INICIAR SESIÓNAté que, um dia, Clara entendeu tudo errado. Achou que três garotos estavam me maltratando, ficou na minha frente e disse que iria me proteger.Meu coração perdeu o compasso outra vez.A partir daquele momento, a ordem gravada dentro de mim desmoronou por completo.Eu não queria mais que ela morresse.Mais tarde, quando Clara bebeu demais, me beijou e ainda tentou me obrigar a transar com ela, matar Clara também não passou pela minha cabeça.Tudo que eu conseguia pensar era se ela poderia me beijar mais uma vez.Foi naquele instante que percebi que tinha me apaixonado.Coloquei a terceira chave no pescoço dela.Dessa vez, eu só queria que ela abrisse a caixa e encontrasse minha carta de amor.Queria dizer que aceitava ser seu namorado.Mesmo que ela realmente pretendesse me matar, eu ainda queria manter ela ao meu lado.Mas, depois daquele dia, ela começou a evitar minha presença.Pela primeira vez, descobri o que era sentir insegurança e medo de perder alguém.Uma semana depois, não
Extra: MateusQuando abri os olhos, já estava naquela escola.Só me lembrava de uma coisa: precisava matar todos os “forasteiros”.Esse era o único pensamento em minha mente.Durante o dia, todos na escola pareciam pessoas comuns. À noite, porém, virávamos criaturas.Minha vida era sempre entediante e monótona. Apenas a chegada de algum grupo de forasteiros trazia um pouco de novidade para aquele lugar.Ouvi muitos deles dizerem que queriam vencer o jogo e ganhar o prêmio. Para isso, precisavam matar o grande chefão.Aquilo não despertava minha raiva. Pelo contrário, eu achava divertido.Afinal, eu era o grande chefão que todos queriam matar.Mas, conforme mais e mais forasteiros apareciam, a novidade também perdeu a graça.Minha vida voltou a ser parada como água estagnada.Até que, um dia, conheci uma forasteira diferente.Ela veio falar comigo por iniciativa própria e ainda foi até a sala do diretor exigir uma vaga na escola.Desde o primeiro momento, percebi que ela não era igua
A equipe continuou:— Ao contrário do que acontece nos outros jogos de terror, nesta versão, quando um jogador é morto por um NPC, isso conta como conclusão da fase. Depois que o jogador que assume o papel de chefão entra no jogo, ele perde todas as outras memórias e só mantém uma ordem na cabeça: matar todos os participantes.— O prêmio final é de dez milhões de dólares. Antes de entrar no mundo do jogo, o chefão estabeleceu uma condição: caso beijasse algum jogador por vontade própria, essa pessoa receberia o prêmio. Além disso, quem conseguisse levar as três chaves para fora do jogo também ganharia trezentos mil dólares.Também descobri que o sistema responsável por trazer minha alma de volta era apenas um estagiário.Ele não conhecia a mecânica oculta daquele jogo de terror e também não sabia que morrer pelas mãos de um NPC significava, na verdade, concluir a fase.Por isso, acreditou que, caso Mateus matasse meu corpo dentro do jogo, eu morreria de verdade.A equipe anunciou:— Pa
Falei com o sistema:— Será que a gente entendeu tudo errado? Parece que ele não queria que eu morresse.[Também estou começando a achar isso.]— Então por que ele entregou as três chaves para mim?[Não faço ideia.]Foi nesse momento que os dedos de Mateus tocaram meus lábios com delicadeza.No instante seguinte, ele abaixou o rosto e me beijou.Fiquei olhando para aquela cena, sem conseguir acreditar.Mateus tinha me beijado...Depois, acomodou meu corpo e cobriu com o cobertor.— Espera por mim. Eu vou vingar você.Então saiu do quarto.Corri atrás dele.Mateus seguiu direto para a sala do diretor.Júlia estava amarrada ali, com o cabelo desgrenhado e em um estado deplorável.Ela murmurava sem parar:— Como isso é possível? Por que não tem joia nenhuma? Só tem um pedaço de papel?O diretor estava ao lado dela, com um par de asas negras nas costas.Metade do rosto permanecia intacta. A outra não passava de carne dilacerada e sangue.Com a caixa aberta nas mãos, ele entregou tudo a Mat
De repente, lembrei do dia em que consegui a segunda chave. Júlia tinha me ameaçado, com o rosto tomado de raiva.Na manhã seguinte, acordei com uma dor no pescoço.Devia ter sido naquele momento que ela implantou o parasita venenoso em mim.Bastava alguém conseguir uma chave para Júlia recorrer a esse tipo de golpe baixo e tomar a chave da pessoa.Perguntei, nervosa:— E o que eu faço agora?[Ainda estou recarregando. Só vou ter energia suficiente para tirar sua alma daqui dentro de cinco minutos. Até lá, não posso fazer nada. Você vai precisar esperar.]Sem conseguir mover um músculo, só pude assistir enquanto Júlia e Elora reviravam meu quarto.Dois minutos depois, elas encontraram as três chaves escondidas debaixo da cama.Eu queria avisar que aquelas chaves não serviam para nada, mas o sistema alertou que eu não podia revelar informações sobre o jogo. Caso contrário, receberia uma punição.Júlia segurou as três chaves e abriu um sorriso satisfeito.— Eu sabia. Você queria ficar
Na hora do almoço, evitei Mateus de propósito. Não tive coragem de continuar rondando ele como antes.Uma semana depois, assim que entrei na sala, Mateus bloqueou meu caminho.Ele franziu a testa enquanto examinava meu rosto, como se tivesse percebido que alguma coisa estava errada.— Você não tem almoçado comigo ultimamente. Está estranha.Será que ele tinha notado alguma coisa?Estava tentando testar minha reação?Inventei a primeira desculpa que passou pela minha cabeça:— Estou tentando emagrecer, então não quero almoçar.A testa dele franziu ainda mais.— Você não precisa emagrecer. Ficar sem comer faz mal.Depois disso, Mateus virou as costas e foi embora.Só apareceu de novo quando a aula estava prestes a começar. Nas mãos, carregava uma sacola grande, cheia de lanches, pães e leite, que colocou sobre minha carteira.— Come. Não fica passando fome.Olhei para toda aquela comida, surpresa.Antes, era sempre eu quem levava lanches para ele. Dessa vez, Mateus tinha tomado a inic







