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Capitulo 3 – O Início do Inferno

Author: ynnanerak
last update publish date: 2026-09-02 23:06:17

A dor veio imediata e física, como se alguém tivesse enfiado a mão no peito dela, agarrado o laço do destino, puxando-o com força até que se arrebentasse.

Sloan gritou e suas pernas cederam, fazendo-a cair de joelhos no carpete, enquanto suas lágrimas escorriam quentes e sem controle, manchando sua maquiagem.

Sua loba interior, Star, uivou de agonia e seu corpo inteiro tremeu, convulsivo, enquanto o vínculo se rompia, se despedaçando dentro dela.

Era como perder um pedaço de sua própria alma violentamente.

Dante se abaixou na frente dela, ignorando os gritos, os murmúrios, o rosto pálido de Zackary na primeira fileira, e segurou o queixo de Sloan com força, sem nenhum vestígio de desejo e obrigou-a a olhar para ele.

Sua voz saiu baixa, cortante, e só para ela.

— Agora você não é minha companheira.

Ele apertou um pouco mais o queixo dela.

— Você é minha propriedade, porque eu assinei o maldito contrato com o seu pai. E ele não pode fazer mais nada.

O hálito quente dele tocou a boca de Sloan, o fantasma do laço morto ainda latejando entre os dois.

— Então agora, Sloan Emberglow… você vai fazer tudo o que eu quiser. Quando eu quiser. Como eu quiser. Vai ajoelhar. Vai abrir as pernas. Vai engolir o orgulho e o ódio. Porque eu vou usar todos os meios que eu quiser, até você se odiar por ter participado desta piada de mal gosto.

Ele a soltou e Sloan ficou ali no chão, ofegante, com o corpo ainda tremendo pela rejeição brutal.

Suas lágrimas não paravam e o seu peito doía de um jeito que ela não sabia se ia sobreviver.

Dante se levantou e olhou para Zackary, e o sorriso que nasceu no rosto dele foi lento, cruel e cheio de promessas.

— Como prometido, o contrato está assinado, Alfa Emberglow. Agora sua filha é toda minha. E se você esperava usar meu território cedido a ela, irá esperar sentado, porque em pé cansa.

Zackary estava pálido.

O homem que sempre controlara tudo parecia ter perdido o chão, rendido por Joshua, o Beta de Dante, friamente.

— E eu te garanto, que você e sua filha se arrependeram amargamente de ter atravessado o meu caminho. Pois ela vem comigo e você nunca mais vai vê-la.

Com isso Dante se virou e jogou Sloan sob o ombro como um saco de batatas, antes de se virar ordenando.

- Deixem meu aviso.

O lycan loiro que rendia Zackary faz uma reverência e uiva antes de meter a garra na cara de Zackary, cravando uma fenda profunda em sua face, enquanto todos os seus batem nos guardas os nocauteando antes de seguir seu Alfa.

Horas depois, o som seco da porta batendo atrás deles ecoou como um tiro dentro daquela suíte monumental, na cobertura da alcateia Uivo Eterno.

Dante a j**a sobre a cama, atirando a camisa no chão com um gesto violento.

Sloan cambaleou sob a cama macia, o peso das algemas de prata queimando seus pulsos, travando a força de sua loba, que gemia em desespero em sua mente.

O cheiro dele era uma tortura, exigindo rendição enquanto o ódio fervia em seus olhos.

— Sabe o que é mais patético, Sloan?

Dante disparou, fechando o espaço entre eles como um predador, sua voz baixa e letal reverberando no espaço vazio.

— O grande e intocável Alfa Zackary cria uma serpente e me obriga a engoli-la como prêmio de consolação. Acha mesmo que vou cair nesse seu teatrinho de vítima inocente?

Sloan sentiu o sangue ferver em suas veias, o peito subindo e descendo rapidamente enquanto o orgulho ferido lutava contra o pavor crescente.

— Mas eu não sabia de nada!

Sloan explodiu, apesar do nó na garganta e do tremor evidente.

Ela ergueu o queixo, desafiando-o com os olhos verdes brilhando de revolta.

— Quer que eu desenhe para essa sua cabeça empacada entender? Eu juro por tudo o que há de mais sagrado, meu pai usou nós dois como peões nesse jogo de merda dele! E aquela noite no bar... eu esbarrei com você por acaso. Eu nunca pactuei com os planos dele! Nem fazia a mínima ideia do que ele estava planejando!

— Cala a boca!

Dante rugiu e o som vibrou nas paredes, grave e perigoso, fazendo o estômago de Sloan despencar.

Em um piscar de olhos, a distância entre eles desapareceu e as mãos grandes dele fecharam-se ao redor do pulso e do queixo dela com tanta força que os nós dos dedos branquearam, comprimindo sua mandíbula e punhos a ponto de estalar.

