INICIAR SESIÓN
POV de Elena
O cheiro de charutos caros e de um perfume floral que definitivamente não era meu me atingiu no instante em que empurrei as pesadas portas do nosso quarto. Diante da cena à minha frente, era surpreendente que eu não tivesse congelado ou gritado. Meu corpo parecia estranhamente vazio, como se o ar tivesse sido sugado dos meus pulmões, deixando apenas um silêncio frio e ensurdecedor em meus ouvidos. Julian estava ali, esparramado sobre os lençóis de seda que eu havia escolhido para o nosso aniversário no mês passado. Mas ele não estava sozinho. A mulher — loira, jovem e completamente despreocupada — nem sequer puxou os lençóis para se cobrir quando me viu. "Julian", murmurei. Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava, fria e sem emoção. Ele não se assustou. Não tentou oferecer uma explicação desesperada para o que havia feito. Apenas se apoiou nos cotovelos, com o peito nu, e me encarou com aqueles olhos cinzentos e frios que um dia faziam meu coração disparar. Agora, só faziam minha pele se arrepiar. "Você chegou cedo, Elena", disse ele. Ele parecia tão, porra, entediado. "Hoje é nosso aniversário", lembrei-o. Minhas mãos estavam cerradas com tanta força que minhas unhas cravavam nas palmas. "Saí da festa mais cedo porque achei que você estivesse doente. Foi isso que sua assistente me disse." Julian soltou uma risada curta e seca. Pegou o relógio na mesa de cabeceira e o colocou no pulso com toda a calma, como se estivesse se preparando para uma reunião de negócios, e não enfrentando a própria esposa enquanto sua amante — ou seja lá o que aquela vadia fosse — estava sentada na nossa cama. "Não seja dramática", disse ele. "Já passamos por isso. Lágrimas não combinam com você e, com certeza, não mudam nada." "Esta é a terceira vez em seis meses, Julian. Na nossa casa. Na nossa cama." Ele se levantou, alto e imponente, e caminhou até mim. Só parou quando estava a poucos centímetros de distância. "A cama é apenas um móvel, Elena. E isso?" Ele fez um gesto vago em direção à mulher atrás dele, que agora rolava a tela do celular sem a menor preocupação. "Isso é apenas biologia. Sou um homem de alto desempenho, com necessidades que a sua 'devoção' nem sempre consegue satisfazer." Senti alguma coisa dentro de mim se romper. Não foi o som do meu coração se partindo. Ah, não. Eu já havia sentido aquilo tantas vezes que me tornara indiferente àquela dor. "Eu quero o divórcio", sussurrei. Julian sorriu, com uma curva lenta e condescendente nos lábios. "Não, você não quer. Pense na empresa do seu pai. Pense nas ações vinculadas ao nosso contrato de casamento. Se você for embora, perderá tudo. Será uma pária social, com uma conta bancária que não vai conseguir comprar nem uma bolsa de grife." Ele se aproximou ainda mais e afastou uma mecha do meu cabelo, colocando-a atrás da minha orelha. Seu toque parecia gelo sobre a minha pele. "Tenho uma ideia melhor", disse ele. "Vamos parar de fingir. Podemos continuar casados para as câmeras e para os contratos, mas viveremos vidas separadas. Um casamento aberto, Elena. Eu faço o que quiser e você... bem, pode fazer seja lá o que você faz. Pintar. Fazer compras. Eu não vou perguntar e não vou me importar." "Você quer que eu simplesmente continue vendo você entrar e sair de casa com outras mulheres quando bem entender?" "Quero que você cresça", retrucou ele. "O mundo não é um conto de fadas. Aceite o acordo. É a única maneira de manter seu estilo de vida." Ele voltou para a cama, dispensando-me como se eu fosse uma criada que tivesse permanecido ali além da hora permitida. "Agora, saia. Ainda não terminamos." Saí do quarto de costas, com o coração martelando contra as costelas. Não fui para o quarto de hóspedes. Não chorei. Caminhei diretamente até meu escritório particular, tranquei a porta e me apoiei contra ela. O silêncio da casa parecia pesado, sufocante. Durante