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Capítulo 2

Auteur: Árvore Florida
De volta para casa, Isabela não conseguiu mais esconder sua verdadeira face.

Irrompeu no meu quarto e chutou minha cadeira de rodas.

— O que você está tramando dessa vez?

Caí no chão. Com dor lancinante, apoiei-me na parede e me levantei aos poucos.

— Do jeito que estou, de que adiantaria tramar qualquer coisa?

Ela me examinou de cima a baixo com um olhar frio e deu alguns passos em minha direção:

— Então você está admitindo derrota?

Sorri com amargura:

— Sim. Perdi. Perdi completamente.

O silêncio caiu entre nós. Isabela me encarou com uma expressão estranha, como se estivesse vendo uma desconhecida.

— Não acredito. — Disse ela. — A não ser que você me entregue as pinturas.

Desde pequena, por invejar a atenção que eu recebia por causa da arte, Isabela sempre me copiava. Mas sem nenhum talento, suas imitações nunca passavam da superfície. Mesmo assim ela não desistia — foi escalando até começar a roubar minhas obras diretamente e assinar com o próprio nome.

Por causa da perseguição incessante dela, fazia muitos anos que eu havia parado de pintar. Minha família achava que eu tinha abandonado a arte de vez.

— Por quê? Com medo de me dar? Eu sabia...

— Tudo bem. Aceito.

Isabela me olhou incrédula.

Só quando as pinturas foram colocadas diante dela, uma a uma, ela finalmente acreditou. Seu sorriso se alargou de um jeito quase distorcido.

Ela agarrou meu cabelo e disse devagar, sílaba por sílaba:

— Que idiota. Sem as pinturas, mesmo que você melhore, não vai adiantar nada!

— Voltar ao seu lugar? — Ela soltou uma risada escarninha. — Lutei tanto para chegar onde estou. Acha que vou entregar assim?

— Pode ficar tranquila. No dia do casamento, vou me deitar com o seu homem, engravidar do filho dele, e tirar qualquer esperança que ainda te reste.

Nesse momento, minha mãe chamou lá de baixo para o jantar.

Isabela me soltou abruptamente e, no mesmo instante, recuperou sua postura de jovem refinada e delicada.

À mesa, ela tirou uma das pinturas que eu acabara de lhe dar. Meu pai e minha mãe ficaram tão surpresos que os talheres quase escaparam das mãos.

— Isabela! Desde quando você tem esse nível de talento?!

Henrique também se animou:

— Aposto que essa pintura vai se vender por uma fortuna.

Naquela mesma noite, ele colocou a obra num site de leilões. Em pouco tempo, um colecionador famoso a adquiriu por um valor altíssimo.

E na manhã seguinte, o nome de Isabela já circulava pelos principais fóruns de arte.

Observei a euforia deles sem sentir absolutamente nada.

Restavam apenas alguns dias para meu coração parar.

E o sorriso deles... desapareceria junto com ele?

O impacto foi grande. Nos dias seguintes, repórteres se aglomeravam na frente de casa, todos querendo entrevistar a "gênia" que havia surgido do nada.

Diante das câmeras, minha mãe chorou de emoção:

— Ainda bem que não foi ela que se acidentou — senão teríamos perdido um verdadeiro talento!

E diante de todos, ela colocou no pescoço de Isabela o colar precioso que minha avó havia deixado para mim.

Meu olhar escureceu por um instante.

De repente, um repórter perguntou sobre a inspiração por trás das pinturas.

Isabela pensou por um momento, e com um rubor ensaiado no rosto, respondeu:

— Vieram do meu noivo.

O repórter se animou:

— E quem é o seu noivo? Também é do mundo das artes?

Isabela hesitou, mas meu pai tomou o microfone com orgulho:

— É o herdeiro do Grupo Monteiro — Rafael Monteiro!

A entrevista gerou grande repercussão. Os rótulos de "esposa da alta sociedade" e "pintora gênia" atraíram todos os holofotes.

E o pai de Rafael, o senhor Augusto Monteiro, chegou a aparecer pessoalmente para confirmar Isabela como futura nora da família.

O objetivo de Isabela havia sido alcançado.

Ela me olhou com arrogância:

— Irmã, você jogou alto demais. Agora não tem mais volta.

Sorri levemente:

— Nunca pensei em voltar atrás. Desejo sinceramente que você seja feliz.

