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Capítulo 5

Author: Jinny Cacá
Leonardo mantinha o rosto levemente virado. A marca avermelhada do tapa se destacava em sua bochecha.

Ele engoliu em seco antes de olhar para Helena.

— Você se machucou?

A tranquilidade incomum de Leonardo deixou Márcia ainda mais apavorada. Ela correu até ele.

— Sr. Valença, o senhor está bem? Meu Deus, foi tudo um mal-entendido! A culpa é dessa garota, que não sabe se comportar. Fiquei sabendo que ela tinha irritado o senhor e só quis dar uma lição nela...

Leonardo não respondeu.

Cada vez mais aflita, Márcia tentou se explicar de qualquer jeito e estendeu a mão para puxar Helena.

— Fala alguma coisa logo!

Antes que conseguisse tocá-la, Leonardo agarrou seu pulso e afastou sua mão com força.

Márcia ergueu a cabeça, atônita.

A expressão cordial que Leonardo costumava manter havia desaparecido por completo. Ele passou o braço de leve pelos ombros trêmulos de Helena e lançou à sogra um olhar frio, fazendo a atmosfera da sala pesar de imediato.

— Lena é minha esposa. Quem deu a você o direito de discipliná-la no meu lugar?

Márcia empalideceu.

— Eu... Eu só estava com medo de que ela não soubesse obedecer...

A expressão de Leonardo se fechou ainda mais.

— Ela não precisa obedecer a ninguém. Não deixe isso acontecer de novo.

Fez uma pausa curta.

— Pode considerar isso uma ameaça.

Márcia jamais imaginara que o genro, sempre sorridente e educado, pudesse ser tão intimidador quando deixava de lado a gentileza.

Sem coragem de responder, lançou apenas um olhar ressentido para Helena.

Bruno percebeu que aquele definitivamente não era o momento de falar sobre o próprio problema. Puxou Márcia pelo braço, e os dois saíram dali constrangidos.

A sala privativa mergulhou num silêncio estranho.

Leonardo soltou um suspiro e, como fazia tantas vezes, abriu os braços para puxar Helena para perto.

Ela o empurrou.

Ele soltou uma risada curta, entre irritado e sem saber o que fazer.

— Helena, desse jeito eu vou acabar levando um tapa por dia. Você não fica nem com um pouco de pena de mim? Ainda está brava comigo?

Helena manteve a cabeça baixa, sem dizer nada.

Leonardo suspirou outra vez e se inclinou para segurar seu rosto.

Então parou.

Lágrimas silenciosas escorriam pelas bochechas dela.

Tudo o que Helena vinha reprimindo nos últimos dois dias finalmente havia ultrapassado o limite. As lágrimas caíam uma após a outra, por mais que ela tentasse contê-las.

Ela não queria chorar na frente dele.

Ergueu a mão e tentou enxugar o rosto depressa, mas, quanto mais limpava, mais lágrimas surgiam.

Era apenas a segunda vez que Leonardo a via chorar.

A primeira havia sido no casamento dos dois.

Anos antes, nem mesmo quando o médico lhe entregara o laudo confirmando a perda total da audição do ouvido esquerdo Helena derramara uma lágrima. Apenas ficara sentada em silêncio, pálida.

— Lena...

Leonardo abriu a boca, mas, por alguns segundos, não encontrou o que dizer.

Depois de um longo silêncio, tornou a estender os braços.

— Se você não gosta deles, não precisa mais vê-los... Você não precisa de mais ninguém. Basta ter a mim.

Helena o afastou novamente.

Ergueu o rosto.

Os cílios estavam molhados, os olhos vermelhos e brilhantes. Havia neles algo que Leonardo não conseguiu compreender.

— Leonardo... Você me ama?

Leonardo hesitou.

Por um instante, pareceu procurar uma resposta.

— Lena, você está cansada? Vamos para casa...

Helena o interrompeu.

Sem desviar os olhos, repetiu:

— Você me ama?

Leonardo sustentou seu olhar.

— Eu vou ficar ao seu lado para sempre.

Helena sorriu.

Um sorriso frágil, amargo, ainda misturado às lágrimas.

Naquele instante, lembrou-se da noite em que Leonardo a pedira em casamento.

Os fogos de artifício iluminando o céu.

O caminho coberto de flores.

O terno branco destacando o rosto bonito e elegante dele.

Leonardo sorrira para ela com a mesma ternura dos primeiros tempos.

Naquela época, Helena acreditara que aquilo era amor.

Só agora percebia que, em três anos de casamento, talvez Leonardo nunca tivesse dito que a amava.

— Leonardo, você ainda lembra do que eu te disse naquela época?

Ele hesitou.

A confusão em seu rosto deixou claro que nem sequer sabia ao que ela se referia.

Aquilo já era resposta suficiente.

O brilho nos olhos de Helena se apagou.

Sem dizer mais nada, virou-se e saiu.

Seus passos foram ficando cada vez mais rápidos.

No corredor, um garçom a interceptou.

— Moça, a conta da sala de vocês ainda não foi paga.

Helena já estava emocionalmente no limite, mas tentou conter a irritação.