cinco anos, eu havia desempenhado o papel da esposa perfeita. Perdoara as "horas extras" no escritório e as "viagens de negócios" que eu sabia que não tinham nada a ver com negócios. Eu havia protegido a reputação dele às custas da minha própria dignidade. Julian achava que eu era fraca. Achava que meu amor por ele era uma jaula que me manteria presa para sempre. Ele queria um casamento aberto? Tudo bem. Eu daria exatamente o que ele havia pedido. Sentei-me à mesa e abri o laptop. Meus dedos estavam firmes. Não procurei um advogado... não ainda. Apesar de ser um completo babaca, Julian tinha razão sobre os contratos; um divórcio agora seria minha ruína. Então, eu precisava de um tipo diferente de liberdade. Digitei um endereço de site que já tinha ouvido as mulheres do clube sussurrarem em tons baixos e escandalizados. Chamava-se THE OBSIDIAN TIER. Não era um site de relacionamentos. Era uma agência de elite para pessoas que buscavam "companhia". Rolei pelos perfis. Fotos em alta definição de homens que pareciam deuses gregos, com descrições que prometiam discrição e "atenção total". Julian achava que era o único capaz de satisfazer sua maldita "biologia"? Ele achava que eu era uma boneca de porcelana que ficava na prateleira até que ele decidisse brincar comigo? Cliquei em um perfil. Um homem chamado Kai. Ele tinha cabelos escuros e olhos lindos, quase doentios, que pareciam conhecer todos os segredos do mundo, além de uma barba por fazer. Era caro... absurdamente caro. Não hesitei. Preenchi o formulário de reserva para aquela noite. Local: Cobertura do St. Regis. Horário: 23h. Observação: Quero apenas uma noite. Sem compromisso. Paguei o depósito com minha conta particular — aquela que Julian não monitorava. Assim que a mensagem "Reserva confirmada" apareceu na tela, uma onda de adrenalina tomou conta de mim, mais intensa do que qualquer tristeza que eu tivesse sentido antes. Levantei-me e fui até o meu closet. Tirei o vestido conservador de gala — aquele que Julian gostava porque me fazia parecer "elegante" — e o joguei no chão. Alcancei o fundo do armário e puxei um vestido de seda, justo ao corpo, em um tom de azul-meia-noite que eu nunca tivera coragem de usar. Fiz minha maquiagem com precisão. Delineador escuro e lábios vermelhos e marcantes. Olhei-me no espelho e não reconheci a mulher que me encarava de volta. Ela estava sexy pra caralho. Às 22h45, eu já estava no andar de baixo. Julian estava na sala de estar, com um copo de uísque na mão, lendo um relatório financeiro. Ele levantou os olhos, percorrendo meu corpo com o olhar. Por uma fração de segundo, pareceu surpreso, mas logo sua expressão arrogante voltou ao lugar. "Vai sair?", perguntou, erguendo uma sobrancelha. "Você mesmo disse, Julian", respondi, pegando minha clutch. "Agora temos um acordo. Vou explorar o meu lado da parte 'aberta'." Julian soltou uma risada, balançando a cabeça. "Elena, não tente se esforçar demais. Você não é o tipo de mulher que se rebela. Provavelmente vai ao cinema e estará de volta antes da meia-noite." "Não me espere acordado", respondi, com a voz firme. Saí pela porta da frente e entrei no carro que me aguardava. O ar fresco da noite pareceu um renascimento. Quando cheguei ao St. Regis, o concierge me acompanhou diretamente até a cobertura. Meu coração batia forte, mas não de medo. Era expectativa. Eu iria queimar da minha mente a lembrança da traição de Julian. Parei diante da porta da suíte 4002. Respirei fundo e passei o cartão-chave. A suíte estava pouco iluminada, banhada apenas pelas luzes da cidade que entravam pelas janelas do chão ao teto. Um homem estava parado diante da janela, de costas para mim. Era alto, vestindo um terno preto perfeitamente ajustado que destacava seus ombros largos. Ele se virou quando a porta se fechou atrás de mim. De perto, Kai era ainda mais impressionante do que nas fotos. Ele não parecia