Share

03

Author: Autora NB
last update publish date: 2026-10-17 07:42:52

Margareth "Meg"

Eu não esperava que Felipe fosse uma pessoa tão atenciosa. Na verdade, eu sabia que ele era assim, mas somente com sua irmã. Comigo, praticamente uma estranha, era novidade.

Estava deitada no sofá da casa dele, chorando horrores. Não era o fim do mundo estar pobre, mas era o fim meu pai esquecer de nós assim. Era o cúmulo ele fazer minha mãe sofrer daquela maneira.

Eu não conseguia parar de pensar na conversa que tinha ouvido. A cada lembrança, meu peito apertava um pouco mais, como se alguém estivesse me sufocando lentamente.

Eu estava acostumada a ter uma vida confortável, nunca vou negar isso. Tinha roupas de marca, viagens, festas, uma casa enorme e tudo o que uma garota da minha idade poderia desejar. Mas, naquele momento, nada daquilo parecia importar tanto quanto a sensação de que meu pai havia colocado tudo a perder sem sequer pensar em nós.

Como ele pôde?

Como conseguiu arriscar o futuro da nossa família daquele jeito?

Passei as mãos pelo rosto, enxugando as lágrimas, mas outras vieram logo em seguida.

- Droga! - murmurei, irritada comigo mesma.

Eu odiava chorar na frente dos outros. Odiava demonstrar fraqueza, principalmente diante de alguém que mal conhecia. Entretanto, desde que havia chegado àquela casa, Felipe não tinha feito uma única pergunta inconveniente. Não tentou arrancar explicações de mim, não fez piadinhas e, para minha surpresa, nem sequer me chamou de patricinha.

Ele simplesmente me trouxe para dentro, colocou um copo de água na mesa e perguntou se eu precisava de alguma coisa.

Quando respondi que não, ele apenas assentiu e me deixou no sofá, dizendo que estaria por perto caso eu precisasse.

Aquele cuidado silencioso estava me desarmando muito mais do que qualquer palavra de consolo teria feito.

Eu estava acostumada a pessoas que tentavam resolver tudo por mim, que me diziam o que fazer e como agir. Felipe, por outro lado, parecia entender que eu precisava de espaço para sentir o que estava sentindo.

E, naquele momento, eu precisava chorar.

Precisava colocar para fora toda aquela angústia que ameaçava me consumir.

A porta da frente se abriu alguns minutos depois, e ouvi passos apressados.

- Meg?

Reconheci a voz imediatamente.

Sarah.

Levantei um pouco a cabeça, tentando enxergar por entre as lágrimas. Ela apareceu na sala com os cabelos presos de qualquer jeito, vestindo um short e uma camiseta larga. Seu rosto mudou assim que me viu.

Ela não perguntou o que havia acontecido.

Não quis saber por que eu estava ali, nem por que meus olhos estavam vermelhos e meu rosto inchado.

Simplesmente atravessou a sala, sentou-se ao meu lado e se deitou comigo no sofá, puxando-me para um abraço.

Foi o suficiente para que eu desabasse novamente.

- Ah, amiga... - ela sussurrou, envolvendo meus ombros com os braços.

Escondi o rosto em seu pescoço e chorei como não chorava havia anos.

Sarah passou os dedos pelos meus cabelos, fazendo carinho lentamente, do jeito que sempre fazia quando eu estava triste.

Ficamos ali, quietinhas.

Eu chorando, ela fazendo cafuné.

Nenhuma de nós precisava dizer nada. Nossa amizade era assim. Desde que nos conhecemos, ainda crianças, Sarah sempre soube quando eu precisava de conselhos e quando precisava apenas de alguém que me abraçasse sem exigir explicações.

E eu a amava por isso.

- Estou aqui, tá? - ela murmurou perto do meu ouvido. - Não importa o que aconteceu, estou aqui.

Apertei os braços ao redor dela.

- Eu não sei o que fazer, Sarah.

- Não precisa saber agora, meu amor.

Aquelas palavras fizeram meu coração doer.

Porque era exatamente isso que eu queria ouvir.

Não precisava resolver tudo naquele instante. Não precisava encontrar uma saída, tomar decisões ou fingir que estava bem.

Eu só precisava de um pouco de tempo.

E da minha melhor amiga.

Sarah continuou acariciando meus cabelos até minha respiração começar a se acalmar. Em algum momento, ouvi passos se aproximando e, quando ergui os olhos, encontrei Felipe parado perto da entrada da sala.

Ele nos observou por alguns segundos.

- Vou deixar vocês conversarem. - disse, com a voz baixa.

Sarah assentiu sem me soltar.

- Obrigada, Fe.

Ele fez um pequeno gesto com a cabeça e saiu, deixando-nos sozinhas.

