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7 - FERA – QUERO A MESMA

Autor: Crisfer
last update Data de publicação: 2026-09-28 01:58:22

FERA – QUERO A MESMA

Acordei naquela manhã e saí pra correr pelo morro. O dia mal tinha amanhecido. Era meio que uma mania minha fazer isso quando estava por aqui. Acordar cedo, correr, voltar, tomar banho e tomar café da manhã com meu filho. O ar ainda estava fresco, o céu começando a clarear num tom cinza-azulado.

Vesti um short e uma camiseta preta. Desci as escadas da casa em silêncio e saí pela porta dos fundos.

Correr no morro me dava uma sensação estranha de controle. Ninguém sabia quem eu era. Via os primeiros vendedores abrindo as biroscas, os meninos indo pra escola, as mulheres varrendo as calçadas. Eu passava por eles como qualquer homem de meia-idade. Sem o peso do nome Fera. Sem o medo que o meu nome carregava. Só o suor escorrendo pelas costas e a mente trabalhando.

Mas aquele dia foi diferente.

Desde que acordei, a imagem daquela garota não saía da minha cabeça. A pele morena, os cachos, o jeito que o corpo dela reagia ao meu toque. Os gemidos inocentes. A boca deliciosa. Eu nunca repetia. Nunca. Mulheres eram descartáveis. Mas aquela… aquela tinha sido diferente.

Voltei pra casa com o corpo quente e a mente ainda nela. Subi direto pro banheiro, liguei o chuveiro e entrei debaixo da água morna. Fechei os olhos e a imagem voltou forte. As curvas delicadas, a cintura fina, a buceta apertada e molhada. Minha mão desceu até o pau, que já estava duro só de lembrar. Segurei firme e comecei a subir e descer, devagar no começo, depois mais rápido. Freneticamente. Imaginando a boca dela em volta de mim. O corpo dela embaixo do meu. Os gemidos baixinhos que ela soltava quando eu metia fundo.

— Porra… — grunhi baixo, a testa encostada no azulejo frio.

Gozei forte no box, o esperma escorrendo junto com a água pro ralo. Fiquei ali alguns segundos, recuperando o fôlego, ainda com a imagem dela na cabeça. Estranho. Fazia anos que uma mulher não me deixava assim. Nem depois de acabar.

Terminei o banho, me sequei e desci pra cozinha. A empregada, uma mulher de uns cinquenta anos chamada Marta, terminava de pôr a mesa. Pão, manteiga, pão de queijo, café fresco.

— Ele ainda não acordou? — perguntei, me referindo ao Steve.

— Não, senhor. Já o chamei, mas ele tá num sono pesado. Quer que eu chame de novo?

— Não. Deixa ele.

Sentei e comi em silêncio. Mastiguei o pão com manteiga, bebi a xícara de café preto e comi uns três pães de queijo. A mente ainda nela. Naquela boca. Naquele corpo. Já sabia o que ia fazer. Ia pedir a mesma de novo. Queria ver o rosto dela. Queria ver os olhos enquanto eu fodia.

Depois do café saí de novo pelo morro. O dia já estava clareando de verdade. O calor típico de verão começava a apertar. Ninguém sabia que eu era o dono daquilo tudo. E isso facilitava. Via as bocas funcionando, o movimento dos aviões, os caras de confiança passando informação. Observava tudo sem estar maquiado. Sem o peso da fama. Só um homem andando.

Voltei pra casa perto da hora do almoço. O cheiro de comida fresca vinha da cozinha — feijão, arroz, alguma carne. Ia subir as escadas e encontrei o Steve descendo ainda de cueca, bocejando, o cabelo bagunçado.

— Bom dia, pai.

— Bom dia. Quase meio-dia, cara. Não cuida desse morro não?

Ele resmungou, coçando os olhos.

— Ah, pai… tive uma noite daquelas. Não fode.

Sentei na mesa e ele se juntou a mim. A Marta serviu o almoço em silêncio e se retirou.

— Alguma garota da Dalva? — perguntei.

Ele fez uma cara de nojo.

— Tá louco. Faz tempo que não pego puta. Tô saindo com uma moradora aqui do morro.

Arqueei uma sobrancelha.

— Moradora? Essas novinhas só querem status. Já te disse. Fode, esvazia o saco e cai fora.

— Não é assim não. Ela é certinha. Tem um moleque. É trabalhadora.

Eu soltei uma risada curta e seca.

— Ihh, cara… mulher com filho? Tá doido.

Ele encolheu os ombros, pegando um pedaço de carne.

— O pai do moleque é aquele vacilão, tá ligado? O Ismael que tá trancado.

Lembrei na hora. Ismael. Um cara impulsivo, barulhento, que achava que era o dono do mundo até ser preso anos atrás. Realmente um vacilão. Nunca gostei dele.

— Tem que fazer igual eu — disse, cortando a carne. — Peguei a melhor putinha da Dalva ontem. Vou pedir pra ela mandar de novo hoje.

Steve estalou a língua, rindo.

— Ontem eu acabei exagerando na droga. Não lembro o que aconteceu com a mina… só lembro dos amassos. — Ele passou a mão na cabeça, frustrado. — Foda. Fiquei chapadão.

Eu olhei pra ele e soltei uma risada baixa.

— Nem sabe se comeu a mãezinha?

Ele riu também.

— Não lembro. Vou ter que colar lá mais tarde pra sondar. Por via das dúvidas deixar ela falar, né?

— Isso aí. Admitir que não lembra de ter comido é vacilação.

Nós dois rimos. Almoçamos juntos, conversando sobre o movimento do dia. Depois fomos pro escritório. Resolvi uns assuntos com ele: quem estava atrasado no pagamento, quem precisava de uma lição, quem estava crescendo demais e precisava ser podado. Steve prestava atenção, mas eu via que a cabeça dele ainda estava na noite anterior. Naquela menina.

Quando terminamos, subi pro meu quarto. Fechei a porta, peguei o celular e disquei o número da Dalva.

— Alô, Dalva?

— Oi. Como foi ontem? Satisfeito?

— Muito. Quero ela novamente.

Houve um pequeno silêncio do outro lado. Depois a voz dela saiu surpresa.

— A mesma? Gostou mesmo, hein. Nunca repete buceta.

— Sim. A mesma. Manda ela vir logo. Tô doido pra comer ela de novo.

— Tá certo. Vou mandar ela.

Desliguei.

Fiquei parado no meio do quarto por um momento. Pela primeira vez em anos, eu não ia usar a venda. Queria ver o rosto dela. Queria ver os olhos. Queria ver a expressão dela enquanto eu metia fundo. Queria saber se o gemido inocente batia com o olhar.

Me preparei. Tomei outro banho rápido, vesti uma calça preta e camiseta. Deitei na cama, esperando. O pau já estava meio duro só de antecipação.

A mesma.

Eu nunca repetia.

Mas aquela… aquela eu queria de novo.

E dessa vez eu ia ver tudo.

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