um "acompanhante". Não sorriu; apenas me observou com uma intensidade concentrada que fez minha respiração falhar por um instante. "Senhora Sterling?", perguntou. Sua voz era um barítono baixo e suave. "Elena", corrigi. Ele caminhou até mim, seus movimentos fluidos e confiantes. Parou a poucos centímetros do meu espaço pessoal, e seu perfume preencheu o ambiente. Cheirava a sândalo e cedro, uma combinação muito estranha, mas que nele funcionava perfeitamente. "Você parece tensa, Elena", disse ele suavemente. "Não estou aqui para uma sessão de terapia", respondi, tentando manter a compostura. "Estou aqui pelo que paguei. Quero esquecer tudo o que existe fora deste quarto." Kai estendeu a mão, seus dedos roçando meu maxilar. Seu toque era quente — o exato oposto do toque de Julian. Ele inclinou meu rosto para trás, fazendo-me olhar diretamente em seus olhos escuros. "Do que se trata tudo isso?", perguntou. "Isso importa?" "Não", sussurrou ele, passando o polegar pelo meu lábio inferior. "Mas, se vamos fazer isso, quero que tenha certeza. Porque, quando começarmos, não vou deixar você pensar em mais ninguém nem por um único segundo." Olhei para ele — o homem que eu havia contratado para ser minha arma contra o ego do meu marido. Pensei no sorriso arrogante de Julian, na loira na minha cama e nos anos em que fui "a esposa perfeita". Pela primeira vez em anos, eu não estava fazendo o que esperavam de mim. Eu não era a vítima. Eu era quem segurava o fósforo, e estava pronta para assistir à minha antiga vida ser reduzida a cinzas. Julian queria um casamento aberto, não queria? Ele estava prestes a descobrir que, quando você abre uma porta, não tem controle sobre o que entra por ela. "Ele não existe", disse. A mão de Kai apertou minha cintura, puxando-me para junto dele. "Ótimo. Então vamos começar."POV de ElenaAtravessei as portas giratórias de vidro da Thorne Shipping Industries, e a rajada gelada do ar-condicionado fez pouco para acalmar a tempestade que rugia dentro do meu peito. O prédio era um monólito de aço e mármore, erguendo-se sobre a cidade como uma declaração de poder. Cada superfície reluzia com uma arrogância silenciosa, exatamente o tipo de lugar que pertencia a um homem como Alexander Thorne.Ou Kai, como eu havia sussurrado seu nome certa vez, no calor de uma noite imprudente.A voz de Julian ecoou novamente em minha cabeça, afiada e insistente.—Certifique-se de não irritá-lo, Elena. Se conseguir fechar esse negócio, daremos um grande banquete. Os contratos serão nossos.Eu havia me vestido cuidadosamente naquela manhã, escolhendo um vestido verde-esmeralda justo que abraçava minhas curvas com uma elegância impecável. Eu sabia que estava bonita; meus longos cabelos escuros caíam em ondas suaves, enquanto minha maquiagem era discreta, mas perfeita.As pessoas s
POV de ElenaSaí cambaleando do carro, minhas pernas tremendo como folhas em meio a uma tempestade. A bolsa que eu apertava contra o peito parecia ser o único escudo que me restava naquele mundo que desmoronava. Meus saltos batiam de maneira irregular contra a entrada enquanto eu corria em direção à casa, lutando para colocar as chaves na fechadura com as mãos trêmulas. A porta se abriu com um clique, e eu a bati atrás de mim com força, fazendo o som ecoar pelos corredores vazios.Encostei-me à madeira fria, ofegante, com o coração batendo tão violentamente que pensei que fosse quebrar minhas costelas."Graças a Deus, Julian não veio para casa comigo."O pensamento trouxe uma breve onda de alívio, mas ela se dissolveu quase imediatamente na maré amarga que subia pela minha garganta.Deslizei pela porta até ficar encolhida no chão, lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto.Como tudo tinha dado tão terrivelmente errado?Uma noite imprudente, um momento de fraqueza, e agora toda a minh
