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Author: Cattleya Lins
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-04 05:00:51

  Quando chegamos na rua paramos próximas ao carro daquela traidora e aguardamos. Ela demora muito para retornar e começo a ficar ainda mais irritada até que finalmente o carro do tal homem surge. Pego meu celular e começo a gravar. Ela antes de descer do carro beija o homem e consigo gravar o momento. Depois ela entra em seu carro e vai embora.

— Quer seguir ele? — Laís se oferece já ligando o carro.

— Não. Se eu descobrir que esse homem é casado ficarei ainda pior. — desabafo. — Porque neste caso não seria só uma família destruída mas sim duas.

— Ainda quer ir até a sorveteria? — balanço a cabeça em negação e seguimos de volta para casa.

  Durante todo o caminho penso em como contar isso para o meu pai. Como se destrói um casamento de anos? Como se conta uma informação destrutiva assim?

— Chegamos. — Laís avisa me tirando de meus pensamentos. — Quer que eu entre também?

— Quero sim. — peço saindo do carro.

  Juntas caminhamos até a porta e respiro fundo antes de entrar.

   Não encontro ninguém na sala e vou caminhando pela casa até que escuto vozes vindas da cozinha. A cena que encontro é meu pai cozinhando enquanto conversa com minha mãe.

— Oi Laís. — minha mãe a cumprimenta. — Espero que fique para comer. Saulo está preparando uma torta de frango para nós.

— Como tem coragem? — solto sem querer.

— Sara conversamos mais cedo. Não brigue com sua mãe. Só sobramos nós três agora. — ele pede triste.

— Tudo bem querido. — minha mãe toca o ombro do meu pai. — Eu passei um pouco do ponto ontem Sara. Reconheço isso. — ela olha em meus olhos mas só vejo falsidade neles. — Me desculpe. Só quero o melhor para sua vida.

— Nós dois queremos. — meu pai sorri e se aproxima. — Queremos que case com Felipe porque ele parece ser capaz de te proporcionar o que temos. Um bom casamento sabe? Uma boa vida — comenta orgulhoso.

  Eu travo e nada sai dos meus lábios. Não sou capaz de contar o que sei pelo menos não agora.

— Vamos deixar tudo para lá mas não ficarei para comer. — aviso saindo da cozinha.

— Amiga o que houve? — Laís me segue e subimos até meu quarto.

— Aquela megera é a vida do meu pai, não sei se consigo contar o que eu vi — sento na cama e passo as mãos pelo rosto nervosa. — Tenho medo de como ele vai ficar já que é dependente dela.

— Não é fácil mesmo dar uma notícia dessas mas ele merece saber. Junte coragem e conte Sara — pede sentando ao meu lado.

— Eu vou contar mas no momento certo, se é que existe momento certo para isso.

  Passo algum tempo com Laís conversando sobre o dia de hoje. Estou tão irada que nem consigo expressar o nível de raiva que estou sentindo.

— E se nós fôssemos lá em casa? Você dorme lá hoje comigo. — oferece com um sorriso. — Podemos relembrar a adolescência sabe? E beber um pouco.

— Beber? — pergunto rindo. — Não faço isso desde aquele dia.

    Meus pais sempre ficaram em cima de mim mas tudo piorou quando na minha adolescência me envolvi com um garoto e fui pega no flagra com ele e pior bêbada. Tudo aconteceu porque eu quis, não fui obrigada a nada e por isso minha mãe me fez sentir a pior pessoa a pisar nesta terra. Acho que por isso estou ainda mais irada. Ela me fez me sentir errada e suja, minha irmã também apenas por fazer sexo e na verdade ela está pulando a cerca há sei lá quanto tempo.

— Ela é tão hipócrita. Só de lembrar do que aconteceu aquele dia sinto frio na barriga. — comento triste.

— Foi horrível mesmo. Acho que ela só não saiu gritando na rua porque seu pai a impediu — ela rola os olhos revivendo aquele episódio. — Mas vamos deixar isso para lá. Vamos beber um pouco e depois vamos numa boate na outra cidade.

— Boate? — só de pensar nisso parece que estou cometendo um crime.

— Sim amiga. Sua mãe falsa moralista não vai mais pesar sua mente porque o moralismo não serve para ela. — comenta dando de ombros. — Vamos nos divertir hoje, seus problemas estarão no mesmo lugar quando retornar.

— Okay. Vou separar umas roupas e vamos embora.— vou até o meu guarda-roupas e começo a olhar tudo animada.

— Olha Sara, me desculpe mas não tem nada aí que sirva para onde vamos. Eu te empresto uma roupa. — avisa rindo. — Pegue apenas as maquiagens.

— Na balada não se usa vestido no joelho né? — rio imaginando a vergonha que eu passaria.

  Aviso aos meus pais que vou passar a noite na casa de Laís e eles não se importam, conhecem ela há muito tempo então confiam plenamente. Quando chegamos à casa dela não encontramos ninguém e Laís logo liga para os pais.

— Hoje ficou ainda melhor. — comenta sorrindo. — Meus pais foram passar dois dias numa pousada então podemos beber e sair sem problemas.

— No caso sem eles contarem aos meus pais né?

  Os pais dela sempre foram tranquilos com a filha então beber um vinho não seria ruim aos olhos deles.

— Eles não contariam nada jamis, mas acho que você ia ficar com um pé atrás.— ela pega a garrafa de vinho e me serve uma taça.

— Está bem gelado. Acho que vai gostar.

— Eu bebia corote Laís. Vinho gelado é como caviar comparado a isso. — brinco e dou um gole. E sim vinho é muito melhor.

   Bebemos e conversamos muito enquanto tento escolher uma roupa. Laís tem vestidos dignos de balada curtos e cheios de brilho. Logo nosso momento é interrompido pelo celular tocando. Era Felipe.

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