เข้าสู่ระบบCapítulo 132 — Cinzas e DesejoMavieA ponta dos meus dedos queimava contra o tecido áspero da jaqueta dele.— Por favor... não vá.A súplica escapou rasgando a minha garganta, despida de qualquer orgulho. Por um instante que pareceu durar uma eternidade, Oscar permaneceu imóvel. As costas largas continuavam tensas, a respiração pesada condensando no ar gelado da madrugada.Ele se virou devagar.A luz prateada dos postes desenhava os traços fortes do seu maxilar cerrado e os olhos escuros que um dia me olharam com devoção pura. Mas não havia calor ali. Apenas uma distância abissal, profissional e glacial.— A senhorita precisa de alguma coisa?A formalidade caiu sobre o meu peito como uma bofetada. Me encolhi involuntariamente, apertando o xale contra o corpo.— Por que você está me tratando assim, Oscar? Como se eu fosse uma estranha?Ele sustentou o olhar sem piscar, a voz seca e cortante.— E como gostaria que eu a tratasse? Como o rapaz ingênuo que cuidava dos cavalos do seu pai e
Capítulo 131 — Sussurros na MadrugadaMavieEnterrei o rosto no peito do Henry, deixando o choro que prendi por anos finalmente rasgar a minha garganta.Ele não se afastou. Passou os braços fortes ao redor dos meus ombros, me acolhendo com aquela mesma proteção sólida com que me defendia quando éramos dois herdeiros solitários nos colégios internos da Inglaterra. O homem mais temido do mercado financeiro, ali era apenas o meu irmão do coração, oferecendo o próprio ombro para que eu desmoronasse sem julgamentos.— Você pode, deve e vai ser feliz, Mavie — a voz dele soou baixa e firme contra o topo da minha cabeça, carregada de uma convicção inegociável.Ergui a cabeça devagar, fungando enquanto tentava limpar as lágrimas com as costas das mãos.— Como, Hen? Olha para a minha vida... Eu sou uma prisioneira do passado.Henry segurou os meus ombros, me obrigando a sustentar o olhar cinzento dele.— Você só é prisioneira se quiser, Mavie. Você tem sua própria empresa, fez seu nome no merc
Capítulo 130 — O Peso das EscolhasMavie— Gente simples sabe exatamente qual é o seu lugar, e deve sempre ficar com os seus iguais.O sussurro rasteiro da Agatha ainda vibrava contra a minha orelha quando o choque inicial se transformou em uma cólera fria, afiada e cortante como aço polido.Virei o pescoço devagar, dando meio passo para o lado para romper a proximidade asquerosa da governanta. Ajustei a postura, erguendo o queixo com a altivez aristocrática que herdei dos Campbell e que mulher nenhuma com um avental engomado seria capaz de desestruturar. Olhei para Agatha de cima a baixo, os olhos faiscando de desprezo.— Você realmente acredita que tem alguma autoridade para insinuar o que quer que seja a meu respeito, Agatha?A mulher recuou meio milímetro, surpresa pela falta de hesitação no meu tom, mas manteve aquele sorriso pretensioso colado aos lábios finos.— Eu apenas fiz uma constatação óbvia sobre a harmonia da equipe desta casa, senhorita Campbell. Nada além...— Cale a
Capítulo 129 — Espinhos InvisíveisMavieA luz suave da manhã começava a inundar o quarto de hóspedes da mansão Storn, mas a minha mente ainda estava ancorada nos acontecimentos caóticos da madrugada.Cruzar o Atlântico e desembarcar na América tinha como objetivo inicial apenas prestigiar os negócios, rir da cara do Henry por ter abandonado a vida de solteiro convicto e garantir que a expansão portuária não tivesse furos burocráticos. Henry, com a generosidade protetora de sempre, colocou à minha disposição uma de suas melhores coberturas na cidade. Eu estava genuinamente em paz, feliz em ver o meu amigo de infância finalmente rendido ao amor de uma mulher admirável como Katherine.Mas a paz durou pouco. O surto destrutivo do Adam no apartamento vizinho me pegou de surpresa, assim como a insegurança quase infantil do Henry nos corredores, temendo que o sentimento de Katherine fosse apenas carência filial transferida. Consegui colocar um pouco de juízo na cabeça daquele teimoso, mas
Capítulo 128 — Feridas InvisíveisHenryBati a porta daquela cobertura arruinada atrás de mim e parei no meio do corredor vazio, respirando com dificuldade.O sangue ainda fervia em minhas têmporas. A postura era ereta e as feições continuavam esculpidas na costumeira frieza de sempre, mas, por dentro, cada palavra destilada por Adam parecia queimar feito brasa viva no fundo do meu estômago. Eu odiava admitir, odiava com todas as minhas forças, mas o desgraçado havia mirado exatamente no calcanhar de Aquiles que me torturava desde o início.A diferença de idade. A carência da Katherine. O desprezo desumano com que Arthur Hill sempre a tratou.“No fundo, Katherine nunca se apaixonou pelo homem de verdade; ela só transferiu para você todo o amor paternal e a proteção que o Arthur nunca foi capaz de dar!”A frase ecoava pelo meu crânio, misturando-se à lembrança dolorosa da discussão que tive com ela na nossa suíte minutos atrás, quando o meu ciúmes irracional me fez ferir o caráter da
Capítulo 127 — Homem para HomemAdamO silêncio dentro daquela sala em ruínas parecia ter dentes.Meu pai continuava sentado na poltrona à minha frente, os antebraços apoiados sobre as coxas e as mãos entrelaçadas. Ele vestia roupas escuras e casuais, mas sustentava aquela mesma aura imperial e sufocante que sempre fez conselheiros corporativos e homens do submundo baixarem a cabeça.Olhei para os nós dos meus dedos enfaixados, depois para as manchas de sangue no chão, e uma risada rouca e amarga escapou da minha garganta.— Uma conversa de homem para homem, Henry? — cuspi o nome dele com desdém, sustentando os olhos cinzentos que me mediam feito um perito avaliando um cadáver. — É muito conveniente você querer agir feito homem agora. Depois de ter roubado a minha mulher.O maxilar do meu pai nem sequer estremeceu.— Eu não roubei nada de você, garoto. Quando eu fiquei com a Katherine pela primeira vez, eu não fazia a menor ideia de quem ela era.Ele fez uma pausa breve, a voz descend







