Compartilhar

CAPÍTULO 3

Autor: Fumaça
(Ponto de Vista da Isabella)

A casa estava completamente vazia quando eu acordei.

Olhei o celular e tinha uma mensagem do Vincenzo:

[Amor, estou um pouco ocupado aqui e não vou conseguir tirar o dia de folga. Não fique brava. Amanhã estarei em casa com você, não importa o que acontecer. Eu até comprei um presente. Só me espera em casa, tá?]

Logo abaixo da notificação dele, tinha uma outra, de uma foto que a Claudia havia mandado cerca de uma hora atrás. Era uma selfie dos dois em uma fonte termal, eles pareciam estar se divertindo ao máximo. Aquele sorriso em seus rostos chegava a ser ofensivo.

Eu apertei meu telefone com tanta força e quase não me segurei. Minha vontade era ligar para ele na mesma hora e perguntar se ele estava ocupado fechando um negócio ou se divertindo com aquela "irmãzinha adotiva".

No entanto, eu me lembrei do meu plano, suprimi a raiva e respondi com um simples "ok".

Na verdade, era até bom que ele não voltasse para casa hoje, eu poderia me concentrar em arrumar as minhas coisas, sem me preocupar com ele. Decidi doar todas as roupas que ele havia me dado, então coloquei-as em uma caixa e deixei pronta para ser doada para algum abrigo.

Tirei todas as nossas fotos da parede e as destruí no triturador de papel. Os mais de cem bilhetinhos com mensagens fofas que eu havia escrito para ele, eu juntei todos e coloquei fogo.

No dia seguinte, Vincenzo finalmente retornou.

Assim que me viu, ele deixou de lado o bolo que trazia em suas mãos e me deu um grande abraço, caminhando em minha direção.

— Estou exausto, Isabella! Posso recarregar as energias com um abraço?

Eu dei um passo para trás, evitando aquele abraço.

Vincenzo levantou uma das sobrancelhas.

— Você ainda está brava comigo? Não fica assim. Vem, eu preparei uma surpresa pra você.

Então, antes mesmo que eu pudesse responder, ele me puxou para o carro e dirigiu até o autódromo. Eu ainda estava tentando entender, quando ele me colocou para fora do carro.

— Gostou? — perguntou, enquanto apontava para um outro carro parado na nossa frente.

Era uma Ferrari totalmente customizada, coberta de cima a baixo com diamantes rosa cintilantes. Era tão brilhante que chegava a doer os olhos um pouco. Um grupo de pessoas estava ao lado do carro, olhando cheios de inveja.

— Fiquei sabendo que custou mais de 100 milhões de dólares pra customizar esse carro! Isso é dinheiro demais pra gastar em um carro!

— Não fala o que você não sabe! O Sr. Cursley fez questão de colar cada um dos diamantes com as próprias mãos! Ele quase ficou vesgo fazendo isso!

— Sra. Cursley! Vem dar uma volta nele! E será que a gente pode andar depois? Sem dúvidas o Don Cursley te ama e te mima muito!

Meus lábios formaram um sorriso torto.

Todo mundo sabia que o Vincenzo adorava mimar a sua esposa até os limites, mas o que ninguém sabia era quem ele realmente tratava como sua "esposa". Pode até ser verdade que ele me amava muito, mas o fato era que eu não era a única que recebia todo esse amor.

Felizmente, bem na minha frente, havia uma maneira de liberar todas as emoções reprimidas dos últimos dias. Eu entrei com tudo no carro e meti o pé no acelerador, fazendo aquela Ferrari rosa voar como um foguete. Dei várias voltas na pista, acelerando como uma louca e descontando toda a minha raiva naquele pedal.

Vincenzo ficou na plataforma de observação, me assistindo correr com um sorriso enorme no rosto. Os olhos não me perdiam de vista.

