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Capítulo 5

Author: Lunaink
last update Petsa ng paglalathala: 2026-08-24 16:42:49

POV de Elena

Saí cambaleando do carro, minhas pernas tremendo como folhas em meio a uma tempestade. A bolsa que eu apertava contra o peito parecia ser o único escudo que me restava naquele mundo que desmoronava. Meus saltos batiam de maneira irregular contra a entrada enquanto eu corria em direção à casa, lutando para colocar as chaves na fechadura com as mãos trêmulas. A porta se abriu com um clique, e eu a bati atrás de mim com força, fazendo o som ecoar pelos corredores vazios.

Encostei-me à madeira fria, ofegante, com o coração batendo tão violentamente que pensei que fosse quebrar minhas costelas.

"Graças a Deus, Julian não veio para casa comigo."

O pensamento trouxe uma breve onda de alívio, mas ela se dissolveu quase imediatamente na maré amarga que subia pela minha garganta.

Deslizei pela porta até ficar encolhida no chão, lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto.

Como tudo tinha dado tão terrivelmente errado?

Uma noite imprudente, um momento de fraqueza, e agora toda a minha vida estava à beira da ruína.

"Por quê?", sussurrei para a casa silenciosa, minha voz se partindo. "Por que eu deixei isso acontecer?"

Meu celular vibrou dentro da bolsa, a vibração cortando meus soluços como uma faca.

Tirei-o de lá, com o medo revirando meu estômago.

O mesmo número desconhecido.

Kai.

A notificação brilhava de maneira quase cruel na tela.

Meu polegar pairou sobre a mensagem, tremendo.

Se eu não abrisse, o que ele faria?

Confrontaria Julian?

Só de pensar nisso, uma nova onda de pânico percorreu meu corpo.

Julian já estava desconfiado o suficiente.

Eu não podia arriscar aquela explosão.

Respirei fundo, trêmula, e toquei na tela.

A mensagem era simples.

Três palavras que congelaram o sangue em minhas veias:

"Vejo você amanhã."

Um soluço sufocado escapou da minha garganta quando deixei o celular cair.

Encolhi-me no chão frio, chorando amargamente, meu corpo sacudido pela dor e pelo medo.

As lágrimas não paravam.

Cada respiração doía.

O peso dos meus segredos pressionava meu corpo até que eu mal conseguia me mover.

Depois do que pareceu uma hora, uma onda de calor sufocante tomou conta de mim.

Minha pele estava pegajosa, minhas roupas pareciam apertadas demais.

Eu precisava lavar aquele pesadelo.

Talvez a água acalmasse a tempestade dentro de mim.

Obriguei-me a levantar, as pernas instáveis, e fui até o quarto.

Peça por peça, tirei minhas roupas, deixando-as amontoadas no chão.

A luz do banheiro pareceu forte demais quando entrei na banheira e abri a torneira, deixando a água morna cair ao meu redor.

Afundei no calor reconfortante, deixando-o envolver meu corpo dolorido.

O vapor subia ao meu redor como um véu acolhedor.

Por um momento, minha mente ficou em silêncio.

Mas o cansaço me puxava para baixo, pesado e implacável.

Minhas pálpebras ficaram absurdamente pesadas.

Tentei lutar contra o sono, mas a inconsciência acabou me levando.

Quando acordei, já não estava na banheira.

Lençóis macios envolviam meu corpo, e o cheiro familiar do nosso quarto me cercava.

Abri os olhos lentamente, desorientada.

Julian estava sentado ao meu lado, na beirada da cama, observando-me com aquele sorriso estranho e perturbador.

Seus olhos brilhavam com algo que eu não conseguia decifrar completamente — satisfação misturada a alguma coisa perigosa.

"Julian...", murmurei, minha voz rouca de tanto chorar.

"Minha querida", disse ele suavemente, estendendo a mão para afastar uma mecha úmida do meu rosto. "Você não deveria ter mentido para mim sobre o Sr. Alexander Thorne. Na verdade, você acabou de nos ajudar a garantir o acordo que estamos tentando fechar com a empresa dele há meses."