Acompanhei-o com os olhos até desaparecer pelo corredor.

Havia algo naquele homem que eu ainda não conseguia compreender. Ele parecia carregar o peso do mundo nos ombros, mas, mesmo assim, encontrava espaço para se preocupar com os outros.

E comigo.

Principalmente comigo, que até pouco tempo atrás só sabia provocá-lo de volta.

- Ele está preocupado com você. - Sarah comentou, interrompendo meus pensamentos.

Voltei a olhar para ela.

- Quem?

Ela arqueou uma sobrancelha.

- O meu irmão, Meg. Quantos Felipes você conhece?

- Sarah!

- O quê? Só estou dizendo a verdade.

Afastei-me um pouco, sentando no sofá e passando as mãos pelo rosto.

- Não começa.

Ela sorriu de leve.

- Está bem. Não vou começar nada.

Ficamos em silêncio por alguns instantes.

Sarah pegou uma almofada e a colocou no colo, observando-me com carinho.

- Agora me conta, amiga. O que aconteceu?

Respirei fundo.

Eu sabia que precisava falar. Não conseguiria guardar aquilo sozinha, e Sarah era a pessoa em quem mais confiava no mundo.

Mesmo assim, as palavras pareciam presas na minha garganta.

- Eu cheguei em casa e ouvi meus pais discutindo. - comecei, olhando para minhas mãos. - Meu pai... ele fez uma besteira enorme.

Sarah não me interrompeu.

- Ele apostou tudo. Tudo, Sarah. A casa, os carros, a hípica, os cavalos... Tudo o que meus pais construíram durante anos pode ser levado pelo banco.

Ela arregalou os olhos.

- Meu Deus, Meg...

- Eu ouvi minha mãe perguntando se ele tinha mexido no meu fundo de estudos. Ele disse que não, que o dinheiro estava intacto e que o apartamento de Londres também continuava no meu nome. Mas, Sarah... - Minha voz falhou. - E eles? E a minha mãe? O que vai acontecer com eles?

As lágrimas voltaram a escorrer.

- Eu não consigo acreditar que ele fez isso conosco. Eu nunca imaginei que meu pai fosse capaz de uma coisa dessas.

Sarah segurou minhas mãos.

- Você sabe por que ele fez isso?

Balancei a cabeça.

- Não. Eu não ouvi tudo. Só sei que minha mãe estava desesperada, e ele falava como se já tivesse aceitado perder tudo. Como se não fosse nada!

Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia.

- Como se a vida deles não estivesse desmoronando!

Sarah apertou minhas mãos.

- Calma, amiga. Respira.

Obedeci, tentando controlar a respiração.

- Eu não estou chorando porque vou perder meus vestidos ou porque não vou mais poder comprar uma bolsa cara. - continuei. - Eu sei que parece ridículo falar disso agora, mas não é isso. Eu estou chorando porque meu pai colocou tudo em risco sem pensar na minha mãe. Porque ela estava desesperada, e ele parecia mais preocupado em explicar o que ainda estava salvo do que em entender o que fez.

Sarah me puxou para outro abraço.

- Eu entendo.

- E agora? - perguntei contra seu ombro. - O que eu faço?

Ela afastou o rosto para me olhar.

- Primeiro, você não vai tomar nenhuma decisão enquanto estiver assim. Depois, vai conversar com seus pais e entender exatamente o que aconteceu. Você ouviu uma parte da conversa, Meg. Precisamos saber o resto.

Assenti lentamente.

Ela tinha razão.

Eu não sabia de todos os detalhes. Não sabia o tamanho das dívidas, o que havia acontecido com os investimentos ou se meu pai ainda tinha algum plano para resolver aquela situação.

Mas uma coisa eu sabia: precisava conversar com ele.

- Eu estou com tanta raiva, Sarah.

- Você tem todo o direito de estar.

- Eu quero gritar com ele. Quero perguntar como teve coragem de fazer isso com a gente.

- Então você vai perguntar. Mas não precisa fazer isso agora.

Baixei os olhos.

- Eu tenho medo de descobrir que não existe solução.

Sarah segurou meu rosto entre as mãos.

- Escuta o que vou te dizer. Você pode perder uma casa, um carro, uma hípica inteira. Pode perder coisas que achava que seriam suas para sempre. Mas você não perde quem é por causa disso, entendeu?

Engoli em seco.

- E se tudo mudar?

- Então vocês vão aprender a viver de outra maneira. Juntas. Você, sua mãe e até seu pai, se ele estiver disposto a assumir as consequências do que fez.

As palavras dela me atingiram profundamente.

Talvez porque fossem verdadeiras.

Talvez porque eu precisasse que alguém me lembrasse de que, por mais dolorosa que fosse aquela situação, minha vida não terminaria ali.