Na quadragésima volta, vi ele fazendo um coração com os dedos na minha direção. Fui pega de surpresa e acabei perdendo o controle do volante, fazendo a Ferrari derrapar e bater direto na grade de proteção.

Senti uma dor alucinante percorrer até os meus dedos do pé. Antes que eu pudesse me recuperar, o Vincenzo correu até o carro e abriu a porta com força, me pegando no colo logo em seguida e me levando às pressas para a sala de observação.

— Tá doendo? — Vincenzo perguntou, enquanto segurava meu pé machucado e passava iodo no corte. — Isso é tudo minha culpa. Eu não devia ter deixado de correr por tanto tempo.

Ele tratou a minha perna com tanto cuidado, que parecia que ela era feita de vidro. Seus olhos expressavam uma pena genuína, mas ainda assim, eu só conseguia sentir arrepios por todo o meu corpo e uma forte vontade de vomitar.

Eu não imaginava que ele fosse tão falso a ponto de conseguir fingir realmente me amar. Percebendo que eu estava distante, Vincenzo segurou minha mão e se inclinou para me beijar.

De repente, a porta foi escancarada.

Vincenzo mal levantou a cabeça, apenas pegou uma garrafa que estava sobre a mesa e lançou imediatamente em direção à porta.

— Sai daqui!

Quando me virei, vi a figura de Claudia parada na porta.

Só então Vincenzo percebeu quem era e sua expressão mudou:

— Claudia? O que você tá fazendo aqui?

Ela levou a mão a marca vermelha em sua testa e torceu os lábios, fazendo uma cara de coitada. Suas roupas estavam sujas de lama e ela parecia toda desgrenhada.

— Eu vim buscar a cadeirinha do bebê, mas acabei ficando cansada e decidi descansar um pouco... me desculpa. Eu não queria interromper vocês dois.

Então, ela se virou e saiu correndo, soluçando.

Vincenzo ficou em silêncio por alguns segundos. Então, deu um beijo rápido na bochecha e disse:

— Vou lá dar uma olhada rápida no machucado dela e já volto. Vamos estar logo ali, se precisar de alguma coisa, me chama.

Ele pegou o kit de primeiros socorros e saiu correndo, sem nem se dar ao trabalho de me deixar pelo menos um band-aid.

Alguns minutos depois, eu abri a porta lentamente e não havia ninguém. Definitivamente, eles não estavam "logo ali" como ele havia dito.

Um sentimento horrível de decepção chegou a bater em meu peito, mas logo me dei conta de que eu já devia esperar por isso.

Apoiada na parede e mancando, fui caminhando até o local da pista onde a Ferrari rosa ainda estava. Eu gostei muito dela e, como parecia que ia começar a chover, achei melhor levá-la para a garagem.

No entanto, assim que cheguei no carro, parei imediatamente.

Vozes abafadas estavam vindo de dentro do carro, eu conseguia ouvi-las porque o vidro da janela não estava totalmente fechado.

Então vi duas figuras sobrepostas à janela do carro: eram Vincenzo e Claudia. Ele franzia a testa enquanto tentava cuidar das feridas dela. O carro balançou levemente e eu vi Claudia avançando e sentando-se no colo dele.

Vincenzo segurou as mãos inquietas dela e disse pacientemente:

— Nem pense nisso, Claudia. Você acabou de dar à luz. E esse carro pertence à Isabella.

— Não tem problema. Já tem dois meses... eu estou totalmente recuperada. Você tem certeza de que não quer saber como eu estou lá embaixo?

Não demorou muito e a respiração de Vincenzo ficou curta e irregular. Os gemidos abafados começaram a escapar de dentro do carro. Eu senti meu sangue gelar e fiquei ali, paralisada.

As chaves em minhas mãos caíram no chão, fazendo um barulho alto e metálico. Com isso, eu despertei do transe e quis sair dali imediatamente, mas então percebi que os dois nem sequer ouviram o barulho.

Eu ri. Eu ri tanto que comecei a chorar.