— Cobre de quem consumiu. Eu expliquei antes de entrar que só vim procurar uma pessoa.

O garçom sabia que ela tinha razão, mas ainda insistiu:

— Mas a cliente disse que a senhora é filha dela. Não é normal a filha pagar a conta da própria mãe? Também não precisa dificultar meu trabalho...

A pouca paciência que restava a Helena acabou.

— Isso é problema seu. Se ela se recusar a pagar, chame a polícia.

Diante da firmeza dela, o garçom não teve coragem de continuar discutindo.

Foi então que a voz de Leonardo surgiu atrás deles.

— Passe no cartão.

— A conta da sala privativa do terceiro andar ficou em cinquenta mil. Obrigado, senhor.

O garçom abriu um sorriso e estendeu a mão para pegar o cartão.

Helena foi mais rápida e arrancou o cartão da mão de Leonardo antes que o garçom conseguisse pegá-lo.

— Não!

Virou-se para Leonardo.

— Isso é problema deles, não seu. Você não tem motivo nenhum para pagar essa conta!

O cansaço pesava no rosto dele.

— Lena, não fica se aborrecendo por uma coisa tão pequena.

Helena apertou o cartão entre os dedos.

— Para você, isso é uma coisa pequena?

Cada vez mais pessoas diminuíam o passo para assistir à discussão.

Leonardo, algo raro nele, começou a perder a paciência.

— Eu sei que você tem seus princípios. Mas, para mim, se um problema pode ser resolvido com dinheiro, então não é um problema de verdade.

Helena o encarou.

A dor no peito se intensificou até tornar difícil respirar.

Por mais que Leonardo tratasse aquilo como algo insignificante, no fim ainda era um problema para ele, não era?

E ela?

Será que, para Leonardo, ela também não passava de um problema que ele decidira assumir?

Anos atrás, Helena havia deixado claro mais de uma vez que jamais usaria o fato de ter salvado a vida dele para exigir qualquer coisa.

Muito menos queria sua pena ou gratidão.

Se aquele pedido de casamento tivesse sido apenas a maneira que Leonardo encontrara de assumir responsabilidade pelo futuro que ela perdera, Helena jamais teria aceitado.

Uma voz feminina surgiu no meio da multidão.

— Meu Deus! Desde quando o Leo passa por uma vergonha dessas? A esposa dele realmente não sabe se comportar!

Era Camila.

Gustavo falou em seguida, no tom de quem conhecia muito bem a história:

— Nem sei por que ela está fazendo esse teatro todo. Ela e aqueles parentes pobres já arrancaram uma fortuna do Leo. Ele até comprou várias casas para eles...

O garçom, que até então parecia constrangido com a situação, ganhou coragem ao perceber que havia gente defendendo seu lado.

— Moça, eu também só estou fazendo o meu trabalho. Por favor, não dificulte as coisas para mim. Se isso começar a incomodar os outros clientes, vou ter que chamar a segurança...

Leonardo fechou a expressão.

Sem discutir, tirou outro cartão da carteira e o entregou ao garçom.

Ele o pegou depressa.

— Ainda bem que o senhor é razoável!

Num instante, todos os olhares recaíram sobre Helena.

Ela soltou uma risada sem humor.

— Ótimo. Vocês são todos pessoas maravilhosas. A única errada aqui sou eu.

Seu corpo inteiro tremia.

Helena atirou o cartão que ainda segurava na direção de Leonardo e se virou para ir embora.

Ele foi atrás dela e segurou seu braço.

— Para com isso. A gente conversa quando chegar em casa, está bem?

Camila se aproximou, revirou os olhos para Helena e fez questão de falar alto:

— Leo, se ela quer ir embora, deixa! Aquilo que você comentou antes nem precisa da ajuda dela. Vai que ela resolve estragar tudo de propósito? Melhor deixar comigo. Eu consigo chamar a Sofia!

Felipe se virou de imediato, surpreso.

— Sofia? Aquela Sofia que lidera uma das melhores equipes de intérpretes simultâneos do país?

Camila ergueu o queixo, orgulhosa.

— Ela mesma.

Gustavo também já ouvira falar de Sofia e sabia perfeitamente como era difícil conseguir contratá-la. Fora grandes cúpulas e conferências internacionais, ela praticamente nunca aceitava trabalhos comuns.

No meio profissional, diziam que chamá-la para um evento qualquer era como matar mosquito com canhão.

Por isso, Gustavo não acreditou nem um pouco no que Camila acabara de dizer.

— Cami, você está falando sério? A Sofia não aparece em público há três anos. No meio, todo mundo já dá como certo que ela se aposentou...

— Claro que estou falando sério! — Camila respondeu sem hesitar. — Só porque vocês não conseguem falar com ela não significa que eu também não consiga! Quando eu estava no exterior, a Sofia gostava muito de mim. Ela até fez questão de me adicionar no WhatsApp!

Ao ouvir aquilo, até Leonardo pareceu surpreso.

Apenas Helena permaneceu impassível.

Um leve traço de ironia surgiu em seu olhar quando perguntou:

— Tem certeza de que ela realmente conhece você?

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