LOGINA dor veio imediata e física, como se alguém tivesse enfiado a mão no peito dela, agarrado o laço do destino, puxando-o com força até que se arrebentasse.
Sloan gritou e suas pernas cederam, fazendo-a cair de joelhos no carpete, enquanto suas lágrimas escorriam quentes e sem controle, manchando sua maquiagem.
Sua loba interior, Star, uivou de agonia e seu corpo inteiro tremeu, convulsivo, enquanto o vínculo se rompia, se despedaçando dentro dela.
Era como perder um pedaço de sua própria alma violentamente.
Dante se abaixou na frente dela, ignorando os gritos, os murmúrios, o rosto pálido de Zackary na primeira fileira, e segurou o queixo de Sloan com força, sem nenhum vestígio de desejo e obrigou-a a olhar para ele.
Sua voz saiu baixa, cortante, e só para ela.
— Agora você não é minha companheira.
Ele apertou um pouco mais o queixo dela.
— Você é minha propriedade, porque eu assinei o maldito contrato com o seu pai. E ele não pode fazer mais nada.
O hálito quente dele tocou a boca de Sloan, o fantasma do laço morto ainda latejando entre os dois.
— Então agora, Sloan Emberglow… você vai fazer tudo o que eu quiser. Quando eu quiser. Como eu quiser. Vai ajoelhar. Vai abrir as pernas. Vai engolir o orgulho e o ódio. Porque eu vou usar todos os meios que eu quiser, até você se odiar por ter participado desta piada de mal gosto.
Ele a soltou e Sloan ficou ali no chão, ofegante, com o corpo ainda tremendo pela rejeição brutal.
Suas lágrimas não paravam e o seu peito doía de um jeito que ela não sabia se ia sobreviver.
Dante se levantou e olhou para Zackary, e o sorriso que nasceu no rosto dele foi lento, cruel e cheio de promessas.
— Como prometido, o contrato está assinado, Alfa Emberglow. Agora sua filha é toda minha. E se você esperava usar meu território cedido a ela, irá esperar sentado, porque em pé cansa.
Zackary estava pálido.
O homem que sempre controlara tudo parecia ter perdido o chão, rendido por Joshua, o Beta de Dante, friamente.
— E eu te garanto, que você e sua filha se arrependeram amargamente de ter atravessado o meu caminho. Pois ela vem comigo e você nunca mais vai vê-la.
Com isso Dante se virou e jogou Sloan sob o ombro como um saco de batatas, antes de se virar ordenando.
- Deixem meu aviso.
O lycan loiro que rendia Zackary faz uma reverência e uiva antes de meter a garra na cara de Zackary, cravando uma fenda profunda em sua face, enquanto todos os seus batem nos guardas os nocauteando antes de seguir seu Alfa.
Horas depois, o som seco da porta batendo atrás deles ecoou como um tiro dentro daquela suíte monumental, na cobertura da alcateia Uivo Eterno.
Dante a j**a sobre a cama, atirando a camisa no chão com um gesto violento.
Sloan cambaleou sob a cama macia, o peso das algemas de prata queimando seus pulsos, travando a força de sua loba, que gemia em desespero em sua mente.
O cheiro dele era uma tortura, exigindo rendição enquanto o ódio fervia em seus olhos.
— Sabe o que é mais patético, Sloan?
Dante disparou, fechando o espaço entre eles como um predador, sua voz baixa e letal reverberando no espaço vazio.
— O grande e intocável Alfa Zackary cria uma serpente e me obriga a engoli-la como prêmio de consolação. Acha mesmo que vou cair nesse seu teatrinho de vítima inocente?
Sloan sentiu o sangue ferver em suas veias, o peito subindo e descendo rapidamente enquanto o orgulho ferido lutava contra o pavor crescente.
— Mas eu não sabia de nada!
Sloan explodiu, apesar do nó na garganta e do tremor evidente.
Ela ergueu o queixo, desafiando-o com os olhos verdes brilhando de revolta.
— Quer que eu desenhe para essa sua cabeça empacada entender? Eu juro por tudo o que há de mais sagrado, meu pai usou nós dois como peões nesse jogo de merda dele! E aquela noite no bar... eu esbarrei com você por acaso. Eu nunca pactuei com os planos dele! Nem fazia a mínima ideia do que ele estava planejando!
— Cala a boca!
Dante rugiu e o som vibrou nas paredes, grave e perigoso, fazendo o estômago de Sloan despencar.
Em um piscar de olhos, a distância entre eles desapareceu e as mãos grandes dele fecharam-se ao redor do pulso e do queixo dela com tanta força que os nós dos dedos branquearam, comprimindo sua mandíbula e punhos a ponto de estalar.
— Você realmente me acha tão imbecil assim?
Ele sibilou, com o rosto colado ao dela, os hálitos misturando-se numa tensão sufocante.
