LOGINDeixem seus comentários e se gostou do capitulo. quero saber o que andam achando da história. Contos com vocês, Mitha
Enzo Bianchi Voltei ao meu apartamento nas primeiras horas para buscar o meu pai e levá-lo de volta ao litoral, onde ele resolveu morar definitivamente. Minha mente, no entanto, permaneceu inteiramente concentrada em Marcela e no plano de resgate que estamos arquitetando. Tem sido quase impossível focar no trabalho, assombrado pelas lembranças daquelas marcas em seu corpo e pelas denúncias aterrorizantes da cozinheira. — Tenho percebido você muito tenso ultimamente, Enzo. O que está acontecendo com você ou com a Valmont? Há algo errado? — Giovanni me pergunta, sério. Estamos a caminho do heliporto particular que o levará de volta a Castiglioncello, onde desfruta de sua nova fase de vida. — Está tudo absolutamente bem com a Valmont, papai. O senhor não precisa se preocupar com os negócios da empresa — respondo, focado no trânsito. — Então o problema é estritamente com você, não é? Se não é a Valmont, só pode ser algo pessoal... Está enfrentando algum tipo de chantagem de novo?
Rafael Tomazo Não acredito que a Marcela foi falar de mim para pessoas próximas antes mesmo de formalizarmos este maldito noivado! Agora, com essa tal amiga enxerida tentando vê-la, fica infinitamente mais difícil esconder os hematomas e as marcas das surras que dou nela. Resolvo pegar o celular e ligar imediatamente para a Tereza para saber como as coisas estão correndo no apartamento. Nos últimos dias, Marcela tem se negado sistematicamente a comer e beber qualquer coisa, testando a minha paciência ao limite. Não posso permitir sob hipótese alguma que essa tal de Diana apareça em minha casa e a veja nesse estado deplorável de esgotamento. Existem muitos falatórios e boatos perigosos a meu respeito na alta sociedade em relação às minhas ex-noivas e esposas falecidas. Se alguém começar a desconfiar da forma enérgica e corretiva com que trato minhas mulheres, serei preso em questão de dias. — Olá, Tereza! Como andam as coisas por aí? A Marcela finalmente resolveu comer alguma c
Diana Cross Acordei com o barulho suave de Lorenzo terminando de se vestir para ir trabalhar. O cheiro marcante do seu perfume amadeirado tomava conta de todo o quarto. Ainda bem que, até agora, eu não enjoei de nenhum tipo de fragrância dele. — Desculpe te acordar, meu amor. Acabei de subir para me trocar rápido e sair— ele vem até mim e me beija com gosto de creme dental. — Vou descer à cozinha agora mesmo para buscar o seu café da manhã e te trazer na cama — promete, ajeitando o meu travesseiro. — Você não vai comer mais nada? — pergunto, me esticando preguiçosamente sob os lençóis. — Já tomei café com o Enzo mais cedo. Ele está me esperando lá embaixo para irmos juntos para a Valmont. — Nossa! O que o Enzo veio fazer aqui em casa tão cedo? — indago, curiosa. — Nós estamos tentando encontrar um jeito de tirar a Marcela da casa daquele noivo abusivo. Ele conseguiu um contato que o ajudará a tirá-la do apartamento do Rafael Tomazo. — Eu fico imaginando aquela garota sendo
Marcela Salazar A fraqueza física já havia tomado conta do meu corpo por inteiro, desligando minhas energias pouco a pouco. Minha alma já não guardava mais nenhuma esperança, e meu corpo fraquejava devido à recusa em comer ou beber qualquer coisa. Quanto mais cedo eu simplesmente desaparecesse deste mundo cruel, melhor seria para acabar com esse tormento. — Até quando você vai insistir nessa birra infantil de se recusar a comer, Marcela? — Rafael inquiriu, ajustando o paletó diante do espelho. Ele estava se arrumando para ir trabalhar e, mais uma vez, tentava usar de suas táticas sádicas de manipulação psicológica. Sua maestria na violência invisível da mente era tão eficaz e destrutiva quanto os golpes físicos que desferia em mim. Para garantir que eu não morresse de inanição por vontade própria, ele havia ordenado que Tereza me aplicasse soro intravenoso nos dias anteriores. Essa crueldade apenas prolongava o meu sofrimento inútil, embora não pudesse impedir o meu destino fi
Enzo Bianchi Eu estava uma verdadeira pilha de nervos, incapaz de focar em qualquer coisa que não fosse a iminência daquela hora marcada para ligar para o número desconhecido. Passei o dia inteiro remoendo a expectativa de que a noite finalmente caísse para que eu pudesse entrar em contato com a pessoa da mensagem. Seja quem for aquele informante anônimo, essa é a minha única e última chance real de arrancar Marcela das garras daquele canalha do Rafael Tomazo. Nas últimas semanas, segui cada passo e movimentação daquele maldito, descobrindo que ele é um homem respeitado publicamente, mas um monstro nos bastidores. — Vai ficar aqui na empresa até tarde ou vai para o seu apartamento? — Lorenzo entra de supetão em minha sala, com a sua pasta de trabalho na mão. Ele está de saída para casa, mas passou por aqui para checar como eu estava aguentando a pressão e saber quais eram os meus planos. — Não quero deixar o papai preocupado com essa nossa tensão. Ele vai para o litoral amanhã
Leonardo Cross Em algum lugar dentro de mim, eu ainda esperava teimosamente que Carmela desse um jeito de me procurar. Alimentava a remota ilusão de receber ao menos uma ligação, uma mensagem me pedindo para ficar ou um pedido de desculpas sincero. Mas não aconteceu absolutamente nada: ela não ligou, não mandou mensagem e sequer deu sinal de vida. Eu já havia fechado a conta do hotel, então terminei de tomar um café rápido e segui direto para o aeroporto de Milão. Vou voltar para o meu mundo, para a minha rotina, e viver a minha vida exatamente como sempre vivi antes dela. Estava bem na entrada do portão de embarque quando comecei a ouvir uma gritaria e passos apressados de pessoas correndo pelo saguão. Provavelmente era só mais algum passageiro atrasado desesperado para não perder o voo, já que eu era literalmente o último da fila. — Acha mesmo que poderia ir embora sem ao menos conversarmos como adultos, seu ogro orgulhoso dos infernos? — ouço aquela voz conhecida e irritada







