MasukCapítulo 66 — Quem é esse maldito? HenryAs cinco horas seguintes se arrastaram como se o tempo tivesse sido suspenso em uma câmara de tortura psicológica. Cada minuto que passava no relógio da parede parecia pesar uma tonelada sobre os meus ombros.Eu não conseguia ficar sentado por mais de dez minutos consecutivos. Andava de uma ponta a outra daquele corredor, afrouxando o nó da gravata, sentindo o ar condicionado do hospital gelar o suor frio que grudava na minha camisa sob o paletó.Mason e Oscar haviam chegado pouco depois do meio-dia. O meu motorista e segurança de longa data trazia um semblante abatido, ainda marcado pelo hematoma e pela dor da agressão que sofreu na porta da igreja, mas se recusava terminantemente a voltar para a mansão para descansar. Mason, por sua vez, mantinha a postura pragmática de sempre, organizando relatórios de segurança com a minha equipe no térreo e garantindo que nenhum repórter ou curioso cruzasse as portas da ala privativa.E havia o meu celul
Capítulo 65 — O Peso da Espera HenryO trajeto até o hospital foi uma tortura particular que eu não desejaria nem ao meu pior inimigo.A sirene da ambulância berrava em meus ouvidos, mas tudo parecia abafado diante do som ríspido e mecânico do ambu sendo pressionado pelo socorrista para manter o oxigênio entrando nos pulmões da Katherine. A cada curva fechada que o veículo fazia, eu segurava os dedos gélidos dela com mais força, sentindo a pele pálida da minha mulher perder o calor natural enquanto os monitores apitavam em um ritmo assustadoramente lento.Chegamos à emergência sob gritos de ordem. As portas traseiras foram escancaradas e a maca deslizou para fora com rapidez. Tentei seguir a equipe pelos corredores claros e estéreis, mas, na porta dupla que dava acesso à sala vermelha, dois enfermeiros e um segurança do hospital colocaram as mãos em meu peito, bloqueando a minha passagem de forma intransponível.— O senhor precisa aguardar na recepção! Aqui dentro só a equipe médica
Capítulo 64 — Contas de SangueBruce "Scar"O som da sirene da ambulância rasgando a distância com a minha irmãzinha lá dentro fazia o meu sangue ferver em pura combustão. Meus punhos continuavam cerrados com tanta força que as unhas furavam a palma da minha mão.Dei um passo violento para a frente, tentando avançar pela saída do casebre, mas os seguranças engravatados do Henry Storn mantiveram as armas em punho e os corpos plantados no meu caminho como duas paredes.— Saiam da porra da minha frente antes que eu arranque a cabeça de vocês dois! — rosnei, a voz saindo gutural, os olhos faiscando uma fúria descontrolada.— Chega, Scar! — a voz do engravatado cortou o ar, firme e contida. O homem deu dois passos na minha direção, ajeitando o casaco sob o vento do cais enquanto guardava o celular no bolso. — Você já fez a sua parte. As sirenes da polícia local já estão a caminho e não vão demorar a cercar este perímetro. Por consideração legítima ao fato de você ter salvado a vida da Kath
Capítulo 63 — Território MarcadoHenryOs trinta minutos que se passaram entre o encerramento daquela ligação com Scar e a nossa chegada à zona portuária foram os mais agoniantes de toda a minha vida.No banco traseiro do carro, o silêncio era sufocante. Minhas mãos fechavam-se em punhos com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Do meu lado, Mason gesticulava ao telefone, mas eu nem mesmo conseguia entender o que ele dizia, ou com quem falava. Na frente, o motorista da minha equipe de segurança acelerava pelo trânsito da manhã de domingo, cortando as avenidas desoladas enquanto outro carro nos dava escolta logo atrás.Ela sumiu.Aquela confissão daquele mercenário ecoava na minha cabeça com um peso esmagador. Eu tinha colocado a integridade da Katherine nas mãos de um bandido qualquer em troca de um resgate milionário, e agora a minha mulher estava jogada em algum buraco imundo, levada por um traidor armado.Se aquele cretino tivesse encostado um único dedo impuro na Kath
Capítulo 62 — Vai ser com sangue Bruce "Scar"O motor da picape roncava alto enquanto eu cortava as ruas em direção à zona portuária, acelerando fundo e ignorando qualquer sinal vermelho pelo caminho. O velocímetro marcava mais de cento e quarenta quilômetros por hora, os pneus chiando no asfalto molhado pela névoa fria da manhã de domingo.Ao meu lado no banco do carona, Julian segurava a alça de apoio no teto com uma das mãos, enquanto a outra mantinha a pistola engatilhada e apoiada sobre a coxa. O silêncio dentro da cabine era tenso, denso, cortado apenas pelo som das nossas respirações.Mas o pior de tudo não era a velocidade, nem o risco de bater ou cruzar com uma viatura naquelas avenidas desertas. O pior era o aperto sufocante, inexplicável e dilacerante que esmagava o centro do meu peito. Era um pressentimento sombrio, um aviso instintivo e visceral de que cada segundo que eu perdia naquela estrada aproximava a minha irmãzinha do abismo. A última vez que senti essa mesma qu
Capítulo 61 — Corrida contra a morteBruce “Scar”O ar no corredor do galpão parecia ter sido substituído por chumbo incandescente. Eu continuava cravando o cano da pistola no queixo de Julian, sentindo o tremor da minha própria carne contra o metal da arma. Minha visão estava manchada por um tom escarlate de ódio puro, o tipo de fúria cega que anula qualquer vestígio de humanidade e deixa apenas o instinto predador no comando.A Katherine tinha sumido. A minha irmãzinha estava nas mãos de um covarde qualquer, e a culpa era inteiramente minha por ter baixado a guarda por meras horas.— Scar, me escuta! Abaixa a porra dessa arma agora! — Julian gritou, erguendo as duas palmas abertas, a respiração saindo entrecortada pelo cano pressionado contra sua mandíbula. — Se você me matar aqui, você perde tempo, e tempo é a única coisa que a garota não tem! As câmeras, porra! As câmeras do circuito interno do pátio e dos fundos! Elas gravam vinte e quatro horas por dia no servidor do mezanino!