Fiquei olhando para ele, a confusão atravessando a névoa em minha mente.

Aquilo não tinha acontecido.

Nem de longe.

A mensagem de Kai, a tensão na festa, o medo... tudo se misturava caoticamente na minha cabeça.

Mas mantive a boca fechada, os lábios comprimidos em uma linha fina.

Ele soltou uma risadinha, como se tivesse lido meu silêncio.

"Não fique tão chocada, Elena. Sua pequena conversa fez maravilhas. O pessoal dele entrou em contato logo depois. Estamos dentro."

"Eu... não entendo", finalmente sussurrei, erguendo um pouco o corpo.

O lençol escorregou pelos meus ombros, lembrando-me de que eu ainda estava nua por baixo dele.

"Julian, do que você está falando? Eu não..."

"Shh."

Ele colocou delicadamente um dedo sobre meus lábios.

"Não precisa explicar. Apenas saiba que você fez um bom trabalho. Descanse um pouco. Você vai vê-lo pela manhã."

Meu coração disparou.

"O quê?"

A palavra escapou mais afiada do que eu pretendia.

Um protesto queimava na ponta da minha língua, mas Julian apenas abriu ainda mais aquele sorriso, aquela felicidade inquietante nunca deixando seu rosto.

Ele se inclinou e depositou um beijo suave na minha testa, seus lábios permanecendo ali por um segundo a mais do que deveriam.

"Durma, meu amor", murmurou contra minha pele. "Amanhã será importante."

Ele se levantou da cama com uma elegância fluida e tirou um cigarro do bolso.

O clique do isqueiro preencheu o quarto silencioso enquanto ele o acendia, o brilho alaranjado iluminando seus traços sob a luz fraca do abajur.

Sem dizer mais uma palavra, saiu do quarto, deixando atrás de si um rastro de fumaça.

Fiquei sentada ali, atordoada, encarando a porta fechada.

O silêncio parecia se fechar ao meu redor.

Puxei os lençóis com mais força contra o corpo, minha mente acelerada.

Um casamento aberto.

Que ideia idiota tinha sido aquela.

Julian havia pressionado e pressionado até que eu concordasse, acreditando que aquilo talvez pudesse, de alguma forma, salvar nosso casamento.

Mas agora?

Se ele descobrisse a verdade — que eu carregava o filho de Kai, o filho do homem mais perigoso da cidade — minha vida estaria acabada.

Completamente destruída.

As lágrimas voltaram a arder em meus olhos.

Peguei meu celular na mesa de cabeceira.

A tela acendeu: 4h47 da manhã.

O amanhecer se aproximava, mas dormir parecia impossível.

Olhei novamente para a mensagem de Kai, meu polegar percorrendo as palavras.

"Vejo você amanhã."

Sussurrei para o quarto vazio:

"O que eu devo fazer?"

O medo me dilacerava, mas, por baixo dele, uma determinação começou a tomar forma.

Talvez eu devesse simplesmente ir.

Encontrar Kai, enfrentá-lo diretamente e acabar com aquele pesadelo de uma vez por todas.

Foi apenas uma noite.

Nada mais.

Um erro alimentado por emoções que eu havia enterrado por tempo demais.

Eu poderia dizer isso a ele.

Fazê-lo entender que, fosse lá o que ele achasse que havia acontecido entre nós, precisava acabar.

Saí da cama e me envolvi em um robe de seda, andando de um lado para o outro pelo quarto.

O ar frio fez minha pele se arrepiar.

As lembranças daquela noite com Kai invadiram minha mente sem serem convidadas — o olhar intenso dele, a maneira como suas mãos pareciam tão seguras, tão autoritárias.

Balancei a cabeça com força.

"Não", disse em voz alta, minha voz trêmula, mas determinada. "Isso termina hoje."

Uma conversa, disse a mim mesma.

Acabar com o drama.

Foi apenas uma noite.

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