LOGINMargareth "Meg"
Estava na sala assistindo um filme de terror com Sarah e Felipe, Felipe no meio de nós duas no sofá. Sarah dava pulos e gritinhos quando alguma cena dava medo, porém eu tentava me controlar, até o momento que grudei no braço de Felipe e ele deu risada.
- Para que vocês insistem em assitir?
- Eu não sei, vou para o quarto falar com o Simon. Vocês terminem o filme. - Sarah diz e sobe as escadas.
- Acho que vou ser trocada nessas férias de novo. - Digo fazendo bico.
- Você ainda tá com medo?
- Eu? Não! Por que?
- Você ainda está grudada no meu braço como um gatinho assustado.
- Ah, desculpa! - Digo me afastando. - Acho que vou dormir, com fones de ouvidos pois não quero ter pesadelo só escutar aqueles dois.
Me levanto rápido demais, tropeço nos travesseiros que estavam no chão e antes de cair, Felipe me segura e eu caio onde? Justo no seu colo.
Olhos nos olhos, respiração ofegante, uma de suas mãos na minha cintura, a outra segurando meu braço. Aqueles segundos, pareceram horas.
- Nossa, que desastrada. - Digo, tentando me ajeitar, mas acabou me mexendo e sentindo algo acordar debaixo de mim. - Desculpa... Eu...droga.
- Fica quietinha, patricinha, por favor. - Ele fecha os olhos com força, respirando fundo. - Ou eu vou esquecer que você é a melhor amiga da minha irmã, e que você merece muito mais do que um bandido.
Droga!
Droga!
- Eu preciso levantar. - Sussurro sem reação.
- E eu preciso me controlar. - A voz dele soou mais rouca do que o comum.
Ele se levantou comigo no colo, e me colocou no chão, sabia que aquilo era para que eu não me movesse no seu colo e ele ficasse ainda mais excitado do que já estava.
Droga!
O que diacho eu fiz.
Já ouvi falar em amor e ódio, mas não em ódio e tesão, essa é nova.
- Eu vou dormir. Boa noite, Felipe. - Digo saindo de perto dele e correndo escada acima.
Amanhã seria um novo dia e eu iria fingir que nada disso aconteceu, que não passou de um sonho, e tinha certeza que ele também iria fingir que nada aconteceu, até por que nada aconteceu mesmo.
Eu precisava urgentemente de um buraco para me enfiar.
De preferência, um bem fundo, onde ninguém pudesse me encontrar pelos próximos cinquenta anos.
Porque, sinceramente, o que diabos tinha acabado de acontecer?
Entrei no quarto praticamente correndo, fechei a porta atrás de mim e encostei as costas nela, levando as mãos ao rosto. Meu coração ainda batia tão rápido que parecia querer escapar do peito, e a lembrança dos últimos minutos insistia em passar pela minha cabeça como uma cena em câmera lenta.
Felipe.
O colo de Felipe.
As mãos de Felipe na minha cintura.
E, principalmente, aquela voz rouca dizendo que precisava se controlar.
Meu Deus do céu!
- Não! - exclamei para o quarto vazio, apontando um dedo para mim mesma diante do espelho. - Você não vai pensar nisso, Margareth. Não vai!
Como se meu cérebro obedecesse às minhas ordens.
Soltei um suspiro frustrado e caminhei até a cama, jogando-me sobre o colchão. Enterrei o rosto no travesseiro e soltei um grito abafado.
Eu tinha acabado de me atrapalhar com alguns travesseiros e caído no colo do irmão da minha melhor amiga. Até aí, tudo bem. Poderia acontecer com qualquer pessoa desastrada.
O problema era que eu não tinha simplesmente caído no colo dele.
Eu tinha ficado ali.
Olhando nos olhos dele.
Sentindo a mão firme em minha cintura e a outra segurando meu braço, como se ele tivesse medo de que eu me machucasse.
E ele tinha me olhado de um jeito que eu nunca havia visto antes.
Não era o olhar debochado que costumava me irritar. Não era aquele sorriso convencido que parecia dizer que ele sempre conseguia o que queria.