— A sua família é podre até a raiz. Seu pai me drogou, me arrancou do meu território à força, me obrigou a fazer coisas horríveis e ainda me deixou dias sangrando naquele porão fétido, antes de me obrigar a desposá-la!
Os olhos dele parecem queimá-la enquanto ele continua feroz.
- E você tem a audácia de olhar nos meus olhos e dizer que a filhinha querida estava passeando em um bar de motoqueiros por coincidência? Acorde para a realidade, menina! Você faz parte do plano dele desde o início. Ciente ou não. E agora, vai pagar por cada segundo de toda aquela humilhação. Minha e de Felícia.
Dante não esperou que ela respirasse e cego pelo ódio, ele a calou com um beijo brutal, punitivo e totalmente desprovido de sentimentos, esmagando os lábios dela com força suficiente para rasgar a pele e inundar a boca de ambos com o gosto de sangue.
Foi um beijo furioso, que a sufocou e quando ele se afastou minimamente, com o peito arfando, seus olhos destilavam veneno.
— Guarde as suas mentiras para si mesma.
Dante sibilou contra os lábios machucados dela.
— O seu inferno particular acabou de começar. Pois de hoje em diante, não existem privilégios para você. Luna ou não. Você viverá sem criados e sem mordomias.
Ele se aproximou, fazendo-a sentir o hálito quente em seus lábios.
- E se quiser comer alguma coisa, vai ter que trabalhar duro como qualquer um.
Com um tranco violento, ele a soltou e saiu da cama.
Desequilibrada pela fraqueza, Sloan despencou, caindo deitada contra o colchão.
Antes que ela pudesse retrucar, alguém bateu na porta e a abriu.
O mesmo homem loiro que feriu seu pai entrou, mantendo uma postura firme e séria, embora o olhar que lançou à nova Luna fosse cortante.
Para ele, Sloan era a extensão viva do monstro que havia causado graves problemas a sua alcateia.
— Alfa...
Joshua começou, mantendo a voz firme.
— Vim informar que a senhorita Felicia já está segura, sem ferimentos graves, e de volta ao seu quarto.
O alivio cruzou o rosto de Dante, mas quem desabou por dentro foi Sloan.
A mente dela travou, enquanto a loba interna soltava um uivo cortante de agonia.
A ideia de que o homem que a marcara tão intimamente e que a humilhava tão dolorosamente, podia carregar outra mulher no coração, rasgou o peito de Sloan.
O ciúme bateu violento, misturado à humilhação de ser apenas uma esposa indesejada.
— Ótimo. Agora, quero que você esteja ciente de algo, meu velho amigo. Quero que saiba que a nossa nova Luna é prestativa e tem energia sobrando para gastar.
Dante puxou rudemente a corrente das algemas, forçando Sloan a se erguer desajeitadamente, a arrancando da cama e a jogando de joelhos no chão a seu lado.
O orgulho ferido de Sloan gritou mais alto e ela endireitou as costas com dificuldade, tensionando o corpo e recusando-se a abaixar o olhar.
- Ela é uma empregada aqui e trabalhará para comer.
- Sim Alfa.
A voz dela saiu firme.
— Eu não sou empregada de ninguém nesta pocilga, eu sou a sua...
— Você não é a minha Luna e jamais será. Você vai fazer exatamente o que eu mandar, até o fim da sua vida.
Dante interrompeu-a puxando-a contra seu corpo, sussurrando gélido junto ao seu ouvido.
— A menos que prefira testar a minha paciência de outras formas. Escolha, princesinha. Sua dignidade de araque ou a obediência.
Sloan travou o maxilar com força, lágrimas de ódio e humilhação queimavam em seus olhos verdes, implorando para sair, mas ela as conteve.
Olhou para Joshua, que a fitava com desdém, e depois para Dante.
Com as mãos algemadas tremendo, ela ajeitou a barra do vestido, engolindo o próprio orgulho enquanto a dor de engolir tudo aquilo corroía sua alma.
Joshua assistiu à cena com um desprezo silencioso, antes de se retirar com um aceno de cabeça.
Assim que a porta se fechou, Dante não lhe deu um segundo de trégua.
Em um movimento rápido, e bruto, ele agarrou Sloan pelos cabelos vermelhos, puxando-a para trás com tanta força que sua cabeça estalou.
- Ah!
Ela trincou o maxilar para não gritar com a dor.
— Achou que a sua humilhação havia acabado?
Dante sibilou com os olhos escuros brilhando com sadismo.
— Você acha que pode se impor depois de tudo? Ajoelhe-se. Agora.
