로그인Isabella ainda estava de pé no meio da biblioteca quando os passos no corredor se aproximaram com pressa.A porta se abriu sem batida. Alessandro entrou primeiro, a expressão já fechada, o corpo em tensão total, Enzo logo atrás. O olhar cinzento varreu a sala em segundos — a poltrona deslocada, o casaco escuro que Maria esquecera caído perto da porta, o rosto pálido de Isabella, a mão ainda firmemente pressionada contra a barriga. Algo no ar denunciava o que acabara de acontecer antes mesmo de qualquer palavra. O perfume antigo ainda pairava, leve e invasivo, misturado ao cheiro de livros e madeira.— O que foi? — a voz dele saiu baixa, controlada, mas o corpo já estava em alerta absoluto. — Os homens da entrada reportaram uma irregularidade na portaria. Um dos novos. Dinheiro. Eu quero saber quem entrou. Agora.Isabella soltou o ar que não sabia que segurava. O peito subiu e desceu rápido demais. O menino chutou sob a palma, inquieto, como se a adrenalina da mãe o alcançasse.— A min
Alguns dias se passaram desde a noite em que Alessandro confessara a visita de Donatella a Chiara.A mansão continuava em estado de alerta elevado. O perímetro externo permanecia dobrado. A escuta no apartamento de Brooklyn Heights já estava ativa, embora ainda não tivesse captado nada além de silêncios longos e passos isolados. Isabella dormia com a mão de Alessandro sobre a barriga todas as noites, mas o sono vinha leve, interrompido por chutes do menino e por sonhos em que o sorriso de Donatella se misturava ao rosto de Lorenzo. Durante o dia, ela se ocupava do quarto do bebê — ajeitando mantas, reorganizando gavetas, deixando Sofia ajudá-la com o mobile —, tentando construir alguma normalidade sobre a rachadura que a ameaça interna abrira.Foi numa tarde cinzenta, enquanto revisava a lista de enxoval na biblioteca, que o impossível aconteceu.A porta se abriu sem o peso usual de hostilidade ou de anúncio. Maria Rossi apareceu no umbral.Isabella sentiu o chão oscilar sob os pés.A
No quarto, a porta se fechou com um clique suave. O som ecoou mais alto do que deveria no silêncio que se seguiu ao jantar. Alessandro tirou a camisa social com movimentos mecânicos, ficou apenas com a camiseta escura, e deitou ao lado dela. O colchão afundou sob o peso dele. Sem pedir permissão, puxou Isabella para perto, o braço envolvendo o corpo dela com uma firmeza que não admitia distância, a mão grande se acomodando sobre a barriga. O menino chutou sob a palma, um golpe firme e deliberado, como se reconhecesse o toque. Alessandro deixou a mão quieta ali, sentindo, o polegar começando a desenhar círculos lentos, quase inconscientes, o mesmo gesto que repetia todas as noites desde que o ultrassom confirmara o sexo.Isabella ficou em silêncio por um tempo. O calor do corpo dele a envolvia, o cheiro de sabão e de pele familiar preenchia o espaço entre os dois. A respiração dele era constante contra o alto da cabeça dela. Mas a tensão do jantar ainda queimava sob a pele. As farpas d
As horas passaram rapidamente desde o confronto entre Alessandro e Donatella.Desde então, ele não viu Isabella. Não por falta de vontade, mas por cálculo. Se ela o olhasse nos olhos naquele momento, perceberia que algo havia acontecido — algo pesado o suficiente para deixar marcas no rosto e na voz. E isso era exatamente o que ele não desejava. Donatella mentira com a mesma tranquilidade de sempre. Chiara fora visitada. O dispositivo no carro confirmara o endereço e o tempo. E agora o jantar se aproximava como um campo minado que ninguém poderia evitar.Alessandro passou a tarde no escritório, revisando relatórios que não conseguia concentrar-se o suficiente para entender. Enzo entrava e saía com atualizações curtas: nenhuma movimentação nova no acostamento, nenhuma ligação suspeita nos números monitorados, nenhuma saída adicional de Donatella. Ainda assim, a certeza permanecia. A conversa em Brooklyn Heights não fora inocente. E Donatella, pela primeira vez em anos, mentira para o r
Alessandro não deixou Donatella subir. Antes que o primeiro degrau da escada principal fosse alcançado, a voz dele cortou o saguão, baixa, clara e definitiva: — Escritório. Agora. Donatella parou. Não se virou de imediato. A mão ainda repousava no corrimão de madeira escura, os dedos impecáveis sobre o verniz. Por um segundo, apenas o silêncio do saguão respondeu — o silêncio de homens que fingiam não ouvir e de paredes que já tinham presenciado conversas piores. Depois, ela inclinou levemente a cabeça, como se avaliasse o tom da ordem, e obedeceu sem palavra. Os passos dela ecoaram pelo corredor do primeiro andar com a mesma elegância de sempre, mas havia uma rigidez nova nos ombros, quase imperceptível para quem não a conhecesse há décadas. Alessandro a seguiu de perto. Não tocou nela. Não elevou a voz. Não precisava. A presença dele atrás da tia era suficiente para transformar o trajeto em uma escolta silenciosa. Dentro do escritório, a porta foi fechada com um clique seco. O s
Chiara não se moveu por um longo tempo depois que a porta se fechou. O apartamento parecia menor. O ar, mais pesado. As palavras de Donatella ainda ecoavam, não como consolo, mas como uma lâmina afiada que finalmente encontrara um cabo. "O momento do seu retorno está cada vez mais próximo." "Eu tenho um plano." "Eu nunca falho nos meus propósitos." Chiara caminhou até a janela e apoiou a testa no vidro frio. Lá embaixo, a rua seguia indiferente. Pessoas caminhavam. Carros passavam. Ninguém sabia que, três andares acima, uma Vitale relembrava cada humilhação desde o dia em que Alessandro a expulsara. O jardim. O olhar de Isabella. A ordem fria do Don. A forma como Sofia, a caçula mimada, olhara para ela com algo próximo de alívio. "Ela nunca vai ocupar o lugar que por direito deveria ser meu." A frase que Chiara dissera em voz alta agora se repetia em silêncio, como uma oração invertida. Desde criança lhe disseram que seria a esposa de Alessandro. Desde criança prepararam-na p







