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Capítulo 73

Author: Edielc Angel
last update publish date: 2026-10-29 06:28:31

"A proposta"

O clima na Crawford Seguros continua irrespirável. Charlotte trabalha com fones nos ouvidos a maior parte do dia, evita o corredor da presidência e almoça longe da equipe. A proposta de emprego de outra empresa ainda está aberta na caixa de entrada, sem resposta. Cada vez que pensa em aceitar, algo a segura. Não é lealdade a Mason. É medo de correr para qualquer saída só por desespero.

Na sexta-feira, perto das onze, ela desce até o café da esquina para respirar. Pede um americ
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    "O que resta depois da porta" Charlotte acorda no sofá da própria casa com o celular ainda na mão. A tela mostra o e-mail enviado ao RH na noite anterior, confirmando o pedido de demissão. Abaixo, a resposta automática: "Recebemos sua solicitação." Não há alívio. Só um buraco quieto no peito. A mãe aparece na porta da sala, de roupão, segurando duas xícaras. — Você chegou tarde e não comeu. — Não tinha fome. A mãe se senta na poltrona em frente a ela. — Quer falar sobre o que aconteceu ou quer ficar nesse silêncio triste? Charlotte fica alguns segundos em silêncio. Depois solta, a voz rouca: — Pedi demissão, já tem uns 3 dias. A mãe não demonstra choque. Apenas assente, lenta. — Por causa dele? — Por causa de mim. — Charlotte deixa o celular de lado. — Eu estava voltando a ser pequena dentro daquele lugar. E eu jurei que não ia mais permitir isso. A mãe estende a xícara. Charlotte aceita. — Então agora você se levanta e não transforma essa decisão em casti

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    " A corrente " Nate volta para a universidade três dias depois do hospital. A mão ainda está enfaixada, os pontos puxam a pele, mas o pior não é a dor física. É o peso do celular de Miguel no bolso do casaco dele, como uma corrente invisível. Miguel não sai do pé. Na primeira manhã, aparece no estacionamento. — Anda logo. Vou te deixar perto do bloco. Não queremos atrasos, né? Não é uma oferta, é uma vigilância. Na segunda, manda mensagem durante a aula: "Miguel:" Você sumiu do grupo. Manda um áudio zoando alguém. Mostra que voltou ao normal. Nate olha a tela até ela apagar. Não responde. À tarde, no intervalo, Miguel está com os mesmos amigos do vestiário. Quando Nate se aproxima para pegar água, o primo fala alto o suficiente: — Aí está o homem. Já tava sentindo falta das suas piadas. Ou agora ficou sensível? Alguns riem. Outros observam. Nate força um meio sorriso torto e segue em frente. O sangue lateja no ouvido. Longe dali, no departamento de teatro, Benn

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    "O espaço que sobra" Liam não voltou para o apartamento dos irmãos naquela noite. Dirigiu sem destino pelas ruas molhadas da cidade, o rádio desligado,o restaurante ainda queimando atrás dos olhos. A imagem de Margot de pé ao lado daquele médico, pedindo para que ele fosse embora, se repete sem piedade. Quando finalmente para o carro, percebe que está em frente ao prédio dela. As luzes do apartamento estão apagadas. Ou ela dormiu… ou não quer que ninguém saiba que está acordada. Ele fica ali por quase uma hora, as mãos no volante, até forçar a si mesmo a ir embora. Nos dois dias seguintes, a ausência se instala de forma cruel. Margot bloqueia o número principal dele. As flores são devolvidas na portaria. O porteiro, educado e inflexível, repete a mesma frase: — A senhora não autorizou visitas, senhor Crawford. Liam tenta um último recado por escrito, deixado em um envelope na recepção: "Eu sei que estraguei. Só me diz se você está bem." O envelope volta lacrado no dia

  • Irmãos Pecadores   Capítulo 73

    "A proposta" O clima na Crawford Seguros continua irrespirável. Charlotte trabalha com fones nos ouvidos a maior parte do dia, evita o corredor da presidência e almoça longe da equipe. A proposta de emprego de outra empresa ainda está aberta na caixa de entrada, sem resposta. Cada vez que pensa em aceitar, algo a segura. Não é lealdade a Mason. É medo de correr para qualquer saída só por desespero. Na sexta-feira, perto das onze, ela desce até o café da esquina para respirar. Pede um americano e se senta perto da janela. Está revisando um log de falha no notebook quando a cadeira à sua frente é puxada. — Com licença. As outras mesas estão ocupadas. Posso? Charlotte levanta o olhar. A mulher parece ter a mesma idade dela, cabelo castanho preso num coque prático, óculos de armação fina e uma mochila surrada de notebook. O crachá improvisado na alça diz apenas “Lila”. — Pode. Lila se senta, abre o próprio computador e, por alguns minutos, as duas trabalham em silêncio. Até Ch

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    "A exposição"O primeiro comentário chega disfarçado de piada.Charlotte está na área do café quando ouve a risada baixa de duas funcionárias do financeiro. Ao se aproximar, o silêncio é imediato. Olhares desviados. Um sorriso forçado demais.— Bom dia — diz ela, pegando a xícara.— Bom dia — respondem juntas, rápidas demais.No elevador, um analista que sempre pedia ajuda agora evita contato visual. No corredor, as conversas morrem quando ela passa. O ambiente, antes apenas tenso por causa de Mason, agora carrega algo pior: julgamento.Às onze da manhã, Camila aparece na mesa dela com o rosto fechado.— Você precisa saber.Charlotte levanta o olhar do monitor.— Fala.— A Debbie está espalhando que você só tem esse cargo e essa liberdade toda porque… — Camila hesita. — Porque está com o Mason. Nas palavras dela: “esquenta a cama do chefe e por isso manda no TI”.O estômago de Charlotte fecha.— Está dizendo isso abertamente?— Não abertamente o suficiente para RH. Mas o suficiente pa

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