O carro continuou balançando; eu apenas peguei as chaves e as joguei fora.

Quando o Vincenzo retornou à sala de observação, eu estava sentada na exata posição de quando ele me deixou. Ele respirou aliviado e ajeitou o colarinho antes de se aproximar de mim.

— Vamos, Isabella. Estamos indo para casa.

Vi de relance a marca de mordida no pescoço dele, mas dessa vez, eu não senti absolutamente nada.

Ele quis me carregar, mas eu recusei e fui mancando até o carro. Quando abri a porta do passageiro, vi que Claudia estava no banco do motorista.

Vincenzo explicou apressadamente:

— Cláudia quer voltar com a gente. Ela acabou de tirar a carteira e precisa praticar, como você dirige melhor, você pode ajudar indicando o caminho, né?

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Vincenzo me empurrou para o banco da frente.

Naquela hora, se eu soubesse que a Claudia estava com uma carteira falsa, eu jamais teria entrado naquele carro.
Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Minha Fuga Foi Sua Queda   CAPÍTULO 19

    (Ponto de Vista da Isabella)— Uma corrida? Como você espera fazer isso com essa neve tão grossa? Além disso, você está todo congelado. Você realmente tem energia para dirigir?A ideia do Vincenzo era uma corrida. Eu amava corridas. Então, ele imaginou que se corresse contra o Alexander e vencesse, talvez eu lhe desse uma nova chance.Ele me olhou com uma determinação inabalável, o corpo inteiro tremendo incontrolavelmente. — Eu vou correr com o Alexander. Se eu vencer, você pode me dar uma chance?Respondi friamente:— Não.Vincenzo sorriu de forma depreciativa.— Eu vou correr de qualquer jeito. Isabella, você pode ser minha navegadora? Pense nisso como um último presente.Eu já estava ficando irritada e o Alexander não sabia como dirigir carros de corrida, mas inesperadamente, ele aceitou sem hesitar.Eu olhei para ele confusa.— Não se force isso se você não consegue. E também, não vai mudar nada, eu não vou me responsabilizar se alguma coisa acontecer com você.Pela p

  • Minha Fuga Foi Sua Queda   CAPÍTULO 18

    (Ponto de Vista da Isabella)Uma voz grave e baixa surgiu de repente.Vincenzo virou-se na direção da voz e ficou boquiaberto.— Alexander, o que você está fazendo aqui?Alexander passou um dos braços ao redor dos meus ombros, e quando não sentiu nenhuma resistência da minha parte, apertou um pouco mais.— Sou o noivo dela. Por que eu não estaria aqui?Vincenzo parecia ter sido atingido por um raio quando ouviu aquilo. Sua mente rugiu, e por alguns segundos, ele não conseguia ouvir mais nada.— Noivo? Como isso é possível? Isabella, como ele pode ser seu noivo?Os olhos dele ficaram vermelhos e os lábios tremeram.Puxei a mão de Alexander para baixo, entrelacei nossos dedos e ergui nossas mãos para que Vincenzo visse.— Por que seria impossível? Eu sou solteira e não tenho filhos. É tão difícil assim acreditar que eu tenho um noivo?Os lábios de Vincenzo moveram-se em silêncio, enquanto seus olhos eram preenchidos por incredulidade. Minhas palavras eram como facas cegas crav

  • Minha Fuga Foi Sua Queda   CAPÍTULO 17

    (Ponto de Vista da Isabella)Por mais alto que Vincenzo gritasse atrás do carro, ele não diminuiu a velocidade. Pelo contrário, ele acelerou ainda mais, até virar um pequeno ponto preto ao longe.Só quando a figura no retrovisor finalmente desapareceu Alexander tirou o pé do acelerador. Eu lancei um olhar desconfiado para ele:— Qual é a dessa pressa hoje? Está tentando nos matar?Ele ignorou a provocação e perguntou de repente:— Se o Vincenzo aparecesse chorando, arrependido de tudo que fez, implorando para que você voltasse com ele... você voltaria?Eu franzi a testa, como se tivesse ouvido algo muito nojento, mas mesmo assim respondi:— Não. Nem em um milhão de anos.Toda vez que eu lembrava das coisas que o Vincenzo tinha feito comigo, um arrepio percorria toda a minha pele. Eu ainda acordava assustada no meio da noite por causa dos pesadelos.Alexander percebeu a firmeza nas minhas palavras e os cantos da boca se ergueram em um sorriso quase imperceptível, mas eu notei

