Se connecterO silêncio que se seguiu foi pesado demais.
Sloan via tudo de mãos atadas, o conflito no rosto de Dante, a forma como a mandíbula dele travava, como seus ombros tensionavam, e como o laço o puxava na direção dela mesmo enquanto a alma dele gritava contra.
Ela sentia o desejo dele, furioso, indesejado, misturado com um ódio tão profundo que quase a sufocava.
E, por baixo de tudo isso, ainda podia sentir o seu medo.
Um medo real, de perder a mulher que ele amava.
Dante ergueu os olhos para ela.
Por um segundo, só um segundo, Sloan viu algo além da raiva.
Viu a dor de um homem que estava prestes a trair tudo o que era.
Viu o peso de escolher entre a vida de alguém que ele amava e a própria liberdade.
E viu o laço tentando convencê-lo de que ela era o seu destino, enquanto ele visivelmente odiava cada segundo disso.
Então ele falou, com a voz baixa e venenosa.
— Eu aceito.
Sloan sentiu o peito se apertar tão forte, que por um momento, achou que ia desmaiar.
Dante continuou com os olhos presos nela, sem nenhum traço de misericórdia.
— Eu assino o que for. Só soltem a Felícia.
Zackary bateu as mãos, satisfeito como uma criança que acabou de ganhar o brinquedo mais caro da loja.
— Perfeito.
Ele se virou e saiu do salão, deixando os dois sozinhos por alguns segundos preciosos demais.
Sloan se aproximou, com os pés descalços fazendo pouco barulho no chão, enquanto o coração dela batia tão alto que ela tinha certeza de que ele a ouvia.
Guardas a seguraram, assim como a ele.
— Dante…
Ela sussurrou com o coração apertado.
— Eu não quero isso assim. Eu…
— Não fala meu nome.
Ele a interrompeu, com os olhos ainda mais escuros, queimando de uma raiva tão contida que parecia prestes a explodir.
— Você não tem escolha e eu também não.
Ele inclinou a cabeça um pouco, com o olhar descendo até a boca dela, depois subindo de novo, fazendo o laço latejar entre eles, traidor.
Quando falou de novo, sua voz veio baixa, só para ela.
— Mas eu prometo uma coisa, Sloan Emberglow.
Ele sorriu, mas seu sorriso não atingiu seu olhar.
— Você vai descobrir exatamente o que significa ser minha.
Sloan não dormiu, passando a madrugada inteira sentada na beira da cama, com os joelhos colados ao peito.
O laço latejava em seu peito como um segundo coração, irregular, faminto, confuso.
Toda vez que fechava os olhos, via o ódio nos olhos de Dante.
Era como se estivesse assinando a própria sentença de morte e para temperar ainda mais essa dor, por baixo daquele ódio todo, ainda havia o laço entre eles.
A necessidade indesejada que os dois sentiam, corroendo por seus corpos.
Ela se levantou quando o sol ainda nem tinha nascido de verdade, mas logo as empregadas já estavam no quarto, silenciosas, eficientes, preparando seu banho e escolhendo seu vestido e penteado.
Sloan deixou que fizessem tudo, como se fosse uma mera boneca de pano.
Ela não tinha forças para discutir e seu corpo inteiro parecia pesado demais.
O vestido, branco e longo, era simples demais para uma união com um Alfa, mas Zackary tinha insistido em algo “puro”.
O contraste com os cabelos vermelhos dela era quase cruel.
Quando se olhou no espelho, Sloan mal se reconheceu, sua pele estava pálida, seus olhos inchados e sua boca tremia de leve, sem controle.
Ela estava com medo.
Não só do que Dante faria com ela, mas estava com medo de si mesma e de seu pai.
Seu corpo ainda se lembrava da noite no motel, das mãos dele, da voz rouca, da forma como ele a tinha fodido e, ao mesmo tempo, feito-a sentir que existia de verdade pela primeira vez.
E agora ele a odiava, por causa de Felícia, a mulher que ele amava de verdade.
Ela nunca foi importante para ele, foi apenas um caso de uma noite.
Ele nunca sentiu nada por ela.
Sloan apertou os dedos no tecido do vestido até as unhas doerem.
Quando desceu as escadas, o salão de festas da Véu de Prata já estava lotado.
Velas roxas e rosas vermelhas enfeitavam glamourosamente por todo o lugar.
A Alta sociedade lupina estava inteira ali, murmurando, observando, metendo o focinho no drama que era sua vida.
