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Capítulo 4

Penulis: Jhenny M.
last update Tanggal publikasi: 2026-01-31 23:39:10

Alguns minutos de um silêncio incômodo se passaram. Eu seguia imóvel, sentindo o corpo trêmulo e as mãos suando frio. Perguntei-me se deveria explicar para aquele homem que seria a minha primeira vez e as razões para estar fazendo aquilo, mas tive medo de que ele desistisse por saber que eu não tinha a menor experiência.

Sem falar absolutamente nada, ele dirigiu para um motel próximo, mantendo uma expressão séria. Quando passamos pela recepção e estacionamos, senti-me à beira de um colapso nervoso, tentando ao máximo disfarçar minha angústia.

O quarto tinha uma cama redonda, luzes em tons quentes, espelhos por toda parte (inclusive no teto), além de uma banheira de hidromassagem.

— Você é silenciosa… Gostei — ele falou pela primeira vez, ainda sério.

O olhei meio sem jeito, enquanto ele removia a gravata e desabotoava a camisa.

— Não vai se despir?

Forcei um sorriso e respirei profundamente, tentando me manter firme para que ele não percebesse o quanto eu estava envergonhada. Quando deixei cair a última peça de roupa, vi-o analisando meu corpo com um sorriso satisfeito.

— Confesso que não estava nos meus planos vir parar aqui, mas você é muito bonita… — Ele disse, aproximando-se, e deslizou a mão pelo meu pescoço, puxando-me para mais perto. — Estou impressionado…

Enquanto uma mão se entrelaçava pelos meus cabelos, puxando-os levemente para trás, ele beijava o meu pescoço, fazendo-me arrepiar com o roçar de sua barba. A outra mão passeava pelo meu corpo, tocando meus seios e minha bunda.

— Me diga o que você gosta, senhor — falei quase gemendo, extremamente tensa. — Sou um pouco tímida…

— Uma puta tímida? — Ele soltou uma risadinha.

— O que acha? Tímida e virgem… — sussurrei em um tom mais provocante. — Essa fantasia te agrada?

Ele me fitou de forma intensa, imaginando que eu estava propondo algum tipo de fetiche, mas deu certo; o homem parecia interessado.

— Posso saber o seu nome? — perguntei.

— Isso não importa… — disse ele, afastando-se brevemente para remover a calça, expondo sua rigidez, o que me fez estremecer. — Você atua muito bem.

— Sou inexperiente… Que tal me mostrar o que fazer?

Ele gesticulou para que eu me aproximasse.

— Ajoelhe-se…

Obedeci, seguindo suas ordens, satisfazendo-o com a boca. Ele me olhava de uma forma intensa, segurando meus cabelos com delicadeza enquanto rosnava com a voz rouca. O homem só parou quando chegou ao ápice, me pedindo para engolir. Somente nesse momento me dei conta da besteira que estava fazendo: eu não o conhecia e esquecera de pedir que utilizasse ao menos um preservativo.

— Para quem é inexperiente, você é muito boa nisso… — Ele elogiou, surpreendendo-me.

Em seguida, ainda com gestos gentis, me conduziu até a cama.

— Abra as pernas…

Obedeci, temendo que ele percebesse algo, e me retraí.

— Por favor, seja gentil… — falei sinceramente, ciente de que, para ele, eu era apenas uma personagem.

Ele me observava com um olhar estranhamente devoto quando se aproximou, passando o dedo por minha entrada. Senti um choque percorrendo meu corpo conforme ele me acariciava, deslizando um dedo em seguida.

— Oh… — Soltei um gemido de dor e prazer. Ele continuou a me estimular até que eu ficasse verdadeiramente excitada.

— Você é realmente muito gostosa, e eu adoraria colocar a boca aqui… — falou, massageando meu ponto mais sensível. — Mas não sei quantos caras já passaram por aí…

— Nenhum, já falei… — respondi, ainda gemendo.

Ele sorriu e se aproximou, acariciando-me com a língua. Por um segundo, acabei relaxando, entregando-me de fato ao prazer, até estremecer com um orgasmo. Ele ainda me olhava com luxúria quando colocou um preservativo e se debruçou sobre meu corpo.

— Não precisa mais fingir… — rosnou ao me penetrar, fazendo-me encolher por um momento com a dor leve. — Você conseguiu me deixar louco para te foder… Me mostre de tudo que é capaz.

Apertei suas costas com força, tentando disfarçar o incômodo, enquanto ele se movia ensandecido sobre mim, beijando meu pescoço e sugando meus seios.

— Vire de quatro — ordenou friamente. Porém, quando me levantei, vi o choque percorrer sua expressão. — O que significa isso?