— Você realmente me acha tão imbecil assim?

Ele sibilou, com o rosto colado ao dela, os hálitos misturando-se numa tensão sufocante.

— A sua família é podre até a raiz. Seu pai me drogou, me arrancou do meu território à força, me obrigou a fazer coisas horríveis e ainda me deixou dias sangrando naquele porão fétido, antes de me obrigar a desposá-la!

Os olhos dele parecem queimá-la enquanto ele continua feroz.

- E você tem a audácia de olhar nos meus olhos e dizer que a filhinha querida estava passeando em um bar de motoqueiros por coincidência? Acorde para a realidade, menina! Você faz parte do plano dele desde o início. Ciente ou não. E agora, vai pagar por cada segundo de toda aquela humilhação. Minha e de Felícia.

Dante não esperou que ela respirasse e cego pelo ódio, ele a calou com um beijo brutal, punitivo e totalmente desprovido de sentimentos, esmagando os lábios dela com força suficiente para rasgar a pele e inundar a boca de ambos com o gosto de sangue.

Foi um beijo furioso, que a sufocou e quando ele se afastou minimamente, com o peito arfando, seus olhos destilavam veneno.

— Guarde as suas mentiras para si mesma.

Dante sibilou contra os lábios machucados dela.

— O seu inferno particular acabou de começar. Pois de hoje em diante, não existem privilégios para você. Luna ou não. Você viverá sem criados e sem mordomias.

Ele se aproximou, fazendo-a sentir o hálito quente em seus lábios.

- E se quiser comer alguma coisa, vai ter que trabalhar duro como qualquer um.

Com um tranco violento, ele a soltou e saiu da cama.

Desequilibrada pela fraqueza, Sloan despencou, caindo deitada contra o colchão.

Antes que ela pudesse retrucar, alguém bateu na porta e a abriu.

O mesmo homem loiro que feriu seu pai entrou, mantendo uma postura firme e séria, embora o olhar que lançou à nova Luna fosse cortante.

Para ele, Sloan era a extensão viva do monstro que havia causado graves problemas a sua alcateia.

— Alfa...

Joshua começou, mantendo a voz firme.

— Vim informar que a senhorita Felicia já está segura, sem ferimentos graves, e de volta ao seu quarto.

O alivio cruzou o rosto de Dante, mas quem desabou por dentro foi Sloan.

A mente dela travou, enquanto a loba interna soltava um uivo cortante de agonia.

A ideia de que o homem que a marcara tão intimamente e que a humilhava tão dolorosamente, podia carregar outra mulher no coração, rasgou o peito de Sloan.

O ciúme bateu violento, misturado à humilhação de ser apenas uma esposa indesejada.

— Ótimo. Agora, quero que você esteja ciente de algo, meu velho amigo. Quero que saiba que a nossa nova Luna é prestativa e tem energia sobrando para gastar.

Dante puxou rudemente a corrente das algemas, forçando Sloan a se erguer desajeitadamente, a arrancando da cama e a jogando de joelhos no chão a seu lado.

O orgulho ferido de Sloan gritou mais alto e ela endireitou as costas com dificuldade, tensionando o corpo e recusando-se a abaixar o olhar.

- Ela é uma empregada aqui e trabalhará para comer.

- Sim Alfa.

A voz dela saiu firme.

— Eu não sou empregada de ninguém nesta pocilga, eu sou a sua...

— Você não é a minha Luna e jamais será. Você vai fazer exatamente o que eu mandar, até o fim da sua vida.

Dante interrompeu-a puxando-a contra seu corpo, sussurrando gélido junto ao seu ouvido.

— A menos que prefira testar a minha paciência de outras formas. Escolha, princesinha. Sua dignidade de araque ou a obediência.

Sloan travou o maxilar com força, lágrimas de ódio e humilhação queimavam em seus olhos verdes, implorando para sair, mas ela as conteve.

Olhou para Joshua, que a fitava com desdém, e depois para Dante.

Com as mãos algemadas tremendo, ela ajeitou a barra do vestido, engolindo o próprio orgulho enquanto a dor de engolir tudo aquilo corroía sua alma.

Joshua assistiu à cena com um desprezo silencioso, antes de se retirar com um aceno de cabeça.

Assim que a porta se fechou, Dante não lhe deu um segundo de trégua.

Em um movimento rápido, e bruto, ele agarrou Sloan pelos cabelos vermelhos, puxando-a para trás com tanta força que sua cabeça estalou.

- Ah!

Ela trincou o maxilar para não gritar com a dor.

— Achou que a sua humilhação havia acabado?

Dante sibilou com os olhos escuros brilhando com sadismo.

— Você acha que pode se impor depois de tudo? Ajoelhe-se. Agora.

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