Share

13: CARRO EM CHAMAS

last update publish date: 2026-08-29 20:18:36

Alessandro empurrou Isabella para dentro do carro preto antes mesmo de ela processar o que acontecera.

— Entra! — rosnou ele, a voz cortada pela dor.

O ombro direito sangrava sem parar. O tecido do terno estava encharcado, vermelho-escuro, e gotas quentes ainda pingavam no asfalto. Isabella caiu no banco traseiro, o vestido de noiva rasgado e manchado de sangue dele. Alessandro subiu atrás dela, batendo a porta com força. O motorista acelerou antes que a porta fechasse por completo.

— Vai! —
Continue to read this book for free
Scan code to download App
Locked Chapter

Latest chapter

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   113: Expulsão II

    Lá fora, no corredor, os passos de Donatella já se afastavam. Os homens de Enzo já se moviam com a eficiência silenciosa de quem recebera uma ordem clara. Portas se abriam e fechavam. Malas começavam a ser preparadas. A ordem de expulsão se espalhava pela mansão como um rumor frio. Donatella não pediria clemência. Não choraria. Não se ajoelharia. Ela sairia com a mesma dignidade venenosa com que sempre vivera, carregando consigo segredos, contatos e um ódio que não morreria facilmente.Dentro do escritório, Alessandro ainda segurava Isabella como se pudesse, só com o corpo, impedir que qualquer outra traição atravessasse a porta. A guerra dentro de casa acabara de perder a sua peça mais antiga e mais venenosa. Mas o tabuleiro ainda estava longe de estar limpo.Ele pensou em Chiara. Em como a prima havia sido usada, manipulada, transformada em arma. Pensou nos homens que ainda podiam estar leais a Donatella em algum canto escuro da organização. Pensou nos aliados externos que talvez ti

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   112: Expulsão I

    Alessandro não se moveu por longos segundos depois da admissão de Donatella.O escritório estava em silêncio absoluto. A luz do final da tarde já se transformava em penumbra, tingindo de ouro velho as prateleiras de livros raros, o globo antigo no canto e a mesa de mogno onde tantos contratos de sangue haviam sido assinados. O ar ainda carregava o cheiro metálico da terra do campo, da pólvora residual que impregnava as roupas de Alessandro e do suor frio que se formava na nuca de Isabella. Cada segundo de quietude pesava como chumbo. Isabella permanecia de pé perto da parede, a mão espalmada sobre a barriga, o coração batendo alto demais, irregular, como se quisesse furar a pele e gritar. O menino se mexia dentro dela, inquieto, sentindo a tensão que pairava no cômodo como uma tempestade prestes a estourar. Donatella, no centro do escritório, mantinha o sorriso pequeno e frio, os ombros eretos, o queixo levantado, como se tivesse apenas confirmado o óbvio e esperasse agora o aplauso s

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   111: Retorno

    O carro blindado atravessou os portões da mansão Vitale quando o sol já se punha por completo.A viagem de volta fora silenciosa e tensa. Isabella permanecera com a mão de Alessandro firmemente presa na sua durante todo o trajeto, a outra protegendo a barriga, o menino ainda inquieto sob a palma. O corte na sobrancelha de Alessandro secara em uma linha escura e irregular, mas a sujeira de terra e o cheiro de pólvora ainda impregnavam a camisa e o casaco dele. Os homens da escolta de emergência não trocaram palavra além do necessário. O motor ronronava baixo. As luzes da cidade foram aparecendo aos poucos, engolindo o silêncio do campo. Quando os portões de ferro se fecharam atrás deles com o som metálico e definitivo de sempre, Isabella sentiu o peso da mansão voltar a se acomodar sobre os ombros como um casaco molhado e pesado demais.A equipe de segurança já esperava no pátio interno. Enzo avançou primeiro, o rosto fechado, os olhos avaliando rapidamente o estado de Alessandro e de

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   110: Traição II

    Ele a guiou para cima com cuidado, o corpo ainda posicionado entre ela e qualquer possível ameaça residual, mesmo sabendo que os homens de Lorenzo estavam mortos. A escada rangeu sob os pés deles. O ar lá em cima ainda cheirava a pólvora fresca e a madeira queimada pelo calor dos disparos. Isabella segurou a mão dele com força, a outra mão protetora sobre a barriga, os dedos frios. O bebê se mexia inquieto, reagindo ao ritmo acelerado do coração dela. No jardim, o cheiro era ainda mais forte. Pólvora e terra revolvida e o metal doce do sangue. Um dos homens de Alessandro ainda se movia perto da casa de hóspedes, ferido no ombro, mas vivo e consciente; os outros dois não se moviam. Alessandro trocou algumas palavras curtas e precisas com o ferido, verificou o estado da ferida, ordenou que a escolta se formasse. O lago continuava escuro e quieto, indiferente ao sangue que agora manchava a margem entre os juncos. A lavanda ainda soltava perfume sob o sol que se punha, um contraste quase

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   109: Traição I

    O tiroteio lá em cima durou menos de sete minutos. Alessandro se moveu com a precisão de quem treinara a vida inteira para exatamente aquele tipo de terreno. Cada passo, cada respiração, cada decisão era o resultado de anos em que o corpo aprendera a obedecer antes mesmo que a mente terminasse de formular o comando. Os homens de Lorenzo eram bons — treinados, disciplinados, acostumados a operar em equipes coordenadas —, mas não conheciam as trilhas estreitas que serpenteavam entre as árvores antigas, os desníveis sutis do terreno que podiam fazer um homem perder o equilíbrio por uma fração de segundo fatal, os pontos cegos criados pelos juncos altos que bordavam a margem do lago e pelas raízes expostas que se entrelaçavam como armadilhas naturais. Ele usou cada vantagem como se o próprio lugar conspirasse a seu favor. Usou o conhecimento de menino que pescava naquele lago antes mesmo de saber o que era o mundo lá fora, que aprendia a se mover em silêncio absoluto entre as árvores par

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   108: Quietude

    O domingo amanheceu mais claro. A neblina da véspera tinha se dissipado por completo durante a madrugada. O sol entrava pelas janelas largas do quarto principal em faixas douradas e limpas, iluminando o piso de madeira clara e o edredom ainda amassado pela noite. Alessandro acordou primeiro desta vez. Ficou alguns minutos apenas observando Isabella dormir, a mão dele ainda espalmada sobre a barriga, o bebê quieto sob a palma. O rosto dela estava relaxado de um jeito que ele não via desde antes da visita de Maria Rossi — a linha de tensão entre as sobrancelhas suavizada, a boca entreaberta, a respiração profunda e regular. O corte fino na sobrancelha que ele levara no dia anterior nem doía mais. Por um instante, ele permitiu-se acreditar que o refúgio poderia durar mais um dia. Que o silêncio do campo fosse mais forte do que a guerra que os esperava do outro lado do portão.O quarto ainda cheirava a sono e a lavanda que entrava pela janela entreaberta. Alessandro traçou o contorno da

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status