Era diferente.
Intenso.
Quase perigoso.
E eu estava começando a desconfiar de que o perigo não era apenas o fato de Felipe ser quem era naquele morro.
O perigo era o efeito que aquele homem estava começando a ter sobre mim.
Virei de barriga para cima e encarei o teto.
- Eu preciso de terapia.
Talvez duas sessões por semana.
Ou três.
Porque não era possível que eu estivesse perdendo a cabeça por causa de um homem que, até poucos dias atrás, eu considerava insuportável.
Eu nem gostava dele!
Gostava?
Fechei os olhos com força.
Não. Definitivamente, não.
Eu gostava da Sarah. Gostava de conversar com ela, de passar horas fazendo compras, de assistir a filmes e de rir das nossas próprias idiotices.
Felipe era apenas parte do pacote.
Um pacote muito bonito, diga-se de passagem.
- Cala a boca, Meg! - resmunguei, puxando o travesseiro sobre o rosto.
Bonito?
Eu tinha acabado de chamar Felipe de bonito dentro da minha própria cabeça?
Estava oficialmente perdida.
Depois de quase meia hora tentando convencer meu corpo de que eu precisava dormir, levantei-me para tomar banho.
Talvez a água ajudasse a esfriar meus pensamentos.
Entrei no banheiro, tirei a roupa e fiquei alguns segundos sob o chuveiro, deixando a água cair sobre meus ombros.
Fechei os olhos.
E, obviamente, meu cérebro decidiu me sabotar mais uma vez.
Lá estava ele de novo.
Felipe sentado no sofá, o filme de terror passando na televisão, o braço ao qual eu tinha me agarrado por puro medo e aquela risada baixa quando percebeu que eu estava praticamente escondida contra ele.
Eu podia ouvir sua voz como se ainda estivesse na sala.
Você ainda está grudada no meu braço como um gatinho assustado.
Idiota.
Convencido.
Insuportável.
E eu tinha ficado tão confortável perto dele que nem percebi o quanto estava agarrada ao seu braço.
Até ele comentar.
Abri os olhos e encarei o azulejo à minha frente.
- Eu vou embora daqui. - murmurei.
Para onde, eu não sabia.
Minha casa estava prestes a deixar de ser minha, minha família enfrentava uma crise que eu ainda não compreendia e, por algum motivo inexplicável, eu estava hospedada na casa de um homem que conseguia bagunçar minha cabeça com meia dúzia de palavras.
O universo definitivamente estava brincando comigo.
Terminei o banho, vesti um pijama confortável e voltei para o quarto.
Dessa vez, decidi que dormiria.
Sem celular.
Sem distrações.
Sem pensar em Felipe.
Deitei, apaguei a luz e fechei os olhos.
Cinco minutos depois, abri-os novamente.
Droga.
Aquela cena não saía da minha cabeça.
Principalmente a parte em que ele me segurou.
E a parte em que me colocou no chão, levantando-se comigo no colo para evitar que eu continuasse naquela posição.
Eu me lembrava perfeitamente da expressão dele, dos olhos fechados com força e da respiração profunda que parecia exigir um esforço enorme.
E então veio a frase.
A maldita frase.
Ou eu vou esquecer que você é a melhor amiga da minha irmã, e que você merece muito mais do que um bandido.
Meu sorriso desapareceu.
Virei de lado, puxando o cobertor até o queixo.
Por que ele tinha dito aquilo?
Por que, em vez de simplesmente me afastar e fingir que nada havia acontecido, ele precisava dizer uma coisa dessas?
Eu sabia que Felipe não era um homem comum. Sabia que sua vida era muito diferente da minha e que o nome Cobra carregava um significado que eu ainda estava tentando compreender.
Mas ouvir aquilo da boca dele...
Era como se ele tivesse decidido por mim o que eu merecia, antes mesmo de me dar a chance de conhecê-lo de verdade.
E isso me incomodava.
Muito.
Porque, por alguns segundos, quando estava no colo dele, eu não tinha pensado no morro, nas histórias que ouvira ou no que ele fazia para sobreviver.
