INICIAR SESIÓNO silêncio que se seguiu ao grito dela foi quase tão violento quanto o sexo. Os corpos ainda estavam unidos, a respiração irregular e pesada, o cheiro de sangue, suor e sexo impregnando o ar do apartamento como uma confissão impossível de apagar. O quarto estava quente demais. O ar denso demais. Cada inspiração carregava o gosto metálico residual na boca e o odor cru do que tinham acabado de fazer. Alessandro permaneceu dentro dela por longos segundos, a testa apoiada na nuca suada dela, o ombro ferido latejando com força renovada a cada batida do coração. Por dentro, a mente dele trabalhava em silêncio, fria e rápida como sempre. Ele não era homem de se deixar levar por emoções. Quinze anos de guerra, de traições, de corpos enterrados em segredo o tinham ensinado que o controle era a única coisa que mantinha um Don vivo. Mas agora, com o corpo dela ainda quente sob o dele e a confirmação do DNA queimando na memória, o controle rachava. Isabella Rossi. Filha do inimigo. Grávida do fil
Com o ombro ainda sangrando e o gosto metálico de sangue na boca, Isabella Rossi — a filha rebelde do Don, grávida do inimigo e incapaz de negar o quanto o corpo traía a mente — descobriu que fugir da igreja não a libertara: apenas a entregara de volta às mãos do único homem que conseguia fazê-la tremer de ódio e desejo ao mesmo tempo. O beijo não terminou. Transformou-se em algo mais intenso e incontrolável. Alessandro a empurrou contra a parede com o corpo inteiro. O ombro ferido protestou em silêncio, mas a boca dele continuou a castigar a dela. O gosto de sangue ainda estava vivo na língua dos dois — metálico, quente, misturado ao uísque e à raiva acumulada. Ele mordeu o lábio inferior dela de propósito, abrindo mais o corte, e engoliu o gemido abafado que escapou da garganta dela. O som úmido dos beijos ecoava no apartamento silencioso. O ar entre eles ficou denso, carregado do cheiro de suor, pólvora residual e desejo cru. As mãos dele desceram com violência calculada. Uma se
A mão de Alessandro permaneceu sobre a barriga plana de Isabella por longos segundos, os dedos ainda trêmulos contra a pele quente e lisa sob a camisa preta. O calor da palma dele contrastava com o ar frio do apartamento, e Isabella sentia cada linha dos dedos pressionando suavemente, como se ele tentasse confirmar pela pele o que o exame já dissera. O silêncio era tão denso que ela conseguia ouvir o próprio sangue latejando nos ouvidos, um tambor surdo e acelerado. Ele não retirou a mão de imediato. Apenas ficou ali, sentindo a ausência de qualquer curva, a suavidade da pele que agora carregava uma verdade impossível de negar. Quando finalmente falou, a voz saiu baixa, rouca e carregada de uma fúria contida que fazia o ar parecer mais pesado, quase pegajoso. — Isso não basta — murmurou ele, os olhos cinzentos cravados no rosto dela. O hálito ainda carregava o metal do sangue do ombro e o resquício de uísque. — Um teste de sangue confirma gravidez. Não confirma paternidade. Eu quero
O tecido do vestido de noiva jazia em pedaços sujos aos pés de Isabella, um amontoado de cetim branco manchado de sangue seco e fresco que parecia uma confissão espalhada no chão de madeira. Ela estava nua da cintura para cima, os seios expostos ao ar frio do apartamento, a pele marcada por moretons antigos e pelo rastro quente do sangue de Alessandro que ainda não tinha secado completamente. O frio fazia os mamilos endurecerem, e ela odiava a forma como o corpo reagia mesmo ali, mesmo depois de tudo. Alessandro permanecia a poucos centímetros de distância, a faca ainda na mão boa, o ombro direito latejando sob o tecido rasgado do terno. O silêncio entre eles era denso, carregado do cheiro de sangue, suor e a tensão sexual que nenhum dos dois conseguia apagar por completo. Isabella cruzou os braços sobre o peito, tentando recuperar alguma dignidade, mas o gesto só serviu para destacar a vulnerabilidade da posição em que se encontrava.— Veste alguma coisa — ordenou Alessandro, a voz r
O carro parou em frente a um prédio discreto no coração de Brooklyn, longe dos olhares de Manhattan e ainda mais longe do alcance imediato de Lorenzo Rossi. O motorista não disse uma palavra. Apenas abriu a porta traseira e ficou de guarda enquanto Alessandro descia primeiro, o ombro direito ainda sangrando sob o tecido encharcado do terno. Isabella saiu atrás dele, o vestido de noiva rasgado até a coxa, manchado de sangue seco e fresco, o véu perdido em algum lugar entre a igreja e as ruas. O asfalto estava frio sob os pés descalços dela — os saltos tinham ficado para trás no caos. Alessandro segurou o pulso dela com a mão boa e a puxou em direção à entrada lateral do prédio, sem olhar para trás. O cheiro de pólvora, sangue e medo ainda impregnava a pele dos dois como uma segunda pele impossível de remover. O apartamento ficava no terceiro andar. Era um espaço amplo e austero, com janelas cobertas por cortinas pesadas, móveis escuros e o silêncio absoluto de um lugar preparado para
Alessandro empurrou Isabella para dentro do carro preto antes mesmo de ela processar o que acontecera. — Entra! — rosnou ele, a voz cortada pela dor. O ombro direito sangrava sem parar. O tecido do terno estava encharcado, vermelho-escuro, e gotas quentes ainda pingavam no asfalto. Isabella caiu no banco traseiro, o vestido de noiva rasgado e manchado de sangue dele. Alessandro subiu atrás dela, batendo a porta com força. O motorista acelerou antes que a porta fechasse por completo. — Vai! — gritou Alessandro para a frente. — Rua de trás. Agora! O carro arrancou com um ronco baixo e violento. Pneus cantaram no asfalto. Atrás deles, tiros ecoaram de novo. Vidros de carros estacionados estilhaçaram. Alguém gritou o nome de Rossi. Isabella estava ofegante, as mãos tremendo, o coração batendo tão forte que doía. O cheiro de sangue fresco enchia o interior do carro. Ela olhou para o ombro de Alessandro. A ferida era feia — um sulco aberto, a carne exposta, sangue escorrendo em fio con







