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62: Luca Ferrara

last update publish date: 2026-09-18 00:33:06

Uma semana se passou desde a noite em que Alessandro dormiu ao lado de Isabella com a mão espalmada sobre a barriga. A mansão respirava sob vigilância redobrada. Sofia agora tinha lugar fixo à mesa de jantar, para desgosto silencioso da tia. Chiara permanecia afastada. O bebê se mexia com mais frequência, flutters claros que Isabella já reconhecia e que Alessandro, sempre que estava presente, tentava sentir com a mão grande e quente. A trégua doméstica, no entanto, era apenas superficial. Por b
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  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   64: Antes do fogo

    A mansão estava em silêncio absoluto naquela madrugada. Não era apenas a quietude de homens armados em seus postos ou o peso das cortinas bloqueando o mundo exterior. Era o silêncio que antecede uma tempestade deliberada. Alessandro terminara os últimos preparativos horas antes. Ordens dadas em voz baixa no escritório: os armazéns de Navy Yard e Red Hook queimariam ao amanhecer com gasolina e fósforo; as contas offshore de Lorenzo começariam a ser congeladas por intermediários em Zurique e nas Ilhas Cayman antes do meio-dia; Toni Bianchi e o siciliano conhecido como “o Magro” seriam retirados de circulação vivos o suficiente para falar. Homens posicionados em três pontos estratégicos de Brooklyn. Contatos na polícia avisados para olhar para o outro lado. A Camorra não perdoava humilhação. E o sequestro de Isabella — mesmo que frustrado — fora uma humilhação pública ao Don dos Vitale. Alessandro sabia o custo. Sabia que Lorenzo Rossi não receberia o golpe em silêncio. Sabia que a reta

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   63: Gosto de ferro

    Isabella entrou no escritório perto das duas da manhã. Vestia apenas a camisa larga dele. A curva da barriga já era mais evidente sob o tecido. O movimento do bebê — aquele primeiro flutter que Sofia sentira e que agora se repetia com frequência — era um lembrete constante de que o tempo não parava para guerras. Ela parou perto da porta, observando Alessandro inclinado sobre os mapas, a mandíbula travada, os olhos cinzentos varrendo cada detalhe com a mesma precisão com que apontava uma arma. O cheiro de sangue metálico ainda pairava na camisa dele. — Você vai atacar — disse ela. Não era uma pergunta. A voz saiu baixa, carregada de uma compreensão sombria. Alessandro ergueu o olhar. Não havia surpresa. Apenas a confirmação silenciosa de que ela já aprendera a ler os silêncios dele. — Vou destruir — corrigiu, a voz rouca. — Cada rota. Cada depósito. Cada homem que ainda responde ao nome Rossi. Seu pai declarou guerra no dia em que tentou me matar no cruzeiro. Confirmou quando me man

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   62: Luca Ferrara

    Uma semana se passou desde a noite em que Alessandro dormiu ao lado de Isabella com a mão espalmada sobre a barriga. A mansão respirava sob vigilância redobrada. Sofia agora tinha lugar fixo à mesa de jantar, para desgosto silencioso da tia. Chiara permanecia afastada. O bebê se mexia com mais frequência, flutters claros que Isabella já reconhecia e que Alessandro, sempre que estava presente, tentava sentir com a mão grande e quente. A trégua doméstica, no entanto, era apenas superficial. Por baixo dela, a guerra amadurecia em silêncio e em sangue. A decisão final começou a tomar forma longe da mansão. Num galpão abandonado na zona industrial de Brooklyn, o ar cheirava a óleo queimado, ferrugem e medo. Uma única lâmpada amarela balançava no teto, jogando sombras longas sobre o concreto rachado. O homem estava preso a uma cadeira de metal, o rosto inchado, o lábio rachado e sangrando. As mãos amarradas atrás das costas com arame grosso que já havia cortado a pele. Dois soldados de Al

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   61: Ao lado

    A porta do quarto se fechou atrás deles com um clique suave. Isabella caminhou até a janela e abriu um pouco a cortina, deixando a noite fria entrar. Lá embaixo, os homens da segurança faziam a ronda habitual. O jantar ainda ecoava na mente dela: o silêncio da mesa, a mão de Alessandro sob a toalha, o pedido público, o abraço de Sofia, o olhar cortante da tia. Tudo tinha acontecido em poucos minutos, mas o peso permanecia. Alessandro tirou o casaco e o jogou sobre a poltrona. Ficou de pé no meio do quarto, a camisa preta ainda abotoada, os olhos cinzentos fixos nela. — Você pediu na frente de todo mundo — disse, a voz baixa, sem a dureza de outras conversas. — Na frente da minha tia. Na frente dos capos. Isabella se virou, encostando-se no peitoril da janela. — Eu pedi. E você aceitou. — Eu aceitei porque você estava certa — admitiu ele. — Sofia não deveria comer escondida como se fosse um segredo. Mas isso não significa que a casa vai engolir o gesto sem reagir. Minha tia não es

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   60: Lugar à mesa

    A noite chegou cedo demais. A mansão dos Vitale estava iluminada apenas pelas luzes baixas dos lustres e pelos candelabros que a tia insistia em manter acesos durante o jantar. A mesa longa de madeira escura já estava posta. Pratos de porcelana com o brasão da família. Talheres de prata. Taças de vinho tinto. Os lugares ocupados pelos mesmos rostos de sempre: a tia na cabeceira oposta à de Alessandro, duas primas, Enzo e mais dois capos. O lugar à direita de Alessandro estava vazio até Isabella se sentar. O lugar ao lado dela, reservado por hábito à hierarquia, também permanecia vazio. Sofia não estava ali. Isabella notou imediatamente. Desde o primeiro movimento do bebê e desde a conversa na biblioteca, a ausência da menina pesava mais. Alessandro ocupava a cabeceira com a postura impecável de sempre, a camisa preta abotoada até o colarinho, o olhar cinzento varrendo a mesa por reflexo. Quando Isabella se sentou, ele puxou a cadeira para ela sem dizer nada. A mão dele roçou de leve

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   59: Proteção

    Alessandro apareceu na biblioteca no final da tarde, quando a chuva já tinha parado. Isabella estava no sofá, uma mão ainda repousando sobre a barriga, o eco do primeiro movimento do bebê ainda vivo sob a pele. Sofia saíra há menos de uma hora, o caderno de desenhos debaixo do braço e um sorriso que Isabella raramente via em qualquer outro rosto daquela casa. O silêncio que a menina deixara para trás era diferente. Mais leve. Mais perigoso. Ele parou no vão da porta. A camisa preta estava impecável, mas o olhar cinzento carregava a mesma intensidade de sempre. Fechou a porta atrás de si e se aproximou sem pressa. — Sofia esteve aqui de novo — disse, não como pergunta. Isabella ergueu o rosto. — Esteve. — Quase todos os dias nesta última semana — continuou Alessandro, parando na frente do sofá. — Os homens me contaram. A tia também. Ela não deveria estar conversando com você. — Por quê? — Isabella manteve a voz calma. — Porque eu sou Rossi? Ou porque você tem medo de que ela gos

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