Olhei para ele com espanto, dando-me conta de que o lençol branco que cobria a cama estava com uma mancha de sangue. Calei-me, sem conseguir encará-lo, e as lágrimas desceram inevitavelmente.

— Eu te falei… Falei que era virgem.

— Você não estava brincando? Ficou louca? Que diabos estava fazendo? Não é uma prostituta? Então por que se ofereceu?

— Eu… Eu precisava… Mas isso não importa. Vamos terminar, pode terminar… Faça o que quiser.

Fiquei na posição que ele pediu. Porém, ele se afastou e me deu as costas, parecendo realmente contrariado.

— Precisava?

Sentei-me na beira da cama, cobrindo o rosto com as mãos enquanto chorava dolorosamente, incapaz de dizer qualquer coisa.

— Vista-se — ele disse de forma seca.

— Por que ficou tão bravo? Que diferença isso faz?

Ele me fitou com uma expressão indecifrável, até que desviou o olhar.

— Quanto custou a sua virgindade? — perguntou com a voz embargada, enquanto se vestia freneticamente.

Levantei-me, buscando meu short e pegando a receita que estava no bolso. Estendi o braço com as mãos trêmulas.

— Compre para mim… E… se puder… comida, um jantar… É… três — gaguejei.

Ele puxou a receita da minha mão de forma grosseira, mas sua expressão raivosa foi substituída por um olhar piedoso. Até seu tom mudou.

— Quem é Beatriz? Não é sua filha… afinal… bom…

— Minha irmã. Ela está doente, não tenho como comprar os remédios. São duas… duas irmãs… Elas estão com fome, não temos nada… ninguém…

Busquei o olhar dele, que me encarava espantado antes de se afastar em silêncio. Após abotoar o último botão de sua camisa, ele caminhou rumo à saída.

— Vamos, vou te deixar em casa.

O acompanhei de cabeça baixa, entrando no carro sem dizer muito.

— Se eu estiver pedindo demais, compre ao menos os remédios. Por favor? — supliquei.

Ele continuou me ignorando até parar em frente a uma farmácia. Nesse momento, meu coração se encheu de esperança.

— Desça — ordenou.

Seguimos até o caixa e ele solicitou os medicamentos. Em seguida, sem me olhar diretamente, falou:

— Se tiver algo mais de que precise, pegue.

Olhei ao redor e, sem cerimônia, peguei itens básicos que nos faltavam, como desodorante e xampu. Ele pagou e voltamos para o carro.

— Obrigada — falei, esboçando um sorriso.

Ele trocou olhares comigo, balançando a cabeça em negação.

— Quantos anos você tem? Não pensou em arrumar um emprego… bom… decente?

— Vinte e quatro. Estou tentando… É que aconteceram muitas coisas, eu não tinha muitas opções no momento.

Ele respirou pesadamente, olhando para o nada.

— Quer os jantares ou prefere passar em um mercado?

— Eu não tenho onde conservar ou como preparar qualquer alimento.

— Está morando na rua?

— Num quarto… Aluguei recentemente, não temos muita coisa.

— Se estiver brincando com a minha cara…

— Não estou. Eu realmente queria que fosse brincadeira, mas não é.

Ele seguiu para um restaurante, permitindo que eu montasse três marmitas da forma que eu quisesse e, por fim, levou-me até a porta de casa.

— Obrigada — falei sem jeito, de cabeça baixa.

— Pegue… — Ele mexeu na carteira, tirando cinco notas de cem reais.

— É muito dinheiro, senhor… Eu…

— É tudo o que tenho em mãos. Desça.

Ainda atônita, desci rapidamente. Notei que ele só saiu com o carro depois de me ver entrar. Eu tinha perdido a noção da hora; quando cheguei, Beatriz já havia dormido, mas Amanda correu em minha direção.

— Isa, graças a Deus! Onde você estava? Achei que tivesse acontecido algo — falou nervosamente, até notar as sacolas. — O que é isso tudo?

— Os remédios, itens de higiene e comida. Vamos comer.

Amanda olhou-me desconfiada.

— Como conseguiu tudo isso?

— Uma pessoa me ajudou. Contei nossa história e ela quis ajudar — menti, como me convinha.

Ela sorriu, sem suspeitar de nada, e abriu a marmita com os olhos brilhando. Em seguida, correu até a irmã.

— Bia, acorda… Temos comida!

Naquela noite, após me tranquilizar ao ver minhas irmãs dormindo de barriga cheia, chorei silenciosamente. Não conseguia parar de pensar naquele homem que, apesar de se mostrar arrogante e frio, parecia ter um bom coração.

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