Masuk— Existe uma coisa que você ainda não entendeu — disse, e sua voz saiu mais baixa do que pretendia, carregada de uma gravidade que fez Lua prender a respiração. — Não existe nada para o homem que sou agora sem você, Lua.Ela piscou, como se a frase tivesse tocado um lugar sensível demais para ser absorvido de imediato. As lágrimas continuavam descendo, silenciosas, densas, marcando a pele clara, prendendo-se no contorno de seus lábios trêmulos. Eros viu o instante exato em que algo nela cedeu. Não por fraqueza. Por excesso. Como se aquela confissão, ainda incompleta, tivesse arrancado a última defesa que ela tentava manter entre o amor que sentia e o medo de não ser amada de volta.— Eu... eu... — Lua tentou, levando uma das mãos ao peito, os dedos apertando a própria camisa dele como se aquilo fosse a única âncora possível. — Eu te amo, Eros...A frase parou o mundo naquele segundo, tudo realmente perdeu movimento.Eros não respondeu de imediato porque não havia resposta suficiente,
Iara chegou algumas horas depois reclamando antes mesmo de descer completamente do carro.— Eu quero deixar registrado que ser sequestrada pelo sobrinho psicótico do namorado da minha amiga antes das oito da manhã não estava nos meus planos. – ela pegou uma pequena bolsa e saiu batendo a porta do carro com força. – Esse idiota detestável!Lucas a observava fixamente com um olhar duro e quase mortal.Lua estava na varanda e, ao ver a amiga, sorriu pela primeira vez desde a madrugada. Eros observou as duas se abraçarem e percebeu como a tensão no corpo de Lua diminuiu imediatamente.Era disso que ela precisava, de alguém capaz de trazer um pouco de paz e serenidade aos seus dias caóticos.Depois de conferir mais uma vez as instruções com a equipe que montou no perímetro das estradas de acesso e entregar a Iara contatos que ela deveria utilizar somente em emergência, Eros voltou-se para Lua.Ela estava parada perto da varanda, usando jeans, uma blusa larga e o cardigan que parecia ter ad
A expressão de Eros ficou mais atenta enquanto ele observava cada microexpressão de Lua. Ela pigarreou e desviou o olhar. Se sentia péssima por quase revelar o segredo de Iara dessa maneira.— Ela têm...o emprego, os...os compromissos e.... – ela tossiu tentando trazer firmeza a sua voz. – e você não pode obriga-la a vir só porque é o chefe dela, Eros.Por longos minutos que pareceram uma eternidade, ele somente a observou em silencio, quando finalmente se moveu, Eros só a abraçou mais forte e beijou seus cabelos, suavizando a linha rígida que se formou em seus lábios.— Estamos organizando tudo, a Iara não vai desaparecer sem mais nem menos. Ela é confiável, por isso a quero aqui com você. Não é uma ordem, é um pedido pessoal.Lua assentiu e depois ficou quieta por tempo demais. Era melhor ficar calada a arriscar dizer qualquer outra coisa que entregasse a existência de Noah.— O que está pensando, moranguinho? Ainda acha que estou forçando a sua amiga a vir?Ela olhou para a caneca,
Lua estava acordada quando ele retornou, percebeu antes de entrar no quarto. A luz da cozinha estava acesa, e encontrou-a sentada à mesa com as duas mãos ao redor de uma caneca que parecia intocada. Usava uma das camisas dele por baixo de um cardigan preto, largo, os cabelos presos num coque frouxo e o rosto pálido demais para alguém que deveria estar descansada. Quando o viu entrar, não perguntou onde ele esteve, apenas o observou caminhar até ela.— É muito cedo, quanto tempo faz que acordou?— Um pouco, não muito tempo...— Lua.— Desde cinco minutos depois que você saiu.Eros soltou lentamente o ar.— Eu disse que ia verificar a segurança do perímetro, sabe que faço isso as vezes.— Você disse uma meia verdade porque achou que eu estava sonolenta demais para perceber.A precisão da acusação quase o fez sorrir, porque naquele ponto, percebeu que ela o conhecia de uma forma que ninguém mais conhecia.— Sinto muito, eu não queria te deixar preocupada. Você quase não dorme direito por
O silêncio entre eles mudou.Eros sabia que a pergunta viria em algum momento.Não porque Lucas duvidasse de Lua ou porque desejasse vê-la presa. Era mais profundo. A Atikos atravessava gerações da família. Raul morreu sabendo que o irmão carregaria aquele legado e um dia, Lucas o herdaria. Eros dedicou anos demais a transformar a companhia em alguma coisa que sobreviveria a crises financeiras imprevisíveis.Mas agora colocava tudo em tensão para proteger uma mulher que entrou em sua vida de maneira quase absurda.— Eu passei metade da vida dizendo para você que liderança significa escolher o que é melhor para a instituição mesmo quando custa alguma coisa pessoal.— Eu me lembro bem dessa lição.— Então talvez esteja na hora de entender a parte que eu não disse, Lucas.— Qual, tio?Eros se aproximou alguns passos.— Uma empresa existe para servir pessoas. Não o contrário. Se para conservar minha cadeira eu precisar entregar uma mulher que sei ser inocente a uma acusação montada, fingi
A voz sonolenta quase o fez mudar de ideia.— Durma, moranguinho.Ela não abriu os olhos.— Você está acordado...— Só vou verificar uma coisa lá fora, fica tranquila.Tecnicamente, não era mentira, mas ele detestou dizer isso para ela. Beijou-lhe a testa e saiu silenciosamente.O posto de gasolina estava abandonado havia tanto tempo que a cobertura de metal possuía manchas extensas de ferrugem e a antiga loja de conveniência parecia ter sido engolida pela vegetação nas laterais. Ainda faltava mais de uma hora para o amanhecer quando Eros estacionou longe da estrada principal e desligou os faróis.Lucas esperava encostado num sedã cinza absolutamente esquecível, uma boa escolha.Assim que Eros saiu do carro, percebeu que o sobrinho não dormia há dias e tinha perdido peso. Havia olheiras sob seus olhos e uma rigidez nos ombros que não combinava com cansaço comum.— Você está com uma aparência péssima — Eros comentou.Lucas soltou uma risada sem humor.— Obrigado. Dirigi duas horas no m







