LOGINBeth puxou os joelhos para perto do corpo. — Eu ainda tenho medo. — Eu sei. — Não do que pode acontecer esta noite. Igor entendeu. — Do futuro. Ela assentiu. — Do momento em que todos disserem que isso acabou. — Não vai acabar. — Você não sabe. — Não sei o futuro. Ele se aproximou um pouco. — Mas sei o que posso escolher hoje. — E o que você escolhe? — Você. Beth ficou em silêncio. Os olhos começaram a marejar. — Você fala como se fosse simples. — Não é. — Então por que parece? — Porque, quando encontrei você, tudo ficou complicado. Ele sorriu. — Mas escolher você ficou fácil. Beth enxugou uma lágrima. — Você sabe que está acabando com todas as minhas defesas, não sabe? — Talvez. — Isso é perigoso. — Muito. Ela riu. — Você não tem medo? — Tenho. — De quê? — De um dia você perceber que merece alguém melhor. Beth balançou a cabeça. — Não diga isso. — Por quê? — Porque eu não quero alguém melhor. Ela levantou os
A tempestade havia passado durante a madrugada. Mas a manhã seguinte trouxe uma consequência inesperada. Uma consequência que Beth definitivamente não havia planejado. O hotel estava funcionando normalmente, mas algumas áreas da cidade ainda enfrentavam problemas por causa das fortes chuvas. Estradas estavam parcialmente interditadas, alguns bairros estavam sem energia e a previsão indicava que novas pancadas poderiam acontecer durante a noite. Beth tinha uma reunião importante naquela tarde e precisava permanecer no hotel. Igor, por sua vez, insistiu em ficar por perto. Não porque ela não pudesse se cuidar. Mas porque, depois das ameaças, os seis haviam decidido que seria melhor não ficarem sozinhos por enquanto. — Você pode ficar em um dos quartos de hóspedes — disse Beth, enquanto caminhavam pelo corredor. — Posso. — Ótimo. — Mas você vai ficar no seu quarto? — Evidentemente. Igor sorriu. — Então está resolvido. Beth estreitou os olhos. — O que e
Beth continuou — Eu amo você, Igor. Dessa vez, não havia dúvida. Não havia medo suficiente para fazê-la recuar. Não havia contrato. Não havia personagens. Era apenas Beth. E a verdade. Igor segurou o rosto dela com as duas mãos. — Você não sabe há quanto tempo eu queria ouvir isso. Ela sorriu entre lágrimas. — Eu estava com medo de dizer. — Eu também. — Você? Ele riu baixinho. — Muito. — Você nunca parece com medo. — Porque quando estou com você, tento parecer corajoso. Beth riu. — Então você estava fingindo? — Desde o primeiro dia. Ela bateu levemente no ombro dele. — Idiota. Igor aproximou a testa da dela. — Eu amo você. Beth fechou os olhos. — Diga novamente. — Eu amo você. Ela sorriu. — Mais uma vez. Ele riu. — Eu amo você, Beth. Ela abraçou-o. Forte. Como se finalmente pudesse descansar. Igor envolveu-a nos braços. E, durante alguns minutos, ficaram assim. Sem falar. Sem pensar no contrato. Sem pensar
A tempestade começou no fim da tarde. Primeiro vieram algumas nuvens escuras sobre a cidade. Depois, o vento. As árvores começaram a se curvar, as pessoas aceleraram o passo nas ruas e os funcionários do hotel correram para fechar algumas áreas externas. Beth estava em seu escritório, diante da janela, observando o céu transformar-se rapidamente. Havia algo naquela tempestade que combinava perfeitamente com o que ela sentia. Tudo parecia prestes a desabar. Desde a ameaça recebida depois do primeiro beijo, não conseguia pensar em outra coisa. Alguém estava observando seus passos. Alguém sabia sobre o contrato. Alguém sabia sobre Igor. E agora havia uma nova variável que tornava tudo ainda mais complicado. Ela o amava. Beth passou a mão pelo rosto. Ainda parecia estranho dizer aquilo, mesmo em pensamento. Eu amo Igor. As palavras pareciam grandes demais. Perigosas demais. Mas eram verdadeiras. Seu telefone vibrou. Era uma mensagem dele. Igor:
No hotel onde aconteceria a reunião, Igor decidiu acompanhá-la até a sala. Beth tentou protestar. — Igor, é uma reunião profissional. — Eu sei. — Você não pode entrar. — Não vou entrar. Ele apontou para o corredor. — Vou ficar ali. Beth suspirou. — Você é impossível. — Estou melhorando. Ela sorriu. — Está mesmo. A reunião começou. Beth apresentou os planos de expansão. Falou sobre investimentos, turismo, novas unidades e estratégias de crescimento. Estava segura. Profissional. No controle. Igor observava do lado de fora. Foi então que viu o mesmo homem do hotel. Ele estava no fim do corredor. Igor imediatamente se levantou. O desconhecido percebeu. Virou-se. Começou a andar. Igor o seguiu. — Ei! O homem acelerou. Igor correu atrás. Mas, ao chegar à saída, ele havia desaparecido. Igor voltou para a sala. Beth estava terminando a reunião. Assim que o viu, percebeu que alguma coisa tinha acontecido. — Igor? Ele se ap
Depois do almoço, caminharam pela obra. Lisa explicava os detalhes da construção. Daniel prestava atenção. — Você fica linda falando do seu trabalho. Ela parou. — Como assim? — Seus olhos mudam. Lisa sorriu. — Você presta atenção demais em mim. — Eu sei. — Isso é assustador. — Para mim também. Ela aproximou-se. — Por quê? — Porque não consigo parar. Os dois ficaram frente a frente. A tensão cresceu. Daniel levantou a mão, mas parou antes de lhe tocar. — Posso? Lisa assentiu. Ele afastou delicadamente uma mecha de cabelo do rosto dela. O gesto foi simples. Mas carregado de sentimento. Nenhum dos dois avançou. Ainda não. A conversa dos três Naquela noite, Daniel contou tudo aos amigos. — Eu falei para ela. Igor abriu um sorriso enorme. — Finalmente! Max sorriu. — E o que ela disse? Daniel não conseguiu esconder o sorriso. — Que também gosta de mim. Igor levantou-se. — Então temos um problema. Daniel franziu a test







