FAZER LOGINDiário: Eu, João Carlos Thabó Baptista, filho de Ana Clara Ferrão Gregório Baptista e Thabó, chamado carinhosamente na infância de bebê copo de leite, atendo ao pedido de meu querido e amado pai, Thabó: Assim é com imenso prazer que eu escrevo palavras tristes ditadas por meu pai com o objetivo de finalizar o diário de minha querida e brava mãe, a sinhazinha Ana Clara.
Já fazem vinte anos que numa fuga em busca de liberdade e dignidade que aconteceu o ‘pior’ mas foi a partir desse ‘pior’ que hoje eu João Carlos Thabó Baptista sou um homem livre, sei ler e escrever e agora vou anotar as tristes e dolorosas palavras de meu pai Thabó.
Meu pai relembra a fuga, conta que tinha tudo para ter dado certo, ele, minha mãe e minha avó Sabina combinaram tudo, e assim naquela madrugada vó Sabina fingiu ir até a lavoura de mandioca e foi para a cabana de pau-a-pique, chegando lá meu pai Thabó, minha mãe Ana Clara e eu ainda bebê embarcamos na carroça. Meu pai Thabó e minha mãe Ana Clara, sentada no banco da carroça, sendo meu pai o condutor dos cavalos e minha avó Sabina sentada escondida no assoalho, entre as ‘fronhas’ com roupas, segurando o cestinho de taboca comigo dentro. Eu paro de anotar e olho para o rosto melancólico, envelhecido e tomado por tristeza, mas ele insiste que devo continuar a escrever. E assim pai Thabó conta que ele pediu licença para os espíritos habitantes da velha fazenda assombrada para cortar o caminho lá por dentro, usando a estrada central de saída da referida fazenda e assim na madrugada embrenharam se pelo o maio das ruinas dos casarões, Senzalas, currais e chiqueiros até saírem na velha e não trafegada estrada. Tinha tudo para dar certo. Depois de enfrentar ventos frios, ver vultos, ouvirem risadas, cantiga de ninar, assovios das almas, uivos dos animais selvagens entraram na estrada entre as matas em que as arvores se encontravam por cima, proibindo os raios da lua de adentrar e clarear o caminho para a carroça e os cavalos passarem com facilidade.
Pai Thabó conta que minha mãezinha estava a segurar o seu rosário junto aos lábios rezando para que os bichos selvagens que uivavam na mata não nos atacassem.
Minha avó Sabina abraçada ao cestinho de taboca clamava a proteção de Virgem Maria.
O plano era de chegar à estação e esconder como passageiros clandestinos num vagão da locomotiva antes do sol nascer e assim tomar o rumo da grande casa de Tereza Santina em busca de proteção.
Meu pai Thabó para um pouco e depois continua:
-Os cavalos eram bons demais. Construí rodas novas de madeira de qualidade para a carroça. O desejo de liberdade, de ser feliz sem a morte perseguindo todos os dias fazia nossos corações baterem mais forte e até sentir uma leve esperança de que viveríamos felizes para sempre longe do coronel Antero e de ‘Um olho só’. Sua mãe, com o rosto alvo como algodão, olhava a todo o momento para os lados, para trás e depois para você e a sua avó no assoalho da carroça que corria na mais alta velocidade.
Meu pai para de falar, abaixa a cabeça e suas lágrimas pingaram de seus olhos. Eu sugeri de pararmos com as tristes lembranças, mas ele secou os olhos e disse que era para eu terminar o diário de minha mãe.
Eu estou me fazendo de forte, para anotar as palavras de meu pai a quem eu tenho muito respeito e amor, ele lutou muito para salvar a minha vida.
Depois que percorreram a estrada abandonada, entraram num caminho pouco conhecido, onde era usado para a fuga de escravos, a tal estrada levava a uma outra a qual o destino era um Quilombo. Meu pai disse que era uma longa estrada. Pai Thabó conta que nessa estrada vó Sabina me cobriu com uma manta, pois o cheiro da onça pintada estava muito forte. Ela poderia estar as ‘espreita’ na copa de uma arvore aguardando o seu café da manhã.
