LOGINDepois de um banho quente no final da tarde, minha mesa se encontrava repleta de papéis novamente. Mas dessa vez a razão era outra.
Eu precisava de uma técnica infalível. Eu seria a babá perfeita.
Eu sabia que haveria uma seleção na mansão com algumas candidatas escolhidas a dedo.
Pra minha sorte, os homens de mais cedo eram um tanto descuidados e forneceram até mais do que eu precisava.
Eu passaria naquele teste, custe o que custasse. Era tudo que eu conseguia pensar.
Na manhã seguinte, quando o despertador tocou, eu já estava acordada.
Me arrumei e saí rumo à mansão.
Quatro mulheres aguardavam no portão.
Todas seguravam uma cópia do anúncio que havia sido publicado no site.
Uma loira de cabelos compridos era a primeira da fila e tremia enquanto segurava o papel.
Depois dela, duas morenas conversavam sobre algo e sorriam. Pareciam ser próximas, embora fossem concorrentes. Agiam com naturalidade, como se não se importassem com quem seria a escolhida.
Por fim, uma ruiva de meia estatura se encontrava de cabeça erguida. Olhava atentamente para o celular e às vezes para o lado. Ao contrário das outras, ela parecia saber exatamente o que queria, e aquilo me causou certa preocupação. Sem dúvidas, seria uma concorrente de peso.
Ela me olhou de cima a baixo no momento em que me aproximei. A frieza que vinha de seus olhos era tamanha que eu senti um leve frio na espinha. Espantei o incômodo e ignorei completamente aquele clima hostil. Se ela estava preparada, eu também estava. Eu não sabia os motivos dela, mas os meus eram suficientes para que ela não me diminuísse.
Um dos homens que estava no hospital no dia anterior veio até o portão e solicitou que a gente o acompanhasse. A seleção começaria em breve.
Recolheu os impressos do anúncio assim que atravessamos o portão.
Eu me movi devagar. Estava esperando que ele acabasse nos levando para a porta dos fundos, uma entrada de funcionários ou qualquer outra coisa que os ricos amam fazer. Mas ele não o fez. Apontou para a porta da frente e pediu que entrássemos.
Eu senti uma leve repulsa, ignorei o sentimento e adentrei a mansão.
A sala era enorme, contava com todos os adornos dignos de uma mansão. Dentre eles, o que mais me chamou a atenção foi um lustre de cristal que brilhava de forma tão cintilante que ofuscava a visão se o encarasse.
Na frente de um sofá gigante, três homens de preto estavam de pé, com as mãos atrás das costas. Fiz uma breve varredura com os olhos ao redor e consegui identificar outros cinco em locais estratégicos da sala, sendo dois deles nas escadas que davam acesso à parte de cima da casa.
— Podemos começar — disse o homem que nos recebeu no portão.
Meus olhos continuaram percorrendo os arredores, mas nenhum sinal do meu futuro patrão.
Cada uma das candidatas recebeu uma folha. Era um questionário sobre bebês, com questões que implicavam conhecimentos básicos sobre como cuidar de uma criança.
Um dos homens que estava na direção do sofá segurou um relógio e ordenou:
— Vocês têm dez minutos.
Abaixei rapidamente a cabeça e comecei a resolver o questionário.
As duas morenas começaram a reclamar que o tempo era pouco e que era impossível terminar naquele prazo. Três minutos depois, foram convidadas a deixar a sala, visto que não serviam para o cargo.
Tentei me concentrar ao máximo na última pergunta:
Você tiraria a vida de alguém se precisasse?
Como responder a essa pergunta?
Dizer que sim poderia me incapacitar para o cargo. Eu poderia ser considerada agressiva e perigosa.
Dizer que não poderia ser bem pior, levando em consideração a vida dele e o tanto que provavelmente ele corria perigo.
Sacudi a caneta entre os dedos de um lado para o outro, tentando decidir qual resposta faria com que eu fosse a escolhida.
Respirei fundo e comecei a redigir minha resposta, mas a ruiva ao meu lado se levantou prontamente e disse:
— Acabei.
Ainda que aquilo me incomodasse, eu ignorei e continuei redigindo minha resposta.
Concluí e ergui a mão para entregar. O segurança parecia estar acabando de ler o questionário dela e sinalizou para mim como se dissesse: “Pare.”
Depois, disse:
— Não precisa entregar.
E, olhando na direção da ruiva, afirmou:
— Ela está contratada.
