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CAPÍTULO 15

last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-21 23:19:04

DIRETOR NARRANDO

— Não é possível! Não é possível, procura direito nessa porra! — gritei, jogando um maço de pastas de arquivos para o alto. As folhas voaram pela sala, espalhando-se sobre os cacos de vidro da mesa que o Barão tinha quebrado poucas horas antes.

O relógio de parede parecia o barulho de uma bomba-relógio. Tic, tac, tic, tac. O Barão tinha me dado vinte e quatro horas. O sol já estava se pondo e nós não tínhamos absolutamente nada.

Eu estava com a camisa aberta, a gravata jogada e
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    BARÃO NARRANDOAssim que o Tilápia bateu a porta e saiu pra resolver as paradas, a sala voltou a ficar em silêncio. Fiquei parado na janela por mais alguns minutos, a mente longe, pensando no tamanho do caô que tinha sido aquela madrugada.Acabei indo pra cozinha. Quando entrei, vi a Melissa sentada, tomando café. Não falei nada. Só caminhei até a pia, deixei o copo de vidro ali dentro e subi as escadas logo em seguida.Eu precisava me arrumar. O dia prometia ser longo.Entrei na minha suíte, tomei um banho rápido pra tirar a inhaca da insônia e segui pro closet. Escolhi uma calça jeans escura, uma camisa de marca bem alinhada no corpo e um tênis zerado. Passei aquele meu perfume importado marcante, o preferido, coloquei o meu relógio de ouro no pulso e ajeitei a corrente no pescoço. Pronto. Tava na hora de resolver as paradas.Desci as escadas com a postura de sempre. Assim que pisei na sala, um dos caras que tava na contenção da porta bateu a mão no peito em sinal de respeito e me

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    CONTINUAÇÃO...As mulheres ficaram em silêncio por um instante, observando minhas lágrimas escaparem sem controle. Uma delas deu um passo à frente com um sorriso doce e colocou a mão no meu ombro.— Não precisa chorar, querida. Isso tudo é seu. O Barão pediu com muito carinho, e a gente só trouxe o que achou que combinaria com você — ela disse com uma voz tão mansa que me fez querer chorar ainda mais.Enxuguei o rosto com as costas da mão, tentando me recompor. Mas a verdade é que cada peça de roupa que elas tiravam das caixas parecia um abraço que eu nunca tive. Uma blusa de malha cinza, macia como algodão-doce. Um vestido azul-marinho simples, mas elegante.— Vocês... vocês têm certeza que é para mim? — perguntei, com a voz ainda trêmula.A mulher riu baixinho.— Temos toda a certeza, Melissa. Agora, vamos experimentar? O Barão pediu pra gente acertar tudo hoje, pra você não ficar sem nada.Elas me levaram pra um quarto ao lado, que parecia um provador particular de tanta coisa boni

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    MELISSA NARRANDO Eu já tava acordada há horas, sentada na beira daquela cama imensa enquanto a minha mãe dormia um sono pesado e tranquilo. O dia tinha amanhecido lá fora, mas eu continuava ali, travada. Minha cabeça era uma confusão só: eu não sabia se devia tomar a iniciativa de descer ou se ficava ali dentro, quieta, esperando alguma ordem ou permissão do Barão. Eu me sentia uma intrusa. Só que a minha fome não quis saber de protocolo; meu estômago começou a roncar tanto que a única opção foi tomar coragem e sair do quarto.Abri a porta devagar e desci as escadas bem de mansinho, pisando leve. Conforme avançava, passei a ouvir vozes masculinas ecoando pela sala. Quando cheguei ao fim da escada, meu corpo congelou. O Barão e o Tilápia tavam bem ali na sala, conversando.Naquele segundo, meu rosto queimou tanto que achei que ia desmaiar. Eu simplesmente não sabia onde enfiar a minha cara de tanta vergonha. Depois de tudo o que aconteceu na cozinha na madrugada, eu não conseguia olha

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    BARÃO NARRANDODepois daquela porra que aconteceu na cozinha na calada da noite, o meu sono foi pro espaço de vez. Passei a madrugada inteira rolando de um lado pro outro na cama, de braços cruzados, encarando o teto escuro e pensando no tamanho do vacilo que eu tinha dado.Eu, o Barão, o cara que comanda o crime, que toma as decisões mais frias sob a mira de um fuzil, dei mole igual a um moleque. Logo eu, que odeio perder o controle de qualquer situação. E o pior de tudo: a garota acabou de confessar que é virgem, e a visão que ela tem é a do dono do morro peladão no meio da claridade da cozinha. Que situação de merda.Assim que o dia começou a clarear, joguei o lençol de lado. Levantei puto da vida, vesti uma calça de moletom escura e saí do quarto pisando firme. No corredor, meus olhos foram direto pra porta do quarto onde a Melissa tava com a mãe. Tava tudo em silêncio. Desci as escadas, fui até a garrafa térmica, enchi um copo de café preto e forte e depois fiquei parado na janel

  • Inseminada pelo Destino    CAPÍTULO 35

    TILÁPIA NARRANDO O sol nem tinha quebrado o horizonte direito, e a garagem da mansão do Barão já parecia a recepção de um hotel de luxo. Eu passei a madrugada em claro no radinho e no telefone pra desenrolar tudo que o chefe tinha exigido, e quando o relógio bateu seis da manhã, o bonde de serviços já tava todo estacionado no pátio.Entrei na casa com todo mundo atrás de mim. Primeiro veio a Dona Lúcia, a cozinheira de mão cheia que costumava fazer os banquetes das reuniões dos chefes. Logo atrás, vinham três meninas das melhores lojas, carregando araras pesadas, cheias de vestidos, conjuntos, caixas de sapatos e bolsas. Por último, a enfermeira — uma mulher de meia-idade que era a melhor profissional que o nosso dinheiro podia comprar.O Barão já tava de pé na sala principal, com uma calça de moletom e um copo de café preto na mão, passando aquela marra de chefe que colocava ordem na casa só com a presença.— Tá na mão, Barão — falei, batendo no ombro dele e apontando pra fila de ge

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    MELISSA NARRANDOEu tava terminando de dar a janta pra minha mãe quando bateram na porta do quarto. Limpei a boca dela com cuidado, coloquei o prato na mesinha de cabeceira e fui abrir. Pro meu total nervosismo, era o Barão. Ele veio entregar uma camisa preta dele, enorme, pra eu vestir após o banho, já que eu não tinha trazido nada do barraco. Peguei o tecido macio, agradeci baixinho e ele saiu sem dizer mais nada.Fechei a porta e respirei fundo. Olhei pra minha roupa gasta de catar latinha, toda encardida, e depois olhei pra minha mãe na cama.— Mãe, eu vou tomar um banho rapidinho e já volto, tá? — falei, fazendo um carinho na testa dela.Entrei no banheiro daquele quarto imenso e olhei pra camisa do Barão. Não resisti e levei o tecido até o nariz. Cheirei e senti um perfume muito bom, marcante, que impregnava o algodão. Entrei no box e liguei a água. No momento em que senti a água quente cair sobre o meu corpo, fechei os olhos. Era tão diferente da água gelada do tanque de ciment

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