Não demorou e Rogan já tinha se transformado no imenso dragão prateado.— Leve a Sloan.Ordenou Dante e Sloan sentiu o estômago subir quando foi puxada para as costas do Rei Dragão.— De novo! Eu tô grávida, pelo amor da Deusa! Não podem me tratar como saco de batatas!Ela agarrou nas escamas, com as coxas tremendo e as garras cravadas sem querer machucar.— Calma, senhorita Sloan, sou eu que estou aqui embaixo!Rogan comentou, rindo.— Eu não vou te deixar cair! Não desta vez.— Cuide delas também!Harold pediu, e Rogan recebeu um olhar de Joshua e Vidar, e concordou.— E leve-os, eles não podem se locomover como nós.Em questão de segundos Rhani foi jogada logo atrás de Sloan, e Alayna quase caiu do outro lado, mas Joshua agarrou-a pela cintura a ajeitando sob Rogan.
Logo depois, Rogan desceu carregando Sloan e as duas gatas nas costas, em sua forma dragão prateado.Albion por sua vez usou sua magia para descer com London e o mordomo.Já Stone desceu sozinho, saltando de pedra em pedra com sua longa cauda esmeralda, ao lado de Harold que, calmo, como um imenso gato, descendo com uma facilidade que fez todos ficarem em silêncio, antes de ele pousar leve, como se tivesse apenas dez quilos.Quando todos se reuniram no pé da montanha, com a poeira ainda no ar e os três machos ofegantes, suados, com os joelhos ralados e os ovos erguidos, Harold olhou para o povo e ergueu a mão.— Chega!Ele gritou e o silêncio voltou.— A provação das sete vidas termina aqui!Ele olhou para os três e depois para suas filhas e a voz dele ficou mais grossa, emocionada.— Diante de todos vocês, eu aceito oficialmente o A
Assim que todos se reuniram no quintal, Harold disse com a voz cortando o ar como uma lâmina.— Venham.Em silêncio, todos seguiram o velho Rei Neko pela trilha de pedra que subia até o penhasco em que Alayna e Joshua haviam tido seu almoço no dia anterior.Alayna sentiu o coração martelar contra as costelas quando reconheceu o lugar. Ela achava realmente que ninguém ia lá, mas aparentemente, estava redondamente enganada.“— Por que papai nos trouxe aqui?”O vento batia forte lá em cima e lá embaixo era só o vazio, numa queda que fazia o estômago revirar.Harold parou na beira e se virou para Dante, Vidar e Joshua com três ovos, brancos e frágeis, nas mãos peludas.— Cada um de vocês vai levar um deste.Ele entregou um para cada e os três seguraram confusos.— Para a S&eacut
— O que? Você está bem?Sloan o encarou preocupada, quando outro chute o atingiu, seguido por mais dois ao mesmo tempo, coordenados, como se os quatro tivessem feito uma reunião secreta e decidido que o pai precisava de uma surra de boas-vindas através do vínculo familiar.— Argh!Dante se encolheu, com a mão apertando a barriga com força com Sloan o encarando tentando entender o que estava acontecendo, quando Dante expõe irritado.— Alguém acabou de me acertar na costela! Como isso é possível?!Sloan sentiu o que ele estava sentindo pelo laço de companheiro e logo percebeu do que se tratava.— Acho que você começou a sentir o que eu sinto.— O que?Dante a encarou em choque enquanto ela já estava rindo baixinho, com o corpo tremendo contra o dele.— Eles senti
No jardim, Dante escolheu um lugar florido e jogou a toalha no chão, se sentando.Ela começou a tentar se sentar, mas sua barriga estava cada vez maior a impedindo de achar posições para se abaixar.Vendo-a se atrapalhar para sentar, ele puxou Sloan para seu colo.— Vem cá.Ele mandou fazendo o coração de Sloan acelerar.Ela esticou as pernas inchadas e ele abriu a cesta a seu lado, pegando uma tira de carne suculenta de uma das travessas.— Abre a boca.Ele disse, levando até os lábios dela.— Dante, eu consigo comer sozinha.— Eu sei.Ele deu na boca dela mesmo assim.— Mas eu quero te alimentar.Sloan mordeu e o suco escorreu pelo canto dos lábios.“— Essa é a primeira vez que ele me trata como se eu fosse frágil e preciosa ao mesmo tempo.”Dante limpou
Ele beijou a testa dela primeiro, depois a ponta do nariz e quando os lábios dele finalmente encontraram os dela, Rhani soltou um suspiro trêmulo.O beijo começou lento, exploratório, mas logo se aprofundou. A língua dele deslizou contra a dela e ela sentiu o gosto doce das frutas que ele tinha comido.O laço repuxou e explodiu entre eles, enviando ondas de desejo direto para o baixo ventre deles.Vidar a deitou com cuidado sobre as cobertas e suas mãos desabotoaram o vestido dela devagar, beijando cada pedaço de pele que ia aparecendo.Quando o tecido caiu, ele parou só para admirar aquela pele alva brilhando sob o beijo da lua.— Sss… linda.Ele sibilou, com a voz carregada de adoração.— Tão linda que dói e dá medo.Rhani cobriu o peito instintivamente, mas ele segurou os pulsos de