E quando eles percorreram essa estrada, pai Thabó conta que falou para a minha mãezinha e para a minha avó que entrariam numa longa estrada e aí era só mais essa, assim entrariam numa ‘restinga’ ou matinha próxima à estação, soltariam os cavalos, esconderiam a carroça ou a jogariam no rio e já daria para sentir o cheiro bom de liberdade.
Pai Thabó para e novamente abaixa a cabeça, seca as suas lágrimas e com a voz rouca de tristeza continua a ditar a mais brutal, a mais pura crueldade e desumanidade que dois humanos poderiam cometer contra outros seres humanos.
Ele disse que minha mãe caiu no choro o abraçou e disse:
-Thabó eu ouvi latidos de cachorros. Corre! Os latidos estão vindo lá de dentro da mata. São os cachorros de caça de ‘Um olho só’. Não deixe que peguem o nosso bebê. Eles vão matar o nosso bebê sem dó e nem piedade.
Meu pai conta que tranquilizou minha mãe e minha avó com palavras que saíram só de sua boca, pois ele também ouviu os latidos dos cachorros.
Ele instigou os cavalos a correrem, mas quando olharam para trás, lá estavam coronel Antero Ferrão, ‘Um olho só’ e uma dezena de cães de caça, treinados para pular nos escravos e morderem até a morte.
Os cavalos atrelados na carroça estavam no máximo de velocidade que poderiam, e os cavalos galopando cada vez mais rápido com os ‘demônios’ montados, coronel Antero e ‘Um olho só’ estavam quase voando atrás deles, ainda de uma vantajosa distância. Pai Thabó conta que eles não sabiam até quando, pois os ‘demônios’ não desistiam da captura. Meu pai Thabó relata que minha mãe chorou muito de soluçar, olhou para o meu rosto de inocente, calou e disse:
-Mãe Sabina cuida dos dois. Meu amor, meu único amor... Corre, foge, salva o nosso bebê copo de leite. Não olhe para trás. Não pare! Segue com o nosso plano. O endereço de tia Tereza Santina está no fundo do cestinho do bebê.
-Não faça nada, Ana Clara. Vamos embrenhar na mata e despistá-los. Nós vamos conseguir. Por favor, Ana Clara.
-Thabó meu amor, se eu conseguir salvá-los e eu sobreviver, vocês pedem para tia Tereza Santina vir me buscar. É a nossa única chance. Eu quero salvar as pessoas que eu mais amo e vou amar eternamente. Promete que vai correr. Corre! Corre! Não olha para trás.
-Ana Clara, o que você vai fazer? Minha filha, esse ‘demônios’ vão te machucar. Sabina.
Pai Thabó conta que mesmo sem saber o que minha mãe tinha em mente ele prometeu que faria o impossível para me salvar. Ele olhou e lá estava a galope, atrás da carroça, coronel Antero que eu evito a chamar de avô, ‘Um olho só’ que gritava para que os cachorros corressem e atacassem-nos e numa ultima olhada nessa pavorosa perseguição meu pai viu que eles estavam com armas em ‘punho’.
Meu querido pai disse que minha avó Sabina me abraçou, chorava e rezava ao mesmo tempo.
Ele tocava os cavalos, a carroça estava para capotar na descida, a ‘restinga’ de mata próximo da estação de locomotivas já não estava tão longe, mas a morte também estava veloz atrás deles.
Foi então que o som dos latidos dos cachorros de caça e os disparos das armas se misturaram. O meu pai agora chora de soluçar, para de chorar e continua a ditar o que eu chamo de ‘palavras de sangue’.
Ele conta que minha mãe olhou o meu rosto, deu um abraço nele o qual ele nem pode corresponder, controlando os cavalos para não esbarrarem nos barrancos, por estarem assustados com os tiros e os latidos dos cachorros que estavam cada vez mais próximos. E foi então que minha mãezinha saltou da carroça, gritou ‘corre’ que chegou a ecoar nas matas e foi de encontro dos tiros e dos cachorros.
Pai Thabó e vó Sabina gritaram juntos:
-Não!
