LOGINO salão principal do Museu de Arte de Seattle era um monumento à vaidade humana. Sob os tetos abobadados, decorados com afrescos que narravam vitórias esquecidas, a elite da costa oeste desfilava sua riqueza como se fosse uma armadura contra a mortalidade. O cheiro de perfumes caros, flores exóticas e o aroma metálico do champanhe vintage criavam uma atmosfera densa, quase entorpecente.
Eu caminhava ao lado de Thomas Muller Price, sentindo cada centímetro da seda azul-meia-noite roçar em minhas pernas, uma lembrança constante de que eu era a sua criação mais recente. A entrada triunfal havia cumprido o seu propósito. O impacto fora imediato. Eu via as cabeças se virarem, os sussurros que morriam quando passávamos e os olhares ávidos de homens que tentavam decifrar quem era a mulher misteriosa que o "Carrasco do Alasca" exibia com tamanha posse. Thomas não me apresentava como uma simples funcionária; ele me apresentava como uma extensão de seu império, com uma posse que beirava o obsceno. E isso, eu percebi com um calafrio, era muito mais perigoso do que ser apenas uma assistente. Ravena Wottar permanecia a poucos metros de distância, cercada por um séquito de herdeiras desocupadas. O vermelho de seu vestido parecia sangrar sob a luz dos lustres de cristal. Seus olhos não saíam de mim, e a fúria que ela tentava mascarar com sorrisos ensaiados era tão evidente quanto o brilho dos diamantes em meu pescoço. Ela estava sendo obliterada em seu próprio território, e eu sabia que uma mulher como Ravena não aceitava a derrota sem tentar levar o adversário junto para o abismo. - Você está tensa, Grace - a voz de Thomas surgiu baixa, quase um ronronar perto do meu ouvido. - Relaxe os ombros. Uma rainha não teme o escrutínio da corte; ela o exige. - Eu não sou uma rainha, Sr. Price - respondi, mantendo o olhar fixo em um quadro de Jackson Pollock na parede oposta. - Eu sou um investimento. E investimentos costumam ser instáveis. Thomas soltou um riso curto, um som seco que não chegou aos seus olhos cinzentos. - Você é mais do que isso, Grace. Você é a prova de que eu posso transformar carvão em diamante se assim eu desejar. ... Olhe para eles. Eles te desejam. E eles me odeiam por ter você. ... É uma sensação inebriante, não acha? Antes que eu pudesse responder, a orquestra, posicionada em um mezanino de mármore, mudou o ritmo. O som vibrante das conversas foi substituído pelos acordes profundos e melancólicos de uma valsa clássica. Era o sinal para o início das danças formais, um ritual que servia para exibir alianças e despertar invejas. Thomas virou-se para mim. Ele não perguntou se eu queria dançar. Ele simplesmente estendeu a mão, a palma voltada para cima, em um convite que era, na verdade, uma ordem irrevogável. - Vamos dar a eles o que vieram buscar, Grace. O espetáculo principal. Senti um nó na garganta. Dançar com Thomas na frente de centenas de pessoas - e sob o olhar assassino de sua noiva - era cruzar uma linha de onde não haveria retorno. Mas eu não tinha escolha. Eu havia assinado o contrato. Coloquei minha mão na dele, sentindo o calor firme de sua pele contra a minha. Ele me conduziu até o centro do salão. O espaço se abriu ao nosso redor como se fôssemos o centro de um furacão. Thomas colocou a mão direita na base da minha coluna, exatamente onde o vestido terminava e a minha pele nua começava. O contato foi elétrico. O calor de sua palma pareceu queimar através da minha medula, enviando faíscas de adrenalina e pavor para cada extremidade do meu corpo. Com a outra mão, ele segurou a minha, entrelaçando nossos dedos com uma força que beirava a dor. Começamos a nos mover. Thomas dançava com uma precisão matemática, guiando-me pelo salão com uma autoridade que não admitia erros. Eu me sentia flutuar, mas era uma flutuação forçada, como se ele estivesse me moldando ao ritmo da música. Meus olhos estavam fixos nos dele - aquele cinza tempestuoso que parecia ler cada um dos meus pensamentos mais sombrios. - O que Ravena te disse no banheiro do restaurante, Grace? - ele perguntou, sua voz fundindo-se à melodia dos violinos. - Você voltou de lá com o olhar de quem acabou de descobrir onde o corpo está enterrado. - Ela disse que o senhor não tem coração - respondi, forçando-me a manter o passo enquanto ele me girava com uma rapidez que me deixou tonta. - E que o senhor tem um passado que me daria pesadelos. Thomas sorriu, mas era um sorriso frio, desprovido de qualquer calor humano. - Ravena sempre foi dramática. Mas ela tem razão em um ponto: eu não sinto as coisas da mesma forma que as pessoas comuns. Sentimentos são fraquezas que nublam o julgamento. E quanto ao meu passado... todos nós temos cadáveres no armário, Grace. Alguns apenas têm armários maiores e mais luxuosos. - E o que