Eu ainda era Margareth.

Continuava sendo a mesma garota que gostava de ler, que amava os amigos, que tinha sonhos e planos para o futuro.

O dinheiro fazia parte da minha vida, mas não era tudo o que eu era.

Mesmo assim, aceitar aquilo não seria fácil.

- Obrigada. - murmurei.

Sarah beijou minha testa.

- Não precisa agradecer. Você faria o mesmo por mim.

- Faria.

- Então pronto.

Ela sorriu, e eu finalmente consegui retribuir o gesto, ainda que de maneira tímida.

Naquele instante, ouvi uma voz masculina vindo da cozinha.

- Sarah, vocês querem comer alguma coisa?

Olhei na direção da porta.

Felipe.

Minha melhor amiga se levantou do sofá e respondeu:

- Eu quero! A Meg precisa comer também.

- Não estou com fome. - falei imediatamente.

A cabeça dele apareceu na entrada da sala.

- Não perguntei se você estava com fome. Perguntei se queria comer alguma coisa.

Arregalei os olhos.

Lá estava ele.

O convencido.

O insuportável.

O homem que aparentemente não conseguia passar cinco minutos sem me contrariar.

- Você sempre precisa ter a última palavra?

Felipe apoiou o ombro no batente, cruzando os braços.

- Só quando a pessoa do outro lado é teimosa.

- Eu não sou teimosa.

Sarah soltou uma gargalhada.

Felipe ergueu uma sobrancelha.

- Claro que não, patricinha.

- Felipe!

Ele sorriu.

E, por alguns segundos, esqueci o motivo de estar chorando.

Era impressionante como aquele homem conseguia me tirar do sério e, ao mesmo tempo, fazer com que eu me sentisse um pouco melhor.

- Vou preparar alguma coisa. - ele disse, afastando-se. - Se mudar de ideia, a cozinha fica ali.

Sarah se levantou e estendeu a mão para mim.

- Vamos. Você vai comer alguma coisa, tomar um banho e descansar. Depois pensamos no que fazer.

Aceitei sua mão e me levantei.

Antes de seguirmos para a cozinha, olhei mais uma vez na direção por onde Felipe havia desaparecido.

Eu ainda não entendia por que ele estava sendo tão gentil comigo.

Mas, naquele dia, enquanto minha vida parecia desmoronar do lado de fora daquela casa, eu estava começando a perceber que nem todas as pessoas se aproximavam de nós por aquilo que tínhamos.

Algumas simplesmente ficavam.

E, por algum motivo, Felipe parecia disposto a ficar.

Isso deveria me tranquilizar.

Mas, olhando para o caminho que minha vida estava tomando, uma parte de mim tinha a estranha sensação de que aquele homem ainda seria responsável por muitas outras lágrimas.

A diferença era que eu começava a desconfiar de que nem todas seriam de tristeza.

{...}

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Morro Acima   09

    Felipe “Cobra”Eu estava cuidando da patricinha, mas meus pensamentos estavam no maldito que havia colocado alguma coisa na bebida dela.Quando Samurai o encontrasse, ele iria sofrer. E sofrer muito.Só de imaginar aquele desgraçado se aproveitando de uma mulher indefesa, meu sangue fervia. Eu conhecia os perigos daquele mundo, sabia muito bem o que algumas pessoas eram capazes de fazer quando achavam que ninguém estava olhando. Mas mexer com uma mulher daquela maneira, dentro da minha comunidade, era ultrapassar todos os limites.Principalmente quando essa mulher era Margareth Romano.Aquela garota já tinha problemas suficientes para resolver. O pai havia destruído a própria família, a mãe estava tentando reconstruir a vida e ela mal conseguia esconder o quanto tudo aquilo a machucava. Meg estava perdida, mesmo quando fingia que sabia exatamente o que estava fazendo.E eu, que deveria manter distância, estava cada vez mais envolvido.Merda!Passei a mão pelo rosto, tentando afastar a

  • Morro Acima   08

    Margareth "Meg"Eu estava tranquila, bebendo minha água com gás e tentando ignorar a existência de um certo homem arrogante que, aparentemente, havia decidido fiscalizar cada movimento meu naquela noite.Felipe era um idiota.Um idiota bonito, irritantemente atraente e com uma capacidade absurda de me tirar do sério, mas ainda assim um idiota.Depois da nossa discussão, eu havia decidido que não daria mais atenção a ele. Se queria agir como meu dono, problema dele. Eu não era uma propriedade, muito menos uma criança que precisava de autorização para sair de casa.Estava conversando com uma das meninas quando senti uma tontura repentina.No começo, achei que fosse apenas o calor. O baile estava lotado, a música parecia fazer o chão vibrar e o ar estava pesado. Levei a mão à testa e pisquei algumas vezes, tentando afastar aquela sensação estranha.Mas não passou.Pelo contrário.Minha visão começou a ficar embaçada, as luzes se misturaram diante dos meus olhos e minhas pernas perderam a