Mas ela foi correndo para o meio dos cães enfurecidos que pularam todos nela, derrubando-a no chão enquanto coronel Antero e ‘Um olho só’ atiravam nela. Eles estavam tão tomados por ódio que tanto alvejaram os cachorros como alvejaram ela. Meu pai disse que ele ‘paralisou’ em cima da carroça, ouvindo o choro de vó Sabina. Ele ainda deu uma ultima olhada e lá em volta da ‘chacina’ de cães e de sua filha estava a pé o todo poderoso coronel Antero Ferrão. E ‘Um olho só’ não havia desistido, estava correndo a galope atrás da carroça atirando, mas meu pai só lembrava que havia prometido para a minha mãezinha que me salvaria. Foi então que num pedido de minha avó Sabina a Virgem Maria por salvação, que o cavalo de ‘Um olho só’ levantou as patas para cima e ele caiu de costas e não levantou. Pai Thabó disse que com tanta tristeza no coração e com a certeza que minha mãezinha, o seu grande amor não tinha mais vida, ele notou os dois cavalos, o de coronel Antero e o de ‘Um olho só’ correndo um de cada lado da carroça, como se estivessem guiando-o.
Meu pai Thabó disse que os cavalos os conduziram até próximo da estação, ele saltou os que estavam atrelados à carroça, pegou algumas roupas e ele e vó Sabina entraram escondidos em um vagão com algumas sacas de café. Logo a locomotiva partiu. Eles iriam viajar até os seus destinos, a casa da abolicionista Tereza Santina. No vagão em movimento ele e vó Sabina choraram até desfalecerem. Acordaram já na outra estação, onde desceram, pegaram o endereço de Tereza Santina no fundo do cestinho do bebê copo de leite e foram a pé, perguntando aqui, ali, tomando informações sobre o endereço.
Chegando ao casarão de Tereza Santina, contaram o que havia acontecido, ela chorou a morte de sua bela sobrinha Ana Clara, mas os acolheram.
Meu pai disse que ficou a trabalhar para dona Tereza Santina, não como scravo, como serviçal, vó Sabina também trabalhou para Tereza Santina até os seus últimos dias. Pai Thabó conta que nunca mais se apaixonou, não se casou e que até hoje se lembra do rosto de anjo de minha mãe que com a sua coragem salvou as nossas vidas.
E graças a sua bravura, hoje eu sou um rapaz livre e terminando meus estudos. Vou ser advogado.
Passado algum tempo um fazendeiro, plantador de café que morava próximo ao Engenho, contou para tia Tereza Santina que o coronel Antero não enterrou a sua filha, Ana Clara Ferrão Gregório Baptista, os escravos recolheram o seu corpo e a enterrou frente à cabana de pau-a-pique, o corpo de ‘Um olho só’ eles jogaram num rio cheio de ‘peixe Piranha’ famintos.
O fazendeiro contou que coronel Antero contava para todos que a sua filha foi a maior culpada de sua morte, ela foi castigada por ter ficado de sem vergonhice com um escravo a ponto de ter um filho, um escravo branco.
Ele não teve uma vida longa, invocou a criar um gado ‘curraleiro’ com chifres bem longos e ao se descuidar, um boi curraleiro enfiou os seus chifres em suas costas passando um dos chifres bem dentro de seu coração. Por insistência de minha tia Tereza Santina eu me tornei herdeiro do Engenho.
Ela alforriou todos os escravos e os encaminhou para o povoado, onde são todos livres e o que produzem são deles.
Velha preta parteira e Velho preto curandeiro preferiram ficar e cuidar do Engenho, mas não como escravos e sim como serviçais remunerados. Para eles eu ainda sou o “bebê copo de leite”.
Catarina Diniz Sá: Não tenho mais forças para chorar ao finalizar a leitura do diário de Ana Clara. Ao virar a página eu vi que as letras são também bonitas, mas notei a diferença. É muito triste que João Carlos Thabó Baptista a pedido de seu pai Thabó finalizou o diário de sua corajosa mãe, Ana Clara.
Saliento que Thabó e o filho João Carlos Thabó Baptista também jaz na cabana de pau-a-pique que só resta as ruinas. O s fazendeiros aqui, dos arredores do Engenho contam que eles em espíritos habitam a fazenda abandonada junto com outros espíritos.