o senhor ganha com isso? - sussurrei, enquanto ele me puxava para mais perto, nossos corpos agora colados, desafiando qualquer decência pública. - Exibi-me desta forma, humilhar a mulher com quem o senhor vai se casar... por que, Sr. Thomas? Ele parou de girar por um segundo, mantendo-me presa em seus braços no meio do salão. A música continuava, mas para nós, o tempo parecia ter congelado. O cheiro de seu perfume me envolvia, uma mistura de cheiro de charuto caro e sândalo que nublava meus sentidos. - Porque eu gosto de ver até onde você pode ir - ele respondeu, os olhos escurecendo. - Eu quero ver se você vai se quebrar sob a pressão ou se vai se tornar o aço que eu preciso. ... Já Ravena é uma aliança política, um movimento no tabuleiro. Mas você... você é um experimento de resistência. E, neste momento, você está superando todas as minhas expectativas. Ele me girou novamente, e por um instante, vi o rosto de Ravena. Ela estava parada à beira da pista, a taça de champanhe tremendo em sua mão, os lábios apertados em uma linha fina de ódio puro. Eu sabia que ela estava planejando algo. Mulheres como ela não assistem à própria substituição em silêncio. De repente, a música atingiu um clímax e Thomas me inclinou para trás em um movimento clássico. Minhas costas estavam arqueadas, minha garganta exposta, e o colar de diamantes negros brilhou sob as luzes. Por um segundo infinito, o rosto dele pairou sobre o meu, e eu tive a certeza absoluta de que ele ia me beijar ali mesmo, na frente de toda a elite de Seattle. Meu coração disparou, uma mistura de repulsa e um desejo proibido que eu me recusava a nomear. Mas Thomas não me beijou. Ele apenas sussurrou, tão baixo que apenas eu pude ouvir: - Não se esqueça de quem você é quando as luzes se apagarem, Grace. Porque eu certamente não esquecerei. Ele me trouxe de volta à posição vertical com um puxão firme. A música terminou e o salão irrompeu em aplausos educados, embora carregados de veneno. Thomas soltou minha mão, mas manteve o braço ao redor da minha cintura, guiando-me para fora da pista. - Preciso falar com o Governador - ele disse, voltando instantaneamente ao seu tom de voz executivo, como se a tensão dos últimos minutos nunca tivesse existido. - Fique aqui. Beba algo. E não saia do meu campo de visão. Ele se afastou, deixando-me sozinha perto de uma coluna de mármore. Eu estava ofegante, sentindo o suor frio escorrer por entre minhas omoplatas. O contato físico com Thomas tinha me deixado em frangalhos, uma sensação de invasão que eu não conseguia sacudir. Foi então que senti um olhar que não vinha de Thomas, nem de Ravena. Era um olhar que queimava com uma familiaridade que eu não sentia há mais de dez anos. Virei-me e o mundo pareceu parar. Ele não estava com um terno alugado. O smoking que ele usava era de um corte italiano impecável, talvez até mais caro que o de Thomas. Ele segurava uma taça de cristal com uma elegância inata, e sua postura exalava uma confiança que só o poder e o dinheiro conquistado a ferro e fogo poderiam dar. - Grace? - A voz era mais profunda, mas o sotaque de Belfast ainda estava lá, polido pelo tempo e pelo sucesso. - Grace Butler? Meus pulmões travaram. - Dominic? Dominic Alex Cooper? O homem que eu amara na juventude, o rapaz que partira da Irlanda com nada além de ambição, estava diante de mim. Mas ele não era mais o jovem de Belfast. Agora ele era o CEO da Cooper Tech, o homem que os jornais diziam estar prestes a desbancar a hegemonia de Thomas em vários setores. Ele era um milionário, um titã que agora habitava o mesmo Olimpo que o meu patrão.Ele as coloca no meio de minhas pernas, perto do tornozelo, e já em seguida, ele me puxa pelos pés quase que para perto da beirada da cama. Depois disso, ele me vira rapidamente de barriga para baixo.Eu, é claro que não questiono o motivo dele fazer isso, pois estou muito curiosa para saber o que ele irá fazer comigo.- Agora eu vou ensina - lá como é que uma SUB deve se comportar e falar com o seu DOM. - diz num tom firme já pegando uma das cintas com o cadarço.Não levando- o tão a serio no que diz, eu olho sobre o ombro para trás e começo a rir.- Ok, meu senhor, vamos lá. - digo num tom provocante - Me ensine então. - dou um riso travesso.Com isso e sem hesitar, ele passa a outra ponta do cadarço por dentro da fivela e o puxa, colocando- a no meu tornozelo como uma tornozeleira. Em seguida, ele amarra o cadarço no pé da cama. Fazendo a mesma coisa com uma outra cinta, no meu outro tornozelo.- Quase lá, docinho.Ele pega mais duas cintas e faz o mesmo nos meus pulsos. Só que des