Eu só tinha pensado nele.
No calor do corpo dele, na firmeza de suas mãos e na maneira como me olhava.
E talvez fosse exatamente isso que o assustava.
Ou talvez eu estivesse criando uma história inteira em cima de um acidente ridículo.
Suspirei e apertei o travesseiro contra o peito.
- Você não merece um bandido, Meg. - repeti baixinho, imitando a voz dele.
As palavras pareceram ainda piores quando saíram da minha própria boca.
Eu não precisava que Felipe decidisse o que era melhor para mim.
Não precisava que me colocasse em uma caixinha, como se eu fosse uma garota delicada demais para lidar com a realidade.
Eu podia ser uma patricinha, como ele gostava de me chamar, mas não era feita de vidro.
E, ainda que eu não entendesse completamente o mundo dele, isso não significava que fosse incapaz de enxergar além das aparências.
O problema era que eu também não podia ignorar o que sabia.
Felipe tinha uma vida perigosa.
Uma vida da qual eu conhecia apenas uma pequena parte.
E me envolver com alguém como ele poderia significar muito mais do que algumas noites sem dormir ou um coração acelerado.
Poderia significar colocar meus próprios sentimentos em risco.
E, naquele momento, eu já tinha problemas suficientes.
Virei de um lado para o outro durante tanto tempo que perdi completamente a noção das horas.
Peguei o celular.
Uma e dezessete da manhã.
Abri a conversa com Sarah, queria saber se ela estava em algum lugar da casa, mas provavelmente saiu com Simon.
Bloqueei a tela e deixei o aparelho sobre a mesa de cabeceira.
Dez minutos depois, peguei-o novamente.
Abri a conversa com Felipe.
Fiquei olhando para o nome dele durante alguns segundos.
Não havia nenhuma mensagem nova.
É claro que não havia.
O que eu esperava? Que ele me mandasse um texto dizendo que também não conseguia dormir porque estava pensando na garota desastrada que praticamente se jogara no colo dele?
Soltei uma risada sem humor.
- Você está completamente maluca.
Apaguei a tela e me obriguei a deixar o celular longe das mãos.
Eu não mandaria mensagem.
Não perguntaria o que ele quis dizer.
Não falaria sobre o que aconteceu.
Amanhã, quando o encontrasse, agiria normalmente.
Seria educada, talvez um pouco distante, e pronto.
Nada de olhares demorados.
Nada de ficar reparando na voz dele.
Nada de lembrar da maneira como segurou minha cintura.
E, principalmente, nada de imaginar o que teria acontecido se ele não tivesse me colocado no chão tão depressa.
Meu rosto esquentou.
- Meu Deus, Meg!
Virei o travesseiro para o lado frio e escondi o rosto nele.
Era isso que estava me tirando o sono.
Eu não conseguia parar de pensar na reação dele.
Felipe tinha deixado muito claro que precisou se controlar. Não era necessário ser uma especialista em relacionamentos para entender o que aquilo significava.
E o fato de ele ter demonstrado tanto esforço para manter distância deveria me deixar aliviada.
Em vez disso, só me deixava ainda mais curiosa.
Será que ele já havia me olhado daquela maneira antes?
Será que aquelas mensagens provocadoras tinham algum significado além da vontade de me irritar?
E será que ele realmente acreditava que eu merecia alguém melhor?
A última pergunta foi a que mais me incomodou.
Porque, pela primeira vez, percebi que a frase não parecia ter sido dita para me ofender.
Parecia ter sido dita para me afastar.
Como se ele estivesse tentando me proteger de alguma coisa.
Ou de si mesmo.
Perto das três da manhã, desisti oficialmente de dormir.
Levantei-me, caminhei até a janela e afastei a cortina.
O morro estava mais silencioso àquela hora. Algumas luzes permaneciam acesas, e eu conseguia ouvir, ao longe, o som de uma moto passando por uma das ruas.
Apoiei a testa no vidro.
Era estranho estar ali.
