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Capítulo 5

Penulis: Alexa Vinsmoke
last update Tanggal publikasi: 2026-09-02 20:46:39

Recuei um passo, depois outro, até que minhas costas colaram na parede fria do corredor. Levei as mãos à boca para abafar a respiração desordenada que ameaçava me trair.

Cassius estava sozinho naquele quarto. Chamando meu nome.

A constatação me atingiu como um golpe físico, fazendo meu coração disparar em um ritmo frenético. Caminhei a passos rápidos e silenciosos de volta para a minha suíte e encostei a porta sem chave, deslizando pela madeira até me sentar no chão. A escuridão do meu quarto parecia girar ao meu redor.

O que foi aquilo?

A voz dele, rouca e sufocada pela penumbra, continuava ecoando na minha mente. A forma como ele arfou o meu nome não deixava margem para dúvidas. Cassius estava se tocando. Pensando em mim. Na mesma casa onde o pai dele acabara de morrer. Na mesma noite em que selamos um pacto de convivência sob chantagem.

Ajeitei-me no chão, abraçando os próprios joelhos enquanto um nó de emoções conflitantes se apertava no meu peito. Eu deveria sentir nojo. Deveria sentir uma repulsa absoluta pela audácia e pela perversão daquele momento. Mas, no fundo da minha alma, a confusão me paralisava.

O mais aterrorizante era a reação do meu próprio corpo.

Senti uma onda de calor subir pelo meu pescoço, espalhando-se até a raiz do cabelo. Minha pele formigava e a respiração continuava curta. Eu estava quente.

— Não... por Deus, não! — sussurrei para a escuridão, pressionando as palmas das mãos contra o rosto ardente.

Fechei os olhos com força, tentando espantar aquele pensamento como se fosse uma praga. Aquilo era loucura. Eu passei anos presa em um casamento frio, suportando a falta de afeto, de toque e de sexo de verdade ao lado de Augusto. Vivera um jejum emocional e físico que me transformara em uma sombra. Mas eu não podia permitir que o desespero por sentir algo me fizesse perder a sanidade por causa daquele maldito. Cassius me odiava. Ele me culpava por sua ruína e prometera transformar minha vida em um inferno.

Levantei-me do chão num impulso, caminhando até o banheiro para jogar água gelada no rosto. Encarei meu reflexo no espelho: olheiras fundas, lábios entreabertos e bochechas coradas. Puxei o ar com força, impondo a mim mesma o controle que quase havia perdido. Eu sobreviveria àquele ano. E sobreviveria a Cassius Vance.

E assim, a manhã seguinte chegou.

Cinzenta e gélida, perfeita para o clima fúnebre que tomaria conta da Mansão Vance.

Passei as horas seguintes me preparando diante do espelho, blindando-me para o circo social que estava prestes a começar. Escolhi um vestido preto de corte impecável, fechado até o colarinho, e prendi o cabelo em um coque elegante. A maquiagem cobriu qualquer traço da noite mal dormida. Eu precisava parecer a viúva impecável, forte e inabalável que todos esperavam ver.

A mansão começou a se encher logo cedo. Magnatas da indústria, políticos, acionistas do Grupo Vance e membros da alta sociedade cruzavam o hall de entrada, trazendo coroas de flores gigantescas e olhares curiosos.

Permaneci no salão nobre, ao lado do caixão fechado de Augusto, cumprimentando cada convidado com acenos contidos e agradecimentos mecânicos.

— Meus sentimentos, Sra. Vance — dizia um dos diretores, apertando minha mão.

— Obrigada pelo apoio — respondi, a voz perfeitamente modulada, embora meus olhos buscassem involuntariamente a porta de entrada a cada dois minutos.

Cassius não estava em lugar nenhum.

A ausência dele deixava meus nervos à flor da pele. Ele não aparecera para o café da manhã e não estava no salão para receber os sócios da própria empresa. Tentei convencer a mim mesma de que a ausência dele era um alívio, mas o tremor nas minhas mãos traía minha ansiedade. Eu temia o momento em que nossas miradas se cruzassem após o que ouvi de madrugada.

Por volta do meio-dia, o burburinho no hall principal aumentou. Os murmúrios dos convidados ficaram mais altos e o farfalhar das câmeras dos fotógrafos do lado de fora indicava que alguém importante havia chegado.

Ajeitei a postura, erguendo o queixo enquanto me virava em direção à entrada do salão.

O ar fugiu dos meus pulmões.

Cassius estava atravessando a porta. Ele vestia um terno preto sob medida, alinhado e imponente, mas não parecia ter passado a manhã dentro da mansão; sua postura indicava que acabara de chegar da rua. O coração martelou forte contra minhas costelas, e o sangue pareceu pulsar nos meus ouvidos.

No entanto, o impacto de sua presença durou apenas uma fração de segundo.

Ajoelhada ao lado do meu controle emocional, a realidade desabou sobre mim quando vi a mulher que caminhava ao seu lado.

Cassius mantinha a mão espalmada com firmeza nas costas de uma jovem loira, extremamente elegante, vestida em um conjunto preto de alfaiataria. Ela segurava o braço dele com familiaridade, mantendo uma expressão altiva e perfeitamente calculada para a ocasião.

Travei no lugar. O mundo ao meu redor pareceu perder o som.

Dr. Haroldo e um dos principais acionistas da empresa se aproximaram imediatamente do casal. Cassius parou, cumprimentou os homens com um aceno de cabeça e, sem sequer olhar na minha direção, fez um gesto cortês em direção à mulher ao seu lado.

— Haroldo, Dr. Nogueira — a voz grave de Cassius ressoou clara pelo salão, alcançando meus ouvidos como um tiro —, gostaria de apresentar oficialmente a vocês a minha noiva, Amanda.

Meu sangue gelou instantaneamente nas veias.

Noiva?

Senti o chão sumir sob meus pés. Tentei piscar, tentando processar a informação absurda, mas o choque verdadeiro veio um segundo depois.

Amanda deu um passo à frente para cumprimentar o acionista, ajustando o casaco levemente aberto. Foi nesse momento que o tecido do vestido justo desenhou perfeitamente suas curvas.

A silhueta não deixava dúvidas. Havia uma saliência arredondada e evidente em seu ventre.

Ela estava grávida.

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