POV de ElenaFiquei parada no terraço, com o coração martelando contra minhas costelas.O ar fresco não ajudava; o calor da presença de Alexander ainda permanecia sobre minha pele. Respirei fundo, tentando me recompor antes de precisar voltar para aquela toca de leões.Não fui rápida o bastante.A porta de vidro rangeu ao se abrir, e Alexander voltou para o terraço. Pensei que ele tivesse ido embora, mas ele estava apenas começando.Ele não disse nada a princípio.Apenas se apoiou na balaustrada de pedra, olhando para o horizonte da cidade com a tranquilidade casual de um homem que era dono de tudo o que seus olhos alcançavam."Você está tremendo, Elena", disse ele, sem sequer olhar para mim. "É por causa do frio ou sou eu?""Quero saber por quê", respondi, com a voz mais firme do que eu me sentia. "Por que você fez isso? Você tem bilhões. Tem poder. Por que fingir ser um acompanhante para uma mulher que nunca tinha conhecido?"Ele virou a cabeça na minha direção, num movimento lento
POV de ElenaA porcelana fria do vaso sanitário pressionava minha testa. Eu estava sentada no chão do banheiro, cansada demais até para tentar me levantar.Durante três semanas, eu vinha dizendo a mim mesma que era apenas estresse.O estresse da guerra fria dentro da minha casa, o estresse do segredo que eu estava guardando, ou talvez simplesmente o peso do "casamento aberto" que agora eu tentava administrar com o coração vazio.Mas a náusea daquela manhã não era uma simples possibilidade.Levantei-me, sentindo as pernas pesadas como chumbo, e olhei para a bancada. Três testes de gravidez estavam ali. Eu nem precisava pegá-los para saber o resultado.Duas linhas cor-de-rosa em todos eles."Não", sussurrei para o quarto vazio. "Não, não, não."Fiz as contas mentalmente pela centésima vez. Julian e eu não nos tocávamos havia meses. Ele passava as noites nos quartos de hóspedes ou em hotéis, enquanto eu passava as minhas encarando o teto e fingindo que não me importava.Havia apenas uma
POV de ElenaA porta se fechou atrás de mim com um clique, e o som ecoou pela cobertura silenciosa como o estalar de uma última trava sendo acionada.Kai estava ali, com os olhos escuros fixos nos meus, esperando.Ele não se apressou.Não falou novamente de imediato.Apenas me observou, como se conseguisse enxergar cada rachadura nas paredes que eu havia construído ao meu redor.Fui eu quem deu o primeiro passo.Meus saltos afundaram no carpete espesso, enquanto as luzes da cidade atrás dele projetavam sombras sobre seus traços marcantes.Ele era mais alto do que eu imaginara — tinha mais de um metro e oitenta, com ombros largos que preenchiam perfeitamente o terno preto.A gravata já estava frouxa, o primeiro botão da camisa aberto, revelando um vislumbre de pele bronzeada."Você fica linda quando está com raiva", disse ele baixinho, a voz como veludo sobre aço.Não respondi com palavras.Estendi a mão, agarrei sua gravata e o puxei para mim.Nossos lábios se chocaram, intensos e fam
POV de ElenaO cheiro de charutos caros e de um perfume floral que definitivamente não era meu me atingiu no instante em que empurrei as pesadas portas do nosso quarto.Diante da cena à minha frente, era surpreendente que eu não tivesse congelado ou gritado.Meu corpo parecia estranhamente vazio, como se o ar tivesse sido sugado dos meus pulmões, deixando apenas um silêncio frio e ensurdecedor em meus ouvidos.Julian estava ali, esparramado sobre os lençóis de seda que eu havia escolhido para o nosso aniversário no mês passado.Mas ele não estava sozinho.A mulher — loira, jovem e completamente despreocupada — nem sequer puxou os lençóis para se cobrir quando me viu."Julian", murmurei. Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava, fria e sem emoção.Ele não se assustou. Não tentou oferecer uma explicação desesperada para o que havia feito.Apenas se apoiou nos cotovelos, com o peito nu, e me encarou com aqueles olhos cinzentos e frios que um dia faziam meu coração disparar. Agora, só