Minha vida inteira havia sido construída em torno de lugares que eu conhecia, pessoas que frequentavam os mesmos ambientes que eu e situações que, de alguma forma, conseguia controlar.
Naquela casa, eu me sentia uma visitante em um mundo completamente novo.
Mas não era apenas isso.
Havia algo na maneira como Felipe tratava as pessoas, na forma como Sarah falava dele e na tranquilidade com que os moradores o cumprimentavam que me fazia querer entender quem ele realmente era.
Eu sabia que existiam coisas sobre ele que não eram bonitas.
Não era ingênua a ponto de ignorar isso.
Mas também não conseguia enxergar apenas o homem que os outros descreviam.
Eu tinha visto o irmão protetor que se preocupava com Sarah.
Tinha visto o homem que me buscou sem exigir explicações quando ouviu meu choro.
E tinha visto alguém que, mesmo diante de uma situação que poderia ter aproveitado para se aproximar de mim, fez questão de me colocar no chão e estabelecer um limite.
Talvez ele tivesse razão.
Talvez eu merecesse uma vida mais simples.
Um namorado que me levasse para jantar, flores em datas especiais e alguém que não me fizesse temer pelo futuro de um dia para o outro.
Mas, se eu fosse completamente honesta comigo mesma, precisava admitir que a ideia de um homem como Felipe me despertava uma curiosidade que nenhum dos rapazes do meu círculo social havia despertado.
E isso era assustador.
Porque eu não sabia separar a curiosidade da atração.
Muito menos sabia o que fazer com qualquer uma das duas.
Voltei para a cama e me sentei, abraçando os joelhos.
- Você não vai se apaixonar por ele. - declarei para o quarto vazio.
A frase soou ridícula.
Eu mal conhecia aquele homem.
Não estava apaixonada.
Estava apenas confusa, cansada e emocionalmente abalada por tudo o que havia acontecido com minha família.
Era isso.
Precisava ser isso.
E, ainda assim, quando finalmente me deitei novamente, a última coisa que pensei antes de fechar os olhos foi no modo como Felipe havia sussurrado meu nome.
Não patricinha.
Não garota.
Meg.
Como se, por um breve instante, ele tivesse deixado de lado todas as barreiras que colocava entre nós.
O céu começava a clarear quando finalmente consegui cochilar.
Não sei por quanto tempo dormi, mas acordei com a sensação de que tinha passado a noite inteira brigando comigo mesma.
Meu cabelo estava uma bagunça, meus olhos ardiam e eu tinha certeza de que precisava de pelo menos três cafés para voltar a funcionar.
Sentei-me na cama e peguei o celular.
Nenhuma mensagem.
Nem de Sarah.
Nem de Felipe.
Observei a tela por alguns segundos, sentindo uma pontada estranha de decepção que tratei de ignorar imediatamente.
Ótimo.
Era exatamente o que eu queria.
Distância.
Silêncio.
Normalidade.
Levantei-me e fui até o banheiro, decidida a tomar um banho e começar o dia como uma pessoa perfeitamente equilibrada.
Eu conseguiria.
Precisava conseguir.
Quando saí do quarto, já arrumada, ouvi vozes vindas da cozinha.
Sarah estava sentada à mesa, tomando café, enquanto Felipe permanecia perto da bancada, mexendo no celular.
Meu coração acelerou no mesmo instante.
Respirei fundo.
Era apenas Felipe.
O irmão da minha melhor amiga.
O homem que me chamava de patricinha.
O mesmo homem que eu precisava evitar a qualquer custo.
Entrei na cozinha tentando parecer tranquila.
- Bom dia.
Sarah sorriu.
- Bom dia, dorminhoca! Achei que você fosse dormir até o almoço.
Quase engasguei com o próprio ar.
Se ela soubesse...
- Dormi mal. - respondi, puxando uma cadeira.
- Pesadelo? - Felipe perguntou, sem tirar os olhos do celular.
Olhei para ele.
Aquele desgraçado sabia exatamente o que estava fazendo.
- Não. Só tive uma noite agitada.
Ele ergueu os olhos lentamente.
Por um segundo, nossos olhares se encontraram.
