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Conhecidos

Author: Sah Flor
last update publish date: 2026-07-19 01:05:55

Chegando eu e Luna ao tal fliperama, um lugar bem bacana por sinal, um pouco antigo, mas era o que tinha.

Adentramos o local e percebi vários olhos nos observando. O ambiente estava bem cheio, acho que a maioria dos jovens da cidade estava ali. Havia garçonetes com patins que passavam por nós para lá e para cá. Eu e Luna fomos até o caixa comprar fichas para usar as máquinas.

— Oi, Bill! - ela o cumprimentou calorosamente, com um sorriso largo, para o senhor bigodudo que ficava no caixa.

— Oi, Luna, o que vai ser hoje?

— Quero fichas para usar as máquinas

- ela respondeu.

— Vou ficar te devendo, filha. As máquinas estão em manutenção.

— Ah, sério?

— Sim, olha ali o Fred com aquela boa vontade dele.

Olhamos mais ao fundo. Um cara ruivo, de macacão jeans, estava encostado em uma das máquinas mexendo no celular.

— Vamos, Fred, vamos! - gritou o senhor do balcão. — Tô perdendo dinheiro por tua causa!

O cara deu de ombros, guardou o celular e se abaixou, mexendo na maleta de ferramentas.

— Ah, que pena. Não vai ser dessa vez - lamentou Luna. — Ah, Bill, já conhece o Josh? Ele é filho da diretora Rebeca.

— Ah, sim, eu lembro. Sinto muito pelo seu pai - disse ele, estendendo a mão para mim.

— Obrigado. Muito prazer, Joshua Campbell, mas pode me chamar de Josh.

— Então, crianças, hoje infelizmente não vou poder ajudar vocês, mas, só porque eu adoro essa garota aqui -disse, apertando o nariz de Luna —, dois milkshakes saindo! Mila!! — berrou do balcão. — O mesmo de sempre pra Luna, e um... - apontou o dedo indicador para mim.

— Pode ser de chocolate — respondi.

— De chocolate pro rapaz aqui.

— Mas eu tenho dinheiro pra pagar, senhor - eu disse.

— Amizade não se compra - respondeu ele, piscando o olho.

— Aceita, bobo - disse Luna.

— Está bem.

— Bill!!! - o cara ruivo gritou de uma das máquinas. — Essa aqui tá pronta!

— A que o povo quase não usa, ele consertou primeiro - resmungou Bill.

— Não sei o que faço com esse rapaz. Se não fosse pela mãe dele, já tinha colocado ele pra correr.

— Que nada, você gosta dele — debochou Luna.

— Pior que eu gosto dessa praga!

— É esse seu coração gigante, né, Bill? Acolhe todo mundo...

Enquanto eles conversavam, retirei o dinheiro do bolso e coloquei no balcão.

— Quero tudo em fichas para aquela máquina - apontei.

— Josh! — Luna arregalou os olhos.

— Viemos pra nos divertir, não viemos? - perguntei. — Então que seja naquela máquina mesmo.

— Máquina de ursinhos?

— Não importa - respondi.

Ela olhou para o senhor no balcão, que deu de ombros.

— Está bem, mas aviso: você vai perder seu dinheiro. - disse ela em tom de deboche.

— Você não me conhece, Luna. Sou um verdadeiro pegador de ursinho! - ela gargalhou, me causando um alvoroço no estômago. Olhei para o senhor no balcão, que devolveu um sorriso debochado, como se tivesse percebido algo.

— Aqui estão as fichas - disse ele, me entregando cerca de trinta fichas.

— Vamos lá - falei.

Coloquei ficha por ficha e, a cada uma, eu perdia. Ficava nervoso com Luna ao meu lado.

— Ué, você não era o “pegador de ursinho” de Nova York?

— Hahaha, engraçadinha!

— Deixa eu tentar uma vez - disse ela.

— Duvido você conseguir. Quero ver.

Duvidei dela e me arrependi. Na primeira tentativa, Luna pegou uma girafa de pelúcia e comemorou.

— Ah, não acredito! - reclamei. — O ruivo deve ter manipulado a máquina pra você, só pode ser isso.

Ela riu.

— Me dá aqui.

— Vai lá, todo seu.

Tentei uma, duas, três vezes e nada. Na penúltima tentativa, consegui pegar um boneco do Minions.

— Yes! Até que enfim, ufa!

— Ainda bem, senão eu ia te zoar pro resto da vida - disse ela.