Cadê você???Escrevi a mensagem assim que encontrei o conforto do meu quarto.Dois tracinhos apareceram rapidamente, indicando que havia sido recebida. Mas nenhuma resposta veio.Aguardei por alguns segundos e mandei três interrogações, seguidas da seguinte frase:— Não disse que tinha o sono leve? Onde você se meteu?Ele era especialista em dar vácuo até pelo telefone.Respirei fundo e dei a cartada final.— Se você não responder dentro de 5 minutos, eu vou pegar o Noah e sumir desse lugar.Um emoji com dois olhos grandes apareceu na minha tela imediatamente.Dei um sorriso satisfeito e apertei o celular um pouco mais forte do que deveria.Me sentei na cama e me concentrei no que seria feito dali em diante.— Alguém invadiu seu escritório.A frase foi acompanhada de duas caras de medo e do áudio que eu havia gravado.Menos de um minuto depois, meu celular vibrou.Corri pro banheiro, tranquei a porta e diminuí ao máximo o meu tom de voz.Assim que atendi, a voz grossa e desesperada so
A noite caiu. Saí do meu quarto, a mansão estava toda escura, fiz o mínimo de barulho possível e desci para o escritório. No corredor um dos seguranças de plantão cochilava, passei por ele contendo até a respiração, para que não despertasse. Abri a porta do escritório cautelosamente e adentrei. Um cheiro forte inundou minhas narinas e eu reconheci de imediato, era o mesmo perfume amadeirado que senti no dia da entrevista. Ele passava muito tempo ali, o cheiro parecia estar impregnado em cada móvel daquele lugar. Fui até sua mesa, a cadeira estava encostada rente a ela. Me lembrei da forma com que ele se acomodou na cadeira aquele dia enquanto falava comigo. Tentei dispersar os pensamentos e foquei na minha busca. Revirei todas as gavetas e não havia nenhuma informação relevante. Olhei a estante de livros, nada que fosse pertinente. Revirei cada canto daquele escritório e não havia nada. Percorri as mãos entre os cabelos e dei um suspiro profundo, tentando conter a frust
Eu tomava banho enquanto lembrava do treinamento de minutos atrás. Talvez fosse excesso de preocupação, mas por que ele queria tanto que eu aprendesse a lutar? Comecei a passar a bucha com mais força em cada lugar do meu corpo onde as mãos dele haviam encostado, enquanto um sentimento estranho tomava conta do meu coração. Em determinado momento, o jeito como ele percorria as mãos pela minha cintura me fez arrepiar, e eu detestei aquilo. Quando percebi, meu corpo já estava tomado por uma vermelhidão intensa. Saí do chuveiro e notei que minha roupa não estava. Eu poderia jurar que havia levado uma muda para o banheiro. "O que aconteceu?", falei sozinha enquanto procurava. Depois de revirar cada centímetro do banheiro, enrolei-me na toalha e fui em direção ao meu quarto. Aquela mansão era enorme, e o fato de meu quarto não ter banheiro era inadmissível. Abri a porta bem devagar, e para minha sorte, não havia ninguém no corredor. Calculei milimetricamente na minha cabeça a rota que far
Minha mão melhorou em uma semana, mas a frustração continuava. Comecei a reparar na frequência com que ele me observava e me surpreendi. Um novo alerta acendeu em minha cabeça. Enquanto eu o observava, ele fazia o mesmo comigo. Em uma manhã, enquanto brincava com o Noah no jardim, percebi que ele me olhava sorrateiramente pela janela da mansão.Em uma tarde, enquanto colocava o bebê para dormir, também o vi me observando pelo corredor.Sempre que eu o via, ele disfarçava e saia tentando não ser visto.Numa manhã de sexta-feira, ele veio até o quarto. Noah havia acabado de dormir, ele se aproximou acompanhado de um dos seguranças. Sem muitas explicações, ele exigiu:— Vem comigo.— Mas o Noah pode acordar.— O Bento vai cuidar dele.— Pra onde vamos?— Você vai saber assim que chegar.Sem entender o que estava acontecendo, eu o acompanhei. Fomos até a garagem da mansão. Pensei que ele pegaria o carro, mas não. Ele abriu uma porta que eu se quer havia notado e entramos em uma academia.
Meus músculos se enrijeceram e eu não consegui me mover. Fiquei parada no mesmo lugar em que estava, enquanto um calafrio percorria cada centímetro do meu corpo. Por alguns segundos, aquela voz continuou ecoando nos meus ouvidos, até que finalmente fingi desentendimento.— Você deve ter se confundido, esse quarto é meu.Ele pigarreou.— Acha mesmo que fui eu quem me confundi? Acha que não conheço a minha própria casa?— Não, não foi isso que eu quis dizer.Ele apertou o interruptor e a luz se acendeu. O quarto era espaçoso, com uma cama king e um closet enorme. Corri os olhos rapidamente por todo o ambiente e, em seguida, me voltei para ele.Vestia uma calça cinza, claramente um pijama. Blusa, nenhuma. Foi impossível não reparar no peitoral exposto, nos músculos bem definidos que pareciam ganhar destaque sob a luz. Só percebi o quanto estava encarando quando a voz dele quebrou o silêncio:— Os olhos são aqui em cima.Levantou os dedos indicador e médio em direção ao próprio rosto.— M
Eu saía pelo portão do jardim, com o coração transbordando.Eu começaria a trabalhar no dia seguinte. Meu plano havia funcionado. Fiquei preocupada quando ele falou sobre confiança, mas respirei aliviada quando explicou que aquilo era apenas uma justificativa para sua atitude.Cheguei em casa e juntei todos os papéis que eu tinha, e uma dúvida me consumiu: valia a pena levar comigo?A resposta, obviamente, era não. Eu não poderia sequer cogitar a hipótese de ser flagrada com todas aquelas provas.Mas eu iria morar na mansão. Não poderia deixar todas aquelas informações soltas ali. E se alguém entrasse? Talvez ele tivesse exigido que eu morasse lá justamente para ter a oportunidade de revistar minha casa.Juntei todos os meus documentos, escaneei e guardei na nuvem e em um pequeno pendrive. As folhas, eu simplesmente queimei uma por uma.Exceto a lista dos intocáveis.Essa permaneceu intacta. Eu a dobrei cautelosamente e coloquei entre as minhas roupas íntimas. Com certeza ninguém mexe