O canto de sua boca se curvou em um sorriso discreto.
- Imagino.
Senti minhas bochechas esquentarem.
Sarah olhou de mim para ele, franzindo a testa.
- O que foi isso?
- Isso o quê? - perguntei depressa.
- Nada. - Felipe respondeu, guardando o celular no bolso. - Sua amiga só está precisando dormir melhor.
Levantei o queixo.
- Cuida da sua vida, Felipe.
Ele soltou uma risada baixa.
- Estou tentando, patricinha.
- Então tenta mais.
Sarah começou a rir, sem entender absolutamente nada.
E eu agradeci mentalmente por isso.
Porque, enquanto ela continuava falando sobre os planos para o dia, Felipe se aproximou da mesa para pegar uma xícara de café.
Ao passar por mim, inclinou-se discretamente e murmurou, baixo o suficiente para que apenas eu pudesse ouvir:
- E fica tranquila. O que aconteceu ontem não vai se repetir.
Meu sorriso desapareceu.
Olhei para ele, sentindo uma pontada inesperada no peito.
Felipe sustentou meu olhar por um instante antes de se afastar.
Eu deveria ter ficado aliviada.
Afinal, era exatamente isso que eu queria: fingir que nada havia acontecido e seguir com a minha vida.
Mas, enquanto o observava caminhar para longe, uma certeza incômoda começou a se formar dentro de mim.
O problema nunca tinha sido apenas o que aconteceu naquela noite.
O problema era que, agora que sabia como era estar nos braços dele, eu não tinha a menor ideia de como voltaria a enxergá-lo como antes.
E o pior?
Eu não sabia se queria mesmo voltar.
{...}
Felipe “Cobra”Eu estava cuidando da patricinha, mas meus pensamentos estavam no maldito que havia colocado alguma coisa na bebida dela.Quando Samurai o encontrasse, ele iria sofrer. E sofrer muito.Só de imaginar aquele desgraçado se aproveitando de uma mulher indefesa, meu sangue fervia. Eu conhecia os perigos daquele mundo, sabia muito bem o que algumas pessoas eram capazes de fazer quando achavam que ninguém estava olhando. Mas mexer com uma mulher daquela maneira, dentro da minha comunidade, era ultrapassar todos os limites.Principalmente quando essa mulher era Margareth Romano.Aquela garota já tinha problemas suficientes para resolver. O pai havia destruído a própria família, a mãe estava tentando reconstruir a vida e ela mal conseguia esconder o quanto tudo aquilo a machucava. Meg estava perdida, mesmo quando fingia que sabia exatamente o que estava fazendo.E eu, que deveria manter distância, estava cada vez mais envolvido.Merda!Passei a mão pelo rosto, tentando afastar a
Margareth "Meg"Eu estava tranquila, bebendo minha água com gás e tentando ignorar a existência de um certo homem arrogante que, aparentemente, havia decidido fiscalizar cada movimento meu naquela noite.Felipe era um idiota.Um idiota bonito, irritantemente atraente e com uma capacidade absurda de me tirar do sério, mas ainda assim um idiota.Depois da nossa discussão, eu havia decidido que não daria mais atenção a ele. Se queria agir como meu dono, problema dele. Eu não era uma propriedade, muito menos uma criança que precisava de autorização para sair de casa.Estava conversando com uma das meninas quando senti uma tontura repentina.No começo, achei que fosse apenas o calor. O baile estava lotado, a música parecia fazer o chão vibrar e o ar estava pesado. Levei a mão à testa e pisquei algumas vezes, tentando afastar aquela sensação estranha.Mas não passou.Pelo contrário.Minha visão começou a ficar embaçada, as luzes se misturaram diante dos meus olhos e minhas pernas perderam a