— Rapaz, você se meteu com a garota errada.

Bill veio em nossa direção com os copos de milkshake nas mãos.

— Como assim?

— Ela não te contou?

— O que eu preciso saber? - perguntei.

— Ela está sempre nessa máquina. Já teve até competição. Uma vez ela saiu daqui com quase cinquenta bonecos desses.

— O quê?

— Sim.

— Por Deus, Luna! E onde você coloca todos esses ursos?

— Ela doa pro orfanato, creches e até para moradores de rua.

— Uau! - eu disse, boquiaberto.

Fiquei perplexo e ainda mais encantado com o que acabei de ouvir de Bill. Quanto mais tempo eu passava perto dela, mais eu a admirava. Em tão pouco tempo, Luna me fez querer, sem perceber, ficar na cidade.

Um sininho na porta avisou que mais pessoas entravam no lugar.

Bill olhou e fechou o semblante. O senhor bondoso e alegre mudou completamente a fisionomia. Luna também. Seu rosto avermelhou e percebi sua inquietação.

— Vamos embora? - disse ela, olhando no relógio. — Já está ficando tarde.

— Mas nem cinco horas são - falei.

— É, mas nossa caminhada é longa, né? - justificou ela.

Bill saiu de perto de nós e foi em direção ao grupo de jovens que acabara de entrar. Deviam ter a nossa idade. Havia três meninas e quatro rapazes. Um deles, um pouco mais musculoso, ergueu a cabeça para Bill. O ruivo e mais dois homens que estavam sentados se levantaram e foram na direção deles. Ficamos de longe, observando.

Logo depois, aquele grupo saiu.

— Vamos embora - pediu Luna novamente.

— Você está bem? - perguntei, notando seu nervosismo.

— Estou sim - respondeu ela.

Nos despedimos de Bill e saímos.

Ao chegar na entrada do estabelecimento, aquele grupo ainda estava ali. Olhei para eles, que estavam de costas, mas Luna permanecia cabisbaixa, segurando firme os bonecos de pelúcia. Eu sabia que havia algo errado e que eu iria descobrir o que era.

Virando a saída, seguindo para casa, escutei uma voz desconhecida me chamar

— Josh?

Me virei. Uma das garotas do grupo gritava meu nome.

— Josh, é você mesmo?

Eles se aproximaram de nós.

— Sou eu. Geórgia, lembra? — insistiu a loira de olhos azuis.

— Me desculpe, mas não lembro quem é você - falei.

— Poxa vida, Josh! Nós todos brincávamos no jardim de infância, nas vezes em que você vinha visitar sua mãe.

Vagamente, aquele grupo me pareceu familiar.

— Lembra de mim? - O mesmo cara que pouco antes enfrentava Bill se aproximou e me abraçou. Todos ali me cumprimentavam e eu ficava sem ação. Não sabia como agir, não lembrava de quase ninguém.

— Cara, você tem que conhecer o clube - disse um deles.

— Vamos, Josh, vamos lá. Você vai adorar. E o melhor... a entrada é de graça. Meu pai é o dono - disse uma das garotas, com pinta de modelo.

— Não sei, não é uma boa ideia. Eu tenho que ir pra casa, ainda tenho coisas pra fazer hoje.

— Vai, Josh - disse Luna, um pouco distante de nós.

— Como assim “vai, Josh”? - perguntei. — Você está comigo, o convite é estendido a nós dois.

— Claro! - A garota loira se aproximou de Luna e a abraçou deixando Luna desconfortável.

— Não, muito obrigada - respondeu Luna. — Eu tenho um trabalho de geometria pra terminar. Pode ir, eu falo pra sua mãe.

Relutei e insisti, mas Luna colocou todos os empecilhos possíveis para não ir. Ao mesmo tempo, eu queria ir com eles, mas meu coração doía em deixar Luna sozinha.

— Não, eu acho melhor deixar pra outro dia.

— Ah, Josh, por favor! — o grupo insistiu, quase me arrastando dali.

— Okay - eu disse. — Mas não posso ficar muito tempo, certo?

— Certo, senhor certinho. Logo te levaremos de volta pra casa - disse Geórgia.

— Você vai ficar bem? - perguntei a Luna.

— Vou sim, pode ir. Divirta-se.

Me despedi dela e partimos. Luna seguiu na direção oposta, sem olhar para trás. Entramos em uma camionete preta com cabine dupla e seguimos até o clube.

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