  • Morro Acima   07

    Margareth “Meg”Minha mãe, com a ajuda de Samurai, logo finalizou a reforma da casinha onde havia vivido durante a infância. Pelo que Sarah me contava, Felipe tinha feito questão de garantir que nada faltasse para ela. A casa estava simples, mas bonita, com paredes recém-pintadas, móveis novos e um pequeno quintal.Eu deveria estar feliz por ela.E estava. De verdade.O problema era que, desde que tudo havia desmoronado, a nossa relação parecia ter se transformado em um campo minado. Cada conversa terminava em silêncio, cada tentativa de aproximação parecia esbarrar em alguma coisa que nenhuma de nós tinha coragem de dizer.Minha mãe estava diferente comigo.Ou talvez fosse eu quem estivesse diferente com ela.Às vezes, quando a encontrava, percebia um olhar distante, uma tristeza que ela tentava esconder e uma espécie de arrependimento que me machucava mais do que qualquer palavra.E eu comecei a pensar besteiras.Pensava que, se não tivesse engravidado de mim, talvez ela nunca tives

  • Morro Acima   06

    Margareth “Meg”Acordei naquela manhã no sofá da casa de Sarah. Não queria nem ver a minha cara horrível; tinha certeza de que estava com os olhos inchados e vermelhos, parecendo um baiacu.Minha cabeça doía, meu corpo parecia pesar uma tonelada e, para completar, eu tinha a sensação de que minha vida inteira havia sido jogada em um liquidificador e alguém apertara o botão na velocidade máxima.Meu pai era um fugitivo. Minha mãe estava tentando recomeçar a vida. Minha família, que até poucos dias atrás parecia ter tudo sob controle, agora estava no centro de um escândalo nacional.E eu?Eu ainda não sabia quem era sem o sobrenome Romano me abrindo portas.— Bom dia, amiga. Desculpa ter te deixado dormir aí, mas não queria te acordar e acabar deixando você sem sono. — Sarah disse, sentando-se ao meu lado.Virei o rosto para ela, tentando esboçar um sorriso.— Tudo bem, Sarah.Levantei-me devagar, ajeitando a blusa amassada que eu havia usado na noite anterior. Meu cabelo estava uma bag

  • Morro Acima   05

    Margareth "Meg"Acordei no dia seguinte com Sarah me sacudindo como se a casa estivesse pegando fogo.- Meg! Acorda!Resmunguei, puxando o cobertor por cima da cabeça.- Sarah, pelo amor de Deus, me deixa dormir. Se o mundo acabar, você me avisa depois.- Meg, eu estou falando sério!Havia algo diferente na voz dela. Não era a animação habitual, muito menos aquela impaciência que demonstrava quando queria me arrastar para alguma de suas ideias malucas.Abri os olhos lentamente.A expressão no rosto da minha melhor amiga fez meu sono desaparecer quase imediatamente.Ela estava pálida, com os olhos arregalados e o celular apertado entre os dedos.- O que aconteceu?Sarah engoliu em seco.- Vem comigo. Vem ver. Seu pai está na TV.Aquelas palavras foram como um balde de água fria.Sentei-me tão depressa que quase bati a cabeça na dela.- Como assim, meu pai está na TV?- Meg, só vem!Levantei da cama e saí correndo escada abaixo, sem nem me preocupar em ajeitar os cabelos ou trocar o pij

  • Morro Acima   04

    Margareth "Meg"Estava na sala assistindo um filme de terror com Sarah e Felipe, Felipe no meio de nós duas no sofá. Sarah dava pulos e gritinhos quando alguma cena dava medo, porém eu tentava me controlar, até o momento que grudei no braço de Felipe e ele deu risada.- Para que vocês insistem em assitir?- Eu não sei, vou para o quarto falar com o Simon. Vocês terminem o filme. - Sarah diz e sobe as escadas.- Acho que vou ser trocada nessas férias de novo. - Digo fazendo bico.- Você ainda tá com medo?- Eu? Não! Por que?- Você ainda está grudada no meu braço como um gatinho assustado.- Ah, desculpa! - Digo me afastando. - Acho que vou dormir, com fones de ouvidos pois não quero ter pesadelo só escutar aqueles dois.Me levanto rápido demais, tropeço nos travesseiros que estavam no chão e antes de cair, Felipe me segura e eu caio onde? Justo no seu colo.Olhos nos olhos, respiração ofegante, uma de suas mãos na minha cintura, a outra segurando meu braço. Aqueles segundos, pareceram

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status