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57: A caçula

last update publish date: 2026-09-16 00:32:06

Duas semanas se passaram desde a confissão sobre Chiara. A mansão dos Vitale carregava o peso de um silêncio diferente depois da tempestade. Os dias seguintes ao sequestro, à noite de reivindicação e à revelação sobre a prima tinham sido marcados por uma vigilância ainda mais rigorosa. Portões trancados. Homens armados em cada corredor. Turnos dobrados. Alessandro cumpriu a promessa: Chiara fora afastada da ala familiar por “motivos de segurança interna”. Ninguém falava abertamente, mas o recad
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  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   66: Primeiro tiro

    A decisão de Isabella não nasceu no calor do momento. Horas antes do ataque, no escritório da mansão, enquanto Alessandro finalizava os últimos detalhes com Enzo, ela entrou sem bater. Ainda vestia a camisa dele da noite anterior. A curva da barriga já era impossível de esconder. O mapa de Brooklyn estava aberto sobre a mesa, marcado com os dois armazéns principais do império Rossi: Navy Yard e Red Hook. Lorenzo Rossi não era apenas um traficante de armas. Seu império se estendia por contratos de importação no porto, lavagem de dinheiro através de empresas de logística fantasma, propinas a fiscais e políticos locais, e uma rede de distribuição que alimentava três estados. Os depósitos não guardavam apenas fuzis e munição. Guardavam o coração logístico da operação. Queimá-los era cortar o braço direito de Lorenzo. E Lorenzo nunca reagia bem quando alguém cortava o que era dele. — Eu vou com você — disse Isabella, a voz firme. Alessandro ergueu o olhar. Os olhos cinzentos endureceram

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   65: Até o amanhecer

    O ritmo de Alessandro era lento, constante, cada estocada carregada de uma intensidade que não precisava de força bruta para ser devastadora. Isabella arqueava sob ele, a respiração curta, as unhas cravadas de leve nas costas firmes. O prazer subia em ondas longas, misturado à consciência aguda de que aquela poderia ser a última noite antes de o mundo ao redor deles se incendiar de verdade. Do lado de fora, a mansão dormia sob vigilância. Do lado de dentro, o Don dos Vitale - o mesmo homem que horas antes ordenara o congelamento de contas e o incêndio de armazéns - movia-se dentro dela como se o tempo pudesse ser negociado. - Mais devagar - pediu Isabella, a voz quebrada de prazer. - Quero sentir cada segundo. Quero lembrar amanhã, quando o cheiro de fumaça chegar até aqui, que você esteve assim dentro de mim. Que não foi só guerra. Alessandro obedeceu, o corpo tremendo de contenção. Os olhos cinzentos presos nos dela. A mente do Don ainda via os armazéns em chamas, os homens de Lor

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   64: Antes do fogo

    A mansão estava em silêncio absoluto naquela madrugada. Não era apenas a quietude de homens armados em seus postos ou o peso das cortinas bloqueando o mundo exterior. Era o silêncio que antecede uma tempestade deliberada. Alessandro terminara os últimos preparativos horas antes. Ordens dadas em voz baixa no escritório: os armazéns de Navy Yard e Red Hook queimariam ao amanhecer com gasolina e fósforo; as contas offshore de Lorenzo começariam a ser congeladas por intermediários em Zurique e nas Ilhas Cayman antes do meio-dia; Toni Bianchi e o siciliano conhecido como “o Magro” seriam retirados de circulação vivos o suficiente para falar. Homens posicionados em três pontos estratégicos de Brooklyn. Contatos na polícia avisados para olhar para o outro lado. A Camorra não perdoava humilhação. E o sequestro de Isabella — mesmo que frustrado — fora uma humilhação pública ao Don dos Vitale. Alessandro sabia o custo. Sabia que Lorenzo Rossi não receberia o golpe em silêncio. Sabia que a reta

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   63: Gosto de ferro

    Isabella entrou no escritório perto das duas da manhã. Vestia apenas a camisa larga dele. A curva da barriga já era mais evidente sob o tecido. O movimento do bebê — aquele primeiro flutter que Sofia sentira e que agora se repetia com frequência — era um lembrete constante de que o tempo não parava para guerras. Ela parou perto da porta, observando Alessandro inclinado sobre os mapas, a mandíbula travada, os olhos cinzentos varrendo cada detalhe com a mesma precisão com que apontava uma arma. O cheiro de sangue metálico ainda pairava na camisa dele. — Você vai atacar — disse ela. Não era uma pergunta. A voz saiu baixa, carregada de uma compreensão sombria. Alessandro ergueu o olhar. Não havia surpresa. Apenas a confirmação silenciosa de que ela já aprendera a ler os silêncios dele. — Vou destruir — corrigiu, a voz rouca. — Cada rota. Cada depósito. Cada homem que ainda responde ao nome Rossi. Seu pai declarou guerra no dia em que tentou me matar no cruzeiro. Confirmou quando me man

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   62: Luca Ferrara

    Uma semana se passou desde a noite em que Alessandro dormiu ao lado de Isabella com a mão espalmada sobre a barriga. A mansão respirava sob vigilância redobrada. Sofia agora tinha lugar fixo à mesa de jantar, para desgosto silencioso da tia. Chiara permanecia afastada. O bebê se mexia com mais frequência, flutters claros que Isabella já reconhecia e que Alessandro, sempre que estava presente, tentava sentir com a mão grande e quente. A trégua doméstica, no entanto, era apenas superficial. Por baixo dela, a guerra amadurecia em silêncio e em sangue. A decisão final começou a tomar forma longe da mansão. Num galpão abandonado na zona industrial de Brooklyn, o ar cheirava a óleo queimado, ferrugem e medo. Uma única lâmpada amarela balançava no teto, jogando sombras longas sobre o concreto rachado. O homem estava preso a uma cadeira de metal, o rosto inchado, o lábio rachado e sangrando. As mãos amarradas atrás das costas com arame grosso que já havia cortado a pele. Dois soldados de Al

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   61: Ao lado

    A porta do quarto se fechou atrás deles com um clique suave. Isabella caminhou até a janela e abriu um pouco a cortina, deixando a noite fria entrar. Lá embaixo, os homens da segurança faziam a ronda habitual. O jantar ainda ecoava na mente dela: o silêncio da mesa, a mão de Alessandro sob a toalha, o pedido público, o abraço de Sofia, o olhar cortante da tia. Tudo tinha acontecido em poucos minutos, mas o peso permanecia. Alessandro tirou o casaco e o jogou sobre a poltrona. Ficou de pé no meio do quarto, a camisa preta ainda abotoada, os olhos cinzentos fixos nela. — Você pediu na frente de todo mundo — disse, a voz baixa, sem a dureza de outras conversas. — Na frente da minha tia. Na frente dos capos. Isabella se virou, encostando-se no peitoril da janela. — Eu pedi. E você aceitou. — Eu aceitei porque você estava certa — admitiu ele. — Sofia não deveria comer escondida como se fosse um segredo. Mas isso não significa que a casa vai engolir o gesto sem reagir. Minha tia não es

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