Margareth “Meg”Minha mãe, com a ajuda de Samurai, logo finalizou a reforma da casinha onde havia vivido durante a infância. Pelo que Sarah me contava, Felipe tinha feito questão de garantir que nada faltasse para ela. A casa estava simples, mas bonita, com paredes recém-pintadas, móveis novos e um pequeno quintal.Eu deveria estar feliz por ela.E estava. De verdade.O problema era que, desde que tudo havia desmoronado, a nossa relação parecia ter se transformado em um campo minado. Cada conversa terminava em silêncio, cada tentativa de aproximação parecia esbarrar em alguma coisa que nenhuma de nós tinha coragem de dizer.Minha mãe estava diferente comigo.Ou talvez fosse eu quem estivesse diferente com ela.Às vezes, quando a encontrava, percebia um olhar distante, uma tristeza que ela tentava esconder e uma espécie de arrependimento que me machucava mais do que qualquer palavra.E eu comecei a pensar besteiras.Pensava que, se não tivesse engravidado de mim, talvez ela nunca tives
Margareth “Meg”Acordei naquela manhã no sofá da casa de Sarah. Não queria nem ver a minha cara horrível; tinha certeza de que estava com os olhos inchados e vermelhos, parecendo um baiacu.Minha cabeça doía, meu corpo parecia pesar uma tonelada e, para completar, eu tinha a sensação de que minha vida inteira havia sido jogada em um liquidificador e alguém apertara o botão na velocidade máxima.Meu pai era um fugitivo. Minha mãe estava tentando recomeçar a vida. Minha família, que até poucos dias atrás parecia ter tudo sob controle, agora estava no centro de um escândalo nacional.E eu?Eu ainda não sabia quem era sem o sobrenome Romano me abrindo portas.— Bom dia, amiga. Desculpa ter te deixado dormir aí, mas não queria te acordar e acabar deixando você sem sono. — Sarah disse, sentando-se ao meu lado.Virei o rosto para ela, tentando esboçar um sorriso.— Tudo bem, Sarah.Levantei-me devagar, ajeitando a blusa amassada que eu havia usado na noite anterior. Meu cabelo estava uma bag
Margareth "Meg"Acordei no dia seguinte com Sarah me sacudindo como se a casa estivesse pegando fogo.- Meg! Acorda!Resmunguei, puxando o cobertor por cima da cabeça.- Sarah, pelo amor de Deus, me deixa dormir. Se o mundo acabar, você me avisa depois.- Meg, eu estou falando sério!Havia algo diferente na voz dela. Não era a animação habitual, muito menos aquela impaciência que demonstrava quando queria me arrastar para alguma de suas ideias malucas.Abri os olhos lentamente.A expressão no rosto da minha melhor amiga fez meu sono desaparecer quase imediatamente.Ela estava pálida, com os olhos arregalados e o celular apertado entre os dedos.- O que aconteceu?Sarah engoliu em seco.- Vem comigo. Vem ver. Seu pai está na TV.Aquelas palavras foram como um balde de água fria.Sentei-me tão depressa que quase bati a cabeça na dela.- Como assim, meu pai está na TV?- Meg, só vem!Levantei da cama e saí correndo escada abaixo, sem nem me preocupar em ajeitar os cabelos ou trocar o pij
Margareth "Meg"Estava na sala assistindo um filme de terror com Sarah e Felipe, Felipe no meio de nós duas no sofá. Sarah dava pulos e gritinhos quando alguma cena dava medo, porém eu tentava me controlar, até o momento que grudei no braço de Felipe e ele deu risada.- Para que vocês insistem em assitir?- Eu não sei, vou para o quarto falar com o Simon. Vocês terminem o filme. - Sarah diz e sobe as escadas.- Acho que vou ser trocada nessas férias de novo. - Digo fazendo bico.- Você ainda tá com medo?- Eu? Não! Por que?- Você ainda está grudada no meu braço como um gatinho assustado.- Ah, desculpa! - Digo me afastando. - Acho que vou dormir, com fones de ouvidos pois não quero ter pesadelo só escutar aqueles dois.Me levanto rápido demais, tropeço nos travesseiros que estavam no chão e antes de cair, Felipe me segura e eu caio onde? Justo no seu colo.Olhos nos olhos, respiração ofegante, uma de suas mãos na minha cintura, a outra segurando meu braço. Aqueles segundos, pareceram