  • Minha Fuga Foi Sua Queda   CAPÍTULO 16

    (Ponto de Vista da Isabella)Naquela noite, Alexander passou a madrugada toda investigando tudo o que ele podia sobre o Vincenzo e a Claudia. Ao amanhecer, ele já tinha um plano detalhado em mãos.Ele podia ter simplesmente me arrancando dali à força, mas eu lhe disse:— Se fizer isso, ele vai me assombrar pelo resto da vida.Então, Alexander engoliu sua impaciência e começou a organizar as coisas, um passo de cada vez. Foi nesse processo que ele percebeu que a podridão na família Cursley era bem mais profunda do que ele imaginava.Ele fingiu querer se casar com a Claudia para despistar a família Cursley, mas, por trás dos panos, ele posicionava discretamente suas pessoas para poder me levar embora e desaparecer no momento certo.Mesmo assim, ele chegou tarde demais.Quando o Alexander me encontrou, minhas pernas estavam gravemente feridas pelo acidente de carro. Eu não podia mais assumir os negócios da família, nem correr pelas pistas no carro que eu tanto amava.Naquela época

  • Minha Fuga Foi Sua Queda   CAPÍTULO 15

    (Ponto de Vista da Isabella)Três anos passaram num piscar de olhos.Uma corrida trienal estava acontecendo no maior centro de treinamento de Kalebrea. Famílias mafiosas de toda Udaley apareceram para o evento.No lounge, alguns treinadores conversavam enquanto observavam a pista.— Você ouviu? O azarão de Westside Quay veio competir. Em três anos, ele levou todos os títulos nacionais. Essa é a primeira vez dele competindo no exterior, e muita gente está apostando nele. Eu acho que ele é apenas mediano.— Um corredor de Westside Quay? Não o subestime.Um treinador alto estalou a língua.— E não se esqueça daquela treinadora de Westside Quay, dizem que ela treinou cinco campeãs femininas nos últimos três anos e deu um tapa na cara de todos nós, treinadores homens.Francesca Gomez, que estava por perto ouvindo a conversa, deu um sorriso e balançou a cabeça. Afastando-se, ela retornou para o lounge da nossa equipe. Ao chegar, ela pressionou uma garrafa de água gelada que havia a

  • Minha Fuga Foi Sua Queda   CAPÍTULO 14

    (Ponto de Vista do Vincenzo)— Fabian, toma o seu troco!Claudia grudou na borda da janela e soltou uma gargalhada estridente enquanto olhava para baixo, onde Fabian estava preso sob a coluna.Então, ela tomou um impulso e se lançou para fora da janela. Quando sentiu a grama gelada envolvendo seu corpo, ela ficou ali deitada, sorrindo entre lágrimas. Ela estava embriagada de alívio por ter sobrevivido.Enquanto isso, o quarto, com Fabian dentro, foi rapidamente engolido por uma torre de chamas.No entanto, a alegria de Claudia não durou muito. As pílulas começaram a fazer efeito e ela acabou desmaiando.Quando abriu os olhos novamente, ela já estava no hospital. Ela sentiu um alívio sincero ao perceber que ainda estava viva, mas, no instante seguinte, uma dor diferente de tudo que já havia sentido explodiu através do corpo dela. Era uma dor agonizante e intensa que parecia corroer os seus ossos. O menor movimento provocava uma pontada tão intensa que parecia que ela ia morrer.E

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status