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Capítulo 3

Autor: Ashton
Simon soou cauteloso.

— Yoana, não entenda errado, eu só não tive tempo de comprar um presente de aniversário para a Sophia. Depois eu te dou algo muito melhor.

— Sim, eu entendo. Improvisar não é tão ruim assim.

Eu já estava prestes a me casar com outra pessoa de qualquer forma. Me apegar àquele anel só seria um espinho constante no meu coração.

Simon soltou um suspiro aliviado antes de perguntar:

— Vi sua carta de demissão. O que foi essa saída repentina?

Ele tinha visto, mas estava ocupado demais para realmente se importar.

Respondi:

— Preciso de um tempo. Estou esgotada.

Ele não hesitou nem por um segundo ao dizer:

— Boa decisão. Pede demissão, fica em casa e descansa. Eu cuido de você. O jantar vai ser lá em casa mais tarde.

Minha mão passou pelo lugar onde minha barriga antes começava a crescer, e murmurei:

— Claro.

Arrumei minhas coisas e peguei um táxi para casa. Simon, que nunca chegava perto de uma panela, tinha preparado um verdadeiro banquete.

Bastou um olhar para perceber que era tudo frango frito apimentado. Meu estômago se revirou só de pensar. Eu não aguentava comida picante por causa da gastrite.

Aquilo claramente não era para mim.

Simon percebeu meu olhar.

— A Sophia não gosta muito de comer fora, e é o aniversário dela, então achei melhor cozinhar. Vem, senta com a gente.

— Eu não posso comer isso. Comam vocês. — Respondi.

Girei nos calcanhares, indo em direção ao refúgio do meu quarto.

A voz de Sophia tremeu quando ela perguntou:

— Simon, a Yoana não gosta de mim? Talvez seja melhor eu ir embora…

Simon ficou pálido e irritado.

— Yoana, dá pra maneirar? Eu já te falei, isso é pelo aniversário da Sophia. Eu mesmo preparei o jantar, e você ainda está de mau humor e estragando o clima de todo mundo.

Retribui, séria:

— Eu não estou fazendo cena. Estou com uma crise forte de gastrite.

A mesma gastrite que eu desenvolvi por causa de todas aquelas bebidas que tive de tomar nos jantares de negócios por causa dele.

Mas Simon não quis ouvir minhas explicações. Ele pegou uma fatia de bolo e disse:

— Já que você não pode comer apimentado, doce você pode, né?

Antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa, Sophia entrou no meio, botando lenha na fogueira.

— Eu só queria dividir um pedaço da felicidade do meu aniversário com você, Yoana. Não queria te irritar. Dizem que os Drakes cuidam de você há quinze anos. Você podia pelo menos colaborar por causa deles, não coloque o Simon numa situação difícil.

Quase ri. Era óbvio que Simon estava acostumado a me menosprezar e deixava que os outros usassem a culpa para me manter na linha.

Claro, eu tinha vivido sob o teto deles por quinze anos, mas qualquer dívida que eu tivesse com Simon já tinha sido paga há muito tempo.

Eu estava prestes a recusar o bolo quando uma colherada foi enfiada rudemente na minha boca. Simon jogou o resto do bolo no lixo com desprezo.

— É só jantar. Não precisa ser tão dramática!

Engoli à força, mas imediatamente soube que havia algo errado.

Molho de manga. Eu tinha alergia a manga!

Foi como ser atropelada. Meu rosto começou a queimar, e eu lutei para respirar.

Segurando o peito, me agachei, arfando por ar. Simon, ao me ver daquele jeito, entrou em pânico.

— Yoana, o que…

Ele se moveu para me ajudar, mas a voz de Sophia o interrompeu, fingindo desespero:

— Simon, ajuda… me ajuda! Eu engasguei porque a Yoana ficou chateada.

A preocupação de Simon por mim desapareceu instantaneamente, substituída por um olhar cheio de ternura voltado para Sophia.

Ele a pegou nos braços às pressas, lançando-me um olhar cheio de ódio.

— Yoana! Isso é tudo culpa sua, sempre criando confusão! Agora a Sophia está engasgando por sua causa. E se algo sério acontecer com ela? Você conseguiria conviver com isso?!

A voz dele estava afiada de raiva enquanto ele saía com Sophia nos braços.

Antes de irem embora, vi o olhar presunçoso de Sophia. Era como se ela gritasse: "Viu só? Quando é entre você e eu, ele sempre me escolhe!"

O quarto ficou em silêncio, deixando-me sozinha com uma dor tão profunda que mal conseguia respirar. Em pânico, peguei o celular e chamei uma ambulância.

Quando acordei, Simon estava lá, sentado ao lado da minha cama no hospital.

— Yoana… — Ele começou, segurando minha mão, mas uma enfermeira entrou apressada, interrompendo-o.

Depois que ela saiu, ele se inclinou, o rosto marcado pela preocupação.

— Nosso filho está bem?
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