FAZER LOGINNaquela noite, quando todos já estavam em seus quartos, o silêncio do hotel parecia um convite para nós dois. Edward me puxou pela mão até nosso quarto, fechando a porta atrás de si com suavidade. O quarto estava com a varanda aberta, permitindo que a brisa fresca da noite invadisse o espaço e embalasse o momento que, sabíamos, seria mais do que apenas físico, era um encontro de almas, naquele mesmo quarto onde tudo começou. Ele me abraçou por trás, as mãos repousando sobre a curva da minha barriga ainda discreta. — Nossa família está crescendo — sussurrou, com um sorriso emocionado. Virei-me para ele, encarando aqueles olhos que sempre foram meu porto seguro, e acariciei seu rosto. — E vai crescer com amor, com a nossa força. Edward me beijou então, com uma intensidade que falava sobre tudo o que vivemos até aqui, as dores, os medos, os
O jantar daquela noite foi preparado ao ar livre, com as luzes penduradas entre as árvores formando um céu de estrelas artificiais que competia com o verdadeiro, limpo e brilhante céu acima de nós.As risadas ecoavam pela varanda do hotel, misturadas ao som suave de uma música ao fundo e ao tilintar dos talheres.Eu observava cada rosto à minha volta e sentia uma gratidão tão profunda que mal conseguia conter as lágrimas.Sophia e Marcelo estavam abraçados, os dedos entrelaçados como se quisessem selar, de forma silenciosa, aquele compromisso que logo ganharia um altar.Joyce e Tom brindavam com suco, já que Joyce, sempre cuidadosa, tinha abolido o vinho para se preparar para a nova fase da vida.Carol acariciava a barriga enquanto Rodrigo, com um olhar terno, conversava com Dona Maria sobre as expectativas da paternidade.— Parece que essa família não para de crescer — Dona Maria comentou, sorrindo com aquele olhar calmo e sábio
Os meses passaram como uma brisa mansa, soprando mudanças, amadurecimentos e muita alegria sobre nossas vidas. O Espaço Aurora, antes um sonho tímido, agora era um projeto consolidado, próspero e inspirador.Eu e Sophia nos dividíamos entre a gestão do Espaço Aurora e do hotel na cidade vizinha, que também seguia firme, com ocupação sempre alta e hóspedes encantados.As oficinas artesanais iam tão bem que, entre reuniões e conversas com nossa equipe, começamos a cogitar a possibilidade de abrir uma nova unidade, em outra cidade, levando nossa proposta ainda mais longe.— Parece ontem que a gente começou com aquele espaço vazio — Sophia comentou, certa tarde, enquanto tomávamos um café no escritório.— E agora, talvez a gente precise de outra casa de acolhimento — completei, rindo, enquanto ela assentia com aquele olhar decidido que sempre me fez admirar sua força.A nossa rotina era puxada, mas equilibrada com uma dose generosa de amor e
Sophia e eu passávamos praticamente todos os dias juntas ali. Criamos uma rotina intensa, mas prazerosa, começávamos cedo com reuniões de alinhamento, organizávamos as demandas das oficinas, acompanhávamos o andamento dos atendimentos psicológicos e jurídicos, e sempre tirávamos um tempo para circular pelo espaço, conversar com as mulheres, ouvir suas histórias e pensar juntas em novas formas de ampliar o projeto.— Acredita que já estamos com lista de espera? — disse Sophia, certa manhã, entrando na minha sala com um café nas mãos.— Sério? Em tão pouco tempo.— Sim! E precisamos pensar em como ampliar nossa capacidade de acolhimento sem comprometer a qualidade do atendimento.— Concordo. Talvez seja o momento de buscarmos novos parceiros, mais financiamento.— E quem sabe um novo espaço, no futuro?Rimos juntas, com aquele brilho no olhar de quem, apesar do cansaço, sabia que estava construindo algo muito maior do que si mesma.
As semanas passaram como um sopro, cheias de movimento, cores e novas histórias sendo escritas a cada dia. O Espaço Aurora, que antes era apenas um sonho rabiscado em folhas de caderno, agora estava ali, diante dos meus olhos, com suas paredes claras e acolhedoras, repletas de vida.A inauguração foi emocionante. Eu e Sophia estávamos lado a lado, segurando firme uma na mão da outra enquanto o público se reunia em frente ao portão principal, onde a placa brilhava: "Espaço Aurora – acolher, transformar, florescer".Edward estava ao meu lado, com Luiz Eduardo no colo, balançando a mãozinha como se soubesse que aquele era um dia especial para a nossa família. Meus olhos se encheram de lágrimas quando Sophia pegou o microfone para fazer o discurso de abertura.— Este espaço nasceu da dor, mas floresceu no amor — disse ela, com a voz firme, mas carregada de emoção.— É um lugar para mulheres que, assim como nós, precisaram de um recomeço, e encontraram
Os dias seguintes ao casamento de Carol e Rodrigo passaram como uma brisa suave, carregando consigo a leveza de um amor selado e a expectativa pelos próximos capítulos de nossas vidas. O casal recém-casado havia viajado para a tão sonhada lua de mel, eu e Edward, como padrinhos, demos a lua a viagem de lua de mel, para o nosso hotel, aquele lugar que sempre seria o marco inicial da minha história com Edward, o espaço onde nos conhecemos profundamente e onde a nossa história de amor começou de forma inesperada e avassaladora.Recebemos fotos deles aproveitando cada detalhe das acomodações, dos jantares românticos no restaurante do hotel, das caminhadas pela praia e do pôr do sol visto do terraço onde, meses antes, Edward e eu tínhamos comemorado mais um aniversário do nosso amor. Era impossível não sorrir ao ver aquelas imagens e perceber que aquele espaço seguia sendo cenário para novas histórias de amor, como havia sido para nós.Enquanto isso, minha vida seguia s