Zackary acreditava que tinha vencido, e estava na primeira fileira com o peito estufado de satisfação.
Sloan parou na entrada do salão e sentiu o olhar de Dante antes mesmo de vê-lo.
Ele já estava no altar improvisado, usando um terno preto simples, com os cabelos presos de qualquer jeito.
Ainda assim, lindo.
Mesmo que seu rosto ainda estivesse marcado pelos hematomas, mas apesar disso, a sua postura ainda era a de quem não se curvava para ninguém.
Quando os olhos dele encontraram os dela, os joelhos dela falharam.
O peito dele subiu e desceu uma vez, controlado.
Depois ele desviou o olhar, como se ela fosse algo nojento demais para ser encarado por muito tempo.
O coração de Sloan disparou, enquanto cada passo até o altar era uma tortura.
Suas pernas tremiam, sua respiração saía curta e ela sentia o cheiro dele cada vez mais perto, enquanto seu corpo respondia mesmo contra sua vontade.
Um calor subiu por seu baixo ventre, causando um tremor em suas mãos, numa necessidade vergonhosa de chegar mais perto.
Quando parou ao lado dele, Dante não a olhou.
Zackary se levantou, sorrindo largo demais.
— Hoje unimos duas alcateias. E selamos um destino que a própria Deusa escolheu.
Ele estendeu um contrato de união.
O documento que dava a Dante, Sloan como sua Luna, onde Dante cedia metade de seu território para Sloan.
— Assine, Alfa Galanus.
Disse Zackary com a voz carregada de vitória, ciente de que manipularia sua filha e pegaria dela esse território cedido.
Dante pegou a caneta sem pressa.
Sloan observou a mão grande dele, a mesma mão que tinha segurado o queixo dela naquela noite e obrigado a olhar para ele enquanto gozava, agora ia assinar como se ela fosse um simples objeto.
Ele assinou, com traço firme e sem hesitação.
No segundo em que a caneta tocou o papel, algo mudou no ar.
Legalmente, ela já era dele, completamente e sem escape.
Zackary sorriu ainda mais e bateu as mãos, satisfeito.
— Perfeito. Agora, o juramento de companheiros perante a Deusa e as matilhas.
Foi então que Dante ergueu o rosto pela primeira vez desde que ela chegou, e a olhou de verdade.
Sloan viu a ira contida, o nojo e o desejo que ele odiava sentir, e viu a forma como o laço o torturava por dentro, exigindo que ele a aceitasse, que a protegesse e que a quisesse, e viu com uma clareza dolorosa, que ele ia recusar tudo isso de forma cruel.
Nesse momento os lobos da alcateia de Dante rendem todos os presentes, principalmente os homens de Zackary, deixando Zackary paralisado.
E durante o caos que se seguiu a voz dele saiu baixa, e ecoou pelo salão inteiro como um corte.
— Eu, Dante Galanus, rejeito você, Sloan Emberglow, como minha companheira e Luna.
Um murmúrio horrorizado atravessou a multidão.
Sloan sentiu o sangue gelar e Dante continuou, com os olhos presos nos dela, sem nenhum traço de misericórdia.
— Perante a Deusa e as alcateias, eu rejeito este laço. Que ele apodreça e que morra aqui, exatamente como a sua insignificância.
