MasukO ataque na propriedade siciliana não deixou sobreviventes do lado de Rossi, mas deixou uma certeza amarga: a ilha deixara de ser refúgio. Alessandro caminhou pelos corredores da casa principal com o corpo ainda tenso, a arma guardada apenas quando o último relatório confirmou que o perímetro estava limpo. Havia sangue no jardim dos fundos, marcas de tiros nas paredes de pedra e o eco distante do silenciador que quase tocara o ombro de Isabella ainda vibrando na memória. Ele não disse nada enquanto os homens recolhiam os corpos e reforçavam as posições. Apenas olhou para o horizonte seco da Sicília e entendeu que Lorenzo Rossi não pararia. Cada retirada comprava tempo. Cada esconderijo acabava descoberto. A única forma de terminar a guerra era voltar para o centro dela. Isabella estava no quarto principal quando ele entrou. O vestido da noite anterior — o branco rasgado na mesa do casamento civil — ainda estava dobrado sobre a cadeira. Ela vestia roupa prática, a mão sobre a barri
O caminho entre as oliveiras era estreito e irregular. Alessandro guiava Isabella pela mão, o corpo sempre posicionado entre ela e a direção de onde vinham os tiros. As árvores antigas ofereciam sombra e cobertura, mas também escondiam qualquer movimento. O bebê chutava sem parar, agitado, e Isabella respirava pela boca, tentando controlar o tremor das pernas. O cheiro de pólvora ainda impregnava a camisa aberta de Alessandro. O silenciador da pistola estava quente contra a pele da mão dele. — Mais duzentos metros — murmurou ele, a voz baixa e tensa. — O carro está atrás do muro de pedra. Quando eu disser, você corre e entra no banco de trás. Não olha para trás. Não espera. Não grita. — E você? — perguntou Isabella, ofegante, a mão apertando a dele com força. — Você fica para trás de novo? — Eu cubro. Depois eu entro. É a única forma de garantir que ninguém te alcança. — Alessandro… — Não discute agora. Corre quando eu falar. Confia em mim. Eles avançaram. O som dos tiros dimin
Eles desceram a escada externa de pedra em silêncio, Alessandro na frente, o corpo inteiro funcionando como escudo vivo. Isabella sentia o coração bater na garganta, na boca, nos ouvidos. Cada passo fazia a barriga pesar mais, um peso vivo e assustado que se movia sem parar. O bebê chutava com força, agitados movimentos que pareciam ecoar o medo da mãe. O calor da manhã siciliana contrastava com o frio que subia pela espinha dela. O caminho entre a casa e as oliveiras parecia ter se alongado três vezes. A luz dourada agora parecia cruel, expondo cada movimento, cada sombra suspeita, cada possível linha de tiro. — Mais perto — murmurou Alessandro sem virar o rosto, a voz baixa e cortante. — Cola no meu corpo. Se eu parar, você para. Se eu cair, você corre. Não olha para trás. Nunca olha para trás. — Estou colada — respondeu Isabella, a voz falhando. Os pés descalços sentiam cada irregularidade da pedra. — Mas ele está chutando demais. Parece que quer sair agora. — Ele vai ficar bem.
A manhã seguinte ao casamento amanheceu quente e enganosamente quieta sobre a propriedade siciliana. A luz dourada entrava pelas frestas das cortinas pesadas do quarto principal, iluminando o vestido branco rasgado ainda jogado sobre uma cadeira e os papéis do registro civil que Alessandro trouxe consigo e deixara sobre a cômoda. O ar carregava o cheiro residual de suor, cera e algo mais íntimo que a noite não conseguia apagar. Isabella acordou primeiro. O corpo ainda carregava as marcas da noite anterior — a pele sensível, os músculos cansados, a memória do peso dele sobre ela enquanto os documentos ficavam espalhados sob os corpos. A barriga pesava mais. O bebê se movia com força sob a pele, como se também tivesse sentido a intensidade daquela união. O anel e a aliança novas pesavam no dedo, um peso metálico e definitivo. Por um breve instante, o silêncio pareceu quase real. Depois a memória voltou por completo: a mesa, o tecido do vestido cedendo, a voz de Alessandro dizendo que
Alessandro soltou um som baixo, quase um gemido de rendição, e beijou-a. O beijo foi profundo, mas sem a urgência anterior. Foi exploratório, carinhoso, cheio de gratidão. A língua dele acariciou a dela com uma doçura que contrastava com a força que ela conhecia tão bem. Enquanto beijava, ele se moveu dentro dela novamente — um embalo lento, profundo, quase preguiçoso. A mesa rangeu de leve sob eles. O calor do corpo dele envolvia Isabella por completo, e ela sentia cada centímetro da conexão, cada batida do coração dele ecoando no próprio peito. — Assim? — perguntou ele contra a boca dela, a voz embargada. — Assim você gosta? Quando eu te faço sentir cada centímetro? Quando eu te lembro que sou seu tanto quanto você é minha? — Sim… — Isabella arquejou, as pernas envolvendo a cintura dele. — Assim. Não para. Ele obedeceu. As estocadas continuaram lentas, deliberadas, cada uma acompanhada de um beijo ou de uma palavra baixa. Alessandro deslizou uma das mãos entre os corpos e acarici
— Você fala como se eu ainda pudesse ir embora.— Eu falo como alguém que sabe que você tem todo o direito de odiar metade do que eu sou — respondeu ele, a voz rouca de honestidade. — E mesmo assim escolhe ficar. Isso me destrói e me reconstrói todos os dias.O beijo que se seguiu foi diferente dos outros. Ainda havia urgência, ainda havia fome, mas havia também uma lentidão carinhosa, como se os dois quisessem memorizar o momento. Alessandro a beijou como se tivesse todo o tempo do mundo e, ao mesmo tempo, como se o mundo pudesse acabar no segundo seguinte. Isabella revidou, as mãos subindo até o cabelo dele, o corpo já respondendo ao calor e à proximidade. O gosto dele era familiar e novo ao mesmo tempo — tabaco, café e a intensidade de quem acabara de assinar o nome dela ao lado do seu. A língua dele explorava a dela com uma devoção quase religiosa, enquanto os dedos dela apertavam os fios escuros da nuca, puxando-o mais para perto, como se quisesse fundir os dois em um só.Quando







