente nesse período que muitas mulheres começam a sentir os sintomas. Dois, três meses...

Parei de rir.

— Não.

— Júlia...

— Não estou grávida.

— Você tem certeza?

— Minha última transa foi com um cara super babaca. Eu estava meio bêbada, mas vi ele colocando a camisinha.

Lara levantou uma sobrancelha.

— Nenhum método contraceptivo é cem por cento seguro. Camisinha pode furar.

— Não. Eu não estou grávida.

Cruzei os braços.

— Muito menos daquele filho da puta.

— Se você tem tanta certeza...

Ela levantou do sofá.

— Não custa nada fazer um teste.

— Onde você vai?

— Na farmácia. Quero saber se tem um bebê aí.

— Lara!

Ela já estava pegando a bolsa.

— Se tiver, é melhor você descobrir o mais rápido possível. Vai ser melhor, acredita em mim.

Pronto.

Fodeu bonito agora.

Fiz xixi em cinco testes diferentes.

Lara era meio obsessiva. Comprou um de cada tipo para ter certeza.

Em momento algum eu tinha cogitado uma possível gravidez.

Mas ela conseguiu me deixar preocupada.

Um bebê?

Meu Deus.

Eu já consegui matar um cacto.

Como eu vou manter um bebê funcionando?

— Júlia, relaxa.

Lara segurou minhas mãos.

— Independente do resultado, você tem a mim. Eu vou te apoiar sempre.

Ela me abraçou.

— Eu menstruei mês passado.

— Talvez não tenha sido menstruação. Pode ter sido apenas um pequeno sangramento. Algumas mulheres confundem.

Fiquei em silêncio.

— Foi um fluxo bem menor...

— Viu?

— Minha menstruação sempre foi desregulada. Ela vem quando quer e do jeito que quer.

Lara olhou para o relógio.

— Já deu o tempo.

Meu coração acelerou.

— Não quero ver.

— Você precisa.

— Lara...

— Olha para mim.

Levantei os olhos.

— Seja qual for o resultado, você não está sozinha.

Ela entrou no banheiro.

Alguns segundos depois, saiu com os testes nas mãos.

Engoli em seco.

O pânico começou a dominar meu corpo.

— Todos deram o mesmo resultado...

Ela tentou sorrir.

— Temos um baby Moura a caminho.

Meu cérebro parou.

— O quê?

Arranquei os testes da mão dela.

Um por um.

Positivo.

Positivo.

Positivo.

Todos positivos.

Puta que pariu.

— Lara...

Minha voz saiu quase como um sussurro.

— Meu pai vai me matar.

Passei a mão pelo rosto.

— Ele... ai, meu Deus.

— Calma.

— Como eu vou contar isso para ele?

— Primeiro você precisa se acalmar.

— Eu posso fazer um aborto...

Parei.

Olhei para ela.

— Eu posso tirar, né?

Lara ficou séria.

— Você quer?

Baixei os olhos.

— Não.

Minha voz falhou.

— Eu acho que não. Eu vou me sentir muito culpada.

Ela segurou minha mão.

— Então não precisa decidir nada agora.

— E o que eu faço?

— Vamos marcar uma ultrassonografia para ter certeza. Depois pensamos no próximo passo.

Soltei uma risada nervosa.

— O próximo passo vai ser eu pular da ponte antes do meu pai ter a oportunidade de me jogar.

Lara começou a rir.

— Júlia!

— Você conhece meu pai.

Minha vida tinha acabado.

Eu tenho dezenove anos.

Estou grávida.

E o pai da criança era o homem mais escroto que eu já tinha conhecido.

Me fodi bonito.

O homem me tratou como se eu fosse uma prostituta depois do sexo.

E agora eu carregava um filho dele.

Perfeito.

Simplesmente perfeito.

— Qualquer coisa a gente foge — Lara falou.

Olhei para ela.

— O quê?

— Viramos um casal de lésbicas gostosas e criamos o bebê.

Fiquei alguns segundos encarando minha amiga.

— Meu Deus...

Ela começou a rir.

— Você está rindo ou chorando?

Passei as mãos pelo rosto.

— Eu não sei, Lara.

Respirei fundo.

— Eu realmente não sei.

Como foi que trinta minutos conseguiram transformar uma noite comum nisso?

Olhei novamente para os cinco testes espalhados sobre a mesa.

Um bebê.

Eu estava grávida.

E nem para engravidar de alguém com caráter eu prestava.

Meu dedo era muito podre.

Como eu contaria para o meu possível filho que o pai dele tinha me chamado de prostituta?

Tadinha da criança.

Ia precisar de muita terapia.

E eu ainda teria que contar para Dominique?

Obviamente.

Ele precisava saber.

Mas, sinceramente?

Eu já conseguia imaginar o desastre.

— E o pai? — Lara perguntou.

— O que tem ele?

— Você vai contar?

Suspirei.

— Eu tenho que contar.

— E se ele for um péssimo pai?

— Ele provavelmente vai ser.

— Então você está ferrada.

— Obrigada pelo apoio.

Ela abriu um sorriso.

— Olha, sou a madrinha.

— Eu estou morrendo aqui e você está pensando em ser madrinha?

— Ué? Você está grávida.

Ela apontou para os testes.

— Não tem como voltar no tempo. Então já estou garantindo meu lugarzinho.

Revirei os olhos.

Apesar do desespero, acabei soltando uma risada.

Talvez Lara tivesse razão.

Não dava para voltar no tempo.

Aquela noite tinha acontecido.

A gravidez estava ali.

E, querendo ou não, minha vida acabava de mudar completamente.

Eu só ainda não fazia ideia de que o homem que tinha colocado dinheiro na minha frente naquela noite não era o único problema que aquela gravidez traria.

Porque, em algum momento, eu teria que contar a verdade. Para o pai do meu filho.

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