A Tereza Santina também não vive mais, mas deixou um grande legado. Ela e outros libertaram muitos escravos e ela defendeu a abolição até o seu ultimo suspiro. Coronel Antero foi enterrado pelo os escravos, sem muita cerimônia, abaixo do chiqueiro dos porcos.
E agora, eu finalizo, pois, não posso deixar que o navio ‘ganhe’ o mar sem que um amigo em comum, meu e de João Carlos Thabó Baptista NETO, leve até ele na Europa o diário de sua avó Ana Clara Ferrão Gregório Baptista que foi esquecido por ele aqui no Engenho, que atualmente é de propriedade de meu pai Diniz Sá Mendes.
THE END
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Aquele Homem em Dubai- Buenovela
BIOGRAFIA
CARMEM APARECIDA GOMES-ESCRITORA e POETISA
Ipameri-Goiás-Brasil
Formada em Pedagogia, Bacharel em Direito, Especialista em Ensino superior e Mestre.
Obras publicadas e comercializadas no Brasil e Exterior: A menina e o tesouro, A preguiça do cumpade Zé Cochoxi, O colecionador de tatuagens, Os sonhos mágicos de Eloan, *Amo eternamente uma única vez um belo romance erótico e Entre o sacro e o profano, primeiro livro poético solo, segunda obra poética: Pecado e inocência-Chiadobookspt, terceira obra poética: Luxúria insensata:Chiadobookspt, *Dois amores e uma eternidade, mais um romance hot-site Buenovela, *Aquele homem em Dubai-Buenovela/Romance e A Caverna das rosa- mistério na Buenovela, Os três elementos amor, paixão e mistério-Chiadobookspt, As mentiras do João ‘Pa’ Nela- Chiadobookspt,Eu, andarilho-Chiadobookspt. Participações em Obras Antológicas no Brasil e Exterior.
Diário: Eu, João Carlos Thabó Baptista, filho de Ana Clara Ferrão Gregório Baptista e Thabó, chamado carinhosamente na infância de bebê copo de leite, atendo ao pedido de meu querido e amado pai, Thabó: Assim é com imenso prazer que eu escrevo palavras tristes ditadas por meu pai com o objetivo de finalizar o diário de minha querida e brava mãe, a sinhazinha Ana Clara. Já fazem vinte anos que numa fuga em busca de liberdade e dignidade que aconteceu o ‘pior’ mas foi a partir desse ‘pior’ que hoje eu João Carlos Thabó Baptista sou um homem livre, sei ler e escrever e agora vou anotar as tristes e dolorosas palavras de meu pai Thabó. Meu pai relembra a fuga, conta que tinha tudo para ter dado certo, ele, minha mãe e minha avó Sabina combinaram tudo, e assim naquela madrugada vó Sabina fingiu ir até a lavoura de mandioca e foi para a cabana de pau-a-pique, chegando lá meu pai Thabó, minha mãe Ana Clara e eu ainda bebê embarcamos na carroça. Meu pai Thabó
Diário: Não que eu deseje o mal para o meu pai, o poderoso coronel Antero Ferrão, mas eu e Thabó vivemos de ‘catar’ as migalhas de tempo e oportunidade para ficarmos juntos e dar carinho e amor para o nosso bebê. Coronel Antero Ferrão está com muita febre, ‘Um olho só’ já buscou médico na cidade que receitou medicamentos, chás e muito repouso. E é claro que eu e Thabó aproveitamos para irmos para a nossa cabana de pau-a-pique com o nosso bebê. ‘Um olho só’ aproveita e bebe cachaça em exagero e dorme cedo. Thabó me aguardou abaixo do chiqueiro dos porcos já com o nosso bebê no cestinho de taboca. Ele está saudável e cada vez mais lindo. E esta crescendo, já movimenta as mãozinhas e com os pezinhos, sorri e balbucia. Thabó tem muita cautela e amor pelo o nosso filho. Nós contamos com os raios da lua para clarear o caminho em que passamos e com a sorte e a proteção da Virgem Maria para que não sejamos atacados por bichos selvagens, já que passamos próxim
