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37: Vidro e sangue

last update publish date: 2026-09-08 01:10:57

O beijo não terminou. Virou fome, necessidade e desejo. Alessandro empurrou Isabella contra a parede do escritório com o corpo inteiro. O quadro da família Vitale — gerações de homens de olhar severo em moldura dourada — tremeu com o impacto. A boca dele devorava a dela, dentes raspando, língua exigente, o gosto de uísque e desejo misturados. As mãos desceram pela cintura nua, agarraram as coxas e a ergueram. Isabella envolveu a cintura dele com as pernas por instinto. O pau duro roçou o calor
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  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   92: Alerta

    A porta do escritório se fechou com um estalo seco. Alessandro não levou Isabella para o quarto de imediato. Levou-a diretamente para o escritório no segundo andar, o braço firmemente envolvido na cintura dela o caminho inteiro, o corpo posicionado de forma a protegê-la até mesmo dos olhares dos homens no corredor. A mão grande repousava na curva lateral da barriga, o polegar fazendo movimentos lentos e inconscientes, como se já estivesse acalmando o menino antes mesmo de saber o que Isabella ia dizer. Enzo já estava lá dentro, falando baixo ao telefone. Sofia tentou segui-los, mas Alessandro apenas ergueu a mão livre, o gesto suave, mas definitivo. — Depois, Sofia. Eu explico. Agora não. Ela precisa de silêncio. A menina parou no corredor, o rosto preocupado. Isabella lançou-lhe um olhar rápido, tentando transmitir alguma calma que ainda não sentia, antes de a porta se fechar por completo. Dentro do escritório, a luz era baixa e quente. Alessandro não a guiou apenas até o sofá — e

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   91: Sombra

    A loja de enxoval ficava numa área discreta de Brooklyn, escolhida por Enzo por ter entradas controladas, pouca circulação e saídas fáceis de monitorar. O prédio era baixo, de tijolos claros, com vitrines discretas que não chamavam atenção demais. Isabella e Sofia entraram acompanhadas por quatro homens: dois na frente, dois atrás, todos de roupa civil — camisas, jaquetas leves, calças escuras — mas com a postura inconfundível de quem estava armado e atento a cada movimento. O olhar dos homens varria as laterais, os carros estacionados, os poucos pedestres. Isabella sentiu o peso da escolta, mas pela primeira vez em semanas não a rejeitou. Queria apenas entrar, escolher e voltar. Dentro, o ar cheirava a tecido novo, talco e um leve residual de madeira clara das prateleiras. Durante quase duas horas, as duas percorreram corredores de roupinhas pequenas, mantas dobradas em pilhas impecáveis, displays de sapatinhos que cabiam na palma da mão. Havia bodies empilhados por cor, macacões m

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   90: Quarto

    As semanas que se seguiram à descoberta do sexo do bebê trouxeram uma quietude incomum à mansão Vitale.Não era paz verdadeira. A guerra com Lorenzo Rossi continuava em segundo plano — relatórios diários ainda chegavam ao escritório de Alessandro antes do café, homens ainda patrulhavam os portões em turnos rigorosos, contas e rotas ainda eram monitoradas com uma atenção quase obsessiva. Mas, dentro das paredes, algo havia suavizado. Donatella mantinha distância calculada, aparecendo apenas nas refeições e se retirando logo em seguida. Chiara não voltara. E o grito de Sofia no dia do ultrassom parecia ter aberto uma fresta por onde uma rotina mais leve começava a entrar, timidamente, como luz sob uma porta.Foi Alessandro quem decidiu pelo quarto.Certa manhã, sem anunciar, uma equipe pequena e discreta apareceu no segundo andar. Três mulheres e um homem, todos de preto, carregando malas, tecidos, ferramentas e caixas identificadas apenas por números. Isabella soube quando Sofia bateu

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   89: Acordo

    Alessandro continuou testando os nomes em silêncio por mais alguns segundos. A mão dele não saiu da barriga. O polegar desenhou um círculo lento, depois outro, como se o movimento pudesse ajudar a decidir. Isabella esperou, o rosto ainda virado na direção do dele, o coração batendo com uma expectativa que parecia deslocada e, ao mesmo tempo, absolutamente necessária. — Leonardo — murmurou ele finalmente. A voz saiu baixa, rouca, cuidadosa. — Tem peso. Mas não é pesado demais. Tem história, mas não parece uma sentença. Dá para imaginar um menino com esse nome. Dá para imaginar um homem. Matteo… é forte. Clássico. Dá para imaginar alguém que não baixa a cabeça. Noé… é diferente. Mais leve. Mais aberto. Parece um recomeço. — Você odiou todos — ela brincou, cansada, o sorriso pequeno aparecendo no canto da boca. Os olhos ainda estavam úmidos, mas o humor cansado era genuíno. — Não odiei — respondeu ele, e pela primeira vez desde que entraram na sala a voz carregou um fio de humor verda

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   88: Nome

    Eles ficaram assim por vários minutos, lado a lado na maca estreita. O papel descartável amarrotava sob o peso dos dois corpos, fazendo um som seco e irregular cada vez que alguém se ajustava. A superfície era estreita demais para dois adultos, mas nenhum dos dois se queixou. Lá fora, a mansão seguia sua rotina indiferente: passos medidos de homens armados no corredor, o distante tilintar de talheres e pratos sendo preparados para o jantar, o vento batendo nas janelas altas do segundo andar com uma insistência monótona. De vez em quando, uma voz abafada atravessava a porta, longe demais para ser compreendida, perto o suficiente para lembrar que o mundo não tinha parado só porque eles tinham descoberto o sexo do bebê. Lá dentro, na sala que ainda cheirava a gel seco, a lágrimas antigas e a um futuro que acabara de ganhar contorno, Alessandro e Isabella compartilhavam o primeiro momento de quietude verdadeira depois da revelação. A mão dele permanecia sobre a barriga dela, grande, quent

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   87: Silêncio real

    O médico deixou as imagens impressas sobre a pequena mesa de metal e saiu em silêncio. A porta se fechou com um clique suave. O som pareceu mais alto do que deveria no espaço agora esvaziado. Na sala, o gel ainda brilhava na barriga de Isabella, escorrendo lentamente pela curva até manchar o papel descartável em círculos irregulares. A tela do aparelho continuava acesa, a imagem congelada do menino em tons de cinza, como se o tempo tivesse parado naquele segundo em que a palavra “menino” fora dita. Sofia ainda segurava a mão de Isabella com as duas mãos, os dedos frios e úmidos de lágrimas, como se soltar fosse permitir que o momento inteiro escapasse pelas frestas da porta.Alessandro permanecia ajoelhado. A testa estava apoiada contra a pele quente da barriga, a respiração agora mais calma, mas ainda irregular. O calor do corpo dele contrastava com o frio residual do gel. Ninguém falou por um tempo longo o suficiente para que o silêncio deixasse de ser ausência e se transformasse em

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