Um rosnado brutal e gutural ecoou pelas montanhas, sacudindo as pedras, seguido de perto por um urro dragoniano ensurdecedor.Rogan disparou com passos apressados até a beirada da rocha, seus olhos lilases cravados no caos abaixo.Seus dragões travavam uma batalha feroz e sangrenta contra os lobos de Dante.Garras rasgavam o ar, sangue manchava a terra e o som de ossos estalando preenchia o ambiente.— Droga...Praguejou Rogan entredentes.No mesmo instante, percebeu a movimentação atrás de si e viu Sloan se aproximar da borda para tentar enxergar o que acontecia.Os olhos dela estavam arregalados e em choque, ela simplesmente não esperava mais que Dante cruzasse os territórios e viesse com tudo para salvá-la.Por mais irônico e confuso que fosse admitir, ela havia sendo surpreendentemente bem tratada e respeitada entre os dragões daquela montanha e dese
Antes do amanhecer, Dante esgueirava-se silenciosamente pela montanha, onde a umidade pesada da madrugada grudava em sua pelagem e tornava o ar gélido e cortante.A cada passo calculado sobre as pedras úmidas, o peito de Dante queimava com uma urgência sufocante.Seu coração martelava descompassado, impulsionado pelo medo irracional de chegar tarde demais e pela culpa de ter permitido que Sloan fosse levada.Em sua mente, Nox praticamente espumava de fúria, arranhando as paredes de sua consciência com uivos incessantes e dolorosos, faminto pelo cheiro dela, sedento por vingança e completamente descontrolado com a distância que os separava.Ao avistar a vila dragoniana, fez sinal para seus homens pararem.Ao observar melhor, viu filhotes, fêmeas e idosos espalhados.“- Merda.”Dante forçou-se a conter o próprio fôlego, reprimindo o instint
Dante retornou de mais uma ronda exaustiva, com o corpo coberto de fuligem, terra e o suor pesado de quem passou horas arrastando vigas e ajudando a reerguer os escombros do que sobrou de sua alcateia.“— Você está parecendo um mendigo maltrapilho, Dante! Enquanto você brinca de pedreiro, a nossa loba está lá na montanha com aquele lagarto prateado!”Reclamou Nox pela enésima, uivando de frustração.“— Cala a boca, Nox. Eu estou cuidando da bagunça que aquele ataque deixou, e não vou sair correndo como um louco só porque você não consegue controlar seus instintos.”Rebateu Dante de volta, trancando o maxilar com força enquanto caminhava a passos duros em direção ao seu quarto na mansão principal.“— Instintos? Ela é nossa Luna, seu idiota orgulhoso! E você a deixou ser seque
Sloan ri baixinho, e com um movimento leve e ágil, gira numa dança discreta antes de pegá-lo firmemente pelo quadril e lançá-lo num voo curto para o alto, agachando-se logo em seguida enquanto ele voava.— Oh... Eu fui derrotada pelo mais exímio dos guerreiros.Dramatiza ela, com a mão no peito, fingindo rendição com uma falsa expressão de derrota.Ao redor, alguns dragonianos seguraram o riso, visivelmente encantados ao vê-la brincar com tanta leveza e carinho com o pequeno filhote, esquecendo por um momento o peso dos problemas entre seus povos.E antes que Sloan sequer considere retornar para o lado de Rogan, um coro de risadas infantis ecoa e logo outros filhotes voam em disparada para se juntar à diversão, puxando-a pelo vestido, com a energia contagiante que só crianças possuem.Sloan ergue o olhar e encontra Rogan ali perto, mas o re
Percebendo a tempestade repentina estampada no rosto da loba ruiva e a forma como ela aperta os punhos com força, Rogan recua um passo, suavizando minimamente sua expressão severa.— Aconteceu alguma coisa?Pergunta ele, com a voz grave carregada de curiosidade.Sloan engole em seco, tentando afastar as lembranças dolorosas de Dante antes de decidir se responde ou não.— Não é nada demais... Só estava conversando com a minha loba interior.Responde ela, respirando fundo para controlar a voz trêmula.— Nós, lycans, recebemos o espírito de um lobo entre o nascimento e os dezesseis anos. É por isso que conseguimos nos transformar e usar todos os sentidos de um lobo a nosso favor.Rogan ouve com atenção, enquanto absorve a explicação.— Entendo...Murmura ele, olhando para os olhos verdes, percebendo que a tristeza ainda paira pesada em seu semblante.Silenciosamente, o Rei Dragão percebe que ela precisa de espaço e decide se afastar.— Descanse. Já volto.Diz ele, abrindo suas asas e sai
Rogan solta um bufo suave, levantando-se, saltando da pedra e planando com elegância, voltando à forma humana em um piscar de olhos.— Me acompanhe. Não sou um monstro sem educação como alguns acham. Diz ele, guiando-a por uma passagem lateral que se abre para uma área reservada e isolada.Para espanto de Sloan, o local é um refúgio natural com uma queda d'água cristalina que deságua em uma bacia esculpida pela própria natureza.— Pode usar este espaço. Ali fica o sanitário.Ele aponta para uma área isolada, onde um vaso sanitário de rocha escupida e finalizada com cristal, está.- Ficarei lá fora, caso precise de algo.Avisa ele, dando as costas e se afastando para garantir sua privacidade.Enquanto faz o que precisa e depois aproveita a água fresca para se lavar, Sloan reflete sobre toda aquela loucura.Ela percebe que, embora tenha visto vários dragões durante o ataque que a raptou, Rogan é o único com quem realmente mantém contato.Conversando mentalmente com Star, ela inicia uma