Mesmo com essas dúvidas, eu coloco meus braços em volta de seu pescoço e acaricio seus cabelos macios e sedosos.— Quer saber de uma coisa, Thomas? — olho- o fixamente — A partir de agora, que se dane tudo e todos, pois a vida é um sopro. E infelizmente eu não tenho ideia nenhuma do que pode acontecer comigo amanhã. — sorrio — Então, hoje, eu fazendo certo ou errado, pecando ou não, me arrependendo ou não, eu vou me esbaldar com você.Isso é o suficiente para ele me pegar em seus braços, me levar até a minha pequena área de serviço e me colocar sentada em cima da máquina de lavar.— Na área de serviço?! — indago curiosa —Sério, Thomas? Shhh.. — Pera, docinho. Você já vai saber o porquê da área de serviço ser a minha escolha.Ele se afasta, vai até a sala e liga o som, mas em uma altura razoável. Colocando para tocar a música ( Unstoppable - Sia ). Em seguida, vai até a geladeira e pega uma lata de milkmaid já aberta. Retornando para mim, com um olhar malicioso e um sorriso travesso
— Não, eu não armei nada para você, Grace. — tenta se explicar — Eu só a livrei de fazer uma burrada enorme lá no bar.— Burrada? — indago afastando- me dele — De que burrada você está falando?— Depois que você bebeu acima do seu limite, você subiu em cima da mesa e começou a dançar como uma stripper de boate. — diz num tom sério — Dizendo até que iria tirar a roupa. Algo inaceitável para mim.Ao ouvir isso, fico cabisbaixa e completamente envergonhada.— Te pedi algumas vezes para você parar com tal loucura, mas você fingia não me escutar. Ignorando - me por completo.— Desculpe! — digo num tom baixo — É que fazia tempo que eu não saia para beber e me divertir um pouco. Acho que foi por isso que exagerei na dose.— É, foi o que eu pensei. Pois nem o Dominic, com aquele jeitinho calmo dele, conseguiu te convencer a descer da mesa. Levando até uma bela de uma bofetada sua.Ao ouvir isso, olho com os olhos arregalados e boquiaberta.— O que? — indago incrédula — Eu bati na cara do Nic?
Tomo coragem e resolvo dizer a ele o motivo de querer muito ver as filmagens da noite passada.— Então senhor, é que ontem à noite eu..— Ah, que bom.. aí está você amiga. — diz num tom alto vindo em minha direção.— Emma?! — olho surpresa — O que você faz aqui?— Como, o que eu faço aqui, Grace?! — diz num tom meio sarcástico — Eu vim até aqui te buscar. Afinal você me enviou uma mensagem a duas horas atrás me pedindo para vir até aqui te pegar, pois você acabou deixando o seu carro no estacionamento do bar ontem a noite. — Eu mandei? — indago pegando o celular dentro da bolsa para ver se eu realmente enviei alguma coisa a ela, pois eu não me lembro de ter feito isso — Tem certeza?— Claro, olha aqui. — pega seu celular e mostra- me a mensagem enquanto eu olho no meu ao mesmo tempo...( Emma, primeiramente bom dia!Amiga, ontem à noite lá no bar, eu acabei conhecendo um cara muito bacana e muito legal. E por ver nossa grande afinidade e muitas coisas em comum, ele me convidou para v
Estou eu mesmo fazendo o pedido do meu almoço no meu restaurante favorito, quando ouço batidas na porta do meu escritório da minha mais nova conquista.— Entre!. — digo num tom brando.— Com licença e desculpa incomoda- lá novamente, senhorita Butler. — abre uma pequena brecha na porta e diz num tom meio reprimido — Mas é que tem alguém aqui fora, insistindo muito para falar com a senhorita. Eu até disse que estamos fechado para o almoço, mas ela..— Tudo bem, Ashley. — sorrio simpaticamente — Deixe- a entrar. — autorizo mesmo sem saber quem é.— Ok, senhorita Butler! — suspira aliviada — Eu vou fazer isso agora mesmo, com licença.Aceno positivamente, ela sai e eu aproveito para finalizar o pedido antes da pessoa entrar em meu escritório.— Quem será e o que quer tanto falar comigo que não pode esperar a hora do almoço passar para eu reabrir a minha galeria de artes? Eu mal termino de indagar a mim mesma e a porta se abre outra vez.— E aí sumida, bora almoçar comida japonesa?! — en
— Grace, você sabe que mesmo agora estando com o senhor Price, você sempre poderá contar comigo, não sabe?Me afasto de seus braços e o olho fixamente enquanto limpo meus olhos discretamente.— Nic, eu e o senhor Price, nos estamos juntos.— Mas ele te chamou de amor. — relembra- me.— Sim, mas foi só para te irritar, para se vingar de você. — Então você está..— Solteira? — completo — Sim! E assim pretendo ficar por um longo tempo agora.— Nossa, só porque eu ia lhe convidar para jantar comigo essa noite.Rio divertidamente.— Nic, por incrível que pareça, esse é o segundo convite que recebo para sair para jantar em menos de meia hora. — Sério? — olha- me surpreso — Será que eu o conheço?! — indaga com um sorriso de canto de boca.— Ahm.. até bem de mais. — Ah, então acho que ele não vai se importar de sairmos para jantar a três. Afinal nós já fizemos isso lá no Quênia, lembra? Pelo modo como ele diz, noto que ele sabe de quem eu estou falando.— Sim, como eu me esqueceria. Aquel







