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Capítulo 4

Penulis: Alexa Vinsmoke
last update Tanggal publikasi: 2026-09-02 20:34:44

A porta do meu quarto permaneceu sem tranca. A luz fraca que vazava da fresta da porta de Cassius parecia uma ferida aberta na penumbra. Deitei-me na cama king-size vestindo uma camisola simples de seda preta, encarando o teto e ouvindo o som incansável da chuva bater contra as vidraças. Meu corpo exigia descanso, mas minha mente recusava-se a baixar a guarda.

Minhas pálpebras finalmente pesaram.

Foi quando aroma pesado e sufocante de lírios brancos inundou meu nariz de repente. A tempestade lá fora havia sumido, substituída por um silêncio absoluto e mórbido. Abri os olhos e percebi que não estava mais deitada. Eu estava de pé no meio do quarto, com o vestido preto do velório colado ao corpo.

A porta do closet começou a ranger, antes de se abrir devagar.

Passos lentos e pesados ecoaram sobre o piso. De dentro da escuridão, a figura alta e austera de Augusto emergiu. Ele vestia o mesmo terno sob medida do dia em que nos casamos, mas sua pele estava gélida, acinzentada. Ele caminhou em minha direção sem emitir nenhum som até parar a escassos centímetros do meu rosto.

— Você achou mesmo que a morte te libertaria de mim, Beatriz? — a voz dele ecoou de forma sepulcral, vinda de todos os cantos do quarto.

Tentei recuar, mas meus pés pareciam fundidos ao chão. A mão fria de Augusto voou e se fechou com força de ferro ao redor do meu pulso, apertando a carne até os ossos estalarem.

— Você me pertence — ele sussurrou, a hálito gelado queimando minha pele. — Você assinou o contrato. A sua vida é minha.

— Me solta! — gritei, puxando o braço com desesperadamente. — Você está morto! Me deixa em paz!

Ele não soltou. Em vez disso, seu rosto começou a se contorcer diante dos meus olhos. As feições maduras e enrugadas de Augusto se transformaram, a estrutura do seu rosto ficando mais fina, os olhos ficando mais escuros, a aura tornando-se ainda mais perigosa e jovem.

Em segundos, não era mais Augusto segurando meu pulso. Era Cassius.

Os olhos de Cassius queimavam em um ressentimento puro. Ele puxou meu corpo com violência para junto do seu, colando o peito ao meu enquanto sorria de forma cruel.

— Ele tinha razão, Beatriz — Cassius sussurrou rente ao meu ouvido, a mão livre subindo e apertando meu pescoço. — Você pertence a essa família. E agora você é minha.

— Não! — tentei gritar, mas o ar travou na minha garganta.

Senti o aperto em meu pescoço se fechar até que tudo ao meu redor se tornasse escuridão.

De repente, dei um salto na cama, o peito subindo e descendo em arfadas desordenadas.

Puxei o ar com força, levando as mãos trêmulas ao próprio pescoço. Não havia mão alguma ali. O quarto estava em silêncio, iluminado apenas pela réstia de luz vinda do corredor e pelo som da chuva que continuava a bater na janela. Minha camisola de seda estava empapada de suor frio e meu coração martelava contra as costelas como se quisesse rasgar meu peito.

Foi apenas um pesadelo.

Sentei-me na borda do colchão, passando as mãos pelo rosto para afastar os restos daquela ilusão aterrorizante. Minha garganta estava seca como lixa. Precisava sair daquele cômodo, colocar os pés no chão e tomar um copo d'água antes que a claustrofobia me enlouquecesse de vez.

Levantei-me e caminhei descalça sobre o mármore frio do corredor, mantendo meus passos o mais silenciosos possível. Ao passar pela porta do quarto de Cassius, notei que a brecha que ele havia deixado continuava ali, projetando uma linha brilhante sobre o piso. Ignorei. Não me importava se ele estava acordado ou remoendo seu ódio; eu só queria fôlego.

Desci a imensa escadaria, cortei a penumbra da sala e cheguei à cozinha industrial da mansão. Servi-me de um copo de água gelada, bebendo em goles lentos enquanto me apoiava na bancada de granito. O frio do líquido dissipou o choque do sonho, mas a sensação do toque de Cassius no meu pulso ainda parecia queimar na pele.

Minutos depois, comecei o caminho de volta.

Subi os degraus de mármore devagar, segurando o corrimão. Quando alcancei o corredor do segundo andar, meus passos desaceleraram ao me aproximar da porta dele. A luz permanecia acesa.

Apertei o passo para passar reto e me trancar na minha suíte.

De repente, um barulho baixo vindo do interior do quarto me fez travar no meio do caminho.

Fiquei estática. A respiração trancou na minha garganta.

O som se repetiu, vindo do fundo do cômodo. Era um som rasgado, abafado e tenso.

Um gemido.

Senti o sangue subir imediatamente para a minha cabeça em uma onda de raiva e repulsa. Minha mão se fechou em um punho. Como ele podia? Como ele tinha a audácia de trazer uma mulher para dentro daquela casa, para o quarto dele, na véspera do funeral do próprio pai? A falta de respeito e o cinismo daquele gesto me atingiram como um soco no estômago.

A raiva me queimou por dentro. Eu não tinha o direito de cobrar nada dele, mas a ideia de Cassius trazendo alguém para aquele corredor, no mesmo andar em que eu dormia, me encheu de um nojo visceral.

Girei nos calcanhares, disposta a caminhar apressada, entrar no meu quarto e ignorar a presença dele e de quem quer que estivesse ali dentro.

Dei o primeiro passo para me afastar, porém, foi impossível.

Outro som veio lá de dentro. Não era o riso de uma mulher. Não havia outra voz no quarto. Era apenas a voz de Cassius, embargada, grave e rouca, arfando contra o silêncio da madrugada em um lamento carregado de dor e desejo sufocado:

— ...Beatriz...

Travei os pés no chão. O ar fugiu completamente dos meus pulmões.

A voz dele ecoou novamente, mais baixa, um murmúrio desesperado que pareceu vibrar direto na minha espinha:

— ...Beatriz... porra...

Senti meu corpo inteiro estremecer. O calor subiu pela minha pele em um choque elétrico que fez minhas pernas fraquejarem. Minha mão foi instintivamente à boca para abafar um arquejo.

Cassius estava sozinho naquele quarto. E estava chamando o meu nome.

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