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Capítulo 4

Author: The Red
Nos dois dias da encenação de doença de Benedetta, Carlo tinha se esquecido completamente de mim.

Só quando o projeto do cais, pelo qual eu era responsável, encontrou um problema que ele finalmente perdeu a paciência.

— Vão até o cofre frio e tragam Margherita aqui agora! — Ordenou aos seus seguranças.

Benedetta de repente avançou e segurou o braço dele.

— Não vá.

Carlo franziu a testa.

— O quê?

— Eu… — Disse ela, olhando para baixo. — Eu fui lá esta manhã. Queria soltá-la e conversar com ela, mas ela me bateu.

Quando ela levantou o rosto, havia uma leve marca vermelha em sua bochecha esquerda.

Os olhos de Carlo escureceram instantaneamente.

— Ela bateu em você?

— Ela disse que tudo era culpa minha, que eu estava fingindo e tentando roubar você…

Os olhos de Benedetta se encheram de lágrimas.

— Então ela me deu um tapa. Carlo, eu fiquei tão assustada.

Carlo se virou para o segurança e disse com firmeza:

— Esqueça. Deixem-na lá até que ela perceba exatamente o que fez de errado.

O segurança hesitou.

— Mas o projeto do cais...

— Eu mesmo cuidarei disso.

Carlo vestiu o casaco e saiu.

— Margherita Rossi permanece confinada. Ninguém deve vê-la.

Benedetta ficou para trás enquanto ele desaparecia pela porta. Ela levantou a mão para tocar a marca vermelha em sua bochecha e sorriu.

O sorriso dela me fez estremecer, o máximo que um fantasma pode estremecer.

Na noite seguinte, meu pai, Enrico Rossi, ligou.

— Carlo Vesta! Onde está minha filha? Ela não me contacta há dois dias!

— Sr. Rossi, Margherita está...

— Não me diga que ela está ocupada. Ela nunca desapareceria assim. Mesmo quando trabalha até tarde, sempre manda uma mensagem. — Disse meu pai com dureza.

— Você a trancou? Eu sei sobre o incidente com Benedetta. Lembre-se: se Margherita sofrer qualquer dano, nossa parceria acaba imediatamente. A família Rossi cortará todo acesso ao porto e todas as rotas de transporte de uma vez.

Depois de um momento de silêncio, Carlo disse calmamente:

— Margherita cometeu um erro. Ela está sendo disciplinada. Este é um assunto interno da família Vesta.

— Assunto interno? Ela é minha filha! — Retrucou meu pai.

— Se eu não a vir até amanhã de manhã, é melhor você estar pronto para o aviso de rescisão.

Com isso, meu pai desligou. Carlo continuou segurando o celular muito tempo depois da ligação cair.

Nesse momento, alguém bateu à porta do escritório. O representante do projeto do cais tinha vindo pessoalmente.

— Sr. Vesta, peço desculpas por vir diretamente ao senhor. — Disse o representante educadamente, mas com firmeza.

— Precisamos trabalhar com a Srta. Rossi. A pessoa que o senhor designou não tem capacidade para o projeto.

Carlo franziu a testa.

— Quando foi que eu designei outra pessoa?

O representante respondeu:

— É uma mulher chamada Benedetta Conti. Ela afirmou que o senhor a enviou para gerenciar o projeto.

Carlo fechou os olhos por um instante. Quando os abriu novamente, uma tempestade ardia em seu olhar.

— Tragam Margherita aqui agora. — Ordenou aos seus seguranças.

— Sim, Sr. Vesta. — Respondeu o guarda antes de sair.

Carlo se virou para o representante.

— Por favor, aguarde. Margherita chegará em breve.

O representante assentiu e sentou-se no sofá.

Eu flutuei atrás do segurança enquanto ele deixava a casa principal, atravessava o jardim encharcado pela chuva e chegava ao depósito frio. Ele tirou as chaves e destrancou a pesada porta de ferro.

A porta se abriu, e o frio escapou de dentro, trazendo o cheiro familiar de ferrugem e peixe.

O segurança entrou, iluminando o lugar com sua lanterna. No canto, meu corpo ainda estava encolhido, como se estivesse dormindo.

— Srta. Rossi. — Sussurrou ele.

Não houve resposta.

Ele deu um passo mais perto e se abaixou.

— Srta. Rossi, o Sr. Vesta está chamando a senhorita.

Claro que meu corpo morto não ia responder.

O guarda ficou imóvel por um momento, então criou coragem e tocou meu ombro. Estava rígido e gelado como gelo.

Ele puxou a mão de volta, e a lanterna balançou de forma descontrolada.

Ele recuou cambaleando e correu até a porta, gritando no rádio:

— Sr. Vesta! A Srta. Rossi não está respondendo! Ela… ela parece estar morta!
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