Diário: Até agora o nosso plano está dando certo, mas já pensamos num segundo plano. O bebê copo de leite está forte e bem de saúde. Ele fica no jacazinho de taboca, na Senzala, escrava Mudinha vai até ele para amamentar no dia e a noite eu fujo com a ajuda de Thabó e vamos para a Senzala onde fico um pouco com Thabó, amamento e dou amor para o nosso bebê. Eu me arrisquei a pedir para coronel Antero para que me deixasse fazer uma visita para tia Tereza Santina o que foi negado aos gritos. Thabó chamou Sabina e pediu para que me desse um recado e ao ouvir esse recado era para eu tomar muito cuidado em relação ao meu estado físico e ao bebê copo de leite. Thabó contou para Sabina que ‘Um olho só’ descobriu o bebê copo de leite na Senzala e foi falar para coronel Antero Ferrão, ele disse: -Coronel Antero, a nega Mudinha deu a luz a um menino branco. O que eu faço com ele? É branco que doí as vistas. ‘Um olho só’. -Ora, ora,
Diário: A vida me reservou mais uma surpresa. Não só para mim, mas para Thabó também. Ah, se tudo fosse diferente, a felicidade seria transbordante, mas o que está para se revelar é mais um motivo para estratégia de sobrevivência, ou melhor, de salvação. Fui de manhã até a cozinha e estava comendo manga verde com sal, que Thabó colheu para mim. Sabina se virou do fogão a lenha, fez uma cara de espanto e comentou: -Ana Clara, minha filha, tem muito tempo que eu desconfio, mas não falo nada, mas você e o Thabó não andam brincando por ‘ai’ como duas crianças, as brincadeiras dos dois agora são outras. Né? Eu parei de comer manga com sal e respondi baixinho: -Nós temos um lugar só nosso. É nosso segredo. Sabina veio até próximo, botou a mão na minha barriga e disse: -E essa barriga? Como vai fazer para esconder esse segredo? Essa barriga diz que você e Thabó podem cavar onde vocês serão sepultados. Sa
Diário: Querido diário, eu preciso desabafar o pavor que eu senti quando desci do meu quarto e lá na sala do casarão estava meu pai o coronel Antero e um homem, alto, com um chapéu caro e usando um terno de linho caro num tom de azul marinho, idade trinta anos. Assim, que eu o vi, sabia que não era algo de bom para mim. Eu mal botei o pé no ultimo degrau da escada, descendo, meu pai já foi logo me apresentando com um largo sorriso nos lábios, o que é muito raro. -Primo Luano, essa aqui é minha pedra preciosa, Ana Clara, está na hora de casar e eu tenho certeza que vai te dar uns quatro filhos como é de seu desejo. Cumprimente seu noivo, Ana Clara. Coronel Antero. -Boa noite, Ana Clara. Eu sou Luano, acabei de chegar da Europa, onde me formei em advogado. Meus pais têm fazendas na Bahia e Goiás, estava indo para Goiás e resolvi passar aqui para lhe conhecer e fazer a ‘corte’. Antero enviou uma carta para meus pais falando do encanto de filha que
Diário: Aqui no Engenho, os dias e as noites continuaram os mesmos, o dia cheio de negros cuidando, trabalhando no Engenho ou levando chibatadas no tronco, de modo que a ‘liberdade’ até parece se esconder na mata com medo do coronel Antero e de ‘Um olho só’, as noites com a sua sensualidade, contando com a beleza da lua e das estrelas no céu, o coaxar dos sapos no rio, a cantiga dos pássaros e grilos em coro unido e vindo ao barulho do vento. Algumas dessas noites o som dos tambores na Senzala se faz especial. Se coronel Antero e ‘Um olho só’ já estão recolhidos em seus aposentos eu e Sabina, vamos até a Senzala apreciar a dança dos escravos e o batuque dos escravos. Assim eu e Thabó ficamos alguns minutos juntos. Temos que tomar cuidado, pois vivemos sob fortes ameaças até de: -Se eu te pego com esse negro Thabó, não sei do que eu sou capaz. Até de te matar! Ouviu Ana Clara? Coronel Antero Ferrão. Numa noite Thabó foi até a minha janela e me a