— Você...! — Isabela ergueu a mão como se fosse me bater, mas percebeu Rafael parado na entrada.

— Rafael, que surpresa! — Ela avançou para enlaçar o braço dele, mas ele se desviou com suavidade.

Rafael afagou levemente sua cabeça e disse com gentileza:

— Sai um pouco. Preciso conversar com sua irmã.

Isabela saiu contrariada, lançando-me um olhar raivoso antes de fechar a porta. Retribuí com um sorriso.

— Ariana. — Rafael tomou minha mão com firmeza. — Não interprete mal. As coisas não são como você pensa. Eu queria ficar em silêncio, mas meu pai não quis — ele acredita que a Isabela pode ser muito útil para a imagem da empresa, então...

— Não precisa explicar. — Retirei a mão e recuei um passo. — O fato de ela se casar com você é real. Você não errou.

— E eu já sei.

— Sabe o quê? — Ele franziu a testa.

— O perfume de jasmim que nunca some da sua roupa. O batom que aparece de vez em quando no banco do carro. O jeito como você, ao me ver, inconscientemente procura ela com o olhar. Eu sei de tudo.

— Chega!

Rafael saiu visivelmente perturbado. Não tive vontade de continuar. Virei-me e comecei a pintar. Desde que Isabela havia se tornado famosa de uma hora para outra, ela me ameaçava: a cada três dias, eu deveria entregar uma nova obra. Se eu me recusasse, ela confiscaria meus remédios e garantiria que eu nunca melhoraria.

O que ela não sabia era que eu não precisava de remédio nenhum.

Mesmo assim, concordei. Afinal, até a minha morte, no máximo precisaria pintar mais duas.

E duas obras não seriam suficientes para ela por uma vida inteira. Depois que eu fosse, estava curiosa para ver o que a esperava.

Certo dia, Henrique abriu a porta e me encontrou pintando. Soltou uma risada de escárnio:

— Olha só. Tentando imitar a Isabela agora? Pintou por mais de dez anos e largou tudo de uma hora para outra. Agora que ela fez sucesso, você pega o pincel de volta. Que ridículo.

— Te aconselho a desistir de vez. Você nunca vai alcançar a Isabela nessa vida.

A mão que segurava o pincel parou por um instante. Meu olhar foi lentamente perdendo o brilho.

Lembrei de quando Isabela foi adotada. Naquela época, Henrique ainda me protegia, apontando o dedo para ela e dizendo: "Se ousar machucar minha irmã, você vai direto de volta ao orfanato."

Mas à medida que ela cresceu, tudo foi mudando.

Por mais que eu me destacasse em tudo, nada superava o fato de Isabela ter um problema no coração. Mesmo quando terminava em último lugar em qualquer competição, ela apertava o peito e chorava para meus pais, dizendo que havia tido uma crise no momento decisivo. Desmaiava com frequência e, ao acordar, olhava para todos com os olhos vermelhos: "Pai, mãe, irmão, eu não quero morrer. Não quero me ir."

A família inteira se despedaçava por ela. Foram aos poucos me ignorando e concentrando toda atenção em protegê-la. Isabela então aproveitava para me caluniar, revertendo facilmente a imagem que eu tinha perante todos.

Depois que Henrique foi embora, fiquei parada no ateliê por um longo tempo. Então peguei o telefone.

— Sobre a investigação do acidente... já há algum resultado?

Do outro lado, houve uma pausa pesada:

— Senhorita Ariana, este acidente não foi um acidente.

— Segundo nossa análise, a porta traseira foi adulterada e completamente travada. Além disso, as imagens de câmeras mostram que o veículo que colidiu com o de vocês ajustou deliberadamente o ângulo de impacto para atingir exatamente a porta do lado em que a senhora estava. Em caso de capotamento, o motorista teria fácil saída; o passageiro da frente, embora preso, estaria sob pressão muito menor — e seria resgatado com muito mais facilidade.

— Senhorita Ariana, trata-se de um homicídio premeditado. A senhora tem algum suspeito em mente?

Apertei os nós dos dedos até ficarem brancos. Lembrei que, ao final da festa de aniversário, Isabela havia dito que se sentia enjoada e pediu para sentar na frente.

Então era isso.

Não respondi ao detetive. Apenas pedi que organizasse os documentos e os enviasse ao meu e-mail.

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